O Bailar

 A nossas Danças e Coreografias

 

O BALHO


O Baile, que também se designava por balho era talvez o maior divertimento das nossas gentes, em especial dos mais jovens.Quer fosse ao fim de semana ou no final do trabalho quando se deslocavam à semana ou à quinzena, nos terreiros ou em casas existentes nos “montes” o bailarico não faltava .E mesmo quando não havia “música”( acompanhamento musical), bailava-se à mesma ao som das vozes.



O harmónio, mais tarde a concertina e o realejo, eram os instrumentos utilizados, normalmante sem ser em conjunto. Que antes tinha sido a guitarra .Quanto à flauta de cana, a ser utilizada pelos pastores, quando apascentavam os seus rebanhos, não consta que fosse utilizada em bailes. No que respeita a instrumentos de ritmo, temos a assinalar ( apareciam…) o reco-reco de cana e a garrafa com garfo.


Uma referência entretanto ,para o facto de no início do século .Existir na vila uma tuna de gente bem vestida, que tocava a bailes, e integrava “cordas”( violas ,bandolins ,guitarra) e flauta transversal. Aliás, tunas existiram também em período de paragem da Banda, mas desconheço a sua constituição.


Curioso é que existissem distintas zonas de baile, bailando-se rasteiro na Vila, escufinhado na Farinha Branca, e pulado noutros lados. Depreciativamente na vila dizia-se que só os “cabreiros” é que bailavam pulado.Mas as diferenças devem ter começado a esbaterem-se um tanto, dado haver gente que iam a todos os bailes, embora por vezes de lá fossem corridos.


Naturalmente, haveria “modas”( também chamadas “peças”),mais lentas, como os viras, o verdigaio, o malverde, onde a elegância teria que ser marcante, e outras mais rápidas, onde se mostrava toda a destreza, como as chotiças, os corridinhos, o passo largo para mais não citar. De zona para zona haveria diferença de ritmo? Dizem-me que não, mas o “ António da Aurora” falava-nos de uns “dois passos da Charneca” que eram mais rápidos, e cuja gravação se perdeu. Também o senhor Vicente Barnabé nos dizia em 1982 que o corridinho se dançava em jeitos da chotiça, e de duas maneiras---da Charneca, pé mais largo, e na Serra, escufinhado mais junto ao chão.


Algumas foram as “modas” sobre as quais não conseguimos os elementos necessários para uma completa recolha da mesma.

Alguns exemplos:


1)—“DOIS PASSOS MANDADOS”,que se dizia serem bailados na Granja, “mandados pelo José da Amieira”;


2)—“CHOTIÇA MANDADA”, bailada em Cavaleiros “mandada” pelo Custódio Barradas;


3)—“ A MALTEZINHA”,sobre a qual apenas ficámos a saber, que era primeiro escufinhada e depois rodada;


4)—“MANEL CHINÉ”, de que apenas ficámos a saber que durante a mesma trocavam de pares;




Os dois passos escufinhados e os três passos(uma derivação do primeiro), apenas em Montargil seriam bailados.

 

 

 

Algumas das modas tradicionais da nossa Terra:


VERDIGAIO

Bailava-se em grupos de quatro, primeiro andando à roda e depois cruzando, podendo diversos quadrados entrar na dança (no “balho”)


SALTO E BICO

Os bailadores começam batendo o salto e o bico---noutras regiões chama-se de tacão e bico, e depois rodam agarrados, de uma maneira geral sempre para a direita, pois para a esquerda não é para todos…

CHOTIÇA BATIDA

Das duas Chotiças que o rancho baila, disse o musicólogo Bertino Coelho que sendo embora oriundas dos salões respiram já cem por cento povo. Uma é CHOTIÇA BATIDA, em que os pares batem ao centro e depois rodam.

