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Extensionistas conhecem caso de aprendizado com a natureza

publicado a la‎(s)‎ 23/3/2012 17:17 por Flávia Cunha
Belém-Pará, Brasil, 12/03/2012, por Vinicius Soares Braga (Jornalista, Embrapa Amazônia Oriental)

Numa área de várzea com solo pobre e dominada por taboca, murmuru e marajá, Pedro Araújo iniciou o plantio de banana e açaí. “Derrubei tudo e plantei”, conta o agricultor. A banana produziu, mas o açaí não teve a mesma sorte. O solo já estava sem cobertura de matéria orgânica e secava no verão. Indicaram-lhe então irrigar o açaizal, alternativa que estava além de suas disponibilidades. “Foi então que certo dia, dentro da mata, encontrei a solução,” relembra Seu Pedreco, como é conhecido. Ele cobriu o solo com aninga, planta considerada como praga e cuja seiva é urticante. Pela sua observação, a aninga retinha água no solo e ajudaria o açaizal. De início, Seu Pedreco foi tomado por louco pelos vizinhos, mas o experimento funcionou. “A aninga cobriu o chão de verde e aí começou a produção do meu açaizal.”

Foi essa e outras histórias de aprendizado do homem com a natureza que os alunos do Curso Internacional de Capacitação em Sistemas de Tecnologia Agroflorestal conheceram no último sábado (10), em São Domingos do Capim. O treinamento é promovido pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a Iniciativa Amazônica e reúne 32 técnicos extensionistas de seis países da Pan-Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela). Na aula prática no sítio do Seu Pedreco, os participantes do treinamento tiveram oportunidade praticar um pouco dos princípios da agrofloresta sucessional apresentados por Ernest Götsch, agricultor suíço radicado no Brasil.

Para o agrônomo boliviano Ernesto Cardoso, o sítio do Seu Pedreco é um exemplo de adaptação de um sistema produtivo às características do meio que ocupa. “O agricultor tem que saber utilizar as espécies da região onde mora e conhecer aquelas de outras regiões que possuam as mesmas características e que podem ser introduzidas no sistema,” disse.

O evento é promovido pela Embrapa Amazônia Oriental e realizado sob a coordenação dos governos do Brasil, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e do Japão, através da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) dentro do Programa de Treinamento para Terceiros Países (TCTP) executado em parceria por estes dois países. Também são parceiros o Instituto Federal de Educação – Campus Castanhal, a Universidade Federal Rural da Amazônia e o Centro Mundial Agroflorestal.

Notícia original.


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