Número 3 Março de 1978

 
Este fascículo é quase inteiramente dedicado à pronúncia do latim. A Nota de Abertura inclui uma reflexão sobre a “validade (em termos de “útil” e “actual”) dos estudos clássicos: se não são úteis nem interessam ao homem actual, ou se, do ponto de vista pragmático, podemos substituí-los com vantagem, para quê então insistir em mantê-los a todo o custo no nosso sistema de ensino? Apenas para conservar a tradição... ou os nossos empregos? “Estamos convencidos de que, na moderna sociedade, o estudo da cultura, das línguas e literaturas clássicas já não deve ocupar a posição que noutros tempos se justificaria. Mas que lugar lhe cabe ainda (se cabe)?
“Não vamos tocar na velha tecla de que o grego e o latim têm um valor formativo e humanístico insubstituível. Na verdade, uma tal afirmação reflecte uma certa morbidez idealista, e defendê-la é correr o risco de cair no ridículo... o que não quer dizer que neguemos aos estudos clássicos largas possibilidades formativas, que, no fundo, ainda não foram esgotados. “Para além deste aspecto, a nossa defesa dos estudos clássicos assenta em bases mais objectivas: elas são, agora sim, insubstituíveis em vários ramos da actividade científica, como, por exemplo, História (medieval portuguesa... e não apenas), Epigrafia, Arqueologia, Filosofia, Linguística, Literatura (e não só da época “humanística”), para não mencionarmos outros talvez discutíveis. “Em qualquer destes ramos, o investigador tem obrigação de, pelo menos normalmente, se bastar a si próprio quando trabalha com documentos escritos em latim (ou grego...). (...)
“Como se vê, não pedimos a lua, mas apenas uma reforma de vistas largas, a qual, sem obrigar toda a gente a estudar latim e/ou grego, a muitos dê, efectivamente (...), a liberdade de escolherem uma disciplina indispensável cultural e profissionalmente.”
 
Bibliografia recenseada:
Platão, Cartas. Tradução de Conceição Gomes da Silva e Maria Adozinda Melo. Lisboa, Editorial Estampa (col. “Clássicos de Bolso”), 1971; Celso, Contra os Cristãos. Tradução de José Henrique Botelho Júnior. Lisboa, Editorial Estampa (col. “Clássicos de Bolso”), 1971, Aires Nascimento (p.79)
 
Maria Helena da Rocha Pereira, Estudos de História da Cultura Clássica. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 4.ª edição, 1976, J. A. Segurado e Campos (p.80)
 
Francisco Sá de Miranda, Obras Completas, vol. II. Lisboa, Livraria Sá da Costa, 3.ª edição revista, 1977, J. Lourenço de Carvalho (p.82)
 
Duarte Nunes de Leão, Crónicas dos Reis de Portugal. Porto, Lello & Irmão — Editores, 1975, Victor Jabouille (p.83)
 
Fernão Mendes Pinto, Peregrinação. Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1977, Victor Jabouille (p.84)
 
Irwin Stern, Júlio Dinis e o Romance Português. Porto, Lello & Irmão — Editores, 1972, J. Lourenço de Carvalho (p.85)
 
Maria Luísa Nunes, As Técnicas e a Função do Desenho da Personagem nas Três Versões de ‘O Crime do Padre Amaro’. Porto, Lello & Irmão — Editores, 1976, J. Lourenço de Carvalho (p.86)
 
James Amado, Chamado do Mar. Lisboa, Publicações Europa-América (col. “Livros de Bolso”), 1977, Victor Jabouille (p.87)
 
Pedro da Silveira, Antologia da Poesia Açoriana — do século XVIII a 1975. Lisboa, Livraria Sá da Costa (col. “Vozes do Mundo”), 1977, Victor Jabouille (p.87)
 
Roland Bourneuf — Réal Ouellet, O Universo do Romance. Coimbra, Livraria Almedina, 1976, Victor Jabouille (p.90)
 
Maria Tereza de Fraga, Humanismo e experimentalismo na cultura do século XVI. Coimbra, Livraria Almedina, 1976, Victor Jabouille (p.91)
 
Julia Kristeva, Semiótica do Romance. Tradução de Fernando Cabral Martins. Lisboa, Editora Arcádia, 1977, Marília P. Futre (p.92)


Sumário:

Nota de Abertura (p.3)

Kikeristas e Ciceristas ou uma Polémica à Portuguesa, Custódio Magueijo (p.7)

Normas para a pronúncia do latim clássico, Maria Isabel Rebelo Gonçalves (p.21)

Nome das letras no alfabeto latino, Aires Nascimento (p.27)

Sobre a pronúncia do latim, Joana B. Baptista (p.31)

Tratamento de textos em computador — Análise linguística, Aires Nascimento (p.33)

A problemática da justiça de Zeus n’O Prometeu de Ésquilo, Manuel Alexandre Júnior (p.47)

Carta Aberta a S. Ex.cia o Sr. Ministro da Educação (p.71)

Aos quatro ventos (p.75)

Bibliografia (p.79)