Os Dois Bodes e a Expiação

Lição 26 - Os Dois Bodes e a Expiação
Texto Básico: Levítico 16:1-10 // Verso Áureo: Isaías 53:5

INTRODUÇÃO DA LIÇÃO
A interpretação errônea de certas passagens das Escrituras, tem sido a causa da ruína de muitos sistemas religiosos. Mesmo que no momento nada lhes suceda, certamente terão uma grande decepção no final de tudo. Não é uma boa escusa, esperar para ver. Vamos ver já, pois se há suspeita de erro, por que esperar, quando não haverá mais tempo? Há algumas correntes sabatistas que advogam ser um dos dois bodes, uma figura de satanás. Seria isto verdade? Que representam ambos os bodes?

QUESTIONÁRIO
1. A Moisés foi ordenado construir um Santuário destinado a serviços e rituais. Que modelo lhe foi dado?
Foi-lhe ordenado construir conforme um modelo mostrado no monte. Embora haja algumas semelhanças, a Bíblia não diz que era exatamente como o celestial e nem que as cerimônias eram idênticas. (Êxodo 25:9, 40; 26:30; Atos 7:44; Heb. 9:24,25; 10:1).

2. Quantos compartimentos possuía este Santuário ou tabernáculo e por que um véu interior separava as partes?
O santuário propriamente dito se compunha de dois compartimentos, a saber: O Santo Lugar, onde ministravam diariamente os sacerdotes e o Santo dos Santos ou Santíssimo, onde habitava a presença de Deus e estava a arca do concerto. Neste compartimento, somente o sumo sacerdote podia entrar, uma única vez por ano, no dia da Expiação (Lev. 16:2; Heb. 9:7). O véu katapetasma separava os dois compartimentos. A existência de um compartimento mais santo que o outro e com a entrada restrita, se prende ao fato dos serviços e rituais serem ministrados por homens falíveis.

3. Que evento importante acontecia uma vez ao ano, no dia 10 do 7º mês?
Se realizava a purificação do Santuário. Os pecados cometidos pelos filhos de Israel eram provisoriamente removidos pelo sacrifício contínuo e transferidos ao Santuário. Uma vez no ano se fazia, portanto, a purificação do Santuário, ocasião em que o sumo sacerdote, após sua própria purificação, entrava no Santíssimo para purificá-lo (Heb. 9:7; Lev. 16:6).

4. De que constava a cerimônia de purificação?
Havia a oferta de um novilho e um carneiro, além do banho e vestimenta do sumo sacerdote, o que não comentaremos neste estudo, pois nos ateremos aos pontos principais. Da congregação de Israel se tomavam dois bodes para expiação pelo pecado. Um sorteio destinado a designar a função de cada bode era feito. Um deles seria sacrificado e outro seria o bode emissário. A este último competia realizar a parte final do ritual, transportando para fora do arraial, o pecado do povo. O sangue do primeiro bode era trazido por Arão para dentro do Santo dos Santos e espargido sobre o propiciatório. Findo isto, o segundo bode era apresentado e sobre a cabeça deste eram confessadas todas as iniqüidades dos filhos de Israel. Um homem levava este bode ao deserto e assim as iniqüidades eram levadas a uma terra solitária. Somente então estaria concluído o dia e o serviço da expiação!

5. Pode o bode emissário ser considerado como satanás?
Note que os versículos 5 e 10 são bem claros ao afirmar que ambos os bodes eram para expiação do pecado: “E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado...Mas o bode sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, para enviá-lo ao deserto como bode emissário.” Ora, se ambos os bodes eram para se fazer expiação, o bode emissário não pode ser satanás em hipótese alguma. O adventismo incorre em grave erro ao defender esta tese, pois isto, em outras palavras, seria admitir que Jesus depende da ajuda do diabo, para realizar a salvação do homem. Daqui surgiu a base para a idéia de que, após a vinda de Cristo, a terra virará um deserto, sem habitação e será a morada de satanás por mil anos, numa prisão circunstancial.

6. Mas, não diz o verso 20 “...havendo pois acabado de expiar o santuário e a tenda da congregação, e o altar, então fará chegar o bode vivo.”? Não prova isto que antes do bode emissário sair, o santuário já estava purificado e o serviço de expiação totalmente encerrado?
Não, não prova. Veja que o serviço do dia da expiação incluía a remoção dos pecados para fora do arraial, sem o que o trabalho estava incompleto. O bode emissário também fazia expiação (Vs. 5,10, 22), pois tinha sobre si os pecados e os e levava. Questionamos, que pecados eram estes, se o primeiro bode já os tinha expiado? O trabalho era feito em duas fases: Primeiro expiado do Santuário e depois removido do arraial.

7. Quem, na verdade, representa os dois bodes e por quê?
Jesus é o único que tira o pecado do mundo. Ele realizou o trabalho dos dois bodes, levando nossos pecados sobre Si, para fora do lugar santo, do arraial e sendo sacrificado no Calvário. Lá ele realizou uma obra plena, completa (Isaías 53:4-12; Heb. 13:11.12). No antigo pacto, não era permitido se oferecer sacrifícios fora das dependências do tabernáculo (Lev. 17:8,9). Aí, certamente, está a razão de se precisar de dois bodes para a expiação, purificação do santuário e remoção dos pecados.

8. Quem, afinal, é Azazel? Não é o nome do bode emissário?
O texto diz: “ ...Quanto ao bode o qual caiu a sorte para Azazel...afim de ser enviado a Azazel, no deserto...” (Lev. 16:5, 10, Bíblia de Jerusalém). O texto não diz que o bode era Azazel, mas que seria enviado a Azazel. Segundo a versão siríaca, cananeus e hebreus entendiam que Azazel era um demônio que habitava no deserto. A nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, pág. 192, acrescenta: “Deve-se notar que o bode expiatório não é sacrificado a Azazel, mas leva para o deserto, morada deste demônio, as faltas do povo.”

Meditação
Os animais apresentados a Deus, deveriam ser sem mancha e sem defeito. Se um dos dois bodes representava a satanás, perguntamos: Desde quando este personagem é sem mancha ou defeito?
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