RELACIONAMENTO IMPOSSÍVEL

(Texto escrito com base no livro "The Language of Letting Go", de Melody Beattie, profissional que se dedica a trabalhos sobre co-dependência nos Estados Unidos).
 
Por que gostamos de quem não gosta da gente?

 

Gostar de quem não gosta da gente não é fruto do acaso, nem falta de sorte. É, em geral, uma escolha, ainda que possa ser inconsciente e possa nos fazer sofrer.

Gostamos da pessoa errada por vários motivos: por termos tendência depressiva, por nos sentirmos culpados, por querermos punir a nós mesmos, por sermos filhos de casamentos fracassados, por termos medo de nos envolvermos afetivamente, por termos receio de sermos felizes, ou, por tudo isso junto.

Quem sofreu na infância, vendo os pais destruírem a si mesmos ou destruírem um ao outro, está acostumado à dor. Por mais que ela doa, ela representa terreno conhecido e, portanto, mais confortável do que o novo.

Ter um relacionamento sadio, ser feliz, seria superar os pais e isso gera culpa. A filha de uma mãe que sofreu no casamento pode, inconscientemente, buscar relacionamentos destrutivos. Pode se apaixonar por homens que a fazem infeliz. Dessa forma, ela não se torna melhor do que a mãe, ou seja, não a abandona em sua infelicidade. Há uma cumplicidade, na qual as duas ficam infelizes juntas.

Quem ama e não é amado está livre de um compromisso afetivo e não precisa enfrentar a dificuldade de viver os momentos bons e os ruins da vida a dois. Qualquer relacionamento implica em altos e baixos, rompimentos e voltas, alegrias e tristezas. Além disso, há sempre o risco de um abandono definitivo. Amar quem não ama a gente é uma forma de ficar livre das incertezas.

Num nível mais profundo,  quem sofreu, na infância, abusos, maus-tratos ou abandono, pode ver a si mesmo como uma pessoa má, não digna de ser amada, respeitada, cuidada. Assim, busca se relacionar com quem a destrata e rejeita.

 

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