Psicanálise



 Kátia Bizzarro - Psicóloga e Psicanalista


CRP: 06/89188 PUC-SP
 

Dentro de nós existem recursos para lidar com todas as situações.

A análise ajuda a acessar estes recursos, e integrá-los à consciência.



Sobre a Psicanálise:

Quem foi Freud, e como tudo começou?

Sigmund Freud (1856 - 1939), médico neurologista de origem judaica, nascido em Príbor, hoje República Tcheca (Europa Central), viveu a maior parte de sua vida em Viena (79 anos), e no fim da vida exilou-se no em Londres com parte da sua família para sobreviver à perseguição nazista, onde permaneceu até a sua morte. Em meados do Século XVIII, foi trabalhar com o psiquiatra Jean-Martin Charcot (1825-1893) no Hospital Salpêtrière, em Paris, onde tudo começou. 

Trabalhando com Charcot, Freud interessou-se particularmente pelo tratamento das paralisias corporais que não tinham uma razão fisiológica. Ao descobrir que há algo no humano que afeta o corpo e independe da razão, e além disso não tem uma relação direta com causas fisiológicas, o criador da Psicanálise deparou-se com aquilo que mais tarde nomeou como 'inconsciente', e intrigou-se a ponto de criar, através de muitas pesquisas empíricas e do seu conhecimento acerca da neurologia: a Psicanálise.

Como o inconsciente se manifesta?

Lembremos de situações cotidianas nas quais agimos de modo contrário ao que esperamos: Querendo falar uma coisa, dizemos outra; Ao sair, percebemos que esquecemos as chaves; Alguém se propõe a fazer dieta, mas percebe-se engordando, comendo ainda mais; Alguém que acaba de ficar noivo, sente-se muito mais atraído por quase todas as pessoas que encontra; Alguém quer urgentemente termirar algo, mas fica adiando... Freud escreveu um texto chamado "Psicopatologia da vida cotidiana" sobre a relação do inconsciente com acontecimentos como estes.

O que aconteceu nestas situações?

Somos seres racionais, só que além disso: somos sujeitos do inconsciente. Razão e inconsciente não são opostos: funcionam paralelamente. Somos divididos subjetivamente. Algumas situações que nos escapam a razão, falham em relação à comunicação, ou falham em relação ao seu objetivo, mas certamente têm uma lógica e "eficácia" inconsciente.
É disso que cuidamos na clínica psicanalítica: nos ocupamos de descobrir a lógica inconsciente que corresponde ao desejo, mas nem sempre à vontade própria. Desejo e vontade não são sinônimos para a Psicanálise. O desejo é aquilo que se destaca da necessidade, e que está para além das demandas.

Mas no que a clínica psicanalítica é diferente de outros tratamentos?

No livro "O nascimento da clínica", Michel Foucault (1926-1984), filósofo francês, escreveu acerca da diferença entre a clínica clássica e a clínica psicanalítica.

Foucault estudou a modificação da clínica clássica: do Séc. XVIII, contexto em que o médico era aquele que olhava, até a clínica psicanalítica, Séc. XIX, quando o médico passou a ser também aquele que escuta, criando uma aliança entre o ver e o dizer como fonte da clareza e do desvelamento das afecções psíquicas.

Esta mudança de paradigma faz do paciente um sujeito ativo no seu tratamento, pois desloca o saber sobre a terapêutica: de quem trata para quem é tratado.


Podemos localizar essa mudança de paradigma no livro: "A interpretação dos sonhos", de Freud. Neste livro, o pai da Psicanálise discorre sobre como os sonhos eram analisados na antiguidade sem necessariamente tratar-se de uma análise científica. Naquele contexto, sonhos eram considerados "premonições". Ainda hoje encontramos catálogos com elementos de sonhos em forma de verbete, ao lado do que supostamente significariam.
Com o paradigma psicanalítico proposto por Freud, o que consideramos na análise de um sonho é o texto do sonho, o modo que ele é contado pelo paciente. Numa análise não trabalhamos somente com relatos de sonhos, mas trabalhamos com as palavras dos pacientes: esquecimentos, lapsos de linguagem, ditos cômicos, atos falhos - num contexto de análise funcionam como material a ser trabalhado psicanaliticamente.

