Docs e grelhas sobre Planificação

PLANIFICAÇÂO

M.Ceu Roldão

2002-2003

 

 

A SITUAÇÃO:

 

Como são estas crianças? Que já sabem?

Que tipo de experiência de vida tem sido a deles? Que coisas conhecem e por quais se interessam?

 

Como partir destes aspectos para iniciar qualquer aprendizagem?

 

OS OBJECTIVOS

 

Finalização, competências visadas

 

Que pretendo ensinar? (o conteúdo, a unidade, o método de trabalho)

Para que se destina esta aprendizagem? Que tipo de competência se pretende? Serve para os alunos depois usarem como?

 

Operacionalização

 

Para esta unidade, os alunos no final deverão ser capazes de quê?

Com que nível de consecução?  Concretizado de que forma observável?

Quantos objectivos e quais tenho em vista nesta unidade? (listagem)

 

Prioridades

 

Nesta unidade e destes objectivos, qual é o essencial? Porquê?

Se não for possível conseguir alcançar todos, qual o mais necessário? Porquê?

 

Adaptação

 

Pensando nos alunos que já descrevi, que aspectos sei à partida que vão ter que se ajustar para que  eles compreendam e adquiram o conhecimento e/ou a competência formulada no objectivo?

 

 

            AS ESTRATÉGIAS

 

            A estratégia global

 

            Como vou “montar” o trabalho da aula para esta aprendizagem ser bem

            compreendida?

            (Exemplos:  

                                  Observação de situações, registo, questões, conclusões?

          Tarefas em pares sobre leitura de um texto? ou sobre imagens?

Outro tipo de tarefa?  Qual? para encontrar e discutir informações de que tipo?

 

            Explicação e aplicação de conceitos? Quais? porquê? como?

 

           Discussão de concepções (certas ou erradas) dos alunos? Como as 

           vou desmontar com eles?

 

           Trabalho sobre materiais ou situações à volta da escola ? para

 obter que  conhecimentos ?

 

 

As estratégias específicas de cada aula ou conjunto de aulas

Sequência e justificação

 

Como vamos começar a actividade? Para que serve cada uma das actividades e o seu desenvolvimento?

Que organização dar às várias fases do trabalho? Porquê?

Sempre, ao longo da actividade,  que prevejo que “façam” os alunos?Pensarão o quê? ? Que concluirão? Que raciocínio serão estimulados a produzir?

 Em que momentos  trabalham os alunos sobre materiais? Quando intervém o professor? Para sintetizar conclusões? para esclarecer o processo? Para iniciar o tema?

                        Em que momentos introduzirei  a verificação do progresso do que se quer

                       fazer aprender? (Ver avaliação da aprendizagem)

Que produzirão os alunos?

 

 

Avaliação da aprendizagem

 

Ao longo da aprendizagem, em que momentos introduzirei  a verificação do progresso do que se quer  fazer aprender?  Com que tarefas? Que resposta dar sobre o resultado para o aluno reformular? Onde se escrevem esses registos para serem úteis para o estudo do aluno? (avaliação formativa)

 

No final de uma unidade ou ciclo de conteúdos, que tarefa pedir para verificar se aprenderam? (avaliação sumativa) Porquê?

(Prever tipos de tarefas diferentes para a mesma aprendizagem, sem se esgotarem na pergunta –resposta).

 

Como habituar os alunos a verificarem se aprenderam? (auto-avaliação) Que actividades pensar para essa auto-regulação e como apoiá-la? Como envolvê-los na hetero –avaliação de tarefas ou desempenhos de outros durante o trabalho?

 

 

Avaliação do desenvolvimento curricular realizado

 

Como resultou o que planeámos? Os alunos aprenderam o que pretendíamos? Que falhou –ou resultou – e porquê,  do lado do professor e da sua estratégia?

Haverá aspectos do conteúdo de aprendizagem  que precisem de  ser aprofundados? Porquê?

Onde estiveram os problemas dos alunos (todos, alguns grupos, alguns alunos,  segundo situações específicas) face a esta aprendizagem? A que se deveram? (centrar na estratégia usada, onde lhes foi difícil e porquê)

Que mudar na estratégia, nas actividades , nos materiais utilizados, na linguagem?...

