Cordel: leitura e escrita

Eliana Costa da Cruz de Negreiros (T-49/Módulo Impresso/Ciclo Básico)


JUSTIFICATIVA: 

O Cordel, forma tradicional de nossa literatura popular, é escrito para ser lido e cantado. Feito em versos, com vocabulário acessível e estrutura rítmica cativante, a história corre como uma canção bonita. Sem nos darmos conta, a aventura já terminou. Essa forma de expressão popular apresenta uma riqueza cultural que pode ser explorada pelas unidades escolares, a partir da divulgação da produção cultural do povo e da região em que a escola está inserida.

O gênero “ Literatura de Cordel” expressa em seus versos  traços marcantes da diversidade cultural presente na sociedade brasileira: cada região tende a proclamar seu modo de viver , seus costumes, sua crenças em produções características de sua região. A primeira e mais importante constatação a respeito desta poesia, é que ela é uma expressão cultural do povo. Utiliza-se de sua linguagem, sua visão de mundo, seus problemas, suas lendas e seu cotidiano. A falta de sensibilização e de reflexão sobre a diversidade cultural e estética da cultura regional favorece o distanciamento do aluno de suas raízes histórico-geográficas, propiciando um processo de alienação cultural. Entendemos que, nos meios escolares, a Literatura de Cordel deve ser valorizada, representando essas características que compõem a identidade de cada região e a espontaneidade da Arte Popular.

A Literatura de Cordel sugere a integração entre a arte e o professor, a escola, o aluno e a cultura popular de diferentes épocas até a contemporaneidade, possibilitando também o contato da linguagem popular com os acontecimentos reais de uma região. Este contato com elementos mais próximos da realidade do aluno e dos professores pode contribuir para o desenvolvimento da leitura e da escrita, pois o vocabulário usado na Literatura de Cordel é ou pode ser mais semelhante à linguagem cotidiana do aluno, tornando a compreensão de textos mais fácil.

PUBLICO ALVO:        

Alunos do Ensino Médio das escolas públicas da rede estadual de ensino de São Paulo.

Considerando que a base nacional comum dos currículos de Ensino Médio passou, de acordo com a legislação vigente, a ser organizada em áreas de conhecimento, sendo atribuída à proposta pedagógica de cada instituição de ensino a necessidade de definir o currículo escolar de acordo com as características de sua clientela, entendemos que o projeto “Cordel: leitura e escrita” utiliza como recursos a interdisciplinaridade e a contextualização, os quais permitirão a reorganização da experiência docente e a definição coletiva do que e de como ensinar os alunos.

 

Dessa forma, o projeto visa desenvolver junto ao alunado capacidades de leitura e escrita, por meio do trabalho com um tema gerador que articulará os saberes relacionados às áreas de LCT ( Português e Artes)  e CHT ( Geografia e História).

 Contextualizando: 

                        

                          A literatura de Cordel é um tipo de poesia popular, a princípio oral, e depois impressa em folhetos expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. São escritos em formas rimadas e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os cordelistas recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.

                         Se realizarmos uma viagem ao tempo encontraremos nas suas linhas  registros do cordel  com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento, o nome como já dito está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. São os Portugueses que trazem o cordel para o Brasil, na segunda metade do século XIX. Hoje muitos folhetos ficam expostos horizontalmente em  balcões ou tabuleiros. Esse tipo de literatura popular existe também na Sicília (Itália), na Espanha, no México e em Portugal. Na Espanha é chamada de pliego de cordel ou pliegos sueltos (folhas soltas).

                  Os temas incluem fatos  do cotidiano, episódios, históricos, lendas e temas religiosos. É também muito comum os autores criarem seus versos improvisadamente diante de um acontecimento ou pessoa que queiram homenagear.

                   No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba e do Ceará. Costuma ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Os poetas Leandro Gomes de Barros e João Martins de Athayde estão entre os principais autores.

