Desvendando os rótulos

Rótulos podem ser ludibriosos

Desvendando o rótulo:
Trecho do livro: Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats
Autor: Richard Pitcairn, médico-veterinário PhD em Imunologia 
Edição: 2005


O consumidor é freqüentemente orientado a ler o rótulo das embalagens de rações para identificar quais seriam os melhores alimentos. Parece bom. Infelizmente, a maneira como são criados os rótulos não ajuda muito a compreender a qualidade daquele alimento. Por exemplo, um dos principais nutrientes, que somos sempre orientados a verificar, é a proteína. Mas se olharmos somente a proteína total, conforme indicado no rótulo, não teremos considerado dois fatores importantes: o valor biológico e a digestibilidade. Vamos entender esses termos.


Proteína O valor biológico da proteína depende da composição única de aminoácidos de cada proteína. Esses aminoácidos são como os tijolos que o corpo utiliza para construir seus próprios tecidos. Ovos recebem um valor ideal de 100, o que significa que eles são a forma mais aproveitável de proteína que existe. Nessa escala relativa, a carne de peixe recebe nota 92; carne bovina e leite, 78; arroz, 75; grão de soja, 68; levedura, 63; e glúten de trigo, 40.


A digestibilidade de uma proteína (ou de qualquer alimento) é simplesmente o quanto o trato gastrintestinal (estômago e intestinos) consegue absorver desse nutriente. Por exemplo, uma fonte pode ter 70% de digestibilidade, enquanto outra tem 90%. Algumas proteínas, como as do cabelo e pêlos – são menos digestíveis por serem mais duras ou impossíveis de quebrar, mesmo sendo proteínas.

Vejam que interessante: as prolongadas altas temperaturas empregadas para esterilizar algumas rações podem destruir grande parte dessas proteínas de alto valor biológico. Isso ocorre porque com o calor as proteínas se combinam com certos açúcares que são adicionados à mistura, e formam compostos que não podem ser quebrados pelas enzimas digestivas do organismo. Afinal de contas, o sistema digestório dos animais desconhece esses nutrientes processados a altas temperaturas. Como poderia a evolução ter preparado os animais para aproveitar essas substâncias?

Já que os fabricantes são obrigados a listar o teor de proteína bruta em vez da quantidade de proteína presente que o animal realmente conseguiria digerir e aproveitar, eles podem e fazem a inclusão de fontes baratas que podem suprir o pet com proteínas muito menos utilizáveis do que você poderia imaginar. A maioria das pessoas não percebe que termos como “sub-produtos de carne” podem na verdade significar mistura de penas de galinha, tecido conjuntivo (cartilagem), mistura de couro (sim, couro, como aquele usado na fabricação de cintos ou sapatos), dejetos de aves e de outros animais, e pêlos de bovinos e de cavalos.

Robert Abady, fundador da Robert Abady Dog Food Company, descreve “farinha de carne e ossos” como “geralmente composto por osso moído, cartilagem, tendões, e é a forma mais barata e menos nutritiva de ofertar farinhas de sub-produtos”. O mesmo acontece com as expressões “farinha de carne de cordeiro”, “farinha de carne de frango” e “farinha de carne de peixe”.

Todas essas formas são largamente utilizadas nas rações. Tais ingredientes certamente aumentam o teor de proteína bruta, mas oferecem poucos nutrientes. (Certamente não é a minha idéia de uma boa refeição para animais). Por causa da adição de ingredientes duros e fibrosos, os cães geralmente conseguem aproveitar apenas cerca de 75% das proteínas que compõem as “farinhas de carne de ….” da ração. E as “farinhas de carne de …” se tornam ainda menos digestíveis graças ao cozimento com altas temperaturas requerido para esterilizar a mistura. Farinha de sangue, outro ingrediente barato, contém ainda menos proteínas aproveitáveis.

Como acontece com as proteínas, outros ingredientes básicos podem variar largamente quanto à qualidade e à digestibilidade.


Carboidratos Carboidratos podem ser uma excelente fonte de nutrientes. Em muitos produtos, contudo, como acontece com as rações semi-úmidas, a fonte de carboidratos vem de alimentos como o açúcar – que contém calorias vazias-, propileno glicol, e xarope de milho. Com exceção dos açúcares, é difícil verificar, por meio da leitura do rótulo, o que você está recebendo na ração. Outros exemplos de fontes de carboidratos incluem:


Farelo de arroz – finamente triturada, geralmente é o que sobra do processo de moagem. Contém valor nutricional muito baixo.

Polpa de beterraba – o resíduo desidratado do açúcar de beterraba.

Glúten de milho – o resíduo do milho desidratado depois que são removidos o amido, o gérmen e a fibra. Pouco nutritivo, se tanto.

Levedura de arroz – frações do arroz que foram descartadas do processo de fabricação da cerveja, contendo resíduos pulverizados, desidratados e desgastados. Pouco valor nutricional, se tanto.

Grãos rançosos ou embolorados – impróprios para consumo humano.

