Supervisão, avaliação e desenvolvimento profissional

Estratégias para promover o otimismo e a automotivação dos professores

Estratégias para promover o otimismo e a automotivação dos professores

A existência de um centro de documentação e informação, com atualização bibliográfica permanente, na escola constitui-se como uma forte motivação para o incentivo à autoformação dos professores, permitindo-lhes o acesso fácil e imediato às publicações nacionais e internacionais nos domínios tanto da didáctica geral como das didácticas específicas. Este espaço de documentação e informação constitui-se como um local quer de encontro e partilha entre pares , quer de suporte para a preparação de materiais pedagógicos.


A criação e atualização de portfolios (dossier com materiais e documentos que exemplifiquem os projetos, as acções de formação e as inovações realizadas pelo professor) como hábito de trabalho, tem vindo a revelar-se como um elemento que impele à autovalorização académica e profissional do indivíduo, com implicações diretas no aumento da sua motivação. O portefólio permite ir reconstruindo o percurso individual assim como proporciona boas oportunidades de reflexão sobre a praxis.


Um professor informado e atualizado tende, regra geral, a estar mais motivado para a sua prática. Valorizando mais a sua profissão, o docente revela-se mais motivado. A assinatura de revistas de didáctica e pedagogia constitui-se, deste modo, como outra estratégia que promove sentimentos motivadores para as realidades profissionais dos docentes. Sendo certo de que os mecanismos da motivação e do conhecimento se regem em ciclo vicioso (motivação gera motivação e o conhecimento gera mais conhecimento e mais motivação para aprender), a motivação para as novas aprendizagens nas áreas de ensino do professor aumenta à medida que este acede com facilidade a informações atuais e de qualidade. Verifica-se que um professor actualizado tende a revelar elevados níveis de autoestima.


A partilha de experiências entre os pares, as reflexões em grupo promove igualmente o aumento dos níveis de motivação do professor, quebrando simultaneamente o isolamento em que alguns profissionais vivem. Esta dualidade isolamento e motivação são inversamente proporcionais, evidenciando-se que à medida que o isolamento aumenta, diminui a motivação do indivíduo. Procurar ajuda no seio de associações pedagógicas e profissionais é certamente o primeiro passo no sentido de quebrar o ciclo vicioso do isolamento e da desmotivação. A simples adesão a uma associação científica, pedagógica ou profissional, aproxima o docente dos seus pares, assim como evidencia algumas preocupações comuns e recorrentes às várias realidades. O envolvimento do professor em projectos escolares e em trabalhos de equipa partilhados com colegas facilita o desenvolvimento de competências e capacidades. Revela-se, igualmente, promotor do aumento de otimismo e impele à dedicação e ao sentimento de pertença à comunidade escolar onde se está inserido.


A contínua participação em colóquios e congressos (nacionais e internacionais), para além de mobilizar para a quebra do isolamento profissional, surge como uma oportunidade para conhecer outros profissionais, aumentar a informação, estimular o aparecimento de novas ideias e projetos, assim como integrar redes de conhecimento. As actividades de complemento curricular e as actividades lúdicas e culturais (clubes escolares, etc.) possuem a dimensões ideais para criação de equipas docentes que, através do trabalho colaborativo e de lideranças saudáveis, realizam actividades de enriquecimento do currículo e consequentemente aumentam a motivação dos professores. 


A organização dos dossiers pedagógicos, actualizando-os regularmente, constitui uma forma do aceder com rapidez e facilidade a materiais didácticos construídos e melhorados ao longo do tempo. Adquirir boas práticas ao nível da organização do trabalho docente é uma condição favorável à diminuição de sentimentos de descontrolo e stress potenciando o aumento dos níveis de motivação. Um professor que desempenhe a sua profissão em ambientes anárquicos e desorganizados não consegue manter, durante muito tempo, elevados níveis de sucesso caindo em ciclos de descontrolo, stresse e desmotivação.


