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ZERO

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O Grupo ZERO nasceu por volta de 1982 a partir do   grupo VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA que segundo seu band leader Guilherme Isnard resolveu criar um novo grupo e para isso teria que começar do ZERO. Nascia aí um grupo  que   misturava   poesia com musicalidade. Músicas mais conhecidas: Quimeras e Formosa.

Formação: Rick Villas, Freddy Haiat, Guilherme Isnard, Eduardo Amarante, Malcolm Oaklev.

DISCOGRAFIA:

a) Compacto Herois

 

      

1) Herois

2) 100% Paixão

            Os solos de guitarra de 100% Paixão foram gravados e tocados ao contrário e a pancada seca e do som de uma batida em um extintor também tocado invertido.

b) Em 1985 lançaram o Lp  Passos no Escuro com seis músicas:

 

 

1) Cada Fio um Sonho
2) Agora eu sei
3) Formosa
4) Os olhos Falam
5) Passos no escuro
6)Quero te contar

Formosa foi a música que fez mais sucesso, mas destaco, também,  O Olhos Falam, por sua excelente letra, Cada Fio um Sonho e Quero te Contar.

c) Em 1987 o segundo e último Carne Humana, com dez músicas:

01) Algum vício
02) Quimeras
03) Linha da vida
04) Abuso de poder
05) Medo de voar
06) Carne humana
07) Seu planeta
08) Game over
09) Sem pudor
10) A luta e o prazer

Deste LP destacou-se Quimeras como o grande sucesso, mas eu destaco, ainda, Abuso de Poder, A Luta e o Prazer e Sem Pudor. A música Medo de voar foi feita para o filho do Guilherme Isnard. As músicas dos links devem ser renomeadas para WMA.

 

d) Zero Electro Acústico

CD de retorno da banda, gravado em 2001 pela Sony Music, com 15 faixas entre novas e regravações. A venda no site da Som Livre e nas lojas em geral.

01. Agora Eu Sei (eletro Acústico) 
02. Formosa 
03. Mentiras 
04. Carne Humana 
05. Heróis 
06. Me Solta! 
07. Algum Vício 
08. Quimeras 
09. Em Volta do Sol 
10. Dedicatória 
11. Os Olhos Falam 
12. Cada Fio um Sonho 
13. Passos No Escuro 
14. A Luta e o Prazer 
15. Agora Eu Sei (eletro)

e) ZERO OBRA COMPLETA - EMI - 2003

01. Cada Fio um Sonho 
02. Agora Eu Sei 
03. Formosa 
04. Os Olhos Falam 
05. Passos no Escuro 
06. Quero Te Contar 
07. Algum Vício 
08. Quimeras 
09. Linha da Vida 
10. Abuso de Poder 
11. Medo de Voar 
12. Carne Humana 
13. Seu Planeta 
14. Game Over 
15. Sem Pudor 
16. A Luta e o Prazer 

f) Discos Promocionais da EMI: 

1) Em 1986 um Mini-LP Promocional com Legião Urbana, Plebe Rude, Kiko Zambianki e Zero com a música Formosa versão remix.

2) Em 1987 dois LPs Promocionais um com a música A LUTA E O PRAZER em ambos os lados;

 

3) Outro com a música Quimeras em ambos os lados:

g) Coletâneas: 

1) Em 1985 participaram do LP Intocáveis com a música Heróis:

2) Participam dos CDs Sucessos Inesquecíveis Pop  da EMI  e Rock Brasil  da Globo Disk, ambos de 1998, com a música Agora Eu Sei:

           

 

3) Participaram da coletânea Pop Rock para Sempre da Emi em 2001, com a música A Luta e o Prazer.



01. Você 
02. Aroma 
03. Erva Venenosa - Herva Doce 
04. Só Você - Vinícius Cantuária 
05. Primeiros Erros (chove) - Kiko Zambianchi 
06. Onde Estou 
07. Eu Só Quero Ser Feliz 
08. Menina de Família (safadinha) - Supla 
09. A Luta e o Prazer - Zero 
10. Beije-me Cowboy - Arte no Escuro
11. Palpite - Vanessa Rangel 
12. Revista de Mulher Pelada! 
13. Proibida pra Mim (grazon) - Charlie Brown Jr. 
14. Pula - Tihuana 

h) Demo Tape

1) Em 1985 lançaram uma fita demo "Herois de Hamelin" com Guilherme Isnard (vocal / alto sax), Fabio Golfetti (guitarra), Nelson Coelho (guitarra), Alberto Birger (baixo), Claudio Souza (bateria).
Com as seguintes músicas:

  • 01) Os Olhos Falam
  • 02) Objetos do Desejo
  • 03) Heróis de Hamelin
  • 04) Cidade Maldita
  • 05) Dias Melhores
  • 06) 100% Paixão
  • 07) Caim e Abel
  • 08) Falar e Ouvir
  • 09) 100% Paixão (single)
  • 10) Heróis (single)
  • 11) Caim e Abel (May East's Indio)
  • 12) Zero
  • 13) Humanidade
  • 14) 15 Anos
  • 15) Fátima
  • 16) 3 Mistérios

CD DIAS MELHORES

1) Herois

2) 100% paixão

3) Caim e Abel

4) Os Olhos Falam

5) Objetos do Desejo

6) Horois de Hamelin

7) cidade Maldita

8) Dias Melhores

9) 15 Anos

10) Falar e Ouvir

11) Humanidade

12) Zero

 
 
i) HISTÓRIA

Conhecidos do grande público pelo hit "Agora Eu Sei", a grupo tem na verdade raízes mais fundas e uma história no underground paulistano

        Em sua recente apresentação no concreto brasiliense, o Zero quase foi por terra. Um quebra-pau nos bastidores por pouco não levou a banda a embarcar num avião para o Rio de Janeiro a fim de discutir com a gravadora se continuavam ou paravam ali mesmo. E tudo começo porque faltou uma estante (aquele tripezinho para partituras) para o vocalista Guilherme Isnard colocar suas anotações ... Embora sejam comuns incidentes deste tipo. o melhor é esquece-los. Mesmo porque o Zero tem outros elementos que, juntos, tornam uma boa banda. A eles. então.
        Eduardo Amarante (guitarra) tem um passado mais que consistente. Ajudou a fundar, em 82. o Agentss e o Azul 29, verdadeiros pioneiros do pop eletrônico no Brasil. No Agentss, além de Edu, estavam Miguel Barella (o"Voluntário da Pátria") e a figura principal da banda: Kodiak Bachine, um performático gentman eletrônico. Na Azul 29, Thomas - "Miko", Thomas "Corone" e Malcolm completavam o time junto com Edu. Os dois grupos tiveram compactos gravados pela WEA em 83, que não saíram fiéis ao seu som. O Agentss editou, também, um compacto independente Ägentss/ Angra'', considerado fundamental na história do pop eletrônico nacional.
        No final de 85, (Guilherme convidou Eduardo para montar uma banda. Guilherme vinha da antiga formação do Zero e, antes, do Voluntários da Pátria. Em ambas ele assumia, também, o vocal. Mas o primeiro Zero não durou muito o que sobrou foi apenas um compacto: "Heróis'' / 100% Paixão''. Os ex-integrantes estão agora no Violeta de Outono Fábio e Cláudio, no Sotaque (Nilson) e Nau (Beto). Com a permissão destes, Guilherme ficou com a posse do nome Zero.
        Eduardo estava há oito meses sem pegar na guitarra mas, mesmo assim aceitou o convite de lsnard. Logo em seguida Fredd\ Haiat entrou em cena. Além de assumir os teclados. Freddy divide quatro das seis composições do mini-LP Passos No Escuro, ora com Rick Villas (baixo), ora com Eduardo e Guilherme. Tanto Freddy como Athos Costa (bateria) vieram de obscuras plagas - Degradée e Tan-Tan Club. ''Tínhamos um tesão incubado, mas nunca chegávamos ao orgasmo", explica Athos. Diz ainda que no Zero conseguiu encontrar a energia que faltava na sua ex-banda. Realmente, Athos é um dos responsáveis pela energia do grupo, onde segura uma boa cozinha. 

