[Faganelo] A NOVA CLASSE MÉDIA – O INÍCIO, O FIM E O MEIO

postado em 14 de abr de 2012 15:37 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado
14 de abril de 2012
A NOVA CLASSE MÉDIA – O INÍCIO, O FIM E O MEIO

Depois de quase 20 anos do advento do Plano Real, sem dúvida nenhuma, o que sustentou o crescimento da economia brasileira foi o que é popularmente chamado de Nova Classe Média brasileira.

Particularmente, venho estudando este tema há mais de 5 anos e tenho a convicção que este público não vai parar de crescer nos 5 próximos anos. E melhor, muitas famílias que fazem parte da classe C, irão subir para a classe B em breve. Mas isso é assunto para outro artigo.

Mas quem faz parte da classe C ?
No Brasil exitem algumas formas de classificar essa parte da nossa sociedade, e temos metodologias feitas pelo IBGE e pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) que avaliam as classes sociais de formas distintas. Para simplificar, podemos considerar esse extrato social pelas famílias que possuem renda familiar que vai de 3 a 10 salários mínimos mensais.

A Classe C, sem dúvida, foi a responsável pelas mudanças mais profundas que passamos nos últimos 15 anos. Para exemplificar melhor, os números falam por si:
Em 2003, quase 38% dos brasileiros eram da classe C. Em 2011 já ultrapassavam os 54% da população segundo estimativas do IBGE. Estamos falando de aproximadamente 102 milhões de brasileiros.

Em 2001, 30% dos brasileiros entre 16 e 60 anos possuiam celular. Hoje são mais de 85%.
Em 1992, 23% das residências brasileiras tinham máquina de lavar roupas. Hoje quase metade das residências possuem esse eletrodoméstico. E se falarmos de Geladeira, em 1992 eram 70% das famílias que possuiam o bem que alguns dizem como a invenção do século 20. Hoje, mais de 95% das casas do país contam com esse eletrodoméstico.

A estabilização dos níveis de preços ao consumidor, aumento da renda do trabalhador, combinado com acesso ao crédito e benefícios fiscais promovidos pelo governo (reduzindo impostos) foram alguns dos fatores que fizeram com que pudessemos ver esse mercado como o mais crescente e promissor no país.

Mas, como uma sociedade que evolui, esse público também evoluiu no seu desejo de comprar.
Crédito fácil e parcelamento em prazos mais longos passaram a ser fatores que o consumidor da classe C avaliasse como comum.

E esse público agora tem outras demandas. E quem vende para esse público deve estar mais atento às novas tendências para poder ter melhores resultados. Vamos falar de alguns deles:

- Custo-Benefício e Qualidade
 A classe C está mais exigente e busca mais qualidade nos produtos que consome. O hábito de avaliar as informaçoes na hora de comprar algo fazem cada vez mais parte dos hábitos desse público.

- Novos Produtos
Em 2002, a classe C adquiria em novos produtos o equivalente a 25% de suas compras. Hoje esse número já passou de 40% do total de produtos consumidos.

- Eduacação: A chave para o sucesso
É senso comum que a Educação é o passaporte para a melhorar de vida. E o ensino passou a ser cada vez mais uma prioridade para essa classe social. Só que o consumidor da classe C aprendeu que não basta mais ter somente o diploma. 70% da classe C acredita que o diploma só vale a pena se o ensino for de qualidade. O reflexo dessa idéia é que pouco mais de 22% das famílias da classe C possuem filhos matriculados na rede privada de ensino. Na classe D, eese índice não passa de 9%.

- Internet mudando o comportamento das famílias
A presença de crianças no ambiente virtual faz com que toda a família esteja engajada no conhecimento de novas tecnologias, principalmente utilizadas pela classe C em websites de redes sociais, pesquisas escolares, leitura de emails e notícias. Para quem aposta no segmento de lojas virtuais, a classe C será em 5 anos o principal mercado consumidor, ultrapassando as classes A e B.
Sempre pergunto aos meus alunos de ensino superior se possuem email e acesso a internet. 100% deles tem pelo menos 1 conta de email, e pelo menos 10% não tem conta bancária ou conta poupança. Ou seja, os jovens estão engajados no mundo virtual, mas não no mundo financeiro. Quer vender mais ? Esteja engajado no ambiente virtual !!!

- Moda e beleza não vão parar de crescer
Para a mulher da classe C, estar bem arrumada é uma forma de diminuir as barreiras étnicas e sociais que dificultam a inclusão social. Para se ter uma idéia de valores que fazem parte de nossa cultura, 7,5% dos brasileiros acreditam que a aparência é um dos fatores mais importantes para conseguir um emprego e 70% das mulheres acreditam que é importante estar em sintonia com a moda. Um reflexo desse comportamento é o crescente número de empresas de venda porta a porta de produtos de cosméticos, um mercado em constante crescimento no Brasil.

- Os gastos com lazer irão aumentar
92% dos jovens da classe C consideram o lazer importante em sua rotina e gastam por volta de 30% de sua renda nesse ítem. Com o aumento da renda proveniente de uma melhor qualificação profissional os gastos com a “balada” tendem a crescer cada vez mais.

- Investimento em imóveis como forma de guardar dinheiro
A classe C diminuiu o volume de suas reservas direcionadas para a aplicação financeira mais popular: a caderneta de poupança. Segundo relatório do Banco Central, houve uma redução de 2%. Esse dado só confirma o comportamento de consumo da classe C motivado em dar conforto para a família e ampliar o acesso a bens e serviços. Para se forçar a poupar, a Nova Classe Média tem comprometido seu orçamento mensal na aquisição de imóveis e hoje já é o público que mais consome casas de veraneio no Brasil.

Apesar das mazelas que ainda vemos em nossa sociedade, não podemos deixar de citar a evolução que vimos no pós Real. Quem já subiu de classe social não quer voltar a classe mais baixa. É esse o desafio que teremos nos anos que virão.

Muito foi feito até agora, mas muito mais precisa ser desenvolvido. Uma queda nas taxas de juros para níveis aceitáveis e o desenvolvimento de uma cultura que beneficia quem poupa é o grande passo que daremos para consolidar o bem estar dos brasileiros - pois o que pagamos aos bancos ainda é inaceitável e um atentado ao bolso do brasileiro.

É preciso educar financeiramente a população. E isso nunca pudemos fazer pois boa parte da população era pobre ou miserável. Agora com um pouco mais de renda esse passo é fundamental.

O que antes era utopia, já pode ser visto como uma possibilidade.
Não é momento de sonhar. Isso já passou. Agora é agir. Dê seus pulos.
MF

Fonte: http://www.mauriciofaganelo.com.br/2012/04/nova-classe-media-o-inicio-o-fim-e-o.html
Comments