Relativamente ao optimismo e ao reconhecimento por parte das hierarquias, os professores, tal como todos os outros profissionais, apreciam o reconhecimento sincero do seu trabalho valorizando o elogio por parte da direcção da escola. Este tem efeitos benéficos no aumento da motivação e da dedicação dos professores. Para além de não dever ser banalizado, sob pena de perder eficácia, deverá ser usado de forma apropriada e justificada. Por sua vez os líderes educativos devem prestar atenção às necessidades dos professores (Marques, R. 2003), intervindo sempre que se note alguma desmotivação latente, disponibilizando-se, sem se impor, no apoio aos professores. O líder educativo deverá utilizar estratégias que promovam o desenvolvimento consentido ou seja deverá evidenciar os aspectos positivos do trabalho do professor para depois apontar os aspectos a melhorar (evitar palavras como negativo, mau, etc.) e finalizar concluindo com reforço da confiança depositada no trabalho do profissional. Esta é uma forma de abordar e melhorar o desempenho dos professores, elevando-lhes a autoestima e promovendo sentimentos de optimismo. A profissão docente está sujeita a muito stresse e ansiedade, impondo-se o pessimismo profissional que conduz a um desinvestimento por parte do professor. O bom humor e o elogio constituem uma forma eficaz de controlo do stresse impedindo o aumento do pessimismo que tal como o optimismo se revela contagiante. 

Uma parte essencial do trabalho dos líderes educativos é fazer com que todos os professores se sintam especiais na organização. Deste modo é essencial que estes revelem empatia para com os colaboradores de modo a criar uma comunidade escolar caracterizada por uma atmosfera de bem estar, optimismo, desenvolvimento, ordem e tranquilidade. A título de conclusão poderemos dizer que cabe aos decisores e líderes educativos envolver activamente os professores no processo de tomada de decisões; avaliar as necessidades dos professores e dar-lhes provimento; apoiar os professores com elogios e encorajamento; valorizar as iniciativas dos professores; partilhar com os professores os êxitos da organização; mostrar disponibilidade para ouvir; ser solícito; evitar julgamentos e preconceitos; olhar para os problemas como oportunidades de mudança; colocar os professores mais experientes no apoio aos mais jovens. 


Uma escola que cultiva políticas de desenvolvimento pessoal e social (aumento da motivação, optimismo, empatia, entreajuda e autoestima) dos seus colaboradores e investe na motivação dos professores revela preocupações com as oportunidades de formação, com o apoio regular, com as oportunidades de partilha, com um feedback contínuo assim como disponibilidade para uma comunicação aberta e nos dois sentidos. Marques (2003), por sua vez, aponta mais três estratégias que implicam a jusante o aumento da eficácia da escola como promotora do desenvolvimento de bons profissionais e bons ambientes escolares. São elas dar a conhecer ao pessoal docente práticas eficazes e programas educativos bem sucedidos, fazer periodicamente o reconhecimento de necessidades, uma avaliação dos resultadios e a identificação dos pontos a melhorar assim como as mudanças a introduzir e criar focus groups.

Estudos em contextos de formação no ensino superior têm demonstrado que alunos e professores com níveis de optimismo elevado revelam maior bem estar pessoal social assim como mostram maiores níveis de motivação (Monteiro, Tavares & Pereira, 2009). Deste modo poderemos afirmar que professores mais optimistas se revelam mais motivados, mais produtivos, mais disponíveis, mais capazes de enfrentar as condições relacionadas com o clima da escola, com a relação com os seus pares, com a auto

Para ler o capítulo "Supervisão, Avaliação e Desenvolvimento Profissional" (Marques, Ramiro (2003) Motivar os Professores: Um Guia Para o Desenvolvimento Profissional, Lisboa: Ed. Presença), clique nos anexos 001, 002 e 003.
ą
001.jpg
(466k)
Portugal UP Portugal BEST,
26/10/2009, 11:13
ą
002.jpg
(790k)
Portugal UP Portugal BEST,
26/10/2009, 11:14
ą
003.jpg
(640k)
Portugal UP Portugal BEST,
26/10/2009, 11:14
Comments