                  Pelo fato de ser literatura distribuída nas ruas, feiras e botequins e pelo tipo de linguagem em que circula; bastante simples, com os traços da fala coloquial, e próxima de falar do povo do sertão, a literatura de cordel foi,  muito pouco apreciada. Porém apresenta vários aspectos interessantes:

 

  • As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
  • Pelo fato de funcionarem como divulgadoras da arte do  cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste gênero ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a manutenção do folclore nacional;
  • Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;
  • A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel estandarte de obras de teor didático e educativo.

 

                         Aprofundando um pouco mais a concepção de Literatura de Cordel nos remete aos conceitos

de      leitura e escrita, o que nos leva a investigar sua importância para construção   da cidadania, pois, segundo BRASIL (1998)

 

“o domínio da língua oral e escrita é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento”. (página)

                    

 

            Para LAJOLO (2002,7), “ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive”. Assim, aprender a ler livros, se aprende na escola, mas outras leituras se aprendem fora dela, na “escola da vida”. Muitas leituras independem da aprendizagem formal e se concluem na interação cotidiana com o mundo. Dessa forma,

 

“lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem deve) encerrar-se nela”. (LAJOLO, 2002, 7)

 

 

De acordo com KLEIMAN (2001), a leitura, enquanto atividade que caracteriza e distingue os seres humanos, é uma das maiores experiências na vida escolar e de toda pessoa, pois ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios participar da vida social e interagir com o mundo. É a interação do autor / leitor, um processo de múltiplas facetas, com a finalidade de compreender a matéria escrita, avaliá-la e utilizá-la conforme suas necessidades, enfim uma prática social.

 Para Freire (1988) é necessário que o indivíduo leia seu próprio mundo para depois decifrar as palavras, pois as mensagens que lê só têm significado quando se relacionam com o mundo a sua volta:

 

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra (...) A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as palavras”, as “letras” daquele contexto (...) se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais. (...) A decifração da palavra fluía naturalmente da “leitura” do mundo particular. (...) Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus pais. “O chão foi meu quadro-negro; gravetos, o meu giz”. (FREIRE, 1988 , 11)

 

 

 

                     Aprender a ler e escrever num país como o Brasil significa lidar com os diferentes falares regionais, presentes numa dada sociedade, num dado momento histórico. Percebem-se muitos preconceitos decorrentes do valor social que é atribuído aos diferentes modos de falar, pois “é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas”. (BRASIL, 1998, 31); assim, a Literatura de Cordel propõe como objetivo conhecer, recriar e expressar-se artisticamente respeitando as mais variadas culturas.

                     A Literatura de Cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão) nas feiras, mercados, praças bancas de jornal, principalmente das cidades do interior ou subúrbios das grandes cidades. Segundo LUYTEN (2005), a chamada literatura de cordel, no Brasil, não morreu; e continua longe de desaparecer. Esse gênero de poesia popular impressa, que ocorre especialmente no nordeste, passou a ser valorizado por brasileiros depois de um artigo de Orígenes Lessa na revista Anhembi, publicado em dezembro de 1955, e talvez principalmente depois de outro artigo, do estudioso francês Raymond Cantel, publicado no Le Monde de 21 de junho de 1969. No Brasil divulgou-se no Nordeste, onde famosos cantadores fizeram dela uma arte popular, formando-se toda uma cultura e tradição em seus trabalhos poesias-narrativas-cantadas e popular.A partir de inícios da década de 70, o assunto virou coqueluche para estudiosos brasileiros, formando-se considerável bibliografia em que se incluem teses e mais teses. Vinte anos depois, podemos observar que — a despeito de estar implícito no dinamismo sócio-cultural o possível desaparecimento de traços folclóricos — o cordel continua vivo. Até virou souvenir para paulistas, cariocas, mineiros, gaúchos em passeio por feiras nordestinas ou em centros de turismo como o Pátio de São Pedro (Recife), a Emcetur (Fortaleza), o Mercado Modelo (Salvador) e outros locais.

