Eduardo Medina Ribas

(Porto-1822, Rio de Janeiro-1884)- Barítono

Uma Dinastia de músicos no Porto do século XIX

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Eduardo Medina Ribas

Nasceu no Porto, na freguesia de Miragaia, em 25 de Janeiro de 1822 e foi baptizado a 14 do mês seguinte.

Começou por aprender Trompa, instrumento com o que se estreou em 1837 na Orquestra, e chegou a tocar também Clarim, mas foi um Barítono conceituado que fez a sua formação em Itália nos anos de 1841 e 1842, estreando-se como tal no Real Teatro de S. João do Porto a 5/11/1842, após o que se apresentou em vários teatros de Portugal, Espanha e Brasil, onde se estreou a 22 de Agosto de 1843. A 7 de Setembro de 1844, canta no Teatro de S. Pedro de Alcântara na Peça “Il Furioso” de Donizetti; a 11 de Outubro cantou ao lado da soprano Augusta Candiani (1820/1890), na primeira apresentação no Rio de Janeiro da Opera Torquato Tasso, de Donizeti. A partir dessa data actuou com grande êxito nas temporadas líricas até 1846, quando se desentendeu com
Augusta Candiani e abandonou a companhia.

Em 1847 regressou a Portugal e estreou-se em Lisboa a 16 de Abril, no Teatro S. Carlos. Assim comentou a Revista Teatral de 22 de Abril de 1847:

"O Sr. Ribas debutou com a ópera de Verdi Nabucodonosor. (...) O debutante agradou, a sua voz tem uma certa melodia que encanta, o seu método de canto é excelente, expressa perfeitamente a linguagem e é dotado duma "vis comica" que muito o faz sobressair. Este jovem português adquiriu a simpatia do público, solenemente demonstrada nos repetidos aplausos com que os lisbonenses lhe demonstraram o seu apreço."

Em 1848/49 encontra-se escriturado como Barítono no Teatro S. Carlos de Lisboa; em 1849/50 fez a temporada integrado numa companhia Lírica que actuou na Corunha. Vai repartindo a sua actividade entre o Teatro S. João e o Teatro de S. Carlos até 1852, ano em que regressa ao Rio de Janeiro, onde se integra numa companhia encabeçada pela grande meio-soprano Rosina Stoltz(Paris-1813, Paris-1903); a 12 de Junho canta na ópera La Favorite de Donizetti, no Teatro Provisório, realizando a 23 de setembro de 1852 uma recita de despedida a esta cantora e na qual o maestro era o seu irmão João Victor Ribas. Assim comentou o Correio Mercantil, transcr. n´ A Revolução de Setembro de 15 de Outubro de 1852:

"Começou o espectáculo pela cena do Carlos VI. Já sabíamos que o Sr. Eduardo Ribas era um artista de grande talento; ignorávamos, porem, que fosse capaz de cantar e representar, como o fez, a parte do rei insensato. O olhar indeciso e atónito do homem cuja inteligência morreu, o rir estridente do louco, que ecoa tão tristemente na alma dos que o escutam, enfim CarlosVI velho, idiota, acabrunhado pela desgraça, foi admiravelmente compreendido por esse artista que, no entanto, lutava com uma partitura que não conhecia e com uma língua que lhe não é familiar. (...)
Desde que mad. Stoltz pôs os pés na cena, trovoadas de palmas repetidas e uma prolongada chuva de ramalhetes a saudaram. Ao terminar o magnifico dueto do Carlos VI ela e o Sr Ribas foram chamados à cena e vitoriados com novas palmas e novas flores."

Em 1857 participa na inauguração da Imperial Academia de Musica e Opera Nacional, do Rio de Janeiro, com uma Zarzuela traduzida por José de Feliciano Castilho. De 1857 a 1861, como integrante da Imperial Academia de Música e Opera Nacional (depois Opera Lírica Nacional), actuou em todos os espectáculos desta empresa, sempre com destaque. Foi o criador de importantes papeis em óperas de autores brasileiros, entre as quais A Noite de São João, de Elias Álvares Lobo, estreada no Teatro de São Pedro a 14 de Dezembro de 1860, e A Noite do Castelo, de
Carlos Gomes, estreada a 4 de Setembro de 1861 no Teatro Lírico Fluminense(ex Teatro Provisório).