        Banda montada, começaram os delírio,. "A gente foi para o estúdio (de Eduardo) e começamos a trocar idéia sem ter idéia alguma'', explica o guitarrista. Estruturados e familiarizados um com o outro, partiram para a gravação de uma demo, enviada logo em seguida à Odeon. A gravadora adorou e colocou os rapazes em tempo relâmpago no estúdio - uma semana. 

        Ainda nessa época o Zero recebeu um convite para tocar no Paraná, onde, para surpresa geral. eram superconhecidos. Lá chegando. depararam-se com mais ou menos mil pessoas, todas tendo o logo do Zero estampado no peito. Explicação: era a ''festa da camiseta''. Mas a história não pára por aí. Depois do show, Eduardo desapareceu. Voltou só na manhã seguinte, cheio de presentes. . . E contou que tinha sido raptado por um malandro que queria comemorar o aniversário em sua ilustre companhia. Debaixo de um barracão de zinco, de smoking e maquiado. Edu recebeu as mais honradas homenagens.
        O Zero atual tem como proposta  musical um estilo que atinja um numero maior de pessoas. ''Algo que o RPM começou por aqui e o Roxy Music lá fora. Pop sem concessões - romântico seria ser meloso", explica Guilherme. E, por falar emRPM. até que ponto o sucesso do Zero está ligado à canja no vocal de Paulo Ricardo no hit "Agora Eu Sei''? Athos responde sem titumbear: A musica é sucesso e o Paulo canta nela pelo  mesmo motivo: porque é boa",  "Mas não dá para negar que o Paulo ajudou bastante'', completa Guilherme.
        E assim a banda chegou ao conhecimento público. Por isso uma produção mais apurada e incentivos da gravadora vieram a ajudar os shows seguintes. Para estas apresentações, o Zero ganhou mais três elementos:
Paulo Horácio (ex-Voluntários da Pátria) e Eliane Ribeiro nos backing vocals, e Marcelo Zimherg, que arranca belos solos do sax em algumas intervenções.
Durante os ensaios que antecederam estes shows, camisas, camisetas e calças jeans substituiam o visual new-romantic que veste a banda quando esta sobe ao palco. O guarda-roupa é ditado por Guilherme, assim como as letras e slogans do tipo: "Música para os que sabem beijar e para os que vivem o outro lado da
meia-noite."
        Ainda durante os ensaios, Eduardo indicava as entradas, as pausas e criticava algumas finalizações. Guilherme, após uma canção, pediu a ele que o deixasse repetir uma estrofe naquela música. ''Depois a gente canta e vê se dá. Vamos para a próxima". No caderninho de letras do vocalista, uma frase saltava aos olhos: - Como é triste ser tão incapaz de amar.

Bibliografia: Revista Biss - Outubro 1986.

 

j) FOTOS

   

l) REPORTAGENS

        Revista Bizz - Setembro 1986

Depois vêm falar do teor de veneno da minha rosácea, aveludada e delicada lingüinha! Pois não é que o porta-estandarte dos new-romantics do terceiro mundo, vocalista e arremedo de saxofonista de uma banda chamada "estaca zero" ou coisa parecida (sim, aquela mesma que pegou carona no sucesso dos Paulos Ricardos por Minuto), este mocinho até bem-intencionado em suas infindáveis dores-de-cotovelo, aproveitou a deixa de uma entrevista em certo jornal de São Paulo para descer a ripa em bandas como Titãs, Paralamas do Sucesso e Akira S & as Garotas que Erraram. Até ai tudo muito bem e divertido. Como diz outro desbocado por natureza, o senhor Lobão. Sem atrito, o homem não teria feito fogo (uma bela metáfora, se me permitem mais esta manifestação de prolixidade). Só que o Guilherme lsnard não se contentou com essas inocentes farpas e resolveu atacar o selo e a pessoa Baratos "Luiz Calanca" Afins, usando para isso o santo nome de um dos meus grupos favoritos, o Violeta de Outono. Mais engraçada ainda é a conclusão da entrevista, quando afirma que os Mutantes foram a melhor de todas as bandas que eu curti na minha infância. Ué, Guigui, que ingratidão com a Familia Do-Ré-Mi!!

Claudette Poodle

 

Revista Bizz - Março 1987

Guilherme Isnard - O último Romântico

Foi quase um ano todo de escaramuças: a uma opinião desfavorável publicada na Bizz, o vocalista do Zero respondeu com um telefonema e uma visita ameaçadores. Truca, retruca, e a temperatura foi subindo, subindo... Três ou quatro ligações mais tarde - e uma quase-sessão de pugilato com dois de nossos editores em uma pacífica festinha --, finalmente a paz (esperamos!) ... Biia Abramo ("em você eu confio") foi ao encontro da fera. Então fala, Guilherme!

BIZZ - Você sempre teve uma história de atrito com a imprensa...

Guilherme - A imprensa sempre teve uma história de atritos comigo. Eu sou uma pessoa que fala o que pensa, sou uma pessoa sincera, não faço média com ninguém, não sou de nenhuma panela, não tieto ninguém e eu acho que as pessoas não gostam disso. Eu sou muito na minha. Eu não sou amigo de ninguém daquela turminha, então acho que eles falam: "Ah, ele não é amigo de ninguém, então ele é do lado de lá". Eu acho chato, mas eu já passei da fase de ficar nervoso. Na verdade, não tem nada específico, não tenho queixas do José Augusto Lemos, nem do Alex Antunes, nem da Sônia Maia. Só acho que, se eles não estão a fim de me levar a sério, podiam, pelo menos me deixar quieto.

BIZZ - Você disse que passou da fase de ficar nervoso ...

Guilherme - Porque, no começo, incomodava o escárnio de um certo tipo de imprensa que pode ser chamada de poderosa; porque tem uma distribuição no Brasil, faz parte de uma empresa que é considerada no ramo editorial, que tem um bom acabamento final, boa impressão, boas fotos; enfim, é um produto legal; você ter este tipo de veículo lhe atacando ou tendo uma postura irônica em relação ao seu trabalho é chato, porque você fica inseguro. Mas, depois que você resolveu seu problema de insegurança, pode falar o que quiser. Mas os caras vivem me sacaneando, ou -- o que é pior -- ignorando o meu trabalho, ignorando as minhas 130 mil cópias reais -- não as cópias do Capital Inicial, 250 mil cópias de mentira, eles ainda nem receberam disco de outro -- a vendagem, a execução em rádio... Eles ignoram, não dão valor. Eu acho o meu disco ótimo, as composições são de dois anos atrás e agora está tocando a segunda música e está estourando. Pode não ser engajado, pode não ser vibrante, enérgico, rebelde, mas eu tenho 30 anos, não tenho mais 22, eu não vivo mais isso. Eu era rebelde quando eu tinha 15 anos.

BIZZ - Você trabalhou muito tempo com moda,não é?

Guilherme - Onze anos. Quando eu larguei esses anos de especialização profissional para me dedicar a fazer só o que eu queria fazer, é porque eu achei que poderia fazer, é porque eu achei que poderia fazer isso a sério e fazer muito bem. Resolvi parar. Meu trabalho era a maior moleza, eu não tinha horário, tinha só que desenhar blusinhas e calcinhas para a próxima estação, viajar duas ou três vezes por ano para ver tudo. Quando eu cheguei para o meu patrão e falei ... não, ele chegou e me falou: "Vamos para Tóquio"-- era uma viagem que eu estava batalhando há um tempão --, eu falei para ele: "Eu não vou para Tóquio porque vou gravar um disco em agosto e vou botar fé nisso". Meu patrão me disse: "Você está maluco, meu, você vai jogar 10 anos de vida profissional para o espaço para fazer uma coisa que pode durar seis meses". Comi m* um ano inteiro até gravar, lançar, começar a tocar no rádio, começar a fazer show; eu fiquei malzérrimo de grana quase dois anos, agora que está começando a ficar legal. E eu falei para o meu patrão: "Não, não, eu faço isso a sério. E a minha maior mágoa é que a BIZZ não me lava a sério. Não é bem mágoa, é uma coisa que você pensa assim: "Pô, os caras têm um veículo importante, que tem uma puta importância -- na medida da ignorância do resto do ppovo. Em vez de fazer uma coisa séria, que ensine, toma uns partidos engraçados .."Eu não entendo.