Dessa forma, a Literatura de Cordel significa mais do que simplesmente trabalhar a Língua Portuguesa, significa conhecer a arte de outras culturas, pois segundo Brasil (1998,19)

“a educação em arte proporciona o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas” .

Além disso, a Literatura de Cordel nos remete a xilogravura de cordel, que faz as estampas e as ilustrações dos folhetos do Cordel, sendo a impressão de gravura vazada, utilizando-se placas de madeira (molde), papel e tinta. Segundo LUYTEN (2005),

 

“Antigamente, isso era feito com simples recursos tipográficos, como vinhetas e outros pequenos enfeites. Depois se passou a usar clichês com base em um desenho ou tirados de cartões-postais. (...) Tudo começou com agora famoso Mestre Noza, em Juazeiro do Norte. Ele sempre foi santeiro conhecido (entalhador de estátuas) e, e resolveu cortar uma tabuinha para servir de capa a um folheto. A coisa deu certo e a aceitação foi imediata.”

OBJETIVOS GERAIS :

Trabalhando com a Área de LCT, pretende-se que o aluno desenvolva as competências gerais dessa área de conhecimento, de acordo com o expresso nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

·         Representação e comunicação em múltiplas línguas/linguagens ( capacidades de uso em compreensão e produção, para a produção de efeitos de sentido), utilizando os mais variados recursos de mídia.

·         Investigação e compreensão (capacidades de análise e investigação das propriedades de diferentes línguas/linguagens e gêneros de textos em uso);

·         Contextualização sociocultural (capacidades de investigação e estabelecimento de relações entre as situações de uso das línguas/linguagens e as diferentes realidades socioculturais).

O trabalho com a Literatura de Cordel propiciaria ainda, em termos gerais, as seguintes competências:

·         Conhecer, recriar e expressar-se artisticamente por meio da Literatura de Cordel da região ou da cultura regional do aluno, a fim de se obter um melhor desempenho na produção e compreensão dos textos que circulam na escola.

·          Aprender a ler e escrever num país como o Brasil, lidando com os diferentes falares regionais, presentes numa dada sociedade, num dado momento histórico.

·         Perceber os muitos preconceitos decorrentes do valor social que é atribuído aos diferentes modos de falar.

·         Permitir o (re)conhecimento e a valorização de variedades lingüísticas menos prestigiadas socialmente e, conseqüentemente, o respeito e a valorização de outras formas culturais que não aquelas socialmente reconhecidas e valorizadas.

“É muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas”. (PCN,1998,31)

  

OBJETIVOS ESPECÍFICOS :

·         Identificar os elementos da Cultura popular e da tradição,  relacionada à construção de memória coletiva, na Literatura de Cordel;

·         Reconhecer  a Literatura de Cordel como  narrativa em verso com padrões formais fixos e temáticas variadas;

·         Compreender a função social da Literatura de Cordel que,  independente da temática escolhida, atua como um veículo de propagação de valores culturais tradicionais pertinentes ao povo de uma região.

·         Reconhecer o caráter híbrido do gênero, situado na interface entre a produção oral e a escrita, e suas marcas presentes na literatura oral e escrita.

·         Interagir com os materiais, instrumentos e procedimentos relacionados à produção da Literatura de Cordel: Folhetos e Xilogravura;

·         Produzir textos orais e escritos a partir da compreensão da Literatura de Cordel, presente no gênero “Cordel”

·         Compreender os resultados do trabalho dos cordelistas fazendo relação com sua própria experiência de aprendiz e com sua experiência de vida enquanto cidadão de uma região.

·         Produzir programação a ser apresentada na rádio escola, com o objetivo de socializar os conhecimentos.

CONTEÚDOS A SEREM TRABALHADOS:

 

·         Origens da Literatura de Cordel no Mundo e no Brasil, principalmente no Nordeste Brasileiro.

·         O papel da literatura de cordel na formação da cultura regional do povo nordestino

·         Principais Cordelistas brasileiros

·         O bairro onde está inserida a escola, sua origem - pesquisa

·         A linguagem do cordel : versos, estrofes, metro...

