Conhecimento Explícito da Língua

Autor(es): COSTA, João, CABRAL, Assunção Caldeira, SANTIAGO, Ana,  VIEGAS, Filomena

Título: Brochura PNEP, Conhecimento explícito da Língua

Edição: Ministério da Educação. Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, 1ª Edição, Setembro, 2010.

O conhecimento explícito assume-se como sendo uma componente da língua portuguesa. Esta dimensão, refere-se a um conjunto de regras que regulam mobilizados na utilização correcta do português, de modo a produzir enunciados correctos. Esta insere:

·         Conhecimento fonológico

                - recuperar e estabelecer relações entre os sons;

·         Conhecimento sintáctico

- identificação de relações entre palavras que compõe a frase;

 

·         Conhecimento lexical

- significado atribuído a cada palavra;

 

·         Conhecimento semântico

- combinação de palavras numa frase;

 

·         Conhecimento pragmático e discursivo

- função do que é dito;

 

Os falantes de determinada língua, concretamente da Língua Portuguesa, têm um conhecimento implícito e inconsciente sobre as regras gramaticais presentes na sua língua materna.

Cabe aos professores, como promotores directos de saberes, partir desse conhecimento implícito e torná-lo explícito, tal como é previsto no Novo Programa de Português.

Este descreve um conjunto de novas medidas, relativamente à acção do professor dentro da sala de aula:

- Investir em descrições da gramática do Português mais adequadas, no sentido da promoção da explicitação do conhecimento implícito;

- Tomar consciência do grau de desenvolvimento linguístico dos alunos. Ou seja, é fundamental que o professor faça um diagnóstico sobre o conhecimento e dificuldades que os alunos possuem;

- Tomar consciência dos aspectos da língua que não decorrem de uma aquisição espontânea.  Deste modo, perante o ensino de regras gramaticais não é possível recorrer a um conhecimento inexistente.

- Investir num ensino da língua que capitaliza as regularidades;

                As excepções requerem memorização e treino. No entanto, estas, não podem ser sobrevalorizadas em detrimento das regularidades existentes na língua, uma vez que estas representam a maioria da sua composição. É, fundamental, investir nesta tomada de consciência, indispensável na resolução de problemas.

- Orientar o estudo da gramática em dimensões além da mera correcção de erros.

                Se o ensino da gramática revela-se, numa das suas componentes, como uma forma de tornar explícito o implícito, então não faz sentido reduzi-la a uma simples ferramenta de detecção de erros, ainda que tal tenha de ser levado em conta.

Com as novas medidas implementas no Novo Programa de Português, o conhecimento explícito da língua surge como um dimensão de importância equivalente a outras já existentes, como a Leitura, a Escrita e a Oralidade.

O objectivo principal, é o de romper com as metodologias tradicionais e investir nesta competência, no sentido de tornar praticar o “saber em uso”, investindo no treino e reinvestimento do conhecimento previamente adquirido pelas crianças.

Neste sentido, parece indispensável, criar momentos em que se explicite o conhecimento gramatical e momentos em que se faça uma consolidação desse conhecimento em situações de uso.

Cabe ao docente, sempre que relevante, procurar estratégias que mobilizem o conhecimento gramatical da Língua, tal como se sucede com outras áreas, exemplificando e comparando com a aprendizagem do Conhecimento Explícito.

Persistir no modelo de ensino preconizado na década de 70, não faz sentido, face ao que se sabe hoje sobre as necessidades no âmbito da Língua Portuguesa.

A gramática apresenta, actualmente, um papel transversal a todas as áreas curriculares, tal como já se sucedia com outras competências, anteriormente referidas, a escrita, A leitura e a Oralidade, ainda que não dispense a necessidade de reservar momentos de trabalho específicos.

Deste modo, o Conhecimento Explícito, tal como vem previsto no Novo Programa de Português, apresenta-se como uma competência nuclear, contrariamente ao que era previsto no antigo programa relativamente à dimensão “Funcionamento da Língua”.