BIZZ - Você está falando isso em relação a quê? 

Guilherme - Em relação, especificamente, à postura que a BIZZ tem frente ao trabalho do Zero. É sempre uma coisa meio sarcástica, meio irônica. Eu acho que a crítica, no Brasil, não cumpre a função, não tem mais aquela coisa de romantismo no jornalismo, a missão da reportagem ...

BIZZ - Qual é essa missão?

Guilherme - Não sei, uma coisa de recolher informação, de distribuir, de ser didático com a informação, ser idôneo as possible, ser parcial as possible. Aqui, não: crítico neste país... eu não vou nem falar que são artistas frustrados porque é redundante, mas, em vez de usar o objeto da crítica para desenvolver um texto informativo, didático, que tenha rigor jornalístico, o cara usa o objeto da crítica para mostrar o quanto ele é malandrinho, o quanto ele é realçado, como ele está na frente. Eu não acho isso sério. Entende, eu acho isso mesquinho pra cacete. Não consigo entender algumas coisas. Eu sou ingênuo, babaca pra cacete em certas coisas. Por mais que eu tenho uma imagem de poderoso, de determinado, de inatingível, por um lado eu sou romântico, idiota a respeito da maldade das pessoas. Por mais que eu pareça ser um filho da puta, eu sou um babaca.

BIZZ - Como você se relaciona com o sucesso?

Guilherme - Eu não trabalhei a minha vida inteira para ter este tipo de sucesso que eu estou tendo. Eu nunca almejei o pop-estrelato, nunca almejei dar autógrafo na rua, eu acho isso uma pentelhação de verdade. Minha postura em relação ao sucesso deve ser contrária à do Paulo Ricardo. O Paulo Ricardo, a vida inteira, trabalhou para conseguir o estrelato que ele conquistou. Eu acho que ele dever estar feliz. Eu ainda estou vestindo um sapato menor do que o meu pé. Minha vida particular ficou totalmente tumultuada, mas é agradável, na medida  em que você sente que o seu trabalho está tendo reconhecimento.  Isto é "... é melhor eu ficar o ruim. Precisa ter alguém para falar mal senão fica muito sem graça ..."do cacete, a gente nunca sonha em ganhar disco de outro, a gente nunca achou que ia dar certo: mini-LP, Passos no Escuro, Zero, só letra deprê ... eu não achei que fosse dar certo. Deu, fiquei superfeliz . Outro dia, eu estava falando para uma menina que eu não tenho expectativa porque eu nunca premeditei, não está arquitetado: agora Zero vai fazer um disco de ouro, depois vai fazer um disco de platina e depois vou começar a minha carreira internacional solo. Não é nada disso! É só uma coisa que atualmente está pagando meu aluguel alimentado a mim e a meu filho me dando grana para fazer o que gosto, que é viajar.

BIZZ - Qual foi o caráter da participação do Paulo Ricardo em "Agora eu Sei"?

Guilherme - Armação seria a última coisa. Se você levar em consideração, a gente gravou este disco em agosto de 85. O RPM estava começando a tocar "Louras geladas", Paulo Ricardo, ninguém podia imaginar ...

BIZZ - Agosto de 85, foi quando eles já estavam armando o show com o Ney Matogrosso ...

Guilherme - Mas foi antes do show do Matogrosso. Eu tinha ido vê-los na Madame Satã e em outro lugar que eu não me lembro qual, e não tinha achado o RPM uma boa banda. A voz dele eu tinha achado linda e a gente tinha estado na mesma gravadora, a CBS. Na época ele me falou que o cara da odeon era a fim do Zero. Eu quase assinei com a Odeon por causo disso, mas, quando eu cheguei em Sao Paulo, o cara da CBS falou que cobria tudo, então a gente resolveu gravar aquela coletânea. O Paulo Ricardo já tinha aparecido nela, mas ainda estava longe do LP, acho que 20 dias depois foi o show do matogrosso. Quando a gente estava compondo, ele chegou no estúdio, adorou a música e falou que queria cantá-la. A gente achou legal. Entre a gente gravar o disco e lançar -- quatro meses --, o RPM foi crescendo.. Na hora da gente escolher a música de trabalho, o Zero não queria "Agora eu sei" de jeito nenhum, porque achamos que o RPM tinha ficado de tal tamanho que a gente achou que a música ia se dar bem, mas o crédito ia ficar para o RPM e Paulo Ricardo. E realmente rolou isso pra cacete, virou participação minha na música dele. A gente falou: "Não vamos trabalhar essa, vamos trabalhar "formosa", que é a música que tem mais a cara do grupo". O diretor artístico queria trabalhar "os olhos falam"e o resto da gravadora queria trabalhar "cada fio um sonho". E as rádios começaram a trabalhar "Agora eu sei", porque era a mais fácil. E aí ajudou pra cacete, porque o Zero ficou logo simpático para as fãs do RPM. foi ótimo, mas também foi um problema, porque até seis meses atrás a gente  estava nesse dilema de: meu Deus, será que o Zero vai sobreviver a "Agora eu sei", será que a outro música vai entrar, será que ficou tocando só por causa do Paulo Ricardo? Graças a Deus, rolou tudo legal. Mas foi um fantasma um tempão.

BIZZ - Resumindo, foi mais uma maldição do que uma benção?

Guilherme - Não, foi uma benção, nunca foi uma maldição, só que foi uma benção com várias contra-indicações. Atrapalhou a gravação do primeiro clip do Fantástico, atrapalhou na divulgação...

BIZZ - O clip ...

Guilherme - O clip desta música parece o anúncio da Wella Koleston. A pessoa que fez este clip foi da maior incompetência, eu estou péssimo, tinha tantas pessoas bonitas neste clip. Tinha o Paulo Ricardo, que é lindo, tinha Kenny Kar, que é uma mulher lindíssima, tinha tudo para ser um clip do cacete, mas o diretor foi uma merda e o clip é urgh.

BIZZ - Você pensa em ser um sex-symbol?

Guilherme - Não! (enfático)

BIZZ - Você é um sex-symbol?

Guilherme - Não!! (mais enfático)

BIZZ - Você gostaria de ser um sex-symbol?

Guilherme - Não !!! (muito enfático). Não, por favor não ! Tudo, menos isso. Eu faço um monte de coisa e sério para fazer sucesso só porque eu sou um garoto bonitinho. Primeiro, porque eu não sou nenhum menino de vinte e poucos anos, eu sou um homem de trinta: segundo, eu não me considero dentro do padrão sex-symbol. Me falta um pouco de ... ombros ... (risos)

BIZZ - Você acha que o Zero deixou  as outras bandas mais relaxadas em relação ao romantismo?

Guilherme - Eu acho, mais relaxadas em geral, tipo pode ser romântico, pode tirar foto, pode fazer press-release, nada disso machuca, não vamos ser menos íntegros por causa disso... Você quer contar uma história nesta matéria?

BIZZ - Se você quiser ...