 

Registo desta análise para o diário do professor

 

 

EXEMPLOS DE MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DA AULA

 

Grupos de alunos com tarefas e alguma informação ou dados de observação – tarefas precisas

 

Trabalho por pares face a informação ou explicação geral do professor.

 

Actividades com pequenos grupos (3-5) com níveis de progresso na  aprendizagem um pouco diferentes, solicitando-os a tarefas de entre-ajuda, com algum apoio e materiais fornecidos pelo professor.

 

Actividades individuais de estudo dos alunos na aula – com ajuda de tarefas orientadas pelo professor.

 

Saída da escola e observação de situações com tarefas bem orientadas (aspectos da natureza, recolha de materiais, formas, vestígios, costumes etc) para análise na aula.

 

Apresentação explicação do professor com tarefas de registo por um grupo ou dois de alunos para confronto do que cada um apreendeu.

 

Pedido aos alunos (rotativamente) de apresentação de algum trabalho que lhes tenha sido pedido para os colegas.

 

Organização de jogos que requeiram aplicar os conhecimentos que já aprenderam.

 

Organização de pequenos projectos de estudo e pesquisa, orientados pelo professor, com fases, materiais, aspectos a descobrir e analisar, regras de percurso e de trabalho):

- centrados em  alguns aspectos do sítio onde vivem ou centrados em interesse por outras situações com base em leitura ou outros recursos.


PLANIFICAÇÃO – ESQUEMA DE APOIO

 

A SITUAÇÃO:

 

- Como são estas crianças? Que já sabem? Que tipo de experiência de vida tem sido a deles? Que coisas conhecem e por quais se interessam?

Como partir destes aspectos para iniciar qualquer aprendizagem?

            - Que projecto de trabalho já existe organizado (Prof/Educ/Escola Cooperantes) no qual se enquadre esta planificação?

 

OBJECTIVOS E CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM

 

 

 

ESTRATÉGIA GLOBAL - CONCEPÇÃO

 

DESENVOLVIMENTO DE

ACTIVIDADES DE APRENDIZAGEM QUE OPERACIONALIZAM A ESTRATÉGIA

 

AVALIAÇÃO

O que se pretende que os alunos aprendam no final da aprendizagem que se vai organizar?

 

Quais os conceitos que vão ser apreendidos?

 

Que competência se está a querer desenvolver?

 

Explicito o que os alunos devem ser capazes de, e  demonstrar  que sabem no final?

De que modo (global) se vai organizar o trabalho dos alunos para alcançarem esta aprendizagem?

 

Partindo de quê…e mobilizando o quê?

 

Dando preferência a que abordagem?

 

Como a descrevo e justifico?

 

Propondo que actividades cognitivas?

 

Organizando o trabalho de que forma?

Como desdobramos e sequenciamos os vários passos desse trabalho?

Qual é a lógica que encontramos nessa sequência?

 

Que estarão os alunos a fazer? E o professor?

Que é pedido aos alunos que façam, com a mente, mesmo em tarefas manuais? Como os apoia o professor? Que recursos proporciona? Que tipo de materiais disponibiliza? Com que fim?

Que momentos de articulação/apresentação/síntese pelo professor? Que registos e feitos como? Por quem? Com que fim?

Como e quando, ao longo da estratégia, se vai analisar se e o quê os alunos estão ou não a adquirir? 

Onde e quando introduzimos tarefas ou pequenas observações que evidenciam a percepção? Que fazer se há obstáculos?

 

Como vamos ver, no final , o que foi ou não adquirido? Sob que formas os fazemos? Que instrumentos ou actividades uso para esse fim? 

Como vou devolver os resultados depois de os analisar?

O que avalio corresponde aos objectivos pretendidos?

Adaptado de: Alarcão, I. & Roldão, M.C. (2008). Supervisão. Um contexto de desenvovimento profissional dos professores.Mangualde: Edições Pedago, p. 92.

 

ANEXAR:

Materiais de trabalho e sua exploração fundamentada.

Instrumentos de avaliação/instrumentos de registo da avaliação.