·         O que é xilogravura? Sua origem e inter-relação com a linguagem oral

·          

METODOLOGIA DE TRABALHO:

 

A metodologia de trabalho envolveria o desenvolvimento de Seqüências Didáticas que propiciariam o uso das novas tecnologias (dos laboratórios de informática presentes nas escolas publicas), a fim de propiciar aos alunos de Ensino Médio a possibilidade de pesquisarem, nos meios de circulação virtuais, informações acerca da Literatura de Cordel.

 Enfatizando o protagonismo juvenil, pretendemos que as atividades planejadas contemplem a produção de conhecimentos a partir de informações coletadas, culminando na produção de xilogravuras relacionadas ao gênero estudado.

Nesse sentido, os alunos fariam uso dos recursos de informática para a  digitação e impressão dos textos elaborados e para o planejamento das imagens presentes nas xilogravuras.

 

DISCIPLINAS ENVOLVIDAS: 
1-    Português

Em Bakhtin (2004) encontramos a concepção de linguagem que acreditamos ser o princípio e as possibilidades no trabalho educacional.

O sujeito como tal não pode ser percebido nem estudado como coisa, posto que sendo sujeito não pode, se quiser continuar sê-lo, permanecer sem voz; portanto, seu conhecimento, só pode ter um caráter dialógico.(...). Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ela se apóia sobre mim numa extremidade, na outra apóia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor. (BAKHTIN, 2004:113)

 

“Sendo sujeito não pode, se quiser continuar sê-lo, permanecer sem voz”. É essa voz que constitui o sujeito, são nas palavras que me defino em relação ao outro. E é essa vivência com a linguagem, de voz e de constituição em relação a si e ao outro, que queremos propor aos alunos através desse trabalho. “Durante todo o processo o aluno estará assumindo-se leitor e autor de gênero poético relacionado ao tema Cordel”, fazendo seus versos ritmados.

                      

A- O Cordel – Sua Origem e tipo de Literatura

 O Cordel trata da Literatura Popular, da Cultura de um povo e é escrito para ser lido ritmado ou cantado, feito em versos cativantes, onde a história corre como uma canção. Traz consigo a expressão cultural do povo, sua visão do mundo, seus problemas, enfim seu cotidiano. Auxilia a Leitura e Escrita dos alunos, pois sua redação chega próxima ao  nosso dia a dia.

O cordel é  gênero poético dotado de  forma composicional própria:  os mais antigos eram feito sem quadra, ou seja, “versos de quatro pés, com sete sílabas em cada um” na linha de verso.

 

Exemplo do folheto de “Rabicho da Geralda”, na versão de Rodrigues de Carvalho*1

 

“Sou o boi, lixo, rabicho.
Boi de fama, conhecido

Minha Senhora Geralda

Já me tinha por perdido”

 

 

 

Com o passar dos anos esta forma foi substituída pela sextilha setissílabica, a forma mais utilizada até hoje e que consiste em seis linhas com versos de sete sílabas com esquema de rimas ABCBDB, estando as rimas localizadas no final dos versos pares (segundo, quarto e sexto).

 

Exemplo do folheto Gabriela do poeta popular Manoel D´ Almeida Filho*2

 

“ Temos  a obrigação

Com os queridos leitores

Trazer-lhes versificados

Romances superiores

Mostrando livros famosos

Dos ilustres escritores

 

 

Há também folhetos como, por exemplo, Iracema, A Virgem dos lábios de Mel de João Martins Athaide*3 que se apresentam  na forma de septilha com a rima ABCBDDB:

 

“ De repente viu Martim

Sair de dentro do mato

Uma índia muito bela

Mas sem roupa e sem recato

Trazia o arco de guerra

E seu pé tocava a terra

Tão leve como um gato

 

 

Outra forma rara, mas que ainda continua sendo empregada é a décima, que é a estrofe de dez versos com o esquema de rima ABBAACCDDC, esta aparece no romance de Carlos Magno com Malaco Rei de Fez* 4

