Economia Política e do Setor Público





A  Economia  Política  estuda  as  relações  sociais   de  produção,  circulação  e distribuição  de  bens  materiais,  definindo  as  leis  que  regem  tais  relações.  Procura também  analisar  o  caráter  das  l eis  econômicas,  sua  especificidade,  sua   natureza  e  suas relações  mútuas.  Nesse  sentido,  é  uma  ciência  fundamentalmente  teórica,  valendo-se dos dados fornecidos pela economia descritiva e pela história econômica.  Para  atingir  seu  objetivo,  a  economia  política  recorre  a  um  conjun to  de categorias que  formam  seu  instrumental  teórico  e   a  uma  metodologia c apaz  de  conduzir o  investigador  científico   a  um   conhecimento  objetivo  do  processo  produtivo  e  de  suas leis.  Impossibilitada  de  recorrer  à  experimentação,  como  ocorre  nas  ciên cias  exatas,  à economia  política  vale-s e  da  atração,  qu e  se  ba seia  na  observação  comparativa  dos processos  estudados.  A  partir  daí,  procura  estabelecer  as  relações  mais  gerais, eliminando  os  aspectos  secundários  e  o casionais  da  problemática  e conomia.  A  síntese desse  procedimento  metodológico  é  a  formulação  de  teorias  econômicas  que  defin em  a posição de indiví duos e a té mesmo  de grupos sociais  em face dos  fenômenos  e dos fatos econômicos.  Embora  a  questão  dos  problemas  econômicos  tenha  sido  objeto  de  preocupação de  pensadores  da  Antiguidade  clássica  (Aristóteles)  e  da  idade  Média  (Santo  Tomás  de Aquino),  foi  somente  na  era  moderna  que  surgiu  o  estudo  empírico  e  sistemático  dos fenômenos  econômicos  de  um  ponto  de  vista  econômico.  Esse  estudo  assumiu  a denominação  d e  economia  política,  sendo  o  termo  “política”  sinônimo  de  “social”, segundo  a  t radição  aristotélica  de  que  o  homem  é  um  animal  político,  isto  é,  um  animal social.

Os  estudos  de  economia   política  começaram  com  a  escola  mercantilista  cujos principais  representantes  foram  Thomas  Mun,  Josiah  Child  e  Antoine  Mont chrestien. Este  último  foi  qu em  restabeleceu  a  nomenclatura  grega:  economia  política.  Avanço considerável dos  estudos ocorreu com  os fisiocratas  no século  XVIII (Quesnay, Tur got), conhecidos  como  les  economistes,  que,  ao  contrário  dos  mercantilistas,  deslocaram  o foco  de  su a  análise  d a  circulação  par a  a  p rodução,  fundamentalmente  p ara  a  produ ção agrícola.  Com  a  escola   clássica  (William  Petty,  Adam  Smith  e  Davis  Ricardo)  a  economia política d efiniu  claramente contorno  científico inte gral, passando  a centralizar a  abordagem  teórica  na  questão  do  valor,  cuja  ú nica  fonte  o riginal  foi  id entificada  no trabalho, tato agrícola quanto industrial.   A  escola  cl ássica  firmou  os  princípios  da  livre-concorrência,  que  exerceram influencia  decisiva  no  pensamento  econômico  c apitalista.  A  escola  m arxista,  A  escola marxista,  fundada  por  Karl  Marx  e  Friedrich  Engels,  se guindo  a  teor ia  do  valor-trabalho,  chegou  ao  conceito  de  mais-valia,  fonte  do  lucro,  do  juro  e  da  renda  da  terra.Centrando  seu  estudo  na  anatomia  do  modo  de  produção  capitalista,  o  marx ismo desvendou a  lei  principal  desse si stema e  forneceu  a base  doutrinária  para o  pensamento revolucionário socialista.   Com  Marx  e  Engels,  a  e conomia  pol ítica  passou  a  ver  o  capitalismo  com o  um  modo  de  produ ção  histo ricamente  determinado,  sujeito  a  um  processo  de  superação.  A partir  de  1870,  a  concepção  ampla  de  economia  pol ítica  foi  sendo  paulatinamente abandonada,  dando   lug ar  a  uma  visão  mais  restrita  do  pro cesso  produti vo,  que  ficou conhecido como economia.   Essa post ura teórica  foi  iniciada  pela escola neoclássica (Willian Stanley Jevons, Carl Menger,  Léon  Walras  e  Vilfredo  Pareto.  A  abordagem  abstrata  de  conteúdo histórico  e  social  foi  s ubstituída  pelo  enfoque  quantitativo  dos  fatores  econômicos.  A inovação  mais  importante  na  tradição  neo clássica  ocorreu  com  a  obra  de  J .M.  Keynes, que refutou  a  teoria do  equilíbrio  automático  da  economia capitalista,  apresentando  uma nova visão do problema do desemprego, dos juros e da crise econômica.