Esta mudança programática, pressupõe uma mudança de metodologias, de modo a fugir ao que era preconizado anteriormente, evitando, assim, uma “falsa implementação do programa”.

As diferenças entre a dimensão “Funcionamento da Língua”, contemplado no programa de português anterior, e a dimensão “Conhecimento Explícito da Língua”, do actual programa de português, são diversas e importa reforçar algumas das alterações implementadas:

- Consciencialização do conhecimento implícito e inconsciente do aluno;

- Trabalhar no sentido da detecção de regularidades e usos, de forma sistematizada;

- Organização de conteúdos em função das etapas de desenvolvimento linguístico;

- Conhecimento explícito, como competência nuclear.

 

O estudo do conhecimento explícito pode ser uma mais valia no desenvolvimento das competências de leitura e escrita.

Segundo Duarte (2008), o conhecimento explícito é sustentado por três eixos principaus:

  1. Objectivos instrumentais;
  2. Objectivos atitudinais;
  3. Objectivos gerais e específicos;

 

  1. Objectivos instrumentais;

 

Ao nível da escrita, leitura e oralidade.

De modo a que se superem determinadas dificuldades identificadas no âmbito do ensino da Escrita, Leitura e Oralidade, é essencial que se desenvolvam um conjunto de actividades tendo em consideração as seguintes etapas:

 - Tomadas de consciência e de sistematização de propriedades linguísticas;

- Mobilização de conhecimentos gramaticais em uso;

 

Princípios dos objectivos instrumentais

- privilegiar-se conteúdos em contexto de uso;

- Mobilização de conteúdos requer trabalho prévio;

- Planificar sequências de aprendizagens de conducentes a reinvestimento do conhecimento gramatical em uso;

 

  1. Objectivos atitudinais

 

Ao nível da variação linguística e controlo de registos de língua.

É essencial desenvolver um trabalho conjuntamente com o conhecimento explícito. Cabe ao professor desenvolver a aprendizagem da língua como objecto de estudo ao serviço do utilizador.

 

Princípios dos objectivos atitudinais

- Não adoptar uma atitude imperativa;

- Promoção do desenvolvimento da tolerância linguística, face à observação e constatação da variedade linguística que cada língua tem relativamente à gramáticas.

- Preconizar o desenvolvimento da autoconfiança linguística, o respeito pela diversidade linguística e a aceitação de diferentes registos.

 

É fundamental que os alunos conheçam os aspectos sobre a língua que falam. Para isso tem de se partir de uma descrição correcta adequada e real sobre essa mesma língua. Neste sentido, os professores devem adoptar metodologias que permitam a observação e experimentação dos dados em detrimento das abordagens centrada na memorização.

 

Princípios dos objectivos cognitivos gerais e específicos

“- O conhecimento gramatical é um objecto de estudo constituindo um objectivo em si mesmo;

- Um conhecimento gramatical, o sólido, deve ser apoiado em descrições rigorosas, suportadas por evidências empíricas – não impressionistas, descrições rigorosas ou infundadas, potenciando a observação de dados e formulação de hipóteses;

-  A estruturação de actividades, para o desenvolvimento de conhecimento gramaticais, deve basear-se na formulação de questões precisas que motivem os alunos para o aprofundamento do seu conhecimento e não meros exercícios taxonómicos;”

 

PRINCIPAIS METODOLOGIAS DE ENSINO DO CONHECIMENTO EXPLÍCITO

- Planificação (escolha e preparação de dados)- O papel do docente é fundamental:

- Observação e descrição de dados (conclusões, formulações de hipóteses, etc);

- Treino, em detrimento da memorização;

- Avaliação (aferição de conhecimentos adquiridos);

 

 

 

 

 

               

 

Ċ
Rita Morais Sarmento Matos,
19/06/2011, 16:23
Comments