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Memorial pessoal e profissional

postado em 6 de mai de 2009 11:14 por Gilves Furtado de Queiroz   [ 6 de mai de 2009 13:17 atualizado‎(s)‎ ]

 

 

 

 

Qual! Não posso interromper o memorial; aqui me tenho outra vez com a pena na mão. Em verdade, dá certo gosto   deitar ao   papel coisas   que   querem  sair da  cabeça, por via  da memória ou da reflexão.

                                                                                           Machado de Assis

 

 

 

Meu nome é Gilves Furtado de Queiroz. Nasci em Iturama – MG, em 1967. Minha família é mineira e eu tenho 8 irmãos. Nós somos 5 mulheres que são, todas, professoras e 1 irmão que é bancário e professor também.

Meus pais eram pecuaristas, então moravam numa fazenda em Minas Gerais. Portanto, tiveram que mandar os filhos para o internato para poderem estudar. Minha mãe sempre ressaltou a importância dos estudos para o ser humano e meu pai sempre cobrou muito o desempenho dos filhos na escola. Era exigência ter notas acima de 7 para continuar estudando; caso contrário voltaria para os trabalhos rurais. Assim, nos formamos nesse ambiente “motivador” e, por conseqüência, todos os 9 filhos têm graduação e alguns, doutorado.

O primeiro contato com a escrita que eu tive foi em um caderninho, usado, que minha mãe desenhou as primeiras letras ... me enchi de alegria ao conseguir juntar as letrinhas e ler os encontros vocálicos. Daí para frente, aprender sempre foi como uma luz que me permitia ver um mundo novo. Eu gostava muito das minhas professoras primeiras. A minha professora da 1ª serie se chamava Maria Leão e morava em frente à escola. Às vezes, após a aula ela me convidava para ir à casa dela para brincar com seu filho.Para mim isso era um privilégio que outros alunos não tinham. Eu me sentia importante. A professora da 2ª e 3ª series era a Odilha. Muito carinhosa e ao mesmo tempo, exigente. Me adorava, e eu retribuía sendo estudiosa e obediente. Quando ela lia Contos de Fadas para nós, eu me transportava para outros lugares desconhecidos, introjetando alguma personagem. Assim, comecei a ler histórias, contos, romances e nunca mais parei. A cada historia lida, eram novas emoções, novos lugares, descobertas e conhecimentos adquiridos.

Quando terminei  a 4ª serie, minha mãe me mudou de escola. Fiz da 5ª a 8ª series na Escola Filinto Muller, onde tive, também, bons professores.  Lembro-me, ainda, dos textos lidos em Língua Inglesa, que a professora Celina lia com tanta emoção que eu me apaixonei pela Língua e estudei a Língua Inglesa no CCI e na faculdade (UFMT).

No meu 2º Grau cursei o Magistério. Duas professoras  marcaram esse período da minha vida escolar: Ângela, professora de Didática e Metodologia do Ensino e professora Eda, de Língua Portuguesa. Nelas me espelhei para ser professora. A segurança, o domínio da disciplina e o carinho e atenção que dedicavam a cada aluno, conhecendo as potencialidades e limites de cada um. Exigindo na medida certa, incentivando a dar o melhor de si em cada atividade, em cada leitura, em cada trabalho. Nessa época devorei livros e incorporei Iracema, Aurélia, Ceci, Helena (s), Capitu, Luzia Homem, Rita Baiana, Lucíola e tantas outras mulheres que sonhavam, sofriam, se apaixonavam, lutavam e ganhavam vida e independência dentro de cada página de um romance.

Minhas irmãs mais velhas, já eram professoras nesta época. Elas compravam livros e coleções pedagógicas que, contra a vontade delas, eu ficava explorando.

Logo após concluir o Magistério, fui convidada a lecionar num colégio de freiras, a escola melhor conceituada da minha cidade, Madre Marta Cerutti. Vi, então, que a prática da sala de aula não era fácil. Eu “copiava” a metodologia de outras colegas mais experientes, trocava idéias sobre as dificuldades e ia incorporando a tradição escolar com seus mitos ritos e concepções.

Saí do Curso de Magistério ingressei na faculdade de Letras.

Nos cursos de formação de professores aprendemos a teoria. A teoria conta com grau de  importância  superior  à  prática,    que  é   ela quem    deve   determinar   os   rumos   que   esta   segunda  deve  obedecer, configurando-se,  assim,  como um receituário prescritivo a ser rigidamente seguido pelo professor no momento de sua ação pedagógica.