 Planificação de Actividades para uma semana - Pré-Escolar

 

Horas

De Segunda a Sexta

 

9.00 – 10.00

 

Acolhimento

 

10.00 – 11.30

 

Actividades Lectivas

 

11.30 – 13.00

 

Higiene e Alimentação

 

13.00 – 15.00

 

Actividades livres

 

15.00 – 16.00

 

Higiene e Alimentação

 

16.00 – 17.00

 

Actividades livres/Saída

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Objectivos

Descrição da Actividade

Recursos Humanos

Recursos Materiais

Áreas de Conteúdo

Avaliação

- Promover a integração dos novos elementos no grupo;

 

- Criar um ambiente familiar e acolhedor;

 

- Desenvolver a capacidade de expressão;

 

- Desenvolver agilidade motora e coordenação visual;

 

- Estimular a interacção com os outros inter ajudando-os;

 

- No decurso da actividade de acolhimento da canção do “Bom Dia”, procura-se que as crianças recém-chegadas da sala façam uma pequena apresentação de si próprios, dizendo o nome a idade e o que gostam mais de fazer.

 

- Seguidamente pode-se as restantes crianças que partilhem com o grupo o que também mais gostam de fazer.

 

- Posteriormente organizam-se as crianças por diferentes grupos consoante os gostos em comum e pede-se que façam um desenho relacionado com esse gosto.

 

- Educadora

 

- Auxiliar

 

 

- Manta

 

- Papel A4

 

-Lápis de cor, marcadores, lápis de cera

 

Formação Pessoal e Social:

- Desenvolvimento da identidade

- Partilha de poder entre crianças, educadora e grupo

- Ser capaz de utilizar materiais e instrumentos disponíveis

- Assumir preferências por actividades ou materiais

- Cumprir tarefas combinadas

- Fomentar atitudes de respeito pela diferença

 

 

Expressão e Comunicação:

Linguagem Oral:

- Diálogo deve ser fomentado;

 

Expressão Motora

- Controlar voluntariamente os movimentos;

- Desenvolvimento da motricidade Grossa e Fina;

- Manipular objectos correctamente;

 

Expressão plástica

- Interagir com o outro no trabalho de grupo;

- Explorar espontaneamente todos os diversos materiais;

 

- Observação directa;

 

- Grelhas de observação;

 

- Registo escrito e fotográfico;

 

- Reuniões com os pais.

 

Semana 1 – 2ª feira

 

 

 

 

 

 

3ª feira

 

Objectivos

Descrição da Actividade

Recursos Humanos

Recursos Materiais

Áreas de Conteúdo

Avaliação

- Promover a integração dos novos elementos no grupo;

 

- Criar um ambiente familiar e acolhedor;

 

- Desenvolver a capacidade de expressão;

 

- Desenvolver a agilidade e coordenação motora e visual;

 

- Estimular a interacção com os outros inter ajudando-os;

 

- Todos os meninos analisam uma fotografia de um colega atribuído pela educadora.

 

- Apresentam a todo o grupo a fotografia do seu par e referem as características que os ambos os alunos têm entre si (cabelo, cor de olhos, etc.)

- Educadora

 

- Auxiliar

 

 

- Mesa e cadeiras

 

 

Formação Pessoal e Social:

- Desenvolvimento da identidade

- Partilha de poder entre crianças, educadora e grupo

- Ser capaz de utilizar materiais e instrumentos disponíveis

- Assumir preferências por actividades ou materiais

- Cumprir tarefas combinadas

- Fomentar atitudes de respeito pela diferença

 

 

Expressão e Comunicação:

Linguagem Oral:

- Diálogo deve ser fomentado (apresentação);

 

Expressão Motora

- Manipular objectos correctamente;

 

Expressão plástica

- Interagir com o outro no trabalho de grupo de apresentação;

- Explorar espontaneamente todos os diversos materiais;

- Conhecer e cumprir as regras de utilização de materiais;

 

Expressão Dramática:

- Identificar-se a si e ao outro.

 

- Observação directa;

 

- Grelhas de observação;

 

- Registo escrito e fotográfico;

 

- Reuniões com os pais.

