Número 1 Janeiro de 1977

Comissão Responsável: Cecília Goucha Soares, Custódio Magueijo, José Pires da Cruz, Rosa Maria Perez e Victor Jabouille.

A ideia de publicar “uma revista de divulgação cultural e pedagógica no domínio dos estudos clássicos” surgiu em Julho de 1976. Um grupo do docentes do Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa acabaria por fazer nascer CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura no mês de Janeiro de 1977. A revista importava em 80$00.
No número inaugural, este grupo de professores proclamava uma espécie de manifesto, cujos princípios se mantêm, grosso modo, os mesmos: CLASSICA assume-se (em Janeiro de 1977) de “carácter experimental”, uma vez que “não representa um compromisso, somente um esquema que propomos para apreciação, pois consideramos que a revista não é pertença do grupo que se responsabilizou pelo seu lançamento nem do Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; pensamos, pelo contrário, que ela é de todos nós, aqueles que somos estudiosos das coisas clássicas, quer estejamos no ensino ou não, quer sejamos especialistas ou apenas interessados. Assim, esperamos a colaboração de todos — e colaboração efectiva — não só através do envio de sugestões, de envio de notícias ou esclarecimentos, como também de divulgação. (...)
“Nós acreditamos na Cultura Clássica e no futuro dos estudos clássicos em Portugal. Conhecemos as limitações, colectivas e individuais, as carências, as inibições e os receios. Mas defendemos uns Estudos Clássicos dinâmicos, que procurem — sem atraentes roupagens mistificadoras — situar-se no nosso tempo e encarar a problemática básica sem desvios pré-concebidos ou tendenciosos. O ressurgir dos Estudos Clássicos terá de ser feito por nós, nas escolas, na rua, em casa, no convívio... Não é, certamente, com atitudes negativistas nem com evidente ignorância e incompetência profissionais que o objectivo será alcançado. Por isso lutamos, por isso surge CLASSICA.
“Esclareça-se que achamos, por outro lado, que a revista deve ter intervenção a nível pedagógico e não só no que concerne às línguas, literaturas e culturas clássicas gregas e latinas. Além das relações culturais, estamos, profissionalmente, na maioria dos casos, ligados ao ensino da língua e literatura portuguesas. Elas devem ter também lugar, e importante, na nossa revista. “Quanto ao conteúdo, e para além dos artigos de carácter científico, sugerimos o envio de mais trabalhos com características pedagógicas (problemas teóricos, trabalhos de estágio, esquemas de aulas, etc.), de notícias (...). A divulgação de várias correntes e de várias posições é importante e a troca de opiniões será um elemento positivo. (...)
“Necessitamos de mais colaboradores e de mais colaboração. (...)”

Sumário:

Nota de abertura (p.3)

Poemas homéricos e graus de civilização, J. Lourenço de Carvalho (p.7)

O Romance de Cáriton, Quéreas e Calírroe, Cristina de Sousa Pimentel (p.53)

Tratamento de textos em computador — Uma via em aberto, Aires Nascimento (p.73)

Pela pronúncia clássica do latim clássico, Custódio Magueijo (p.87)

Comentário a um texto, Maria Alice Duarte (p.93)

“Jesus”, de Miguel Torga, versão latina de Custódio Magueijo (p.107)

Filologia Clássica; que futuro?, M. Ramos Ribeiro (p.111)

Latim, latinistas e latinófilos, Flávio Vara (p.115)