Guilherme - Será que devo? É a respeito da relatividade da integridade. Foi o seguinte -- eu fui gravar o Chacrinha de Natal, cheguei lá e me falaram: "Põe uma touquinha de Papai Noel. Todo mundo hoje vai gravar o programa de touquinha". Eu falei assim: "Mas escuta aqui, touquinha de Papai Noel? Meio ridículo, né?". "Não, é Natal, oba-oba..."Enquanto isso, estava cantando o Biafra, manja o biafra? O Biafra, para mim, mandava no Chacrinha porque ele é um ídolo brega -- ou melhor, ele é um ídolo pop, tem uma puta penetração popular --, então eu achava que o Chacrinha tinha o maior interesse em ter ele no programa. O Biafra estava cantando e,  no meio da gravação, tirou a touquinha para fazer um tipão e o Chacrinha falou (imitando a voz do Chacrinha): "Para tudo! Sem boné ninguém grava! O Biafra ficou branco e começou a gravar de novo. Mas eu botei. Não por causa disso, eu botei porque era Natal, o argumento me bastou. Então o Renato Russo, que é meu amigo, grande amigo -- a gente está fazendo a versão para o inglês de "Agora eu Sei", que a EMI internacional pediu --, o Renato entrou na sala e falou: "Como assim, a gente é um grupo sério. Nem o Legião Urbana, nem o Capital Inicial, nem o Ira! vão cantar de touquinha". Eu falei: "Olha, é Natal, mas admiro a tomada de posição". Aí, eles ficaram nesse bate-boca, o Ira!  -- que era a primeira banda a tocar -- chamou a menina da gravadora e falou: "Vai lá e diz que a gente não está a fim de botar touquinha porque a gente tem uma postura muito séria e vai ficar ridículo tocar no Chacrinha de touquinha". A menina foi e o Leleco (Barbosa, da produção do programa) veio e falou: "Não vai usar touca? Então tchau, Ira! "O que você acha que seria a atitude lógica dos dois outros grupos? Ir embora não é? Não sei, eu agiria assim: no que eu acredito eu vou até o fim, caguei e andei para que eu estou incomodando. O Capital Inicial e o Legião Urbana gravaram encantados o programa do Chacrinha de touquinha de Papai Noel! Eu achei que foi uma atitude que prejudicou o Ira! pra cacete e que teria outro caráter se o Capital Inicial e o Legião tivesse assumido a posição, mas eles estão flertando... O Legião Urbana é hoje uma banda pop, o Capital Inicial é uma pretends to be, então eu acho que eles pensaram duas vezes. Daí eu falei que isso era relatividade da integridade, porque, na verdade, essas pessoas são íntegras até certo ponto...

BIZZ - Eu vou transcrever ipsis litteris o que você está me contando ...

Guilherme -- Ah, palavras são palavras, se rearranjam, se realinham. Meu problema é esse -- eu falo as coisas com um sentido e a pessoa com quem você está falando vê outro sentido. As pessoas não estão acostumadas com comunicação direta, estão mais acostumadas com um certo tipo de meandro, certas convenções, eu passo meio por cima delas, straight to the point.

BIZZ - Você acha que a imprensa sempre te interpreta mal? Como você explica isso?

Guilherme - Eu acho que eu falo as coisas sem muitos rodeios, e isso bate errado nas pessoas, bate de uma maneira meio pernóstica, e não é isso, é tudo fundamentado. só que eu não vou ficar me justificando, eu tenho 30 anos de idade, e fazia isso quando eu tinha 25... Mas de repente não sei, vai que é só uma paranóia minha ... vai que eu tenho mania de perseguição ... na verdade, todos eles me adoram e eu acho que eles me odeiam (sorriso irônico). Não, na verdade Guilherme Isnard ser uma fenômeno de antipatia social tem seus prós, porque muita gente deixa de me incomodar.

BIZZ - É uma escolha sua ser um fenômeno de antipatia social?

Guilherme - É, porque quando eu vi que começou a andar por esse lado ... eu não tenho que conquistar a  simpatia de ninguém, as pessoas é que têm que conquistar a minha simpatia. Acho que fica assim. Não sou bonzinho mesmo, não sou bajulador, então é melhor eu ficar o ruim. Precisa ter alguém para ser filho da puta, para falarem mal, senão fica muito sem graça, muito colorido.

BIZZ - Você assumo isso numa boa ...

Guilherme - Eu assumo porque hoje eu tenho consciência do meu valor, eu tenho respaldo do público, eu tenho vendagem. Não é nada, não é nada. Marinha tem seis LPs e só ganhou o disco de ouro dela agora. O Lulu Santos também. Eu tenho meu primeiro mini-LP e já é disco de ouro, então pode falar o que quiser, as opiniões que valorizo são muito poucas...

BIZZ - Na verdade, isso não importa muito, porque na faixa de público que o Zero está fazendo sucesso, que é um público mais popular...

Guilherme - É, tá aí. O Zero nunca foi uma banda para estourar. Cinco caras começaram a tocar sem pretensão alguma, de repente uma gravadora chegou e falou: "Vamos gravar". Eu não achava que ia ser um sucesso pop, porque a gente não praticou a linguagem. A gente acha legal um sucesso pop porque isso significa uma evolução da audiência. O popular que gosta da minha música é uma pessoa que já passou da fase "vem-cá-benzinho-me-dá-um-beijinho-me-diz-que-eu-sou-seu-neginho". Eu acho que consegui atrair esta pessoa para um outro patamar, para uma outro sensibilidade. É uma maneira de você educar.

BIZZ - O que você está achando do rock nacional?

Guilherme - Eu não aguento mais vertentes do rock. Não considero o Zero um grupo de rock, não quero que cataloguem a gente assim. Eu acho que, hoje em dia, está havendo uma renovação da MPB. Eu acredito que quem antigamente curtia Caetano, Gil, Gal e Bethânia hoje curte Legião, RPM e Zero. Se bem que eu acho Legião e RPM mais rock do que o Zero. A gente optou, no Passos no Escuro, por não fazer nenhuma música para dançar. Fizemos um disco para audição, para tocar no rádio. Eu acho o Zero MPB, uma nova MPB.

JORNAL DO BRASIL - Domingo, 1 de Julho de 2001

Cantor recomeça do Zero 


Caso típico de artista que luta para reaver o sucesso dos anos 80, Guilherme Isnard, 44, assegura: a volta do Zero é para valer. Ainda que o primeiro disco da banda em mais de uma década, Electro Acústico (lançado há poucas semanas pela Unlimited Music), traga, em sua maioria, releituras de sucessos como Agora eu sei (sem o Paulo Ricardo que duetava com ele na gravação original), Formosa e Quimeras. ''Sou um cara chato, exigente. Jamais teria levado esse projeto adiante se não tivesse ficado feliz com o repertório'', diz, ressaltando: ''Meu maior medo era virar cover de mim mesmo. A volta do Zero de verdade só acontecerá quando pudermos gravar um disco apenas com material inédito.'' 

O que aconteceu é que, há dois anos, Guilherme foi convidado para participar de um show da volta de dois contemporâneos do Zero, o Finis Africae e o Hojerizah. ''Achei que ia encontrar só órfãos do Crepúsculo de Cubatão (templo dark carioca nos anos 80). Mas havia um público renovado, que conhecia todo o repertório.'' Ele considera legítima a volta não só do Zero (que ganhou disco de ouro com seu Mini LP de estréia, Passos no escuro, de 86), como de boa parte das bandas dos 80. ''Acho que naquela época se fez a melhor música para jovem em português. E tenho a vaidade de acreditar que o Zero era uma das bandas com mais qualidade instrumental daquela cena.'' 

Depois que saiu da banda, Guilherme ficou cinco anos sem cantar, em ''crise artística''. Quando voltou, foi com outro repertório. Ele interpretou Joaquim Calado no musical Abre alas, de Charles Möeller, sobre Chiquinha Gonzaga, e fez um show de samba telecoteco com a obra de Luiz Antonio (compositor de Lata dágua). Com cinco mil cópias do Electro Acústico vendidas, ele já é só felicidade, apesar de o topete dos bons dias de Brian Ferry brasileiro ter ido embora. ''A garotada está a fim do Zero. Quando a banda se apresenta no circuito das lonas, a recepção é como a de como se eu fosse um astro.'', garante ele. (S.E.) 