 

“Leitores com confiança

E atenção que não falha

Leiam mais esta batalha

Dos 12 Pares de França

Que para isto não casa

A minha dedicação

Quero mostrar-vos então

Como foi prisioneiro

O distinto cavaleiro

Reinaldos de Montalvão

 

 

Já nos temas abordados  pelo folheto há vários tipos de materiais que servem como modelo para a adaptação, como temas de filmes, peças de teatro, notícias de jornal, causos, telenovelas, romances populares e eruditos, apenas o poeta popular necessita ter cuidado para fazer suas alterações para que não desrespeite o principio da oração, e o tema, sendo que pode retirar ou acrescentar novos personagens.

O narrador presente no folheto. Geralmente,  é onisciente. Ele não opina em nenhum momento ou faz digressões a respeito de determinado acontecimento.

Os acontecimentos são apresentados de forma cronológica ao leitor, de modo a facilitar sua compreensão.

 

B-  Principais Cordelistas e suas obras:

 Leandro Gomes de Barros, Gilmar S Ferreira, Patativa de Assaré, Roxinol do Rinaré, Willian Brito, Francisco Siqueira, Varneci Santos Nacimento.

 

C- Leitura  de textos de cordel e estudo do papel desse  gênero no contexto da história de nosso país ( cultura regional);

 

C-1 A importância do Cordel para a Leitura e Escrita

C-2 Como ele ajuda os alunos a Ler e Escrever melhor

C-3 Como é formado o cordel: suas rimas e seu tema.

D - Verificação das formas de expressão que compõem a cultura regional do entorno (pesquisa para colher informações sobre a realidade em que os alunos vivem e onde a escola está inserida);

E - Produção de Versos de Cordel a partir da pesquisa feita

 

2-    História

 

Trabalhar o período histórico em que surgiu o Cordel,  por meio  de narrativas resgatando a memória oral e coletiva dos personagens anônimos e personalidades históricas que ajudaram a construí-lo.

A- A professora apresenta aos alunos um pouco da história do Cordel, como ele surgiu, onde e desde quando ele existe, principalmente sua origem no Brasil

Objetivo: Conhecer um pouco mais do cordel para entende-lo melhor

 

B - Exploraria a origem do bairro onde a escola está inserida e a origem dos habitantes que ali residem, inclusive dos alunos que freqüentam a escola

Objetivo:  Saber um pouco  mais da formação do bairro onde vivem,

 

C- Elaboração das perguntas da pesquisa

Objetivo: Saber formular perguntas que levem os alunos ao conhecimento do bairro

 

D-  Entrevistas com as pessoas mais tradicionais do bairro e com as pessoas mais destacadas do local como comerciantes, dentistas, médicos, farmacêuticos, para conhecer um pouco mais da tradição do local

Objetivo :Levantar os conhecimentos sobre a formação do bairro e das pessoas que nele viveram e ainda vivem.

3- Artes

A Literatura de Cordel nos remete a xilogravura de cordel, que faz as estampas e as ilustrações dos folhetos do Cordel, sendo a impressão de gravura vazada, utilizando-se placas de madeira (molde), papel e tinta. Segundo Luyten (2005),

“Antigamente, isso era feito com simples recursos tipográficos, como vinhetas e outros pequenos enfeites. Depois passou-se a usar clichês com base em um desenho ou tirados de cartões-postais. (...) Tudo começou com agora famoso Mestre Noza, em Juazeiro do Norte. Ele sempre foi santeiro conhecido (entalhador de estátuas) e, e resolveu cortar uma tabuinha para servir de capa a um folheto. A coisa deu certo e a aceitação foi imediata.”

Assim, foi criada uma nova e forte arte popular e frente a isso, acreditamos que a arte popular deve ser valorizada e conhecida por todos, formando a cultura popular, que se constitui no saber da comunidade, “que todos sabem”. A importância de se trabalhar a arte na educação vai além do conhecimento artístico como experiência estética direta da obra de arte, o universo da arte contém também um outro tipo de conhecimento, gerado pela necessidade de investigar o campo artístico como atividade humana, um conhecimento que se identifica como produto das culturas e como parte da História.

