Apresentação



A Escrita da História do Brasil tem sua origem em um relato oficial: a carta de Pero Vaz de Caminha. Mesmo sendo um documento repleto de intenções, grande parte dos estudiosos o consideram como o primeiro registro do território explorado pelos portugueses do outro lado do Atlântico, angariado, principalmente, através das bulas papais e pelas disputas de controle territorial com o monarca espanhol. Lá se foram mais de quinhentos anos da época deste primeiro olhar sobre o território e seus habitantes para os dias atuais! Evidentemente muitas mudanças, imposições, controles, negociações, disputas, insubordinações, barganhas e outros elementos se fizeram presentes no cotidiano Américo português entre 1500 e 1822, quando houve a separação administrativa e a instituição de um território “emancipado”. Os intelectuais desse novo espaço administrativo, denominado de Império Brasileiro, ao olhar para trás iniciou a construção de uma escrita da História Colonial, sobretudo após a criação do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Assim, saía-se dos relatos e descrições feitas por aqueles que viviam o dia a dia das conquistas (missionários, clérigos, viajantes, cronistas e demais “curiosos”) para interpretações sobre essas impressões, entremeados com os registros documentais deixados pelos agentes régios, pelos moradores locais, pelos órgãos administrativos e pelos homens dos mais variados grupos sociais.

Devido a este cenário, a ideia de construir uma revista exclusivamente para discutir as temáticas sobre a experiência das conquistas portuguesas na América torna-se interessante, como um meio de ampliação de resultados dos programas de pós-graduação e pesquisas científicas dos profissionais da história e áreas afins. Neste sentido, privilegiando a variabilidade de assuntos, os diversos cortes cronológicos e o uso das mais diversificadas fontes documentais, a Revista Ultramares propõe-se, ousadamente, a se tornar um espaço de referência intelectual e científica para os especialistas da área tanto no âmbito nacional, quanto no âmbito internacional.

Seu nome vincula-se, justamente, a esta missão ousada e, por que não dizer, arriscada em atingir “mares nunca d’antes navegados” ou passar por costas e sertões já explorados, mas com outros vieses e interpretações. Em sua estrutura editorial, a revista tem como autor corporativo o Grupo de Estudos América Colonial (GEAC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) que visa, através da revista,  estimular as conexões de rede de pesquisa e a inserção das pesquisas alagoanas no cenário nacional/internacional sobre a temática. Todavia, em seu objetivo de publicação, a meta é prezar pela diversificação de assuntos, autores e espaços geográficos abordados, tentando dar conta do mundo plural das conquistas, garantindo as especificidades, mas proporcionando flertes de comparações e olhares próximos sobre os domínios Atlânticos. Assim, olhares que possibilitam visões sobre poder, administração, cotidiano, economia, escravidão, cultura, arte e vida social dos homens e instituições no Ultramar. Visões que possibilitem (re)visões, (re)leituras e (re)interpretações historiográficas, sobretudo oriundas das críticas e novos sentidos dado a documentação primária.

Por fim, a Revista Ultramares traz em sua obrigação o comprometimento com a diversidade, originalidade, periodicidade, credibilidade e organicidade. Elementos, aqui, entendimento como fulcrais para a consolidação do periódico como referência científica tanto no mêttie dos estudos da História das Conquistas Coloniais Portuguesas, como na própria Historiografia do Brasil. Missão árdua, mas, no mínimo sedutora, fazendo-nos lembrar dos navegantes em busca de aventuras, novos caminhos e outras vidas...

 

 

Alagoas, 15 de dezembro de 2011

Editores Revista Ultramares