 

 

 

DIARIO DE SAO PAULO - 24 DE OUTUBRO DE 2001

 

Zero começando da estaca zero

DENIS MOREIRA


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Grupo integrante do movimento de rock brasileiro dos anos 80, conhecido pela música Agora Eu Sei, retoma carreira e lança disco pela gravadora Unlimited Music com regravações em novos arranjos e faixas inéditas
Mais uma banda ressurge das catacumbas do rock nacional dos anos 80 e cai na estrada novamente. Agora é a vez do Zero, que retoma a carreira com o lançamento do CD Electro Acústico (Unlimited Music). Para quem não está lembrado do nome, é deles a música Agora Eu Sei, que fez sucesso no início dos anos 80 e, hoje, volta e meia é tocada nos programas de flashback das rádios roqueiras de todo Brasil. 

“Há muito tempo eu ouvi dizer/ Que um homem vinha para nos mostrar/... / Tem gente boa que me fez sofrer/ Tem gente boa que me faz chorar”, diz a composição, que aparece em duas novas versões no disco. A primeira faz jus ao nome do CD, combinando violões com sintetizadores e baterias eletrônicas, enquanto a última, intitulada Electro, radicaliza na influência modernosa. Detalhe: nenhuma das duas releituras conta com os vocais de apoio do ex-RPM e agora cantor romântico Paulo Ricardo, como na gravação original. 

“Meu contato com este tipo de ritmo é feito por meio do meu filho Daniel, de 21 anos, e do produtor João Paulo Mendonça (também tecladista e saxofonista da nova formação do Zero)”, explica o vocalista e líder do grupo, Guilherme Isnard, hoje com 44 anos. As outras canções de Electro Acústico seguem este mesmo padrão. “E acredito que esta mistura permanecerá no nosso próximo CD de composições inéditas, que deve ser lançado no ano que vem”, afirma ele. 


Nada de nostalgia 


Electro Acústico, no entanto, possui apenas quatro faixas inéditas: Em Volta do Sol, Mentiras, Me Solta! e Dedicatória. As demais faziam parte de Passos no Escuro (1985) e Carne Humana (1987), os dois discos anteriores do Zero, como Quimeras, Formosa e A Luta e o Prazer - além de, claro, Agora Eu Sei. “Só colocamos as músicas novas para mostrar que a banda está viva. A idéia era mesmo regravar todo nosso material”, justifica o cantor. 

Apesar dos arranjos mais moderninhos aos velhos sucessos, a banda não teme uma possível reação negativa dos fãs mais tradicionais. “O tipo de fã que se ofende com estas mudanças é o mais jovem. O pessoal que gostava da gente vai dizer 'os caras agora estão querendo vender CD para o meu filho'”, diverte-se Isnard. 

Isnard: 'A volta aconteceu quase por aclamação do público' 



A volta do Zero começou a ser arquitetada em 1998, meio por acaso, segundo Guilherme Isnard. “Convidaram-me para participar de um show do Hojerizah com o Finis Africae na casa noturna Ballroom, com uma platéia lotada de garotos. Quando subi ao palco para cantar Agora Eu Sei, me senti como um astro. As pessoas gritavam, urravam”, conta. 

“A partir daí, pude perceber que a garotada queria ouvir o som do Zero. Até porque tinha ficado frustrado com o fim da banda, já que não houve nenhum motivo definido”, afirma ele. A partir da reunião, seguiram-se shows bem-sucedidos no Rio, até que, no ano passado, a Unlimited Music propôs ao grupo contrato para a gravação de um disco acústico. Depois de muita conversa entre eles e a gravadora, em maio Electro Acústico foi lançado. 

Da formação atual da banda, os integrantes originais são, além de Isnard, o guitarrista Eduardo Amarante, o baixista Rick Villas-Boas e o tecladista Freddy Haiat. As vagas restantes foram completadas com Mendonça e o baterista Sérgio Nacife. “A volta do Zero foi quase por aclamação, pois as pessoas querem ouvir nosso trabalho. As músicas só estavam disponíveis em vinil e há cinco anos estávamos entre os dez artistas mais pirateados em CD”, diz o cantor, citando uma estranha estatística. 

O Zero volta à ativa em um momento bem propício para o movimento oitentista ao qual pertenceu. Depois de anos paradas ou no limbo, grupos contemporâneos a eles como Plebe Rude, Ira! e Capital Inicial voltaram à rádio e à TV, atraindo a atenção de um público que nem era nascido quando o rock nacional floresceu na mídia. “O sucesso destas bandas abriu uma grande frente para nós. Mas se isto é modismo ou oportunismo, só o tempo vai dizer”, completa o vocalista.

 

 

Jornal da Tarde - Quinta-feira, 27 de setembro de 2001

 

O Zero: dos anos 80 ao palco do Blen Blen 

A banda, seguindo o revival oitentista que já recuperou o Capital Inicial, faz show hoje de lançamento do CD 'Electro Acústico' 




Eles eram românticos demais para fazer parte da cena alternativa paulista dos anos 80, mas foi de lá que eles saíram. Agora, de carona no interminável revival oitentista, o grupo Zero, do cantor e compositor Guilherme Isnard, retorna aos palcos paulistanos. Hoje, no Blen Blen Brasil, a banda faz show de lançamento do CD Electro Acústico, pelo selo independente Unlimited Music. 

O CD é novo, mas de novidade mesmo, apenas quatro canções: Em Volta do Sol, Dedicatória, Me Solta! e Mentiras. As outras 11 músicas são versões para os sucessos do grupo, como Agora Eu Sei, Quimeras e Heróis e que contaram com a participação de outros sobreviventes dos 80: Philipe Seabra (ex-Plebe Rude) e Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão. 

O líder do Zero, Isnard, não acha que se trate de oportunismo apostar no já conhecido. "Nossos discos são dos mais pirateados na cena alternativa de São Paulo. Como não conseguimos lançá-los em CD, regravamos algumas músicas para os fãs", afirma. Os discos a que o cantor se refere são os LPs Passos no Escuro (85), que apesar de conter apenas seis músicas vendeu 200 mil cópias, e Carne Humana (87). 

O primeiro foi impulsionado por Agora Eu Sei, na qual Isnard cantava junto com Paulo Ricardo, do RPM. O segundo álbum não teve a mesma sorte e a banda se dissolveu em 1989, voltando 10 anos depois para shows comemorativos de 15 anos. "Nestes shows havia muita gente nova, algo como acontece hoje com o Capital Inicial", diz. 

Isnard arrisca uma resposta para o interesse dos jovens pelo som de bandas 'desaparecidas' dos anos 80. "Não é saudosismo, é falta de algo novo. Surgiu gente boa nos anos 90, mas poucos, a maioria é mais entretenimento que idéias", teoriza. O Zero voltou com a mesma formação que gravou, no início dos anos 80, o compacto com a música Heróis. Isnard (vocal), Rick Villas Boas (violão), Freddy Haiat (teclado) e Eduardo Amarante (guitarra), acrescido agora de Jorge Pescara (baixo). 


Homenagem a Frommer

Nas baquetas, a extravagância: além de Sérgio Nacife o grupo terá o ex-baterista Malcolm Oakley no palco. Serão, portanto, duas baterias. 

"Sempre gostamos do Genesis e eles de vez em quando tocavam com duas bateras", conta Isnard. Quem também fará uma aparição será Fábio Golfetti, do Violeta de Outono. O guitarrista fez parte de uma das formações do Zero e, além das canções do grupo, irá tocar Dia Eterno, faixa do Violeta. 

Há também uma canção levada por Isnard a capela (sem acompanhamento musical), Nervos de Plástico, composta em parceria com Fernando Salen e Marcelo Frommer. 

"Com a morte de Frommer - ele ia cuidar do arranjo - não mexi mais na música. É uma forma de homenagem mantê-la assim", diz. O show também será pontuado por composições novas pois, segundo o cantor, há mais de 20 músicas inéditas prontas. "Até o fim do ano ou início do próximo voltamos com um álbum só de inéditas", promete para velhos e, por que não, novos fãs. 




Zero - Blen Blen Brasil (Rua Inácio Pereira da Rocha, 520, tel.: 3815-4999). Hoje, às 23h30. Ingresso R$ 15. 