A-O que é xilogravura? Sua origem.

B- Para que ela foi usada pelos cordelistas?

C- Como ela é feita? E como poderia ser feita em suas aulas?

 

PLANEJAMENTO DA SEQÜÊNCIA DE ATIVIDADES

 

 

A-  Contextualização sociocultural. Capacidades de estabelecimento de relações entre o uso da linguagem poética

·         Levantamento de conhecimentos prévios dos alunos sobre o que é Literatura de Cordel através de perguntas dirigidas a classe.

·         Ativar o conhecimento prévio : o que eles sabem sobre Literatura de Cordel? Apresentar  alguns  Folhetos de Cordel.

 

B- História e Circulação

 

  • Apresentação e contextualização da História do Cordel e “O que é Cordel”

História

Dois ilustres folcloristas brasileiros, Luis da Câmara Cascudo e Manuel Diéges Júnior, trouxeram contribuição ao problema da origem da nossa literatura de cordel. Cascudo em vários ensaios e livros, sobretudo no seu "Vaqueiros e Cantadores" e "Cinco Livros do Povo", e Manuel Diéges Júnior especialmente no ensaio "Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel". Eles nos mostraram a vinculação dos folhetos de feira, a partir do século XVII, com as "folhas volantes" ou "folhas soltas", em Portugal, cuja venda era privilégio de cegos, conforme informava Téofilo Braga.

Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamado de "pliegos suletos", denominação que passou também à América Latina, ao lado de "hojas" e "corridos". Tal denominação, como se sabe, é corrente na Argentina, México e Nicarágua, Peru. Segundo a folclorista argentina Olga Fenandéz Lautor de Botas, citada por Diéges Júnior, estas "hojas" ou "pliegos sueltos", divulgados atravésde "corridos', envolvem narrativas tradicionais e fatos circunstanciais - exatamente como a literatura de cordel brasileira.

            Na França, o mesmo fenômeno correspondia à "littèratue de colportage" - literatura volante, mais dirigida ao meio rural, através do "occasionnels", enquanto nas cidades prevalecia o "canard". Na Inglaterra - é informação de Jean Pierre Seguin, através de Roberto Benjamin -, folhetos semelhantes aos nossos eram correntes e denominados "cocks" ou "catchpennies", em relação aos romances e estórias imaginárias; e "broadsiddes", relativamente às folhas volantes sobre fatos históricos, que equivaliam aos nossos folhetos de motivações circunstanciais. Os chamados folhetos de época ou "acontecidos".

Num ensaio intitulado "Origens da Literatura de Cordel", nós alongamos as notícias dessas origens do folheto de cordel não só no século XVII, na Holanda, como aos séculos XV e XVI na Alemanha. Foi através do ensaio da pesquisadora Marion Ehrhardt, intitulado "Notícias Alemãs do Século XVI sobre Portugal", publicado na revista "Humboldt" (nº 14, Hamburgo, 1966), que chegamos a essa evidência.

Examinando folhetos sobre assuntos portugueses do século XVI, que resistiram ao tempo, - através de enfoque exclusivamente histórico - Marion Ehrhardt nos fornece informações suficiente para cortejo entre velhos folhetos germânicos e a literatura de cordel.

 Na Alemanha, os folhetos tinham formato tipográfico em quarto e oitavo de quatro e a dezesseis folhas. Editados em tipografias avulsas, destinavam-se ao grande público, sendo vendidos em mercados, feiras, tabernas, diante de igrejas e universidades. Suas capas (exatamente como ainda hoje, no Nordeste brasileiro), traziam xilogravuras, fixando aspectos do tema tratado. Embora a maioria dos folhetos germânicos fosse em prosa, outros apareciam em versos, inclusive indicação, no frontispício, para ser cantado com melodia conhecida na época.