MALVERDE

Dança que terá chegado a Montargil através dos “ratinhos” da aldeia beirã de Valverde. O Rancho recorda nesta moda o costume do “bota cá dispensa”, que por vezes acabava em “confusão”


BAILARICO DE OITO

E aqui está a influência do Algarve. Este bailarico poderá mesmo ter nascido nos terreiros de Montargil. Começa com a música da Ti Anita de Loulé, o que se poderá estranhar-se sem uma explicação. Mas depois de um profundo trabalho de recolha concluiu-se ser mesmo assim. É bailada por 4 pares.


PASSE CATRE

E aqui temos agora uma peça que mantém ainda o seu ar de salão, não obstante durante muitos anos ter sido bailado numa terra marcadamente ruralista como o foi e é Montargil. É oriunda de França, de onde terá vindo — ainda não o sabemos concretamente — com as invasões francesas ou com alguns combatentes da guerra de 14 -18.

CHOTIÇA CORRIDA

Era aqui que se via “quem tinha canetas”. Era um par que fugia e outro que o tentava agarrar. Por vezes parecia tudo torto mas era mesmo assim, e se acontecer uma quedazita…

 PALHAÇOS

Dança de quadrado. É a única “moda” conhecida no folclore de Montargil em que em determinada altura a música pára e os bailadores continuam a bailar ao som das palmas. Tudo terá começado quando o tocador de “realejo” aproveitava para tirar o cuspo de dentro do mesmo. Porque lá deixar de “balhar” isso é que não…

CORRIDINHO

A exemplo do Bailarico de oito ,o corridinho pode também ter nascido nos terreiros de Montargil. Demorou vários anos de pesquisa e nada de parecido se conhece quanto à sua coreografia. Dança em que os pares rodam, com marcações diferentes entre o homem e a mulher antecedendo o rodar.

PASSO LARGO

Nos terreiros de Montargil ou nos “bailes de casa”, era bailado por quatro ou por seis pares.

PERNA ALÇADA

Inicialmente os pares fazem as respectivas marcações com os pés (alçando as pernas para o efeito), rodando de seguida. Recolhida em Foros do Mocho.

VIRA BATIDO SIMPLES

É dançada formando quadrados de 2 pares, onde o homem e a mulher fazem as marcações ao meio batendo os pés, trocando de seguida de posição.

VIRA BATIDO 3 VEZES

Muito parecida com o vira simples, só que quando vão fazer as marcações ao meio, em vez de uma vez como o próprio nome indica fazem-no 3 vezes.

Ó COMPADRE ZÉ

Dança onde os pares rodam à volta de si mesmo, ora para direita ora para a esquerda, terminando com os homens de mão dada à mulher, mas com o joelho esquerdo no chão.

MODA A DOIS PASSOS

Há diversas “músicas”e, bailava-se, “rasteiro”, “pulado” e “escufinhado”. Cada um bailava como sabia.

VALSA

Mais uma dança, na qual os pares iniciam fazendo uma marcação no mesmo sítio passando de seguida a rodar valseando.

FADINHO

Fadinho, que foi recolhido na hoje freguesia de Foros do Arrão, é uma dança que diz bem quanto se está chegado ao Ribatejo.

SAIAS

É a mais tradicional das “modas” do Alto Alentejo, nomeadamente do distrito de Portalegre. É uma moda “de festa” e “de trabalho”. Durante algumas “fainas” cantava-se naturalmente sem acompanhamento instrumental, o que igualmente acontecia nos bailaricos quando aqueles não existiam.

Em Montargil estas cantigas eram cantadas por duas mulheres e/ou por homem e mulher, eram-no de improviso e de parada e resposta Mas houv quadras que ficaram e foram de entre estas que fizemos a recolha.

Apenas encontrámos uma maneira de bailar braços no ar, frente a frente homem e mulher dançam no “mesmo sítio”, a seguir e alongando os braços de fora fazem-no lateralmente, terminando a rodar, sendo diversas as “musicas” recolhidas. Até ao momento aproveitámos quatro(4), pondo de lado uma ou outra conhecida por “saias de Campo Maior” ou por exemplo “ do Cano”, mas que também por aqui foram cantadas e bailadas.