 

 

4ª feira

 

Objectivos

Descrição da Actividade

Recursos Humanos

Recursos Materiais

Áreas de Conteúdo

Avaliação

- Promover a integração dos novos elementos no grupo;

 

- Criar um ambiente familiar e acolhedor;

 

- Desenvolver a capacidade de expressão;

 

- Desenvolver a agilidade e coordenação motora,  visual e auditiva;

 

- Estimular a interacção com os outros inter ajudando-os;

 

- Desenvolver a capacidade de memorização.

- Pede-se aos novos elementos do grupo que partilhem com todo o grupo a sua canção favorita.

 

- Procura-se todos os elementos que partilhem uma mesma canção e que a cantem em conjunto.

 

- No final todos cantam uma só canção tendo como acompanhamento uma música de fundo escolhida pela educadora.

- Educadora

 

- Auxiliar

- Manta

 

- Música

 

- rádio leitor de cd’s

Formação Pessoal e Social:

- Desenvolvimento da identidade

- Partilha de poder entre crianças, educadora e grupo

- Assumir preferências por actividades ou materiais

- Cumprir tarefas combinadas

- Fomentar atitudes de respeito pela diferença

 

 

Expressão e Comunicação:

Linguagem Oral:

- Diálogo deve ser fomentado;

 

Expressão Motora:

- Desenvolvimento da motricidade global;

 

Expressão musical:

- Reproduzir mentalmente fragmentos sonoros;

- Explorar sons e ritmos produzidos pelas crianças;

- Saber fazer silêncio para saber ouvir os outros;

- Dançar;

- Movimentar o corpo ao som da música.

- Observação directa;

 

- Grelhas de observação;

 

- Registo escrito e fotográfico;

 

- Reuniões com os pais.

 

 

5ª feira

 

Objectivos

Descrição da Actividade

Recursos Humanos

Recursos Materiais

Áreas de Conteúdo

Avaliação

- Promover a integração dos novos elementos no grupo;

 

- Criar um ambiente familiar e acolhedor;

 

- Desenvolver a capacidade de expressão;

 

- Estimular a interacção com os outros inter ajudando-os;

 

- Desenvolver a capacidade de memorização.

 

- Desenvolver a capacidade visual e motora

 

- Desenvolver o carácter sensorial

 

- A educadora solicita aos alunos novos para trazerem a sua história favorita  e partilharem-na com os outros com a ajuda da mesma.

 

 

- Educadora

 

- Auxiliar

- Manta

 

- Livros de histórias

Formação Pessoal e Social:

- Desenvolvimento da identidade

- Partilha de poder entre crianças, educadora e grupo

- Cumprir tarefas combinadas

- Fomentar atitudes de respeito pela diferença

 

 

Expressão e Comunicação:

Linguagem Oral:

- Diálogo deve ser fomentado;

-  Modelo de fala e expressão do educador deve ser uma referência;

- O carácter lúdico da linguagem deve ser explorado

- Utilizar a comunicação não verbal como suporte à comunicação oral.

 

- Observação directa;

 

- Grelhas de observação;

 

- Registo escrito e fotográfico;

 

- Reuniões com os pais.

 

 

 

 

 

6ª feira

 

Objectivos

Descrição da Actividade

Recursos Humanos

Recursos Materiais

Áreas de Conteúdo

Avaliação

- Promover a integração dos novos elementos no grupo;

 

- Criar um ambiente familiar e acolhedor;

 

- Desenvolver a capacidade de expressão;

 

- Estimular a interacção com os outros inter ajudando-os;

 

- Desenvolver a capacidade de memorização.

 

- Desenvolver a capacidade visual e motora

 

- Desenvolver o carácter sensorial

 

- A educadora coloca a tocar a música preferida da sala e organiza os alunos em grupos de dois de forma a formarem pares para dançarem.

- Educadora

 

- Auxiliar

 

 

 

- Música

 

- rádio leitor de cd’s

Formação Pessoal e Social:

- Desenvolvimento da identidade

- Partilha de poder entre crianças, educadora e grupo

- Cumprir tarefas combinadas

- Fomentar atitudes de respeito pela diferença

 

 

Expressão e Comunicação:

Linguagem Oral:

- Diálogo deve ser fomentado;

- O carácter lúdico da linguagem deve ser explorado

- Utilizar a comunicação não verbal como suporte à comunicação oral.

 

Expressão musical:

- Explorar sons e ritmos da música;

- Dançar;

- Movimentar o corpo ao som da música.

 

Expressão Motora:

- Controlar voluntariamente os movimentos;

- Diversificar formas de utilizar e sentir o corpo;

- Controlar voluntariamente o movimento (iniciar, parar, seguir vários ritmos e direcções);

 

- Observação directa;

 

- Grelhas de observação;

 

- Registo escrito e fotográfico;

 

- Reuniões com os pais.

 

 

Índice


Introdução 1

A Narrativa 2

A Tradição 3

Planificação Semanal – Tema: O Natal 4

Descrição das actividades 5

Conclusão 9

Webgrafia/Bibliografia 10

 


Introdução


No âmbito da disciplina “Educação para a Cidadania”, leccionada pelo Professor Ramiro Marques, foi-nos solicitada a realização de um trabalho, sendo a escolha do tema opcional de entre várias hipóteses apresentadas no programa da disciplina.

Optámos pelo tema “O Papel das Narrativas e da Tradição”. A escolha recaiu sobre esta temática uma vez que consideramos de extrema importância o recurso às narrativas e a abordagem e exploração das tradições em todos os níveis de ensino, pois tanto as narrativas como as tradições transmitem conhecimentos, ajudam a desenvolver competências e fomentam a curiosidade das crianças.

É, através das narrativas que a criança enriquece o seu vocabulário, amplia o mundo de ideias e conhecimentos, desenvolvendo a linguagem e o pensamento. As narrativas estimulam a atenção, a memória, cultivam a sensibilidade, ajudam por vezes a resolver conflitos emocionais e estimulam o imaginário da criança. Como recurso pedagógico a narrativa abre espaço para a construção de conhecimentos e para o desenvolvimento de capacidades e atitudes. 

Ao longo deste trabalho, faremos inicialmente, uma pequena abordagem sobre cada uma das temáticas, referindo os dois conceitos, seguindo-se, então, a explicação do papel de cada uma na aprendizagem escolar das crianças. No final, incluímos uma planificação semanal, onde apresentamos algumas actividades relacionadas com o tema do Natal, bem como a descrição das referidas actividades. 


 


A Narrativa

“Tradicionalmente, as narrativas têm sido discutidas no âmbito dos Estudos Literários, que distinguem os seus tipos mais comuns – o romance, a novela, o conto e a crónica – e consideram os seus elementos estruturais – o enredo, os personagens, o tempo, o espaço e o narrador” (VILARES GANCHO, 1997).

Contudo, o papel da narrativa como meio de conhecimento é valorizado há muito tempo por diversas disciplinas como a história, a psicologia, a filosofia, a linguística, a antropologia ou a literatura. Durante as últimas décadas, também a educação passou a reconhecer, de forma crescente, a importância da narrativa como metodologia de desenvolvimento pessoal, de desenvolvimento de capacidades e atitudes e de construção de conhecimentos.

Diferentes autores, como Edwards (1997) e Bruner (1986), apresentam a narrativa como uma das formas básicas pela qual o homem se expressa, estrutura e organiza o seu pensamento, o que lhe permite organizar a experiência, descrever o mundo, entender como ele funciona, comunicar e transmitir de ideias. 

Na psicologia, os primeiros estudos sobre a narrativa iniciaram a partir dos trabalhos de Bartlett (1932/1961). Bartlett chegou à conclusão de que o sujeito reconstrói a história no acto de a recontar, a partir dos seus interesses e das suas experiências passadas. 

Segundo Tolchinsky (1990), a narrativa ao expressar os acontecimentos inseridos em contextos lógicos, contribui para a organização das vivências do indivíduo através de acontecimentos em que este mais investiu emocionalmente, organizando-os por referências significativas para si, referências essas que ajudam a prolongar a experiência na memória. 

As narrativas, entendidas como sinónimo de histórias, tanto escritas como orais, têm sido utilizadas desde há milénios e em diversas culturas principalmente como instrumentos educativos, constituindo artefactos culturais com potencialidades na organização do pensamento e da realidade e na estruturação de aprendizagens (ROLDÃO, 1995). 

A narrativa favorece a exploração das dimensões pessoais dos sujeitos, ou seja, os seus afectos, sentimentos e percursos de vida, permitindo aceder à complexidade das interpretações que estes fazem das suas vivências, das suas acções, dos seus sucessos e insucessos e dos problemas, desafios e dilemas com os quais são confrontados.

Segundo Polkinghorne (1988), McEwan e Egan (1998), é a narrativa que dá sentido à experiência humana. Assim, a narrativa surge como a metodologia mais adequada à compreensão dos aspectos contextuais, específicos e complexos dos processos educativos.

É importante referir que a análise e debate de narrativas em contexto escolar permitem que os alunos desenvolvam capacidades analíticas e de tomada de decisão, interiorizem conhecimentos sobre as temáticas em causa, aprendam a lidar com situações complexas e controversas da vida real, desenvolvam capacidades comunicacionais, reforçando, deste modo, a sua auto-confiança e, frequentemente, trabalhando colaborativamente. A discussão de narrativas marcadas pela controvérsia revela-se, ainda, extremamente eficaz no desenvolvimento moral dos alunos (REIS, 1997).

A Tradição

A palavra tradição vem do latim, do verbo "tradere" que significa trazer, entregar, transmitir, ensinar. Logo, tradição é a transmissão de práticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto de crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações, passando de pais para filhos no decorrer dos tempos. “ Todo o tipo de conhecimento é, por definição, limitado e incompleto. Daí o desafio de conhecer a história de vida dos nossos Pais, um instrumento essencial para a compreensão da nossa vida”(Ana Vieira de Castro 2005). É um conjunto de ideias, usos, memórias, recordações e símbolos conservados pelos tempos, pelas gerações.

Os aspectos específicos da tradição devem ser vistos nos seus próprios contextos: tradição cultural, tradição religiosa, tradição familiar e outras formas de “imortalizar” conceitos, experiências e práticas entre as gerações.

Na sociedade em que vivemos, a tradição tem sido deixada de lado e temos assistido a readaptações culturais, no entanto devemos ter consciência que cada criança é um indivíduo fruto de uma panóplia de tradições, a sua língua e a sua cultura modelam o seu desenvolvimento, por isso conhecer as tradições familiares é conhecer a criança em toda a sua dimensão. Neste sentido, é imprescindível que os educadores/professores fomentem, valorizem e encontrem estratégias que lhes permitam trabalhar as tradições de cada criança pois só deste modo poderão conhecer as crianças e ajudá-las a desenvolver competências necessárias a um desenvolvimento pleno. 

Planificação Semanal – Tema: O Natal


 


Descrição das actividades


O tema que surge na planificação é o tema do Natal. Escolhemos esta época pois consideramos que este é um tema bastante sugestivo que permite não só a troca e partilha de experiências e vivências, como favorece o conhecimento de cada um e dos outros. Este é um tema que permite a realização e exploração de várias actividades, o que possibilita que as crianças desenvolvam competências, abrangendo também vários objectivos. As actividades apresentadas destinam-se a crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 5/6 anos que frequentam o Jardim-de-Infância. 

Segunda-Feira

Para iniciar o tema do Natal a educadora pode por exemplo fazer referência à história do menino Jesus. Depois pode pedir às crianças que lhe digam algumas palavras que lhes façam lembrar o Natal. Enquanto as crianças vão dizendo, a educadora vai registando as palavras numa folha e elaborando os respectivos desenhos. A educadora aproveita para explorar as concepções de cada criança sobre o tema e para analisar as vivências de cada uma nesta época. Em seguida, a educadora explica-lhes que vão fazer poesia com as palavras sugeridas. Mas antes, lê um poema relacionado com o tema de modo a que as crianças fiquem elucidadas e contactem com poesia e com palavras que rimam, pedindo-lhes que as identifiquem. Com esta actividade pretende-se que as crianças passem a conhecer com mais pormenor a história que deu origem a esta tradição e comemoração. Também é importante que a educadora fique a conhecer as concepções de cada criança sobre o tema em questão, bem como as vivências de cada uma nesta época tentando mostrar a todas que cada família vive as tradições de forma diferente consoante o que lhes foi transmitido. 


Terça-feira

Para começar a educadora lê uma história às crianças relacionada com a actividade que irão realizar ao longo do dia. O livro intitula-se: “Uma carta especial” e mostra exemplos de cartas que se escrevem ao Pai Natal. 

Depois, a educadora explica-lhes que todos vão escrever uma carta ao Pai Natal, por isso todos devem pensar nos presentes que querem pedir e na mensagem que querem transmitir na carta. Esta é uma actividade individual, por isso a educadora vai chamando uma criança de cada vez. Começa por lhes mostrar uma folha cujo título é “Carta ao Pai Natal”, tira uma das cartas do livro para servir de exemplo e explica a estrutura de uma carta: no canto superior direito devemos escrever o nosso nome e a nossa morada, depois devemos começar a carta fazendo referência ao Pai Natal e podemos escrever “Querido Pai Natal” ou “Pai Natal”, em seguida podemos pedir os brinquedos que desejamos receber no Natal, fazendo referência à forma como nos portámos ao longo de todo o ano e por fim devemo-nos despedir mandando beijinhos ou abraços ou dizendo obrigada e assinando o nosso nome por baixo. Em seguida, a educadora pede a cada criança que faça um desenho para o Pai Natal, desenho que acompanhará a carta quando esta for enviada. Pretende-se, com esta actividade manter a tradição de escrever a carta ao Pai Natal e dar a conhecer a estrutura de uma carta. Para além disso, a educadora explora, através de uma conversa individual com cada criança, os seus desejos e vontades e analisa a ideia que cada uma tem do seu comportamento, podendo ainda abordar questões relacionadas com bom/mau comportamento.


Quarta-Feira 

Como o livro explorado no dia anterior contem um mapa que ajuda o Pai Natal a saber quais os locais por onde tem de passar, seguindo este tema, a educadora divide as crianças em pequenos grupos de 4 a 5 elementos e, com um grupo de cada vez, vai mostrar na internet, utilizando a funcionalidade Google maps, primeiro onde se situa Santarém, tendo em conta o mapa de Portugal e, posteriormente, faria uma demonstração de um possível caminho que o Pai Natal poderia seguir para encontrar o Jardim onde as crianças se encontram, tomando como ponto de partida o centro de Santarém. A educadora deve mostrar às crianças, onde se situam os principais pontos da cidade e, depois de todas terem visualizado, deverá elaborar num papel um mapa com o percurso que o Pai Natal deverá percorrer. Em seguida as crianças devem elaborar o mesmo trajecto e fazer o desenho dos principais pontos por onde o Pai Natal deve passar. Com esta actividade pretende-se proporcionar o contacto com as tecnologias de informação, pois é imprescindível encontrar formas eficazes de aprender a trabalhar com as inovações que surgem. O computador é uma tecnologia de extrema importância para todos nós e desde pequenas as crianças são atraídas e fascinadas por ele. Os educadores, devem encontrar estratégias que permitam o contacto com esta tecnologia de modo a que a criança seja instigada a pensar e agir. 


Quinta-Feira - Manhã

A sessão de movimento é iniciada com o aquecimento, em seguida, as crianças efectuam um percurso e depois a educadora diz-lhes que vão fazer um jogo de estafetas, denominado o Pai Natal e os duendes. A educadora divide o grupo em duas equipas e dá a cada uma a sua caixa de brinquedos. As duas equipas ficam alinhadas em cada lado da sala e o saco do Pai Natal (saco) deve ficar no meio das duas. É preciso ajudar o Pai Natal a encher o saco. As caixas das duas equipas podem ter por exemplo: carros, bonecas, bolas, peluches, cordas de saltar, consoante o número de elementos da equipa. Uma criança de cada vez pega num brinquedo da caixa da sua equipa e leva-o para o saco. Regressa a correr e toca na mão de outro colega, dizendo bilhete. Este último pega num brinquedo e faz o mesmo que o amigo, quando regressa ao seu campo a criança senta-se no chão. A primeira equipa a ficar com a caixa vazia ganha o jogo. A educadora pode tornar o jogo mais divertido se arranjar alguém para ficar no meio das duas equipas a fazer de Pai Natal e a segurar o saco.  