            Já a respeito dos panfletos holandeses, tivemos as primeiras notícias através do prof. José Antônio Gonçalves de Mello, nossa maior autoridade em história do domínio holandês no Nordeste brasileiro. Ele examinou panfletos ("pamflet", em holandês) do século XVII, concluindo sobre o seu contudo: "Os temas tratados, pelo menos em relação ao Brasil, que são os que unicamente conheço, são políticos, econômicos, militares, quando não são terrivelmente pessoais. Um relativo à Guiana então holandesa, relata um crime, no qualestão envolvidos personagens que vieram em Pernambuco. Há-os em versos, mais a maioria em prosa, sendo freqüente a forma de diálogos ou em conversas entre várias pessoas. Uns só de uma folha; a maioria contém entre 10 a 20 páginas, em tipo gótico". Tudo isso mostra à evidência que, embora tenhamos recebido a nossa literatura de cordel via Portugal e Espanha, as fontes mais remotas dessa manifestação estão bem mais recuadas no tempo e no espaço. Elas estão na Alemanha, nos séculos XV e XVI, como estiveram na Holanda, Espanha, França e Inglaterra do século XVII em diante.

 No Brasil - não mais se discute -, a literatura de cordel nos chegou através dos colonizadores lusos, em "folhas soltas" ou mesmo em manuscritos. Só muito mais tarde, com o aparecimento das pequenas tipografias - fins do século passado -, a literatura de cordel surgiu e se fixou no Nordeste como uma das peculiaridades da cultura regional.

            No nordeste do pais, embora o tema (nomes e datas fundamentais em torno dos poetas populares do Nordeste) já tenha sido rasteado por numerosos autores, vamos resumir o que Átila de Almeida condensou, a propósito, em recente ensaio intitulado "Réquiem para a Literatura Popular em Verso, Também dita de Cordel", in "Correio das Artes" João Pessoa, 01.08.1982. 1830 é considerado historicamente, o ponto de partida da poesia popular nordestina. Em torno dessa data nasceram Uglino de Sabugi - o primeiro cantador que se conhece - e seu irmão Nicandro, ambos filhos de Agostinho Nunes da Costa, o pai da poesia popular.

            Nascidos na Serra do Teixeira (PB), entre 1840 e 1850, foram seus contemporâneos os poetas Germano da Lagoa, Romano de Mãe D´Água e Silvino Piruá. E já contemporâneo destes, Manoel Caetano e Manoel Cabeleira. São os mais antigos cantadores conhecidos, todos chegando à década que se iniciou em 1890.

            A década que começou em 1860 viu nascer grandes nomes, como João Benedito, José Duda e Leandro Gomes de Barros. Mais adiante, na década de 1880, nasceram Firmino Teixeira do Amaral, João Martins de Ataíde, Francisco das Chagas Batista e Antônio Batista Guedes. Depois dessa época até 1920 - afirma o escritor paraibano -, "a poesia escrita e oral se tornaram coqueluche e os poetas se multiplicam como moscas, principalmente nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará". Só nesse período foram registrados 2.500 poetas populares! O movimento editorial do cordel, como se sabe, inicia-se com Leandro Gomes de Barros, Chagas Batista e Piaruá. Embora acredite-se que Leandro e Pirauá começaram a publicar folhetos antes de 1900, não existem provas materiais desse fato. Em 1902, Chagas Batista publicou um folheto, em Campina Grande, que existe ainda hoje na Casa "Rui Barbosa", no Rio de Janeiro. Há um outro de Leandro, publicado no Recife, em 1904.