1.1 ORIGEM DA ECONÔMICA POLÍTICA Economia  política  foi  um  termo  originalmente  int roduzido  por  Antonie  de Montchrétien  em  1615,  e  u tilizado  para  o  estudo  das  r elações  de  produç ão, especialmente  entre  as  três  classes  principais  da  sociedade  capitalista  ou  burguesa: capitalistas,  proletários   e  l atifundiários.  Em  contraposição  com  as  teorias  do mercantilismo,  e,  posteriormente,  d a  fisiocraci a,  nas  qu ais  o  comércio  e  a  terra,  respectivamente,  eram  vistos  como  a  origem  de  toda  a  riqueza,  a  economia  política propôs  (primeiro  com  Adam  Smith)  a  t eoria  do  valor-trabalho,  segundo  a  qual  o trabalho é a fonte real do valor.  No  final  do  século  X IX,  o  termo  economia  política  foi  paulatinamente  trocado pelo  economia,  usado  por  aqueles  que  busc avam  abandonar  a  visão   classista  da sociedade,  repensando-a  pelo  enfoque  mat emático,  axiomático  e  val orizador  dos estudos  econômicos  atuais  e  que  concebiam  o  va lor  originado  n a  utilidade  que  o  b em gerava no indivíduo. Atualmente  o  termo  economia  política  é  utilizado  comumente  para  referir-se  a estudos  interdisciplinares  que  se  apóiam  na  e conomia,  sociologia,  dir eito  e  ciências políticas  para  entender  como  as  instituições  e  os  contornos  políticos  influenciam  a conduta  dos  mercados.  Dentro  da  ciência  política,  o  t ermo  se  refere  principalmente  às teorias  liberais,  m arxistas,  que  estudam  as  relações  entre  a  economia  e  o  poder  político dentro dos  Estados.  Econo mia pol ítica in ternacional é  um  ramo  da  economia  que  estuda como  o  comércio,  as  finanças  internacionais  e  as  polí ticas  estatais  afetam  o  intercâmbio internacional e a política monetária e fiscal.



Após a S egunda Gu erra Mundial, o pensament o econômico capitalista vem
seguindo duas linhas fundamentais: a dos pós-Keynesianos, com ênfase nos
instrumentos de i ntervenção do Estado e voltado para o pl anejamento e o controle do
ciclo econômico, e a cor rente l iberal neoclássica, t ambém chamada de monetária, que
volta sua atenção fundamentalmente para as forças espontâneas do m ercado. No que diz
respeito à economia po lítica marxist a, trava-se em seu interior um amplo debate
(sobretudo no Ocident e), visando a aprofundar certos aspectos teóricos não
desenvolvidos por Marx e também a levar adiante a análise crítica do capitalismo
moderno. Ao mesmo tempo, empreende-se um esforço s emelhante visando à
abordagem, também crítica, d os problemas econômicos do chamado socialism o real e à
tentativa de elaborar a economia política a partir das formações sociais pré-capitalistas.
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