Douglas Prieto Portari

 

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O GLOBO 10 DE ABRIL DE 2002

 

Amor cantado em tempos de e-mail


Antonio Carlos Miguel


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No ano passado, ele remontou o Zero, banda que fizera sucesso nos anos 80 com seu rock romântico, e gravou um interessante disco, “Electro acústico”. Apesar do bom resultado artístico, dos muitos shows no circuito das lonas culturais do Rio e das cerca de dez mil cópias vendidas num esquema independente (pela gravadora Unlimited Music), comercialmente a volta não chegou a funcionar. Resultado, acompanhado dos violões de Sérgio Serra e Norman Sharp, o cantor e compositor Guilherme Isnard retoma a carreira solo, com o show “Amores remotos”, que acontece hoje, às 22h, no Sister Moon (Estrada das Canoas 68, São Conrado).

O que não deixa de ser um bom negócio. Fora do Zero, o bom cantor, de voz empostada e bem colocada — coisa rara na cena roqueira brasileira — vinha desenvolvendo nos últimos anos uma curiosa ponte com a MPB. Ponte que incluiu um show com clássicos do compositor Luiz Antônio, autor de diversos sucessos dos anos 50 e 60, gravados por gente como Elza Soares, Miltinho e Elizeth Cardoso, como “Lata d’água na cabeça” e “Mulher de 30”.

— Graças a esse show, acabei virando um compositor de sambas extemporâneos, algo que agora mostro em pelo menos uma música, “Sou louco” — conta Isnard. — Cheguei a mostrar essa música a Luiz Antonio, um pouco antes de sua morte, e ele comentou: “Isso não é samba, não é bossa nova, é algo novo que vocês inventaram”.

“Vocês”, porque essa é uma das parcerias de Isnard com Sérgio Serra (ótimo guitarrista que já tocou com meio mundo do rock brasileiro). Ainda no repertório de “Amores remotos” — que, depois da estréia carioca, vai ficar durante o mês de maio em São Paulo, no Teatro do Crowne Plaza — estão “Felicidade máxima” (outra com Serra), “Dedicatória”, “Me solta” (ambas escritas com Norman Sharp e gravadas no último CD do Zero) e “Sinceridade” (apenas de Isnard, é outro dos seus “sambas extemporâneos”, e será cantada a capela). Mas não faltarão alguns dos sucessos do Zero, como “Agora eu sei”, “Quimeras”, “Carne humana” e “Heróis”.

Em relação ao nome que escolheu para o novo show, Guilherme Isnard explica que se trata da constatação de como andam as relações amorosas nesses tempos de internet:

— A internet cria uma nova possibilidade de relação entre as pessoas, que é muito mais sincera e muito menos defensiva. Se por um lado os costumes estão superavançados, por outro as pessoas andavam muito fechadas. E com a internet todos estão vivendo seus sonhos mais livremente — diz. — Mas acho que só mudou a mídia, porque este momento também remete ao período em que as pessoas viviam as suas grandes paixões por cartas. Agora, usam o e-mail e os bate-papos on-line.

GUILHERME ISNARD/‘AMORES REMOTOS’ O cantor e compositor, acompanhado de Sérgio Serra e Norman Sharp (violões), toca pop rock, mesclado com samba.

Sister Moon: Estrada da Canoa 68, São Conrado — 2422-7224. Qui, a partir das 21h30m. R$ 15.

 

 

O GLOBO 08 JULHO DE 2002

 

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Zero mistura violões e guitarras em novo show



Se o fim das atividades do Zero, em 1989, foi repentino — a banda acabou enquanto ainda fazia sucesso e tinha apenas dois discos lançados — o retorno está sendo gradual. A banda liderada pelo cantor Guilherme Isnard lançou em 2001 o CD “Electro acústico”, em que recria canções dos discos oitentistas, “Passos no escuro” e “Carne humana”, e mostra novidades, e está voltando aos palcos. Após apresentações em casas como o Ballroom e as lonas dos subúrbios, o grupo estará amanhã no Mistura Fina, na Lagoa, às 21h30m. Além dos sucessos e das composições novas do último disco, Isnard, Eduardo Amarante e Rick Villas-Boas (guitarras e violões), Freddy Haiat (teclados) — os três da formação de maior sucesso do grupo — Jorge Pescara (baixo) e Sérgio Nacif (bateria) vão mostrar canções inéditas, que devem entrar em um novo CD, a ser gravado ainda este ano.

— Uma das novas músicas do repertório é “Centúrias”, que compus com o guitarrista Fred Nascimento — conta Isnard, lembrando que o parceiro já acompanhou a Legião Urbana e atualmente é músico de apoio do Capital Inicial.

Embora tenha dois músicos que não participaram da fase de maior sucesso da banda — que chegou a abrir shows de Tina Turner em estádios pelo Brasil — o Zero, segundo o cantor, está estável.

— O Rick, que originalmente era baixista, agora está no violão, que é importante na proposta do “Electro acústico” — explica. — Os dois últimos a entrar foram o Pescara e o Sérgio Nacif, que já estão conosco há cinco anos. Temos um ótimo entrosamento.

Público jovem conheceu a banda através dos pais

Isnard está animado com a renovação de seu público.

— Já tocamos quatro vezes nas Lonas Culturais, e lá 80% do público são garotos na faixa dos 18, 20 anos, gente que conhece músicas como “Agora eu sei”, “Formosa” e “Quimeras” através dos pais. Eles baixam as nossas canções da internet — diz Isnard, que também tocará “Dia eterno”, dos contemporâneos Violeta de Outono.

 

REVISTA DYNAMITE - JULHO 2002

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GUILHERME ISNARD

Três, dois, um... Zero!!
Dum De Lucca Neto
Quem não se lembra, ao menos quem viveu os anos 80, da banda Zero, capitaneada por Guilherme Isnard? O Zero está de volta com o CD Eletro Acústico. O som do Zero pode ser definido como melancolia romântica lisérgica. Ouvindo o CD e vendo o show, pude perceber uma grande maturidade na banda e, principalmente, um salto de qualidade nas interpretações de Guilherme Isnard. O vocalista falou com exclusividade para Dynamite, no terraço bar da Escola Panamericana de Arte, em São Paulo.

Dynamite: Inicialmente fale sobre a volta do Zero.
Guilherm Isnard: Bem, é um revival mundial. Eu voltei para o Rio de Janeiro (Guilherme é carioca) em 92 e fiquei cinco anos tentando levar uma vida caseira, estava cansado da montanha russa. Queria levar outro tipo de vida, mas quando você sobe no palco e vê a galera cantando junto, aplausos, não dá para agüentar muito tempo longe disso. Eu estava meio grilado, um pouco angustiado, tinha grana para pagar minhas contas, mas o coração oprimido. Eu fiz muita coisa, minha profissão era designer de moda. Quando eu vim para SP, foi para desenhar roupas da Zoomp, da Ellus, fiquei onze anos trabalhando com isso. Aí fui cantar no Voluntários da Pátria (banda underground dos 80) junto com o Maurício (Ultraje a Rigor), o Thomas Pappon (Fellini) e o Celso Pucci, já falecido. Essa banda acabou, eu montei o Zero em 83 com o Fábio Golfetti, do Violeta de Outono. Excursionamos até 84, o Fábio queria uma coisa psicodélica, saiu, acabei encontrando o Eduardo Amarante que tocava com o Agentss e o Azul 29.

Dyna: Você acha que esse revival indica uma melhora no mercado, nas tendências musicais, como nos anos 80? Haverá mais espaço para a pluralidade?
GI: Não cara, o mercado está horrível. Antigamente tinha mais espaços para tocar, mais espaço na mídia, programas de TV mais democráticos, o Chacrinha, que tinha de tudo. Hoje em dia é segmentado, só têm pagode, sertanejos, coisas assim. Você pega, só pra exemplificar, as três principais bandas de Brasília têm um som completamente diferente, a Plebe, a Legião e o Capital. Naquela época as bandas tinham uma carreira no underground e conquistaram um lugar na mídia, hoje as bandas são formadas para estourar.