A partir dessas datas, Leandro e Pirauá dominam o mercado de folhetos de cordel. Depois de 1910, surgem outros nomes de autores de folhetos, como Antônio da Cruz, Joaquim Sem Fim, Cordeiro Manso, Manuel Vieira do Paraíso, Antônio Guedes, Joaquim Silveira, João Melchíades, João Martins de Athayde. Na década de 20, emerge outra leva de poetas de bancada, como Romano Elias da Paz, José Camelo de Melo Rezende, Manoel Tomás de Assis, José Adão Filho, Lindolfo Mesquita, Moisés Matias de Moura, Arinos de Belém, Antônio Apolinário de Souza e Laurindo Gomes Maciel. Nas alturas de 1945, Átila de Almeida vislumbra o que chama de "germe destruidor no comércio de folhetos". Uma fase de decadência em conseqüência de novos fatos determinantes das transformações sociais, como o rádio, o cinema, a aceleração do processo de industrialização do País, a construção de Brasília, a facilidade de novos meios de transporte, estimulando as migrações internas no Brasil. Esses fatores alteram a mentalidade do homem rural nordestino, o grande consumidor da poesia popular escrita oral, ou cordel.

 

C – Produzir materiais caracterizados como “Literatura de Cordel”, a serem socializados junto à comunidade escolar:

 

Após as pesquisas de campo e o aprendizado sobre o que é cordel, ou seja, da compreensão da estrutura que compõe o gênero Literatura de Cordel -   os alunos, a partir de suas pesquisas,  produziriam seus versos cordéis nas aulas de português com as orientações sobre rimas já aprendidas.

Com a ajuda da professora de Artes fariam as capas dos cordéis para compor os folhetos, e, com os recursos da informática, digitariam seus textos sobre cordéis para formar o seu folheto final.

Por fim  toda essa seqüência de atividades culminaria numa apresentação coletiva, na rádio escola, em grande estilo, onde os alunos apresentariam suas produções  cantando seu trabalho para os colegas da classe e seguir a toda a escola.

 

Cronograma das Atividades:

 

Atividades

 

2 aulas

 

4 aulas

Escolha do Tema

 

x

 

Levantamento Bibliográfico utilizando recursos da mídia impressa (internet/jornais/ revistas)

 

x

 

Contato com parceiros/prof. Escola História e Artes

x

 

Explicação sobre a Origem do Cordel-

 

x

 

Conversa com os  alunos e preparação dos trabalhos

x

 

Elaboração da Pesquisa sobre o tema

 

 

x

Elaboração de programação para apresentação na rádio escola./ pesquisa  de campo em rádio e TV.

 

 

x

Elaboração da xilogravura

 

 

x

Digitação dos cordéis

 

 

x

Junção dos dados.para impressão de folheto (utilização de computador e impressora;/ produção de mídia impressa)

 

x

 

Socialização dos trabalhos pelos alunos- classe

 

x

Apresentação dos trabalhos aos colegas - escola

 

x

 

BIBLIOGRAFIA

FREIRE, Paulo, A Importância do Ato de ler em três artigos que se complementam, SP Cortez 1988

HERNANDEZ, F. Transgressão e mudança na educação. Os projetos de trabalho.

KLEIMAN, Ângela. Leitura: ensino e pesquisa. Campinas: Pontes, 2001.

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 2002.

LUYTEN. Joseph M. O que é Literatura de Cordel? São Paulo: Brasiliense, 2005.

LUYTEN. Joseph M. Sistemas de Comunicação Popular. São Paulo: Ática, 1999.

Patativa do Assaré – Aqui tem coisa, Ed. Hedra

 BARROS, Leandro Gomes de – História do Boi misterioso – Ed. Hedra

MARTINS, Neco – Cordel, Ed. Hedra

 SANTA HELENA, Raimundo – Cordel, Ed. Hedra

 

TAVARES, Bráulio – A pedra do meio-dia ou Artur e Isadora – Ed.34

 

 

Sites sugeridos:

Teatro de Cordel

http://www.teatrodecordel.com.br

Jornal da Poesia “Folhetos de Feira” movem a imaginação popular                 

http://www.secrel .com.br/jpoesia/1fneuma.html

IEL - UNICAMP

www.iel.unicamp.br/memoria/MargensdoCanone consultado

Academia Brasileira de Literatura de Cordel

http://www.ablc.com.br/historia/hist_cordelistas.htm




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