Os diagnósticos médicos, por exemplo, fazem parte da clínica clássica, são conservados em latim, pois latim é uma "língua morta", e com isso não há dimensão subjetiva no significado de uma doença psicossomática para quem está doente: uma "língua morta" mantém o estado entre o significante (palavra) e o significado. Consequentemente não há uma escuta psicanalítica possível na clínica médica do que uma doença pode significar para quem está doente, portanto não há espaço para a interpretação das doenças psicossomáticas (por exemplo: gastrite por causa emocional, e não bacteriana, nem por lesão anatômica), há no máximo um diagnóstico e uma terapêutica medicamentosa.

Para que uma prática seja considerada clínica, de um ponto de vista clássico, ela tem que atender a quatro elementos:

-Semiologia - Campo semântico pertencente a um sistema de conhecimento, por exemplo, o campo semântico da psicanálise inclui conceitos como: inconsciente, repressão, negação...
-Diagnóstica - Reconhecimento acerca das características de um quadro clínico;
-Terapêutica - Na psicanálise, por exemplo, a direção de um tratamento e não de um sujeito;
-Etiologia: o estudo das causas.

Por exemplo, a astrologia não é uma prática clínica, pois não há nela uma terapêutica.

Diferentemente da clínica clássica, a Psicanálise é a clínica da singularidade.

A psicanálise abre espaço para uma nova interpretação: um mesmo significante (a palavra gastrite, referente ao exemplo acima) pode ter um significado que pode ser desvelado, escutando o que um paciente tem a dizer sobre isso, e pode ter outro significado para outro paciente. Não dá para generalizar que todas as gastrites são bacterianas, e tão pouco que todas as gastrites "nervosas" são causadas por estresse: é preciso escutar cada sujeito. O que muda neste paradigma é que temos um referente, um sujeito que pode falar sobre o que está sentindo.

Se Freud foi o pai da Psicanálise, o psicanalista parisiense contemporâneo Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981), tratou de revisar a obra de Freud, e fazer as analogias necessárias para que a Psicanálise pudesse ser transmitida, fiel ao que ela se propõe: o tratamento por meio das palavras do próprio paciente. Lacan evidenciou ainda mais a descoberta de Freud: de que há um descentramento no humano. Na psicanálise o sujeito é quem dá o significado a partir do seu discurso, e o sujeito não coincide com o eu do paciente, o sujeito é sujeito do inconsciente. A clínica psicanalítica cria condições para escutarmos o discurso do inconsciente, que acontece enquanto o paciente fala. Fala e discurso não são sinônimos para a Psicanálise. 

O significado que um paciente dá para o seu mal estar é singular, e paradoxalmente, muda ao longo da análise: a representação, ou seja, o significado atribuído a uma determinada experiência, muda à medida que o paciente conta o acontecido.

A clínica psicanalítica cuida do significado particular que existe num diagnóstico universal: cada um sente, pensa, e representa de um modo muito singular pois cada pessoa tem uma história e uma filiação, e a vive de um modo único. Muitas vezes observamos irmãos que são filhos do mesmo pai e mãe, e que se relacionam com os pais de maneira completamente diferente, pois cada um nasceu num contexto diferente, e subjetiva a própria história singularmente. A Psicanálise é a clínica da subjetividade.

Referências Bibliográficas:

FOUCAULT, Michel (1963). O Nascimento da Clínica.

FREUD, S. (1900), A Interpretação dos Sonhos.

FREUD, S. (1901), Psicopatologia da Vida Cotidiana.

LACAN, J. (1960), Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano, in Escritos. 







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O compromisso ético da profissão é um direito do paciente: sigilo, apoio emocional, e respeito à individualidade.

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