Dyna: Qual a formação atual do Zero?
GI: A original, com a adesão do baixista Jorge Pescara. A guitarra é do Eduardo Amarante, a bateria do Sérgio Nassif, o Fred do Zero nos teclados. Mas no disco temos tabla, cítara, convidados no violoncelo e grand piano, além de participações de André Gomes e do o baixista da Cássia Eller, o Fernando Del Nunes.

Dyna: Nos anos 80 tinha mais lugares para tocar, hoje, temos bem menos locais. Você acha que isso dificulta muito, o rock está perdendo muito espaço?
GI: O gringo que chega aqui e liga o rádio tem uma impressão errada porque as rádios só tocam as mesmas coisas, exceto a Kiss FM e a Brasil 2000. No Rio nem isso tem. Na nossa época e você sabe disso, os Djs eram a morte da música. Só que vivemos num tempo em que o Dj virou o artista. E os caras estão lá se apropriando do que é de todo mundo. Não estou contra os Djs, mas não se permite nesse país a convivência da pluralidade. Existe espaço para quem é clubber, dance, new wave, rock, punk, rockabilly... Qualquer lugar do mundo é assim, claro que existe aquele hype de mídia, mas como você quer casa de shows se todo mundo só quer ouvir Dj? O cachê dele é baratinho e a produção também.

Dyna: Fale desse CD novo?
GI: Uma hora resolvi mostrar minhas músicas novas e fazer shows solo, na hora que começou a tomar corpo resolvi voltar com o Zero. Quando começou a dar certo liguei para o Edu e ele disse “to dentro!”. Começamos a fazer os circuitos das lonas culturais, que é como os SESCs daqui. Resolvemos gravar acústico e o “Eletro Acústico” ficou muito bom. Ficou legal porque percebi que aquelas canções noise, barulhentas, ficaram lindíssimas mais leves. Eu achava que o unplugged para o Zero não ia funcionar, mas estava enganado.

m) NOTÍCIAS

        AGOSTO 2001

SHOWS

Dia 11/08 o Zero lotou a casa carioca BallRoom. O público cantou até as músicas novas. A banda ficou impressionada com a receptividade...Nesse mês o Guilherme Isnard também deu uma canja na apresentação da banda Perdidos na Selva, especializada em rock nacional dos 80. Cantou "Agora Eu Sei" e "Quimeras".O show de São Paulo, que iria rolar dia 28/08 foi adiado. Fechando este mês, o Zero irá participar dia 29 do Projeto A Vez do Brasil, da Rádio Cidade que rola no BallRoom. 
IMPRENSA

Saiu na revista MetalHead (que está nas bancas!) uma nota falando do cd e do retorno do Zero (com foto da capa do cd). Também saiu uma matéria no periódico ABC Jornal de São Caetano do Sul/SP. Com o título de "Força Total", o texto fala da volta da banda com o grande cd "Electro Acústico".Ficamos sabendo que saiu comentário do cd no jornal Correio Braziliense, se alguém tiver e puder passar uma cópia..

SETEMBRO 2001

ZERO ensaia em sítio em São Paulo.Como os Mutantes fizeram na década de 70, o Zero está trancado num sítio em São Paulo ensaiando para o lançamento do cd, dia 27 no Blen Blen Brasil. A banda ficará um mês em São Paulo fazendo trabalho de divulgação.SHOW em SP. Dia 27 de Setembro o Zero lança o cd Electro Acústico na terra da garoa. Será no Blen Blen Brasil à partir das 22:00 horas, que fica na rua Inácio Pereira da Rocha, 520 no bairro de Pinheiros. A entrada custa R$ 15,00. Maiores informações (11) 3815 4999. Este show terá participação especial do guitarrista Fábio Golfetti do Violeta de Outono, que fez parte da banda na sua 1ª formação. Os fãs estão convocados!

ZERO na TV.Fiquem atentos! A banda já gravou uma participação no Vídeo Show da Tv Globo, programa exibido diariamente por volta das 13:30 horas. Não sabemos o dia que irá passar, então, atentos na telinha...Também está prevista uma participação no programa É Show! da Tv Record, apresentando pela Adriane Galisteu. Assim que tivermos novas informações deste programa vocês ficarão sabendo.

IMPRENSA.Hoje (23/09) saiu divulgação do show no Blen Blen Brasil no suplemento Veja São Paulo, da revista Veja. Durante a semana deverá sair matéria em alguns jornais paulistas.                     

ZERO no acervo do Centro Cultural São Paulo.O Centro Cultural São Paulo possui na sua discoteca o Lp "Passos no Escuro" e a 1ª fita demo do Zero. Estes dois trabalhos estão disponíveis para audição no próprio Centro. O Centro Cultural fica na rua Vergueiro, 1000, telefone (11) 3277 3611.

ZERO – INFORMATIVO – OUTUBRO/ 2001

Olá amigos!Muita coisa aconteceu desde o final de setembro até hoje. Então vamos lá...SHOW NO BLEN BLEN BRASIL. O ZERO lançou o cd "Electro Acústico" em grande estilo. Além das músicas do cd, o público paulista foi presenteado com algumas surpresas no repertório. A banda tocou as inéditas "Centúrias" e "Nervos de Plástico". Esta última foi uma homenagem ao Marcelo Frommer, parceiro do Guilherme nesta canção e no início de sua carreira solo. Foi emocionante ver o Guilherme interpretando esta música " à capella". A apresentação contou com Eduardo na guitarra, Freddy nos teclados, Rick Villas no baixo e duas baterias, alternadas pelo Sérgio Nacife e o antigo membro Malcolm Oakley (que gravou o lp Carne Humana). Outra participação ilustre foi do guitarrista Fabio Golfetti (integrante da 1ª formação do Zero). Juntos tocaram "Dia Eterno", do Violeta de Outono, e as antigas "Heróis" e "100% Paixão".Na platéia, muita gente conhecida, como o escritor Marcelo Rubens Paiva, o jornalista/escritor Alex Antunes e o músico Kiko Zambianchi, entre outros.

BATE PAPO NA UOL. Dia 05/10 o ZERO participou de um chat na UOL. Muita gente entrou no bate-papo. Guilherme, Eduardo, Malcolm, Freddy e Rick conversaram durante uma hora com os fãs e ficaram contentes com a receptividade. A banda aproveita este espaço para agradecer a participação de todos. Valeu!

PASSEIO NA GALERIA DO ROCK. No Sábado, dia 06/10, Guilherme Isnard e Eduardo Amarante foram dar uma volta pela Galeria do Rock, centro comercial e tradicional ponto de encontro de roqueiros de São Paulo. Lá constataram que realmente existe uma pirataria dos primeiros trabalhos do ZERO, como a revista BIZZ havia informado ano passado. Além disso, acabaram revendo os amigos Luis Calanca (dono da loja/selo Baratos Afins) e o baixista Callegari (ex. Inocentes). O engraçado foi um fã mais exaltado que deu um beijo no Guilherme e Edu dentro de uma loja.

IMPRENSA. No final do mês passado, no dia do show (27/09) saiu uma bela matéria no Jornal da Tarde: "O Zero: dos anos 80 ao palco do Blen Blen", escrita pelo jornalista Douglas Portari. Além disso, o Jornal Agora divulgou o show, tendo inclusive nota na coluna do apresentador Gugu Liberato. Neste dia também saiu nota no periódico Diário do Grande ABC. Recentemente (23/10) o Diário de São Paulo fez uma grande matéria com a banda.

ZERO NA TV. Para quem não assistiu, foi um sucesso a apresentação do ZERO no programa É SHOW! da rede Record, apresentado pela Adriane Galisteu. A banda bateu um papo com a Adriane e fechou o programa tocando a versão "electro" de Agora Eu Sei. Foi muito legal o retorno da banda aos programas de TV. Depois de alguns desencontros, está programado para passar esta semana a matéria que a banda gravou para o Vídeo Show. Vamos aguardar...