Assim se refere, anos mais tarde, Machado de Assis, num artigo in "A Semana" de Setembro de 1892 sobre a morte de Carlos Gomes:

"Agora que ele é morto, em plena glória, acode-me aquela noite da primeira representação da Joana de Flandres, e a ovação que lhe fizeram os rapazes do tempo, acompanhados de alguns homens maduros, certamente, mas os principais eram rapazes, que são sempre os clarins do entusiasmo. Ia à frente de todos Salvador de Mendonça, que era o profeta daquele caipira de gênio. Vínhamos da Ópera Nacional, uma instituição que durou pouco e foi muito criticada, mas que, se mereceu acaso o que se disse dela, tudo haverá resgatado por haver aberto as portas ao jovem maestro de Campinas. Tinha uma subvenção à Ópera Nacional; dava-nos partituras italianas e zarzuelas, vertidas em português, e compunha-se de senhoras que não duvidavam passar da sociedade ao palco, para auxiliar aquela obra. Cantava o fundador, D. José Amat, cantava o Ribas, cantavam outros. Nem foi só Carlos Gomes que ali ensaiou os primeiros vôos; outros o fizeram também, ainda que só ele pôde dar o surto grande e arrojado..."

No dia 18 de Março de 1878 é capa da revista “o Pae Paulino”, editada no Porto por A. Moutinho de Sousa.

Casou com Henriqueta Carolina Edolo em 1858, viúva do irmão, de quem teve duas filhas, Elvira Edolo Ribas e Carolina Augusta Edolo Ribas, nascidas por volta de 1860, no Rio de Janeiro. Carolina Augusta casou com o Dr. João Cipriano Carneiro, médico, a 15 de Março de 1883, de que descende a família Ribas Carneiro no Rio de Janeiro.

Em 1883 , já viuvo, envolve-se numa relação amorosa com a jovem Adelina Alambary Luz, de uma família da aristocracia carioca, de que resulta um filho.

Morre após esse filho nascer, aos 62 anos, em 8/6/1884, em casa de sua enteada Amélia Edolo de Carvalho (futura avó paterna da poetisa brasileira Cecília de Meireles, 1901-1964).

Esse filho teve por nome Glauco Velasquez (Italia-23/3/1884, 21/6/1914), e nasceu em Nápoles, para onde foi levado por sua mãe por forma a esconder a gravidez. Aos 13 anos veio para o Brasil como filho adoptivo, e aí se tornou num dos compositores mais inovadores e promissores do inicio do sec XX, apesar da sua morte prematura aos 30 anos. Ocupa com o n.º 37 a cadeira de Patrono da Academia Brasileira de Musica, fundada por Heitor Villa-Lobos.



"Gloria", Polka para piano, interpretada por Phillip Sear:

Glória, Polka para piano



Partituras existentes:

  • A noite silenciosa
    Canto e piano: Album de Armia: gemidos sobre túmulo de uma brazileira
    Rio de Janeiro:edição Frion e Raphael, 1855
    Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 
  • Gloria.
    Polka 2ª edição P. Laforge, Rio de Janeiro, c. 1870
    4p in Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Album Pitoresco-Musical
    Biblioteca de Londres e Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

 

  • Taci
    4p manuscrito
    Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

  • Pianto del cuore: Stornello
    edição Narciso & Artur Napoleão 187-
    5p in Rio de Janeiro, série Noites melancolicas
    Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Discos existentes com a composição "Gloria":

 


  • Rio de Janeiro, Album Pitoresco Musical
    Editora: Livraria Kosmo Editora
    Interprete: Friedrich Egger
    Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

 

  • Milhaud: Saudades do Brasil
    Editora: Brasil Emi-Odeon 1978
    Interprete: Clara Sverner
    Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro