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O QUE ACONTECEU NA CULTURA E NA ARTE, NOS DIVERSOS PERÍODOS HISTÓRICOS, EM PARTICULAR NA ATUALIDADE, DE 1980 ATÉ O ANO 2004?

QUE  INFLUÊNCIAS DAÍ   SURGIRAM PARA A HUMANIDADE?

COMO A DIDÁTICA SE SITUA NESTE CONTEXTO?

 

Arlete Deretti Fernandes

 

FLORIANÓPOLIS- OUTUBRO-2004

SUMÁRIO                                      

 

Introdução.................................................................................................................. 1 e 2

Didática, uma retrospectiva  histórica.....................................................................3 e 4

O Governo Pombalino e suas influências................................................................5  e  6

A Didática nos cursos de formação de professores.......................................................7

Os descaminhos da Didática..........................................................................................10

A década de 80................................................................................................................12

Desenvolvimento histórico da didática e tendências...................................................13

Tendências Pedagógicas no Brasil................................................................................17

Resenhando Escola e Democracia................................................................................21

Educação a partir de 1980............................................................................................24

Conclusão........................................................................................................................25

 

 

                                                           Introdução

            O  professor precisa preparar-se continuamente para acompanhar as exigências de um mundo que se transforma velozmente.

            A finalidade ao se fazer um histórico da Didática,  é refletir sobre a trajetória que vem percorrendo o ensino na humanidade, estudar as teorias de  alguns educadores e humanistas que criaram escolas e métodos para  a educação, e que  deixaram-nos um legado precioso. Cabe-nos também contribuir com a nossa parte neste legado. O que nós, como educadores, vamos deixar de positivo para as próximas gerações?  Houve seres que deixaram muitas coisas positivas para nós.      .

            A humanidade se situa dentro de um contexto histórico, político e social que determina as relações entre os povos. Essa interação se dá em todos os campos da atividade e  deve nortear o pensamento do profissional da área da Educação, indo do âmbito geral para a comunidade onde se insere a escola, influenciando o processo educacional  até chegar à sala de aula. Para o professor, aprender a conhecer, a fazer e a ser, são pressupostos filosóficos e pedagógicos.

            .Para embasar estes pressupostos, fez-se uma retrospectiva histórico-educacional desde Comênio e de outros pedagogos que influenciaram o ensino da humanidade e  sobre a ação educadora  dos jesuítas no Brasil. Também se estudou a Profa Ilma da Veiga Alencastro,Paulo Freire, Demerval  Saviani, José  Carlos Libâneo..

            Não podemos deixar de citar  os principais acontecimentos ocorridos desde 1980 até a atualidade, numa linha de tempo. São fatos que influenciaram a humanidade e  estão mudando as relações dos seres consigo mesmos,  com a sociedade em que se inserem e com os princípios e métodos pedagógicos.

            1980- A OMS  declara a erradicação da varíola.

            1981- A IBM lança o PC, (computador pessoal)

                        Aparece o primeiro caso de Aids nos EUA

             1982- O  computador é escolhido «a máquina do ano» pela revista Time

                         Surge o primeiro produto comercial resultante da engenharia genética: a insulina humana.

             1984    Movimento pelas «diretas já,» no Brasil.

1984-   Tancredo Neves morre e assume Sarney.

1985-    Explosão no reator nuclear de Chernobyl

1989- Queda do Muro de Berlim

1990- Surge a World Wide Web

1991- Gorbachev é apeado do poder. É o fim da União Soviética

A CNN transmite a Guerra do Golfo ao vivo.

            1997-    A ovelha Dolly mostra a sua cara

             1998-   Escândalo Bill Clinton e Mônica Levinsky

             1999 -   Acesso gratuito à Britânica na Internet

              2001-   Explosão do Worl Trade Center

              2001 – Estados Unidos declaram Guerra ao Iraque.

                       

            Uma fundamentação histórica da Didática em nosso país e no mundo, desde épocas passadas, ajuda-nos a compreender a atualidade, ou seja, entender melhor a didática a partir da década de 80,  que é a centralização deste trabalho.

     As dificuldades e os problemas do cotidiano de nossos professores não são resolvidos com teorias. Sabemos que há necessidade de uma reflexão de todos, desde os educadores até a sociedade em geral   para a compreensão desses problemas e a busca de soluções.
     As teorias estudadas nos cursos de formação de professores, parece que não são aplicadas, discutidas e refletidas para que a ação docente seja exercida com a consciência do posicionamento dessa ação, em que ela está fundamentada, o porquê de "ensinar-se" desta ou daquela maneira.

            Os professores em conjunto devem fazer uma análise do seu fazer pedagógico, a fim de que  se conscientizem de sua ação e de sua força humana potencial e possam, não só interpretá-la e contextualizá-la, mas também buscar superá-la. .

 

                   Didática: uma  visão histórica.

                                         O que é Didática

            A didática é ciência quando pesquisa e experimenta novas técnicas de ensino, baseada principalmente na biologia, sociologia e psicologia. É arte quando sugere comportamentos, por ser o ensino tarefa cheia de nuances, subordinada sobretudo às peculiaridades pessoais do aprendiz, o que exige do mestre inspiração e alta criatividade.

            Arte e técnica de orientar a aprendizagem, a didática (do grego didaktike [tékhne], "[arte] de instruir, de ensinar"), divide-se em duas partes: (1) didática geral, que estabelece a teoria fundamental do ensino, examinando-lhe criticamente os diferentes métodos e procedimentos; (2) didática especial, que analisa a função e os objetivos de cada disciplina, orientando a dosagem da matéria a ser transmitida ao aluno e sua distribuição pelas fases e graus de ensino.

            O campo de pesquisa da didática moderna é delimitado pelos seguintes componentes básicos: o professor (aquele que educa), o método a que este recorre (como se educa), o educando (a quem se educa), a matéria que se ensina (por meio de que elementos se educa) e os objetivos a atingir (para que se educa).

            A didática contemporânea revela diversas tendências: (1) tradicionalista ou intelectualista (cultura formal, verbalismo, grande soma de dados informativos, memorização de textos, preferência pela abstração etc.); (2) vitalista (estudo em função dos problemas da vida real, recurso ao estudo e trabalho em grupo, pesquisa e leitura, discussão dirigida, valorização da experimentação direta, utilização prática do saber e da observação); (3) ativista (elaboração de programas de atividade pelos alunos, sob orientação do professor; desenvolvimento da inteligência prática dos alunos e estímulo ao pleno desenvolvimento de sua personalidade) ; (4) sociocêntrica (a comunidade em que vive o aluno passa a ponto fundamental de referência da educação; os fatos concretos dessa comunidade são fonte inspiradora dos programas de atividades do educando).

            Do ponto de vista pedagógico, o método a que o professor recorre, com vistas à organização racional de todos os recursos didáticos que levam a um objetivo educacional, deve apresentar-se como um plano ordenado a ser seguido no ensino; do ponto de vista psicológico, o método deve construir-se numa ordenação natural e necessária das funções mentais, no processo de elaboração ou de aquisição de conhecimentos.

              (estes conceitos sobre didática foram pesquisados da Encyclopédia Britânica do Brasil Publicações, Ltda)

 

Este artigo é da Profa Ilma de A. Veiga, e será resenhado aqui neste estudo.

(.Os trechos que estiverem em itálico e entre parênteses são de minhas reflexões e de minha  opinião pessoal).

 

 Para esta Professora, da Universidade Federal de Uberlândia,  a  Didática abrange em sua retrospectiva histórica duas partes:

           

A primeira é sobre  o papel da disciplina antes de sua inclusão nos cursos de formação de professores a nível superior, compreendendo o período que vai de 1549 até 1930: A segunda reconstrói a trajetória da didática a partir da década de 30 até os dias atuais.

 

            (A professora Ilma  destaca  neste estudo aspectos sócio-econômicos, políticos e educacionais que servem de pano de fundo para identificar as propostas pedagógicas inseridas na educação e os enfoques do papel da didática.)

 

 

 

Primórdios da Didática: O período de 1549-1930

 

Os jesuítas, como educadores atuaram de 1549 a 1759  em nosso país.

A educação não era considerada um valor social importante, porque a sociedade era de economia agrário-exportadora-dependente, explorada pela Metrópole

Era oferecida a catequese e a instrução para os indígenas. A elite colonial tinha outro tipo de educação.

 

            Havia um plano geral dos jesuítas, a Ratio Studiorum, que objetivava um homem universal, humanista e cristão. O ensino era enciclopédico, geral, alheio à vida na colônia. Esses eram os alicerces da Pedagogia tradicional dos religiosos, onde o homem deveria se empenhar em atingir a perfeição e a dádiva da vida sobrenatural.

            O pensamento dos jesuítas era dogmático, em oposição ao pensamento crítico. Era muito importante o uso da memória e do raciocínio. Tinham atenção à formação dos padres-mestres, enfatizando a formação do caráter e da própria psicologia .

            No contexto se tornava impossível uma prática pedagógica e muito menos uma didática de perspectiva transformadora.

            Os pressupostos do “Ratio” tinha regras metodológicas que compreendiam o método de estudo, o horário, a matéria. As aulas eram expositivas e repetidas visando decorar. O desafio estimulava a competição e a disputa. Os exames eram orais e escritos.

A metodologia de ensino jesuítica  era formal, tinha por base o intelecto, o conhecimento e era marcada pela visão essencialista de homem.

            Após os jesuítas não houve no país grandes movimentos pedagógicos. Também não havia mudanças na sociedade colonial e durante o império e a República.

 

 

            (A História de nosso país tem registrados os objetivos que nortearam o ensino, desde o início da colonização, com a ação jesuítica que objetivava  em primeiro lugar formar um educando subserviente à religião, ao trabalho,às regras da metrópole e seus interesses. Para isto se utilizavam  do autoritarismo, do dogmatismo. Era preciso formar criaturas dóceis e temerosas.

            Para a época e as circunstâncias, é impossível deixar de se observar os aspectos positivos do ensino jesuítico.Sua ação ficou consignada em nossa História como um grande marco.. O ensino da época era intelectualista e verbalista e nesta  questão eles foram muito bons. Também usaram regras de disciplinamento.

            Como realizar uma pedagogia transformadora, numa sociedade que estava começando a se formar, com base numa cultura vinda de além mar e outra tão heterogênea formada pela quantidade enorme de povos que aqui habitavam?

            A metodologia de ensino usada pelos jesuítas era um conjunto de regras e normas prescritivas que visavam a orientação do ensino e do estudo.

            Tenho que concordar com a Profa Ilma que não houve depois dos jesuítas grandes movimentos pedagógicos nem grandes mudanças na sociedade colonial e nem durante o império e a República.)

 

 

O GOVERNO POMBALINO E SUAS INFLUÊNCIAS NO ENSINO:

 

            A  Professora Ilma continua seu retrospecto histórico, citando  o governo do Marquês de Pombal e as mudanças de modelo econômico ocorridas.

            As mudanças de Pombal foram um retrocesso pedagógico. Professores leigos foram admitidos.para as aulas-régias introduzidas pela reforma pombalina

            Por volta de 1870, quando da expansão cafeeira e da passagem de um modelo agrário-exportador para um urbano-comercial-exportador, o Brasil vive seu período de “iluminismo” e há movimentos que se tornam independentes da influência religiosa..

Suprime-se o ensino religioso nas escolas públicas, o Estado assume a laicidade. A escola dissemina uma visão burguesa de mundo e sociedade para garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante.

            Os pareceres de Rui Barbosa de 1822 e a primeira reforma republicana, de Benjamim Constant em 1890 indicam a penetração da Pedagogia tradicional em sua vertente leiga.

A essa teoria pedagógica correspondiam características como: a ênfase ao ensino humanístico de cultura geral, centrada no professor, que transmite a todos os alunos  indistintamente a verdade universal e enciclop´edica; a relação pedagógica  de forma hierarquizada e verticalista, o aluno é educado para seguir atentamente a exposição do professor; o método de ensino calcado nos cinco passos formais de Herbart( preparação, apresentação, comparação, assimilação, generalização e aplicação)

            A Didática é um conjunto de regras, para assegurar ao futuros professores orientações nos trabalhos docentes. A atividade docente é inteiramente autônoma face à política, dissociada das questões entre escola e sociedade. Separa teoria e prática.

            A Pedagogia Tradicionalista leiga refletia-se nas disciplinas pedagógicas do currículo das escolas normais desde o início de sua criação, em 1835.

 

 

 

            (A reforma pombalina gerou mudanças na educação, o ensino tornou-se leigo e assumido pelo Estado  A mudança econômica do modelo agrário exportador para  um modelo urbano comercial exportador  gerou movimentos que se disvincularam da religião. Daí surgiu a escola pública, laica, universal e gratuita. Mantêm a visão essencialista de homem, não como criação divina mas aliada a noção de natureza humana essencialmente racional.

            A Didática,  ligada à Pedagogia tradicional leiga desde o início de sua criação em 1835, refletia-se no currículo das escolas normais.  Está centrada no intelecto, na essência atribuindo caráter dogmático aos conteúdos: , os métodos são princípios universais e lógicos; o professor é o centro do processo de aprendizagem,, concebendo o aluno como ser receptivo e passivo. A disciplina é a forma de garantir a atenção, o silêncio e a ordem.

            Só em 1935 é que a Didática foi incluída em cursos de formação de professores, no ensino secundário.

Esta forma de ensinar centrada no professor e no método é extremamente autoritária. Mesmo assim, até nos dias atuais é defendida por muitos educadores.)

 

 

 

2. A Didática nos Cursos de Formação de Professores a partir de 1930

 

 

2.1. O período de 1930/1945: A Didática é tradicional, cumpre renová-la.

            A Professora Ilma continua delineando as transformações político econômicas ocorridas no bojo da sociedade brasileira e sua repercussão no Ensino Brasileiro.

            Em 1930 a sociedade brasileira sofre profundas transformações, devido à modificação do modelo sócio-econômico. A crise mundial da economia capitalista provoca no Brasil a crise cafeeira, instalando-se o modelo sócio-econômico de substituição de importações.

            A Revolução de 30 marca uma nova fase na história da República do Brasil, determinada pelo movimento de reorganização das forças econômicas e políticas.

  

Grandes mudanças ocorreram no Brasil, como:

            No Governo de Vargas de 1930 é constituído o Ministério de Educação e Saúde pública. Em 32 é lançado o Manifesto dos pioneiros da Escola Nova, queriam uma reconstrução social da escola na sociedade urbana e industrial.

            Entre 1931 e 1932 efetivou-se a Reforma Francisco Campos. É organizado o Ensino comercial, é adotado o regime universitário para o ensino superior, organiza-se a primeira universidade brasileira., Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.. A Didática como formadora dos professores de curso superior está vinculada  à criação da referida faculdade em 34, sabendo-se que a                              qualificação do magistério era colocada como ponto central para a renovação do ensino. No início, a parte pedagógica que existia nos cursos de formação de professores era feita no Instituto de Educação, sendo aí incluída a disciplina “Metodologia do ensino secundário”, equivalente à didática  de hoje nos cursos de licenciatura.

Com o art. 20 do decreto-lei no 1190/39, a Didática foi instituída como curso e disciplina, com duração de um ano.  As leis educacionais instituíram alterações, e em 1941 o  curso de didática era considerado independente, realizado após o término do bacharelado.

            Em 1937, Vargas instituiu o Estado Novo, ditatorial, que persiistiu até 1945. Os debates educacionais foram paralisados e o prestígio dos educadores condicionam-se às suas posições políticas.

            O período de 1930 a 1945 é marcado pelo equilíbrio entre as influências da concepção humanista tradicional (católicos) e a humanista moderna (os pioneiros).

            Para Saviani (1985, p.276) a concepção humanista moderna se baseia numa visão de homem centrada na existência, na vida, na atividade.  Há o predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico. O escolanovismo propõe um novo tipo de homem baseado em direitos democráticos, no entanto os homens estão inseridos em uma sociedade dividida em classes, onde há dominadores e subalternos.

            O que mais marca o escolanovismo é a valorização da criança, vista como ser dotado de poderes individuais, cuja liberdade e autonomia devem ser respeitados. Este movimento preconizava resolver os problemas educacionais dentro da escola, sem levar em consideração a realidade brasileira nos seus aspectos políticos, econômicos e sociais. O problema educacional passa a ser uma questão escolar e técnica. O importante é ensinar bem , mesmo que a uma minoria.

            Predominou a influência da Pedagogia Nova na legislação e nos cursos para o magistério e o professor absorveu o seu ideário. A didática também absorveu esta influência, acentuando o caráter prático-técnico do processo ensino-aprendizagem, onde teoria e prática são justapostas.

            O ensino é concebido como um processo de pesquisa, já que os assuntos que trata são problemas.

            A Didática é entendida como um conjunto de idéias e métodos, privilegiando a questão técnica do processo de ensino, com fundamentos nos pressupostos psicológicos, psicopedagógicos e experimentais, validados cientificamente na experiência e constituídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político-econômico. Daí surgiu a formação de um novo perfil de professor:o técnico.

 

 

 

            (O Governo Vargas trouxe muitas inovações, em 32 os educadores lançaram o Manifesto dos pioneiros da escola nova.. É organizado o Ministrério da Educação e Saúde e realizada a reforma Francisco Campos.É organizada a primeira escola superior do país, em São Paulo.A didática está ligada à formação desta primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.e é colocada como disciplina obrigatória. Infelizmente a ditadura do governo Vargas que durou até 45, silenciou  os debates educacionais.

             Predominou a Pedagogia Nova. O novo perfil do professor como técnico exclui da escola o seu papel político, econômico e social. A escola, o ensino, a pedagogia, nunca podem ser neutras. Daí, advieram conseqüências)

 

 

Período de 1945 a 1960 – o predomínio das novas idéias de Didática.

 

            Continua a Professora Ilma nesta análise do ensino brasileiro , em particular da disciplina didática, nas várias épocas históricas.

             O período de 1945 a 60, corresponde  à penetração de capital estrangeiro em nosso país e a aceleração e diversifica~ção do processo de substituição de importações. O modelo político baseia-se nos princípios de democracia liberal com crescente participação das massas. é o estado populista- aliança entre empresários e setores populares, contra a oligarquia. No fim do período se delineia uma polarização, com dois caminhos para o desenvolvimento:  o de tendência populista e o de tendência antipopulista.

            Em 1946 o Decreto-Lei 9053 desobrigava o curso de didática e já. sob a vigência da lei 4024-61o Conselho Federal de Ed. extinguiu a didática que até então era realizada no último ano da faculdade .. Introduziu-se a Prática de Ensino sob a forma de estágio supervisionado.

            Entre 1948-1961 desenvolveram-se lutas ideológicas em torno da oposição entre escola particular e defensores da escola pública. . O INEP, Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, facilita as novas idéias. As escolas católicas se inserem no movimento renovador, difundindo o método Montessori e Lubienska.

            Surgem outras renovações, como o Ginásio Orientado para o trabalho, os Ginásios Pluricurriculares e  os Ginásios Vocacionais.

             Em 1968 e 71 houve reformas no sistema escolar brasileiro.

Criou-se o PABAEE (PROGRAMA AMERICANO BRASILEIRO DE AUXÍLIO AO ENSINO ELEMENTAR), voltado para o aperfeiçoamento dos professores do curso normal. Aplicou-se uma tecnologia educacional importada dos eEst. Unidos. Tinha caráter multiplicador o ideário renovador tecnicista e foi-se difundindo

            A Didática se inspirava no liberalismo e no pragmatismo, predominando os processos metodológicos em detrimento da aquisição do conhecimento.Sem considerar o contexto político e social..

 

 

( O período 45 a 60, foi perpassado por mudanças. Em 1968 e 1971 surgem renovações no ensino brasileiro. Importa-se uma nova tecnologia educacional dos E.U. com predominância dos processos metodológicos , colocando em último lugar o conhecimento. Infelizmente, as leis educacionais e as reformas em nosso país, sempre foram realizadas em função de interesses econômicos e os pacotes educacionais vindos de cima para baixo. Mais preponderante se tornou esta questão na época dos governos militares)

 

 

 

Período Pós-64- Os descaminhos da Didática.

 

 

            O quadro instalado no país com o movimento de 64 alterou a ideologia política, a forma de governo e a educação.

O modelo político e econômico tinha como projeto desenvolvimentista acelerar o crescimento sócio-econômico do país.

            A educação tinha papel importante nos recursos humanos diante da concepção economicista de educação.

            O Sistema MEC/USAID serviu de sustentáculo às reformas do ensino  superior e de 1º e 2º graus Por influência de educadores americanos foi implantada pelo Parecer 252/69 do CFE, a disciplina “Currículos e Programas” nos cursos de Pedagogia o que provocou a superposição de conteúdos da nova disciplina com a Didática.

            O período entre 1960 a 68 foi marcado pela crise da Pedagogia nova e articulação da tendência tecnicista, assumida pelo grupo militar tecnocrata.

            Instalou-se na escola a neutralidade científica, a divisão do trabalho sob a justificativa de produtividade, propiciando a fragmentação do processo e com isto acentuando as distâncias entre quem planeja e quem executa.

            O enfoque principal da Didática a partir dos pressupostos da pedagogia tecnicista procura desenvolver uma alternativa não psicológica, situando-se no âmbito da tecnologia educacional .Tem essa didática como pano de fundo uma perspectiva realmente ingênua de neutralidade científica.

            Os conteúdos dos cursos de Didática centram-se na organização racional do processode ensino,no planejamento didatico formal na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis.

            Na didática tecnicista a desvinculação entre teoria e prática é mais acentuada. O Prof. torna-se mero executor de objetivos instrucionais, de estratégias de ensino e de avaliação.

 

            A partir de 1974 com o início da abertura do regime político autoritário instalado em 64, surgiram estudos empenhados em fazer a crítica da educação dominante, evidenciando as funções  reais da política educacional acobertada pelo discurso político pedagógico oficial.

Tais estudos foram agrupados e denominados por Saviani de “teorias crítico reprodutivistas, que mesmo considerando a educação em seus aspectos sociais, concluem que sua função principal é reproduzir as condições sociais vigentes.

            Como conseqüência a didática ´passou também a fazer o discurso reprodutivista, a apontar seu discurso ideológico, relegando a segundo plano a sua especificidade,

            Nesse contexto a Didática nos cursos de formação de professores passou a assumir o discurso sociológico, filosófico e histórico, secundarizando a sua missão técnica e a sua identidade, de descrédito relativo à sua contribuição quanto à prática pedagógica do futuro professor.

            A teoria crítico reprodutivista acentuou a postura de pessimismo, mas por outro lado a atitude crítica passou a ser exigida pelos alunos e professores revendo sua prática educacional pedagógica para torná-la mais coerente com a realidade sócio-cultural.

A Didática é questionada e são buscados novos rumos.

 

 

A década de 80:momento atual da didática

 

 

            Na década de 80 a situação sócio-econômicado pais tem dificultado a vida do povo, com inflação, elevação do índice de desemprego, divída externa e política recessionista, orientada pelo FMI.

            Na 1ª metade da década de 80 instala-se a Nova República, embora acabe a ditadura militar, muitos aspectos da mesma se conservam sob formas e meios diferentes.

            A  luta operária ganha força e se generaliza, inclusive entre os professores. Estes se empenham nesta década em reconquistar o direito e dever de participarem na definição da política educacional e na luta pela recuperação da escola pública.

            É uma pedagogia que se compromete com os interesses do homem das camadas economicamente desfavorecidas.

            A . Escola se organiza como espaço de negação de dominação e não como mero instrumento de reprodução da estrutura social vigente.

 

 

            (Para a Professora Ilma, a Didática tem uma importante contribuição a dar em função de clarificar o papel sócio-político da educação, da escola, e mais especificamente do ensino.

            O período dos governos militares em nosso país, a partir de 64, fragmentaram a ação pedagógica dentro da escola, tornando maiores as distâncias entre aqueles que trabalham pela educação. Foi relegada a segundo plano a especificidade da didática.

            O ensino e suas leis se pautavam em acordos Brasil-Estados Unidos.

             Foi uma época muito triste, quando grandes intelectuais e humanistas brasileiros, como por exemplo, o nosso querido Paulo Freire, Darci Ribeiro e vários outros foram exilados de nosso país.

            A didática deve então contribuir para ampliar a visão do professor quanto às perspectivas didático-pedagógicas mais coerentes com a nossa realidade educacional analisando as contradições do que é do cotidiano de sala de aula  e o ideário pedagógico calcados nos princípios da teoria liberal, arraigado na prática dos professores.

            Na década de 80, esboçam-se os primeiros estudos em busca de alternativas para a Didática, a partir dos pressupostos da Pedagogia crítica.

            É preciso uma didática que proponha mudanças no pensar e agir do professor, tendo presente a necessidade de democratizar o ensino, este como um processo sistemático e intencional de transmissão e elaboração de conteúdos culturais e científicos.)

 

 

 

         Desenvolvimento histórico da Didática e tendências pedagógicas

           

 

            José Carlos Libâneo (1994), afirma que “a história da Didática está ligada ao aparecimento do ensino – no decorrer do desenvolvimento da sociedade, da produção e das ciências_ como atividade planejada e intencional dedicada à instrução.”

            Para este autor as formas elementares  de instrução e aprendizagem existem desde os primeiros tempos . Nas sociedades primitivas os jovens passavam por um ritual de iniciação para  ter o ingresso na sociedade adulta.. Isto seria uma forma de ação pedagógica.

            Na Antiguidade, entre gregos e romanos, na Idade Média, nos colégios e mosteiros se desenvolvem formas de ação pedagógicas.

            Até meados do século XVII não temos como falar de didática como teoria do ensino, que sistematize o pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar.

            O termo Didática surge quando os adultos passam a intervir  na atividade de aprendizagem das crianças e dos jovens para direcionar e planejar o ensino,  ao contrário do que espontaneamente faziam  antes. Foi estabelecida uma intenção pedagógica na atividade de ensino, a qual foi sistematizada conforme níveis, a escola tornou-se uma instituição, sendo adequada aos níveis e idades das crianças.

            No século XVII, Comenio, pastor protestante, (1592-1670), escreve a Didacta Magna, sendo uma formação de teoria didática para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem e suas leis. Foi o primeiro educador a propor a difusão do conhecimento a todos e a criar princípios e regras de ensino. Criou uma obra muito fecunda, foi o maior pedagogo do século XVII.

            Comênio  soube desenvolver idéias avançadas para a educação nas escolas. Nesta época surgiam novidades na Filosofia e nas ciências, no sistema de produção, em contrárioàs idéias conservadoras do clero.

            Eram princípios de Comênio:  1. A finalidade da Educação é conduzir a felicidade eterna  com Deus, a educação é um direito natural de todos.

2. O homem deve ser educado de acordo  com sua natureza, idade e capacidade.Aí a tarefa da didática é estudar essas  características e os métodos de ensino.

3.Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos.4 .O método intuitivo consiste na observação direta através dos órgãos sensoriais para o registro das impressões na mente do aluno. Deve-se partir do conhecido para o desconhecido.

            Comênio deu um impulso  ao surgimento de uma teoria do ensino. Mesmo assim não fugiu a algumas crenças da época sobre ensino.Mesmo partindo da observação e da experiência sensorial continuava a transmissão do ensino.Ainda procurando adaptar  o ensino às fases do desenvolvimento infantil, mantinha o método único e o ensino simultâneo a todos. Sua idéia de que a única via de acesso de conhecimentos é experiência sensorial, com as coisas não é suficiente, porque as percepções podem nos enganar e porque também há uma experiência social acumulada que não precisa ser descoberta de novo.

            Comênio teve grande influência na democratização do ensino desenvolvendo métodos de instrução mais rápidos e eficientes. Ele queria que todos tivessem direito e acesso ao conhecimento.

            Na época de Comênio ainda prevaleciam idéias e práticas escolares da Idade Média: ensino intelectualista, verbalista e dogmático, memorização e repetição mecânica.. Como decorrência, não havia espaço para as idéias dos alunos, o ensino era separado da vida, ainda era grande o poder da religião na vida social.

            Com as mudanças nas formas de produção e o progresso da ciência e da cultura, foi o clero e a nobreza cedendo lugar à burguesia.

            A burguesia se fortaleceu como classe social, disputando o poder econômico e político com a nobreza, crescendo novas exigências de um ensino ligado aos modos de produção e dos negócios e que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidades e interesses individuais,

            Jean Jacques Rousseau(1712-1778) propôs uma concepção nova de ensino com base nas necessidades e interesses da criança..

            As principais idéias de Rousseau são as seguintes:

1.                                                      O preparo da criança para o futuro deve basear-se nas suas necessidades e interesses atuais, que são os que vão determinar a organização do estudo e seu desenvolvimento  e interesse.

2.                                                      A  educação deve ser um processo natural que se fundamenta m no desenvolvimento intewrno do aluno. As crianças são boas por natureza.

 

            Rousseau não colocou em prática suas idéias, nem elaborou uma teoria de ensino.Quem o fez foi um pedagogo suíço, Henrique Pestalozzi(1746-1827) que viveu educando crianças pobres, em instituiçoes dirigidas por ele mesmo. . Deu grande importância à educação como formação do sentimento, da mente, do carátere das capacidades humanas.. Pestalozzi valorizava o método intuitivo, a observação, análise dos objetos e fenômenos da Natureza e a capacidade da linguagem. Também atribuía importância fundamental à psicologia da criança.

 

            As idéias de Comênio, Rousseau e Pestalozzi influenciaram muitos pedagogos. O mais importante foi Herbart(1766-1841), pedagogo alemão que teve muitos discípulos e influenciou a didática e as práticas docentes. Junto com uma formulação teórica dos fins da educação e da Pedagogia como ciência desenvolveu uma análise do processo psicológico didático de aquisição de conhecimentos, sob a direção dso professor.  Foi inspirador da pedagogia conservadora e suas idéisas são presença constante nas salas de aula brasileiras.

 

            Para Herbart, o fim da educação é a moralidade, através da ação educacional. O homem deve ser instruído para querer o bem e comandar-se. O método consiste em provocar uma acumulação de idéias na mente da criança.

            Herbart queria formular um método único de ensino, em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento Estabeleceu para isto 4 passos didáticos que deveriam ser rigorosamente seguidos: 1.Preparação clara da matéria, clareza-2. associação entre as idéias antigas e novas, 3. a sistematização dos conhecimentos, tendo em vista a generalização – 4. seria a aplicação, os exercícios. Depois, os discípulos de Herbart continuaram com: Preparação, apresentação, assimilação, generalização e aplicação, fórmula esta que ainda é usada pela maioria dos nossos professores.

            O método herbartiano trouxe muitas coisas positivas, como organização, estruturação do processo de ensino, mas també,m é negativo na medida em que o aluno apenas reproduz a matéria transmitida., se tornando mecânico, automático, associativo, não mobilizando a reflexão e a criatividade.

            As idéias pedagógicas de Comênio, Rousseau, Pestalozzi e Herbart, além de outros, formaram as bases do pensamento pedagógico europeu, difundindo-se por todo o mundo, demarcando as concepções pedagógicas  que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

 

             A Pedagogia Tradicional, possui várias correntes, nela há ação de agentes externos na formação do aluno, o primado do objetivo do conhecimento, a transmissão do saber constituído na Tradição e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade e uma concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas ora pela palavra do professor ora pela percepção sensorial.

             A Pedagogia renovada agrupa correntes que advogam a renovação escolar, opondo-se à Pedagogia Tradicional.

            Entre as características da Pedagogia Renovada, destacam-se: a valorização da criança, dotada de liberdade, iniciativa e interesses próprios, e por isso mesmo, sujeito de sua aprendizagem e agente de seu próprio desenvolvimento; tratamento científico do processo educacional, considerando as etapas sucessivas do desenvolvimento biológico e psicológico. Respeito às capacidades e Aptidões individuais, individualização do ensino conforme os ritmos próprios de aprendizagem: rejeição de modelos adultos em favor da atividade e da liberdade de expressão da criança.

            As idéias de renovação da Educação, de Rousseau receberam várias denominações, como educação nova, escola nova, pedagogia ativa, escola do trabalho. Desenvolveu-se no início do século XX, embora nos séculos anteriores houve filósofos e pedagogos que queriam a renovação da educação vigente, como Erasmo, Rabellais, Montaigne, Comênio, Rousseau e Pestalozzi.

             A denominação Pedagogia renovada se aplica ao movimento da educação nova propriamente dito que inclui a criação de “escolas novas” e a disseminação da pedagogia ativa e dos métodos ativos, além de outras correntes que adotam algumas inovações mas sem vínculo direto coma escola nova. Exemplo: A pedagogia científico-espiritual desenvolvida por W. Dithey e seus seguidores e a pedagogia ativista espiritualista católica.

            Dentro do escolanovismo se desenvolveu nos E.U. a Pedagogia Pragmática ou Progressista de John Dewey (1859-1952) . Foram brilhantes suas idéias e na década de 30 influenciaram no Brasil o educador Anísio Teixeira e outros, com o importante e decisivo movimento dos pioneiros da Escola Nova.

            Para Dewey a escola não é uma preparação para a vida mas sim a própria vida. A atividade escolar deve centrar-se em situações de experiência onde são ativadas as potencialidades, capacidades, necessidades e interesses naturais da criança. A escola deve ser o lugar de referência e vivência das tarefas requeridas para a vida em sociedade.

            No Brasil o movimento escolanovista se desdobrou em várias correntes, a mais predominante foi a de Montessori e a piagetiana, também as teorias cognitivistas, as fenomenológicas.

            Um dos movimentos da Pedagogia Renovada que teve repercussões no Brasil embora não tenha vínculo direto com a Escola Nova, é a Pedagogia Cultural. ´Visa levar o aluno à apropriação de valores culturais.

            O estudo teórico da pedagogia no Brasil passa por um reavivamento, a partir das investigações sobre questões educativas baseadas nas contribuições do materialismo histórico e dialético. Tais estudos convergem para  a formulação de uma teoria crítico-social da educação,a partir da crítica política e pedagógica das tendências e correntes da educação brasileira.

 

 

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA.

 

Os autores concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: as de cunho liberal- Pedagogia Tradicional, Pedagogia renovada e tecnicismo educacional.

As de cunho progressista,Pedagogia Libertadora e Pedagogia crítico Social dos conteúdos.

Essas são as mais conhecidas.

 Pedagogia Tradicional- a didática é uma disciplina normativa, um conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A atividade de ensinar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. O aluno é um receptor da matéria e deve decorá-la. O objetivo é a formação de um aluno ideal, desvinculado de sua realidade concreta. A matéria é desvinculada da vida e da sociedade. O material concreto é mostrado , manipulado, mas o aluno não lida mentalmente com ele.

Esta didática tradicional ainda é bastante usada na prátia escolar.. O que poderia ser trabalhado e desenvolvido fica restrito a regras de decorar.

 

Pedagogia renovada – inclui várias correntes:

A progressivista (teoria de John Dewey) . A não diretiva, (inspirada em Carl Rogers); a ativista-espiritualista (de orientação católica), a culturalista, piagetiana, montessoriana e outras. Todas estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surge no final do seculo xix como contraposição à pedagogisa tradicional.

 

A Didática ativa é entendida como “direção da aprendizagem”, considerando o aluno como sujeito da aprendizagem, em que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta em atividade intelectual, de criação, de expressão verbal, escrita, plástica ou outro tipo . O centro da atividade é o aluno ativo e investigador. O professor incentiva e adequa as atividades. Usa trabalhos de grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisa, projetos, experimentações, etc. O professor não ensina, ele ajuda o aluno a aprender. Muitas vezes o professor utiliza as técnicas de grupo mas acaba cobrando ensino decorado, como no ensino tradicional.

 

Surge em paralelo à Didática da Escola Nova, a partir dos anos 50 a Didática Moderna, proposta por Luís Alves de Matos- é inspirada na pedagogia da cultura, corrente pedagógica de origem alemã. O aluno é o fator pessoal decisivo da situação escolar, em função dele giram as atividades escolares, para orientá-lo na sua aprendizagem e educação para desenvolver-lhe o caráter, a inteligência e a personalidade.. O professor é o orientador e controlador.A matéria é o conteúdo cultural da aprendizagem. O método constitui o conjunto de procedimentos para gerar a aprendizagem e relaciona-se àpsicologia do aluno.

 

O ensino e a aprendizagem tem uma estreita relação entre si. Define o ciclo docente, que é o método didático em ação.

 

O tecnicismo- desenvoveu-se  como uma tendência no Brasil, em 50, em 60 obteve autonomia, inspirado na teori behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistêmica do ensino. Foi imposta às escolas pelos governos oficiais ao longo de bosaparte das ultimas décadas, por ser compatível com a orientação econômica, política e ideológica do regime militar .

 

 

Teorias críticas da educação – a partir da década de 80

na década de 60 surgiram movimentos como a pedagogia libertadora. E a Pedagogia crítico social dos conteúdos.

Muitos tentaram propostas no sentido de desenvolver estudos para desenvolver uma escola articulada com os interesses do povo.

Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, com a finalidade de criar uma sociedade mais igualitária..

 

Pedagogia libertadora – não tem uma proposta explícita de didática e muitos dos seus seguidores entendendo que toda didática se resumiria ao seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam a importância desta discuplina na formação de professores. A atividade escolar é centrada na discussão dos temas sociais e políticos, na realidade do país e da comunidade.. O processo escolar não se assenta nos conteúdos de ensino sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões. O professor é um animador. Tem tido êxito entre grupos de sindicatos  e de adultos

 

Pedagogia crítico social- atribui grande importância à didática, cujo objeto de estudo é o ensino nas suas relações  e ligações com a aprendizagem.

 

 

(Libâneo  analisa a   Didática, desde os seus primórdios..Passa por Comênio, Rousseau, Herbart, Pestalozzi, Dewey, Piaget. Estuda a pedagogia Tradicional, a Pedagogia Renovada, a Didática Ativa, A Didática Moderna, o Tecnicismo e as Teorias críticas da Educação.

Através dos estudos  de todas estas correntes, chegamos na Didática que tem norteado nosso sistema de Ensino até os dias atuais.)

 

Resenhando Escola e Democracia de Saviani

 

Saviani começa seu livro levantando questões de dois grupos

             O primeiro ,(teorias não-críticas, classificadas como a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista) acha que a educação é a panacéia milagrosa capaz de erradicar a marginalidade de nossa sociedade.

            No segundo grupo (Teorias Crítico-Reprodutivistas subdivididas em teoria de sistema enquanto violência simbólica, Teoria da Escola Enquanto Aparelho Ideológico do Estado (AIE) e Teoria da Escola Dualista). Neste caso, de forma oposta, a educação aparece como fator agravante, através da discriminação e responsável pela marginalidade.

            Por último, propõe uma Teoria Crítica da Educação. Saviani frisa que os dois primeiros grupos explicam a marginalização na forma da relação entre educação e sociedade.

(Concordo até certo ponto com Saviani, porque uma abertura do ensino com qualidade  e crítica para todos os brasileiros, sem economia para a Educação e cortes de verbas, realmente produzirá cidadãos mais aptos a enfrentar a sociedade neo liberal.

Como negar a má distribuição de renda, o desinteresse do Estado pela Educação, os problemas educacionais desde o ensino básico ate à Universidade? E as privatizações?

            A escola tradicional e a escola nova são muito criticadas. Seu insucesso ao redor das décadas de 60 e 70, são tratadas por Saviani. As teses tradicionais e novistas centradas no professor ou no aluno como principais responsáveis pelo ensino aprendizado eram  ingênuas.Ambos não possuíam, separadamente, este poder mágico de criar ensino–aprendizado. Sabemos hoje, que o papel do educador é gerar motivação e repassar metodologia de busca e aquisição do conhecimento, com participação ativa do aluno, considerado, na época como ser passivo perante o fenômeno ensino aprendizagem! Naquele tempo, os professores se limitavam às explicações para o coletivo.

            Saviani analisa algumas características específicas das teorias educacionais, afirmando que a teoria tradicional surge historicamente com o interesse de superar o Antigo Regime, baseado nas conquistas da Revolução Francesa, esta propõe a universalização do ensino para retirar os indivíduos da condição inferior de súditos e transformá-los em cidadãos esclarecidos. Nesse contexto, a marginalidade é entendida enquanto um fenômeno derivado do déficit intelectual ocasionado pela ausência de instrução. A escola seria o remédio para este problema, na medida em que se difunde um ensino centrado e organizado em torno da figura do professor. As lições dos alunos são seguidas com disciplina e atenção, direcionadas pelo mestre-escola, ao aluno competia aprender.

            Aos poucos, esse tipo de teoria foi caindo em descrédito devido às dificuldades de acesso de todos à escola e também em função do fracasso escolar, mesmo para os que conseguiam o seu objetivode ingressar na instituição escolar.)

            A Pedagogia Nova surge como uma tentativa de equacionar os problemas gerados pela Pedagogia Tradicional. Nascida das experiências de educação com portadores de necessidades especiais (Decroly e Montessori), foi estendida a seguir como uma proposta para o âmbito escolar como um todo. Concebe assim o marginalizado, não como um ignorante, mas como alguém que foi rejeitado pelo sistema escolar e pela sociedade. À escola cabe a função de reintegrar o aluno ao grupo, tomando-o como centro do processo ensino-aprendizagem, desenvolvendo uma metodologia com atividades de cunho bio-psíquico e que o estimulem à participação em um ambiente alegre e criativo.

            Como a Pedagogia Nova precisava de um ambiente rico para a sua implantação ficou restrita, na prática, a algumas experiências apenas. A proposta do movimento da escola nova, ao fim de tudo, colabora para rebaixar o nível da aprendizagem e do ensino, pois retirou a centralidade do processo no professor que sabia e jogou para o aluno, que não tinha condições de adquirir o saber.

            Surge então a pedagogia tecnicista. Nesta, marginalizado não é o ignorante e nem o rejeitado, mas sim, o incompetente (no sentido técnico da palavra), o ineficiente e improdutivo, isto é, a educação estará contribuindo para superar o problema da marginalidade na medida em formar indivíduos eficientes, portanto capazes de contribuir para o aumento da produtividade da sociedade.

            Então para a pedagogia tradicional o importante era aprender, para a pedagogia nova aprender a aprender e para a pedagogia tecnicista, o importante era aprender a fazer. .

            Sobre a violência simbólica que nos parece um forte atributo do capitalismo, no sentido que é imposto. Podemos ver a força desta violência simbólica nas mídias: seja jornais, rádios ou televisões. É imposto ao indivíduo teses, produtos, enfim, um números de coisas e opiniões de forma técnica e até com propaganda subliminar, que de uma forma ou de outra, impõe métodos e comportamentos. A escola não escapa a esta regra. Os cidadãos, como um rebanho tranqüilo recebem e absorvem os conteúdos que representam a verdade inquestionável. Se questiona é repelido e tachado de reacionário. De fato, esta realidade não pertence ao passado. É coisa do presente e norteia as regras do capitalismo selvagem em que vivemos.

(Nos dias de hoje, falaremos na globalização , na fragmentação e no neo-liberalismo).

            As características da democracia atual com suas classes dominantes e dominadas, reforça a escola como aparelho ideológico do Estado. Apesar das lutas destas classes, as chances de vitórias são pequenas. A dominação burguesa, através daqueles que conseguiram algum sucesso e ocupam altas posições administrativas, possuem fortes instrumentos de repressão contra eventuais e tímidos protestos da classe dominada. Neste caso, a marginalidade é a própria classe trabalhadora, que sufocada pelo poder estatal tem que se limitar a cumprir seu papel em cima de normas e leis vindas da classe dominante, que visam somente manter seus interesses e o poder. Saviani termina seu texto, com um parágrafo de desculpas e elogios aos heróis professores anônimos dentro desta luta de classes em busca da tão falada sociedade igualitária.

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            O proletariado e a burguesia   tem fronteiras bem distintas. Parece-nos que a tônica desta dualidade é uma tendência primária profissionalizante (PP) e a secundária superior (SS). A primeira para os filhos da classe mais pobres, impedida de ter acesso às escolas superiores. A segunda, é claro para a classe burguesa, capaz de chegar aos níveis superiores e manter, assim, nas mãos de sua beneficiada classe, o poder. Este é o aparelho ideológico do Estado Capitalista, que trabalha em proveito da classe dominante e contribui para manter as relações sociais de produção capitalista. Dentro de conceitos preparados para esta escola defensora de interesses burgueses, está o engrandecimento do intelecto e a desvalorização do trabalho manual. Neste caso, a escola aparece como fator marginalizante e não como fator de equalização como se propõe.

            (No capítulo da Teoria da Curvatura da Vara, Saviani justifica um processo de tentativa de ajustes da educação: quando uma vara está torta ela fica curva de um lado e se você quiser endireita-la, não basta colocá-la na posição correta. Lênin (Althusser, 1977: 136-38). É preciso curvá-la para o lado oposto. Nesta mesma ocasião, afirma Saviani: quando mais se falou em democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola e de como, quando menos se falou em democracia, mais a escola teve articulada com a construção de uma ordem democrática. A pedagogia tradicional calcada na concepção da filosofia essencialista foi substituída pela pedagogia nova, baseada sobre uma filosofia existencialista.

            Observem que até o momento anterior, a burguesia cavalgava junto com a história e como classe dominante, não tinha menor interesse que algo fosse mudado. Com o passar do tempo, suas teses filosóficas não garantem mais sustentação e ela passa a andar na contra mão da história e é neste momento, que a escola tradicional e a antiga pedagogia da essência não servem mais aos seus interesses burgueses e implantam-se a escola nova e a pedagogia da existência.

            Sobre a Curvatura da Vara, parece que Saviani puxa propositadamente a vara para o lado oposto, na esperança desta vir para o centro, que não é nem a escola tradicional nem a escola nova; mas a vara é meio teimosa e se vicia na nova posição e percebe-se que terá que ser com muito jeitinho e pequenos ajustes programados para trazê-la para o centro.

            Percebe-se o objetivo principal de Saviani: Sacudir, com força a máquina político-educacional, balançando as Curvaturas das Varas em busca de seu equilíbrio ideal )

 

EDUCAÇÃO A PARTIR DA DÉCADA DE 80

 

            Como o objetivo primordial desse estudo é centrar-se na didática dos anos 80 até 2004, vamos caracterizar melhor esta época.

 

 

Pedagogia crítico social dos conteúdos

 

            No final dos anos 70 e início dos 80, a abertura política decorrente do final do regime militar coincidiu com a intensa mobilização dos educadores para buscar uma educação crítica a serviço das transformações sociais, econômicas e políticas, tendo em vista a superação das desigualdades existentes no interior da sociedade. Ao lado das denominadas teorias crítico-reprodutivistas, firma-se no meio educacional a presença da "pedagogia libertadora" e da "pedagogia crítico-social dos conteúdos", assumida por educadores de orientação marxista.
            A "pedagogia libertadora" tem suas origens nos movimentos de educação popular que ocorreram no final dos anos 50 e início dos anos 60, quando foram interrompidos pelo golpe militar de 1964; teve seu desenvolvimento retomado no final dos anos 70 e início dos anos 80. Nessa proposta, a atividade escolar centra-se em discussões de temas sociais e
políticos e em ações sobre a realidade social imediata; analisam-se os problemas, seus fatores determinantes e organi za-se uma forma de atuação para que se possa transformar a realidade social e política. O professor é um coordenador de atividades que organiza e atua conjuntamente com os alunos. Esse movimento esteve muito mais presente em escolas públicas de vários níveis e em universidades, do que em escolas privadas.

 

            A "pedagogia crítico-social dos conteúdos" que surge no final dos anos 70 e início dos 80 se põe como uma reação de alguns educadores que não aceitam a pouca relevância que a "pedagogia libertadora" dá ao aprendizado do chamado "saber elaborado", historicamente acumulado, e que constitui parte do acervo cultural da humanidade.
            A "pedagogia crítico-social dos conteúdos" assegura a função social e política da escola através do trabalho com conhecimentos sistematizados, a fim de colocar as classes populares em condições de uma efetiva participação nas lutas sociais. Entende que não basta ter como conteúdo escolar as questões sociais atuais, mas que é necessário que se tenha domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses de classe.

 

            A partir dos anos 80 surge com maior evidência um movimento que pretende a integração entre tendências que tinham um viés mais psicológico e outras cujo viés era mais sociológico e político. Se há necessidade de ter preocupações com o domínio de conhecimentos formais para a participação crítica na sociedade, considera-se também necessária uma adequação pedagógica às características de um aluno que pensa, de um professor que sabe e aos conteúdos de valor social e formativo.

            Esse momento se caracteriza pelo enfoque centrado no caráter social do processo de ensino e aprendizagem e é marcado pela influência da psicologia genética.

            Esse enfoque trouxe para a questão pedagógica aspectos relevantes, principalmente no que diz respeito à maneira como entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem, à importância da relação interpessoal nesse processo, à relação entre cultura e educação e ao papel da ação educativa ajustada às situações de aprendizagem e às características da atividade mental construtiva do aluno em cada momento de sua escolaridade.
            A psicologia genética propiciou aprofundar a compreensão sobre o processo de desenvolvimento na construção do conhecimento. Compreender os mecanismos pelos quais as crianças constroem representações internas de conhecimentos construídos socialmente, em uma perspectiva psicogenética, traz uma contribuição para além das descrições dos grandes estágios de desenvolvimento.
            A teoria epistemológica de Piaget e seus seguidores, e as suas significativas descobertas, acarretou desvios por parte de pedagogos que passaram a "criar" teorias piagetianas para a educação, como se o próprio Piaget as tivesse elaborado, o que não ocorreu. A pedagogia, neste sentido, não fazia parte dos objetivos de suas pesquisas.

Assim encontramos inúmeras escolas que se autopromovem dizendo-se piagetianas, sem que apliquem em suas abordagens metodológicas os princípios decorrentes das pesquisas de Piaget sobre a teoria do conhecimento, a evolução do pensamento até a adolescência.

 

                                               Construtivismo

 

            A pesquisa sobre a psicogênese da língua escrita chegou ao Brasil em meados dos anos 80 e causou grande impacto, revolucionando o ensino da língua nas séries iniciais e, ao mesmo tempo, provocando uma revisão do tratamento dado ao ensino e à aprendizagem em outras áreas do conhecimento. Essa investigação evidencia a atividade construtiva do aluno sobre a língua escrita, objeto de conhecimento reconhecidamente escolar, mostrando a presença importante dos conhecimentos específicos sobre a escrita que a criança já tem e que embora não coincidam com o dos adultos,  têm sentido para ela.

            Segundo Schnitman: "O construtivismo é uma teoria post- objetiva do conhecimento que defende que o observador participa de suas observações e que constrói e não descobre uma realidade, questionando assim os conceitos de verdade, objetividade e realidade". A metodologia utilizada nessas pesquisas foi muitas vezes interpretada como uma proposta de pedagogia construtivista para alfabetização, o que expressa um duplo equívoco: redução do construtivismo à uma teoria psicogenética de aquisição de língua escrita e transformação de uma investigação acadêmica em método de ensino. Com esses equívocos, difundiram-se, sob o rótulo de pedagogia construtivista, as idéias de que não se devem corrigir os erros e de que as crianças aprendem fazendo "do seu jeito". Essa pedagogia, dita construtivista, trouxe sérios problemas ao processo de ensino e aprendizagem, pois desconsidera a função primordial da escola que é ensinar, intervindo para que os alunos aprendam o que, sozinhos, não têm condições de aprender.
            Em relação estritamente a alfabetização podemos, nesse caso, dizer segundo Terezinha Nunes, "talvez a contribuição mais significativa que o construtivismo já ofereceu à alfabetização (foi) auxiliar as alfabetizadoras na tarefa de compreender as produções da criança e saber respeitá-las como construções genuínas, indicadoras de progresso, e não como erros absurdos. Nesse sentido, podem-se destacar dois momentos em alfabetização: antes e depois dos trabalhos de Emilia Ferreiro". Não existe um método construtivista para a educação, no sentido em que é propalado pelas escolas.
           
No construtivismo a maneira de construir o saber é muito ampla, incluindo realmente as idéias de descobrir, inventar, redescobrir, criar; sendo que aquilo que se faz é tão importante quanto o como e porque fazer.o como e porque fazer.

Não devemos nos esquecer que a ação se dará no sentido de compreender, atribuir um sentido, que está na dependência das estruturas mentais que se têm.

                                               CONCLUSÃO

 

 

 

            Com relação á pedagogia de Freire (pedagogia libertadora) e  a teoria de Dermeval Saviani e José Carlos Libâneo (pedagogia crítico social dos conteúdos)  existem muitas críticas feitas por estudiosos  às duas teorias.     Respeito, admiro e concordo com o método dialógico e da valorização da cultura do aluno proposto por Freire, mas também acredito na força cultural dos conteúdos historicamente acumulados pela humanidade, como propostos pelos conteudistas.

            São teorias que se completam com a finalidade de melhorar a humanidade.

            A teoria de Paulo Freire idealiza uma forma de educação na qual o educando, apropriando-se do conhecimento, passa a ser sujeito de sua história; essa apropriação dá-se a partir do universo vocabular do aluno através da intercomunicação entre os sujeitos ativamente envolvidos no processo, intermediados pelo mundo cognoscível, com vistas à transformação da sociedade.

            Na análise dos conteudistas, a forma ideal de educação é priorizar o ensino dos conteúdos sistematizados, universais e que estão disponíveis para apropriação não apenas por uma classe (dominante), mas por todos os grupos sociais que aspirem à mudança estrutural da sociedade. Sendo assim, não é válida a aquisição de apenas o conhecimento do universo do aluno porque, dessa forma, a escola estaria privando os alunos de classe social baixa de se apropriarem do restante dos saberes considerados patrimônio da humanidade e, conseqüentemente, condenando-os a “aceitarem” sua condição de pobres, sem chances de ascensão social.

Em Freire, o educando constrói o seu conhecimento, não sendo ensinado por ninguém, e em Saviani ele apropria-se dos conhecimentos, mediados pelo professor, há que se considerar o momento histórico em que ambas as teorias foram elaboradas.

            À época em que a pedagogia de Freire estava no auge, em que os movimentos de educação popular atingiram seu apogeu, a palavra que mais se ouvia era “mudança”, dado o momento histórico por qual passava o país.

            Foi então adiada para depois da revolução a transformação da escola formal. A revolução não aconteceu.

            Passados os anos de ditadura, outros teóricos (dentre eles Saviani e Libâneo) teorizaram no que acreditavam ser o fio da meada para a transformação da escola e da sociedade o valor dos conteúdos..

            Se Paulo Freire teorizou sobre educação, mostrando a importância de se fazer uma leitura do mundo e apontando a possibilidade de se fazer a leitura da palavra a partir do universo vocabular do aluno, Saviani e Libâneo praticamente excluíram de sua teoria o estudo da cultura do aluno, priorizando apenas os conteúdos universais.

            Freire teorizou para a educação de adultos, enquanto os conteudistas priorizaram a educação formal.

             Se aplicarmos a teoria de Freire na escola trabalhando o universo vocabular do aluno de classe social subordinada e, após essa compreensão, ampliarmos seus conhecimentos com informações necessárias à sua vida, já que em nossa sociedade capitalista sobrevivemos de empregos que exigem (para seu ingresso) que sejam feitos concursos nos quais são cobrados os conhecimentos sistematizados, assim, esse educando poderá lutar por melhores condições de vida, já que lhe foram garantidas as informações necessárias e as habilidades requeridas para sua sobrevivência.

             Saviani e Libâneo ao proporem uma prática educacional centrada nos conteúdos, repassados indistintamente para todas as classes sociais, “esquecem” da influência que têm os conhecimentos prévios dos alunos para a apropriação correta desses mesmos conteúdos visando à transformação da sociedade. Nesse sentido, à luz da teoria conteudista, alunos que não dispõem de recursos para embasar os conhecimentos repassados pela escola e que não ultrapassaram o nível de consciência ingênua, podem igualar-se em nível de conhecimento aos que, não só têm esses recursos, como foram estimulados desde muito pequenos a utilizá-los

            A diferença entre os dois enfoques é que, em Freire, o aluno deve, antes de tudo, compreender o seu mundo, transpor as barreiras da falta de estimulação e buscar os conhecimentos, enquanto que nos conteudistas esse conhecimento sistematizado é o ponto de partida para a reestruturação da sociedade, independentemente de se fazer uma análise das condições sociais por quais passam esse aluno.
            Se, na teoria Freireana, o educando deixou de ser objeto, depósito de informações e passou a analisar sua realidade, seus conhecimentos e discutir com seus pares a possibilidade de mudança, nesse ponto, a teorização libertadora dá um grande passo para promover a reorganização das classes sociais.

Por outro lado, se os conteudistas propõem que os alunos das classes subordinadas tenham acesso ao saber sistematizado, de forma crítica e contextualizada, transformando-se em seres que pensam e agem para transformar a sociedade, também dão uma importante contribuição para o redimensionamento das classes sociais vigentes, isto é, ambas reconhecem a relação entre conhecimento e poder.

         Para a pedagogia de Freire, até que o aluno tome consciência de sua posição como sujeito histórico e produtor de seu próprio conhecimento, o que, poderia ocorrer simultaneamente (conscientização e conhecimento sistematizado) e retirarmos também o da teoria conteudista que é a não valorização do universo cultural do aluno, teríamos o seguinte: uma teoria que valoriza os conhecimentos universais, mas não despreza o universo do aluno; que valoriza o ato dialógico do educar, reconhece as disparidades de saberes trazidos por crianças de diferentes classes sociais e que se empenha em suprir as lacunas do aprendizado de alunos de classe menos favorecida; que não centraliza apenas na figura do professor a responsabilidade de conduzir o processo educativo (Pode ser que este professor tenha tido uma formação acadêmica falha e que não tenha condições intelectuais de mediar a contento o processo dentro da teoria escolhida); uma teoria que forneça instrumental para a aquisição dos conteúdos, que valorize o ser enquanto sujeito ativo do conhecimento e analise as estruturas da sociedade através das relações travadas entre as classes.

             São injustas algumas das críticas feitas pelos conteudistas à teoria Freireana, assim como não concordo com os que dizem que a teoria crítico social dos conteúdos se aproxima da teoria tradicional, porque, se observarmos o enfoque dado aos conteúdos numa e na outra teoria, perceberemos que os fins da educação na tradicional são a manutenção das classes sociais,já que forma alunos acríticos, enquanto que na crítico social dos conteúdos é justamente o contrário, visando-se através da formação de alunos críticos, a reconstrução social.”(Profa Maria do Socorro Nunes Oliveira- UFRO)

                                                            BIBLIOGRAFIA

1.            FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970.

2.            ______. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

3.            LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública: a Pedagogia Crítico Social dos Conteúdos. São Paulo: Loyola.

4.              LIBÂNEO, José Carlos .Didática . São Paulo: Cortez Editora, 2002

5.            SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez/Autores Associados.1983.

6         VEIGA, Ilma Passos Alencastro/ Texto apresentado ao Grupo Metodologia Didática, na X Reunião Anual da ANPED, Salvador, maio de 1987

7. site da UFRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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