Gorduras e fibras - Os lipídios (gorduras) geralmente derivam de gordura animal rejeitada para consumo humano. Tais gorduras podem estar rançosas, um estado que normalmente torna a gordura tóxica para o organismo. O ranço também rouba as vitaminas essenciais dos lipídios. As fibras podem vir simplesmente de vegetais ou de grãos integrais, ou pode significar adição de fibra derivada de fontes como cascas de amendoim, pêlos ou até folhas de jornal.

Termos genéricos Como você pode ver, as análises químicas contidas no rótulo não significam muita coisa. Para ilustrar esse conceito, um veterinário criou um produto contendo a mesma composição básica de proteínas, lipídios e carboidratos que uma marca comum de ração para cães, usando sapatos velhos de couro, óleo de graxa e lascas de madeira. O que quero dizer é que os rótulos nem sempre nos informam o bastante. Desconfie principalmente de rações que listam seus ingredientes em termos genericamente categóricos, como esses:

Farinha de carne e de ossos
Sub-produtos de carne
Hidrolisado animal desidratado
Sub-produtos de frango
Farinha de sub-produtos de frango
Hidrolisado de sub-produtos de frango
Sub-produtos de galinha
Hidrolisado de fígado
Farinha de peixe
Sub-produtos de peixe

Nos Estados Unidos, a Pet Food Institute, que representa a indústria, pediu repetidas vezes permissão do Food and Drug Administration (FDA) para empregar mais expressões como essas, de ingredientes coletivos. Os membros da indústria argumentam que termos como esses permitem que eles escolham “itens de preço mais baixo” de cada uma das classes de ingredientes. Alguns dos termos mais cobiçados incluem “animais processados e produtos de proteína marinha”, “produtos vegetais” e “produtos com fibras de plantas”. Veja como um termo como “produtos vegetais” não nos informa na verdade nada sobre o que está na ração!


Leia o rótulo
Trecho do livro: Natural Health Bible for Dogs & Cats
Autor: Shawn Messonier, médico-veterinário 
Edição: 2001

Proprietários de animais de estimação enfrentam dificuldades de compreensão quando se deparam com termos como “galinha”, “farinha de frango” e “farinha de sub-produtos de frango” nos rótulos das rações. Leia agora como a AAFCO (Association of American Feed Control Officials – o órgão responsável pelas rações nos EUA), define alguns desses termos.

Farinha de sub-produtos de animais: tecido animal reciclado sem adição de pêlos, cascos, chifres, couro, esterco e conteúdo estomacal, exceto em quantidades que as boas práticas de processamento não conseguiram evitar.

Farinha de glúten de milho: é o resíduo seco da proteína do milho, depois de retirados o amido e a gordura, e da separação da fibra por um processo empregado com moagem úmida para a fabricação de amido de milho e xarope de milho. Farinha de glúten de milho é um sub-produto com baixo teor de aminoácidos essenciais. Milho moído, que contém o grão inteiro do milho, é preferível.

Carne: carne limpa de animais abatidos restrita aos músculos esqueléticos ou da língua, diafragma, coração, ou esôfago, com ou sem gordura, tendões, pele, nervos e vasos sanguíneos. Pode ser de qualquer espécie como porcos, cabras, coelhos, e etc. Se o termo estiver acompanhado por uma espécie identificada (exemplo: peru), a carne precisa corresponder à essa espécie.

Farinha de carne e de ossos: tecido reciclado de mamíferos (sem gordura e água), incluindo ossos, sem pêlos, cascos, chifres, couro, esterco e conteúdo estomacal. Trata-se de um sub-produto com quantidades variáveis de carne e ossos (que difere dependendo do lote) e qualidade protéica variável. Assim como na “farinha de carne”, pode conter carne oriunda de animais mortos antes do abate, animais que chegaram moribundos ao abatedouro, animais doentes ou defeituosos; ou seja, impróprios para consumo humano.

Farinha de sub-produtos: partes limpas não-recicladas (contêm gordura e água) que não incluem carne e que são pulmões, baço, rins, cérebro, fígado, sangue, ossos, estômago e intestinos sem conteúdo. Não pode incluir dentes, pêlos, chifres e cascos. Essa fonte de proteína pode ser mais saudável do que “farinha de carne” ou “farinha de carne e ossos” (já que vem de tecido não reciclado e de animais abatidos, em vez de vir de carcaças de animais que morreram antes do abate), mas não há maneira de saber apenas pela leitura do rótulo, quanto de cada sub-produto está incluído na ração.

Farinha de sub-produtos de frango: partes limpas moídas e recicladas de carcaças de aves abatidas, inclui: pescoço, pés, ovos mal desenvolvidos e intestinos. Não pode conter penas, exceto em quantidades que não podem ser evitadas com boas práticas de processamento. A qualidade entre os lotes é bastante inconstante.

Obs: Muitas das fontes de proteína animal de baixa qualidade (como a farinha de carne e ossos) mostram ampla variabilidade. Não existem padrões, por exemplo, para quanto de carne e quanto de ossos devem ser incluídos nessa farinha. Como resultado, é impossível saber o que entra nessa categoria e em outras fontes questionáveis de proteína.




Fonte: http://pat.feldman.com.br/?p=6470
 
 
 
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