Tarde

A educadora propõe a realização de uma actividade que se intitula “troca de mensagens de amizade”. Para tal, a educadora deve começar por conversar com as crianças e explicar-lhes que todas vão trocar mensagens de amizade. As crianças tiram ao acaso um papel do saco que contém os nomes de todas as crianças do grupo. Em seguida, as crianças devem fazer um desenho e com a ajuda da educadora devem escrever uma mensagem para o amigo que lhe calhou e devem assinar. Na parte de trás do desenho devem escrever o nome desse amigo. Depois a educadora deve enrolar e colar a mensagem com uma etiqueta. Colocam-se as mensagens numa cesta e em seguida a educadora deve distribui-las lendo a mensagem e mostrando o desenho. Com esta actividade pretende-se fomentar a virtude da amizade através da troca de mensagens, pois esta é a mais importante e necessária de todas as virtudes, sendo um elemento essencial da vida.


Sexta-feira

A educadora deverá explicar às crianças que estas irão realizar o jogo do saco do Pai Natal. Para as crianças de 3 anos distribui uma folha com o Pai Natal e um grande saco vazio e coloca o seguinte título: o saco do pai Natal. Depois, senta as crianças numa mesa, distribui revistas com brinquedos, tesoura e cola e pede às crianças para recortarem apenas 3 brinquedos das revistas. Em seguida, devem colá-los dentro do saco e depois devem pintar o Pai Natal. Com esta actividade pretende-se que as crianças consigam associar o número à quantidade, para além disso é possível verificar outros aspectos nomeadamente: a mão que utilizam para cortar, se cortam com precisão, se sabem o que querem colar tomando as suas próprias decisões. Às crianças de 4/5 anos a educadora entrega-lhes uma folha em branco apenas com o título: “O Saco do Pai Natal”. Pretende-se que as próprias crianças desenhem o Pai Natal e o seu saco e que em seguida colem 4 brinquedos dentro do saco e 2 brinquedos fora do mesmo. No final devem ainda fazer a soma 4+2= 6, colocando o número 6 depois do sinal de igual. Deste modo é possível trabalhar conceitos como “dentro” e “fora”, bem como os sinais de =, + e o conceito de “soma”. 


 


Conclusão


Concluímos que a narrativa constitui um processo de interacção, independentemente da forma como é utilizada. Através da narrativa interage-se com os outros, recolhendo e interpretando as suas ideias, na tentativa de compreender as causas, as intenções e os objectivos que se encontram por detrás das suas acções. Através dessa interacção as pessoas conhecem melhor os outros e conhecem-se melhor a si próprio.

Tal como a leitura, análise e discussão de narrativas sobre temas controversos estimula as interacções entre os indivíduos, despoletando conflitos sócio-cognitivos e, consequentemente, a construção de conhecimentos e o seu desenvolvimento cognitivo e moral, também a redacção ou a leitura de uma narrativa, quer seja uma história sobre algum acontecimento ou um relato de uma situação, potencia a interacção com os outros. As narrativas podem constituir fontes poderosas de inspiração e conhecimento, estimulando os leitores a reflectirem profundamente sobre as vidas dos outros e a sua própria vida. 

O sucesso pessoal e profissional dos seres humanos passa, decisivamente, pelas suas capacidades de interacção, ou seja, pelas suas capacidades de ouvirem e compreenderem as narrativas das pessoas que os rodeiam. 

Assim, consideramos que este trabalho nos permitiu adquirir e consolidar conhecimentos e que os conceitos abordados neste trabalho são de extrema importância para o processo Ensino/Aprendizagem, bem como para o desenvolvimento das crianças e essa deve ser a nossa grande preocupação e prioridade enquanto futuros Educadores/Professores.


Webgrafia/Bibliografia


http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=3936;

http://www.cceseb.ipbeja.pt/1001ideias/aladino/especial/lingua_portuguesa/narrativa/index.htm;

http://www.vivaleitura.com.br/calendario_detalhe.asp?id_projeto=1151;

http://www.fcsh.unl.pt/invest/edtl/verbetes/N/narrativa.htm;

http://www.scribd.com/doc/19242793/NARRATOLOGIA;



REIS, Pedro Rocha dos,  “As narrativas na formação de professores e na investigação em educação”. 


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17/01/2011, 14:30
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