E-learning
 
Para onde caminhamos na educação?

As tecnologias começam separadas - computador, telemóvel, Internet, mp3, câmera digital - e caminham na direcção da convergência, da integração, dos equipamentos multi-funcionais que agregam valor. O computador continua importante, mas ligado à Internet, à câmera digital, ao telemóvel, ao mp3, principalmente aos pockets ou computadores de mão.

O telefone móvel é a tecnologia que mais surpreende actualmente: é móvel e rapidamente incorporou o acesso à Internet, a foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), o entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços.

Estas tecnologias convergentes e combinadas modificam profundamente todas as dimensões da nossa vida. A Internet, principalmente, está trás fundamentalmente nestes últimos 10 anos uma mobilidade muito maior, a possibilidade de realizar actividades ou tarefas sem necessariamente ir a um lugar determinado.

As redes estão  a provocar mudanças profundas na educação presencial e à distância. Na presencial, eliminam o conceito de ensino-aprendizagem localizado e temporário. Podemos aprender desde vários lugares, ao mesmo tempo, on-line e off-line, juntos e separados. Como nos bancos, temos nossa agência (escola) que é nosso ponto de referência; só que agora não precisamos ir até lá o tempo todo para poder aprender.

As redes também estão a provocar mudanças profundas na educação à distância. Antes a EAD era uma actividade muito solitária e exigia muita autodisciplina. Agora, com as redes, a EAD continua como uma actividade individual, combinada com a possibilidade de comunicação instantânea, de criar grupos de aprendizagem, integrando a aprendizagem pessoal com a de grupo.

A educação presencial está a incorporar tecnologias, funções, actividades que eram típicas da educação à distância, e a EAD está a descobrir que pode ensinar de forma menos individualista, mantendo um equilíbrio entre a flexibilidade e a interacção.

Algumas tendências de mudanças na educação a curto e médio prazo parecem mais claras:

• Transição gradual do presencial para o semi-presencial, como nos serviços (bancários, telefónicos...). Progressiva virtualização dos processos pedagógicos e de gestão.

• O "blended learning" como guia e horizonte. O ensino, mesmo fundamental, terá momentos e actividades não presenciais, acentuando-se o virtual na medida em que os alunos vão se tornando adolescentes e principalmente, adultos.

• Da previsibilidade à experimentação. Para romper com o modelo tradicional de organizar o ensino-aprendizagem, estamos a passar por etapas longas de experimentar caminhos parciais, soluções experimentais locais até termos certeza do que vale a pena fazer em cada momento para cada situação. Isso necessitará de anos, provavelmente uma ou duas décadas.

• Com a prática aprenderemos a dar o valor adequado a estarmos juntos, conectados, a conciliar a flexibilidade individual com a de grupo, a saber trabalhar sozinhos e juntos, aproveitando as inúmeras tecnologias de comunicação multimédia que estão a convergir velozmente por vários caminhos, de várias formas e que terão profunda influência em todos os níveis e formas de educação.

Educação cada vez mais complexa

A educação será cada vez mais complexa, porque a sociedade vai se tornando a todos os campos mais complexa, exigente e necessitada de aprendizagem contínua. A educação acontecerá cada vez mais ao longo da vida, de forma seguida, mais inclusiva, em todos os níveis e modalidades e em todas as actividades profissionais e sociais.

A educação será mais complexa porque vai incorporando dimensões antes menos integradas ou visíveis como as competências intelectuais, afectivas e éticas.

A educação será mais complexa porque cada vez sai mais do espaço físico da sala de aula para ocupar muitos espaços presenciais, virtuais e profissionais; porque sai da figura do professor como centro da informação para incorporar novos papéis como os de mediador, de facilitador, de gestor, de mobilizador. Sai do aluno individual para incorporar o conceito de aprendizagem colaborativa, de que aprendemos também juntos, de que participamos de e contribuímos para uma inteligência cada vez mais colectiva.

As tecnologias na educação do futuro também se multiplicam e se integram; tornam-se mais e mais audiovisuais, instantâneas e abrangentes. Caminhamos para formas fáceis de vermo-nos, ouvirmo-nos, falarmo-nos, escrevermo-nos a qualquer momento, de qualquer lugar, a custos progressivamente menores (embora altos para a maior parte da população).

As modalidades de cursos serão extremamente variadas, flexíveis e "customizadas", isto é, adaptadas ao perfil e ao momento de cada aluno. Não se falará daqui a dez ou quinze anos em cursos presenciais e cursos à distância. Os cursos serão extremamente flexíveis no tempo, no espaço, na metodologia, na gestão de tecnologias, na avaliação. Também não se falará de "e-learning", mas de "learning" simplesmente, de aprendizagem.

Acredito que prevalecerá o sistema modular: os alunos completarão créditos à medida que forem concluindo os seus cursos e suas escolhas, completando determinado número de horas, de actividades, de requisitos, obtendo diferentes níveis de reconhecimento ou certificação com organizações académicas e corporativas nacionais e internacionais.

Apesar de que caminharmos nesta direcção, não podemos esquecer que a escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Os modelos de ensino centrados no professor continuam predominando, apesar das tecnologias e dos avanços teóricos na aprendizagem.

Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais lentas do que desejamos, que muitas instituições continuarão reproduzindo no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.