INFORMAÇÕES ENVIADAS POR:

Renato Donisete
avisofinal@cebinet.com.br

n) LETRAS

1) OS OLHOS FALAM
Não se esconda atrás de máscaras
Pra tentar se proteger
As verdadeiras intenções
Todos sempre vão saber
Eu posso ler seus pensamentos
No brilho do seu olhar
Os olhos falam, e eu escuto
Nem tente me enganar
As estórias que eles contam
Eu nem podia imaginar
Todo fogo e a luxúria
Que você tenta disfarçar
Mas é fácil compreender
Que motivos você tem
É melhor não se arriscar
Que se iludir com alguém
Mas você não se basta
E o que eu posso aconselhar
É: finja enquanto conseguir
Pois seu dia vai chegar
Letra: Guilherme Isnard
Grupo: Zero
LP - Passos no Escuro - 1985

 

2) A LUTA E O PRAZER
Não há mais lugar
Pra quem quer viver um grande amor
Ninguém quer saber de para pra pensar
Um pouco mais como o coração
É um mundo estranho e mau
Bombas que derretem o sal
E fazem chorar
Dias sem razão
Mas se o amor quizer chegar
Sem pedir licença
Nos brindar com sua presença
Você vai lembrar de alguém
Que cantava há muito tempo essa canção
A luta e o prazer
A pura emoção da aventura
Ninguém quer saber de quem quer
Viver um grande amor
Sua classe e o poder de tanto flertar
Já andam sempre juntos
Sim esse é um mundo estranho e mau
Guerra nas estrelas do caos
Tempos sem razão
Mas se o amor vier trazer
A recompensa
Se chegar sem pedir licença
Você vai lembrar de alguém
Que cantou há muito tempo essa canção
A luta e o prazer
A vida não tem segredo.
Letra: Ronaldo Bastos
Grupo: Zero
Do LP Carne Humana de 1987

3)  AGORA EU SEI

HA MUITO TEMPO EU OUVI DIZER
QUE UM HOMEM VINHA PRA NOS MOSTRAR
QUE TODO MUNDO É BOM,
E QUE NINGUÉM É TÃO RUIM

O TEMPO VOA E AGORA EU SEI
QUE SÓ QUISERAM ME ENGANAR
TEM GENTE BOA QUE ME FEZ SOFRER,
TEM GENTE BOA QUE ME FAZ CHORAR

AGORA EU SEI, E POSSO TE CONTAR
NÃO ACREDITE SE OUVIR TAMBÉM,
QUE ALGUÉM TE AMA
E SEM VOCÊ NÃO CONSEGUE VIVER.

QUEM VIVE MENTE MESMO SEM QUERER
E FERE O OUTRO, NÃO PELO PRAZER
MAS PELA EVIDENTE RAZÃO ...
SOBREVIVER.

NÃO É POSSÍVEL MAIS IGNORAR
QUE QUEM ME AMA ME FAZ MAL DEMAIS
MAS AINDA É CEDO PRA SABER
SE ISSO É RUIM OU SE É MUITO BOM

O TEMPO VOA E AGORA EU SEI
QUE SÓ QUISERAM ME ENGANAR
TEM GENTE BOA QUE ME FEZ SOFRER,
TEM GENTE BOA QUE ME FAZ CHORAR

QUEM VE SEU ROSTO SÓ PENSA NO BEM,
QUE VOCÊ PODE FAZER  A QUEM
TIVER A CHANCE
DE TE POSSUIR

MAL SABE ELE COMO E TRISTE TER
AMOR DEMAIS, SEM NADA RECEBER
QUE POSSA COMPENSAR
O QUE ISSO TRAZ DE DOR.

Musica: F. Haiat - G. Isnard
Letra: G. Isnard
Participacao vocal: Paulo Ricardo

4) ALGUM VÍCIO

LETRA o GUILHERME ISNARD
MUSICA o ZERØ

JA E QUASE DE MANHÃ
MEUS OLHOS NAO QUEREM FECHAR
MAS MEU CORPO ESTA DORMINDO
E QUEM ME VÊ PODE ATÉ PENSAR
QUE ALGUMA DROGA
ME DEIXOU ASSIM

NÃO SEI PORQUE VOCE JOGOU EM MIM
ESSE FEITIÇO DE ANJO MAL
ME ALUCINOU COM O BRILHO DE CETIM
DE SEUS CABELOS COR DO SOL

TODO ESSE AMOR
SÓ PRA ME DAR PRAZER, ME ILUMINAR
NEM MESMO ASSIM ESTOU SORRINDO
E QUEM ME VE DEVE IMAGINAR
QUE ALGUM VÍCIO
ME FAZ SOFRER ASSIM

NAO SEI PORQUE

QUEM ME VE
NAO PODE ADIVINHAR
QUE EU ME ENTREGUEI
PRA UMA PAIXAO ASSIM

NAO SEI PORQUE VOCE JOGOU EM MIM 
ESSE FEITIÇO DE ANJO MAU
ME APRISIONOU NESSA PAIXÃO SEM FIM
EM SEUS CABELOS COR DO SOL

5) QUIMERAS

LETRA  GUILHERME ISNARD
MÚSICA ZERO

SEM CAMINHO PRA SEGUIR
NA INCERTEZA DE CHEGAR
QUEM DECIDE POR PARTIR
SÓ PENSA EM PROCURAR
UM FUTURO COM ALGUEM
NÃO IMPORTA O QUE PASSOU
JÁ NEM SE LEMBRA MAIS
QUER É RECOMEÇAR

TANTAS VIDAS PRA VIVER
TENTANDO SE ENCONTRAR
TANTAS COISAS POR FAZER
PRA SE PURIFICAR
NAO CONSIGO MAIS SONHAR
jÀ ME BASTA O QUE VIVI
SOFRENDO AO DESEJAR
QUIMERAS QUE NÃO CONSEGUI

DEUSES DO ALÉM
DUENDES DO AR
ANJOS DO BEM
VÃO TE MOSTRAR UMA LUZZ MAIOR
CAPAZ DE CONVENCER
QUE UM MUNDO BEM MELHOR
EXISTE EM VQCE
SÓ PRO SEU PRAZER

TANTAS VIDAS PRA VIVER ...

DEUSES DO ALÉM ...


UMA LUZ MAIOR
A FORÇA E O PODER
SANGUE E SUOR
DE QUEM TE FEZ VIVER
HOJE EU SEI PORQUE
EU NÃO VOU MAIS FUGIR DE MIM
EU NÃO VOU MAIS FUGIR DE MIM

CORO  NEILA, CHRISTIE EDENISE BLUE





LETRA  GUILHERME ISNARD
MÚSICA  ZERØ

EI VOCE AÍ
QUANDO É QUE VAI SE RESOLVER?
TÁ PENSANDO O QUE?
NÃO TEM MAIS TEMPO DE ESPERAR

EU VOCE AÍ!
ARREGAÇA A MANGA E VEM LUTAR
QUE O SEU PLANETA
CONTA COM VOCE
O SEU PLANETA CONTA COM VOCE

TEM GENTE A FIM DE SE MEXER
TALVEZ ATÉ MAIS DE UM MLHÃO
NÃO SABEM COMO COMEÇAR
QUE TAL CUIDAR DO PRÓPRIO CHÃO 
DO PRÓPRIO CHÃO!

UM MAIS UM E OUTRO MAIS
E TODOS TEM DE ACREDITAR
QUE A FORÇA DESSA M ULTIDÃO 
VA POR TUDO EM SEU LUGAR
A BRIGA É SUA E A SUA HORA JÁ!
VEM QUE EU QUERO VER

EI VOCE AÍ
QUANDO É QUE VAI SE RESOLVER?
TÁ PENSANDO O QUE?
NÃO TEM MAIS TEMPO DE ESPERAR

EI VOCE AÍ!
AGORA VEM QUE EU QUERO VER 
O SEU PLANEJA
CONTA COM VOCE
O SEU PLANETA CONTA COM VOCE 



CORO:

 NEGRA COMO A NOITE

PRATA HONESTA E FIEL

TRISTE DENISE 

PERCUSSÃO: ALAÓR, CHACAL,MALCOLM

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