A conseqüência deste modelo é a dificuldade do professor para compreender a dinâmica da realidade escolar que a ele se apresenta bastante diferenciada dos modelos  prescritivos (teóricos) que visavam fornecer-lhe uma receita para solução dos possíveis problemas a serem encontrados. Outro ponto é a consideração da atividade docente em seu caráter meramente técnico. Por desconsiderar que a definição de objetivos e as escolhas que se estabelecem em relação aos procedimentos de ensino e aprendizagem é, em sua essência, uma opção marcada por valores e concepções e, portanto, uma opção não apenas didática, mas também política, a perspectiva técnica de formação exclui essa dimensão dos debates e processos formativos.

Por fim, a racionalidade técnica cultivou um profundo fosso entre aqueles que produzem o conhecimento e aqueles  que o  empregam,  destituindo a prática docente de seu caráter investigativo e restringindo-a a aplicação de teorias formuladas por outros.

Fiquei 12 anos lecionando para as series iniciais e fiz um seletivo, em 1998,  para trabalhar no Centro de Formação e atualização dos Profissionais da Educação básica – CEFAPRO de Barra do Garças, onde estou atualmente. Sou professora Formadora de Língua Portuguesa, por conseguinte, por 10 anos. Tenho, desde então, lido as teorias que sustentam minha prática pedagógica e refletido sobre as concepções que permeiam o processo ensino e aprendizagem.

Hoje, acredito que possibilitar uma aprendizagem significativa aos alunos exige a ressignificação do processo de aprender do próprio  professor, provocando a necessidade de uma projeto formativo que oportunize uma trajetória de apropriação de conhecimento e de reflexão sobre sua prática. Novas alternativas vêm sendo vislumbradas numa perspectiva que toma a prática como referência, a lógica da racionalidade prática, alternativa para o enfrentamento do real e das complexidades nele existentes, possibilitando a construção de uma prática pedagógica coerente pela superação da relação “de mão única” entre o conhecimento científico e a prática pedagógica através da pesquisa e  reflexão sobre esta, possibilitando ao professor se apropriar de conhecimentos.
Após trabalhar com professores durante todos esses anos, tenho a convicção de que o aprendizado da docência, desde os primeiros anos, implica num processo marcado pelo enfrentamento de desafios e insegurança, que impulsiona a busca por fontes de conhecimento e requer a existência de apoios articulados à experiência e espaços onde as práticas possam ser discutidas e partilhadas. É, portanto, uma experiência construída socialmente, em diferentes contextos de socialização.
Dentre esses espaços destacam-se o contexto familiar e o grupo social mais próximo, o contexto de trabalho na instituição escolar e o contexto de formação profissional. Esses espaços são permeáveis, fontes dos diversos conhecimentos, práticas, valores, crenças, motivos, que vão se configurando na construção da docência.
Evidencia-se uma articulação dos referenciais teóricos discutidos no exercício profissional dentro do espaço escolar, tornando possível um duplo movimento: o crivo da prática permite uma apropriação mais reflexiva dos conteúdos trabalhados na universidade, ao mesmo tempo em que os conhecimentos teóricos favorecem uma consciência crítica sobre a própria prática.
Neste ano, 2009, iniciei um trabalho como professora formadora do Gestar II. É um programa de formação continuada semipresencial orientado para a formação    de professores de Matemática e de Língua Portuguesa, objetivando a melhoria do processo de ensino aprendizagem.

O foco do programa é a atualização dos saberes profissionais por meio de subsídios e do acompanhamento da ação do professor no próprio local de trabalho e tem por finalidade elevar a competência de professores e alunos, melhorando a capacidade de compreensão e intervenção sobre a realidade sócio-cultural.

Além desse programa, estou ministrando um curso “Língua portuguesa e Arte: uma ação interdisciplinar” junto com a professora de Arte do CEFAPRO – Aline, e realizo Encontros Formativos nas escolas estaduais de Barra do Garças no “Sala de Professor” – formação continuada na escola - , ainda, faço Encontros Formativos nos municípios do pólo, de acordo com as necessidades pedagógicas dos professores que atuam com Língua Portuguesa na rede estadual e municipal.

Ser professora formadora do GESTAR II é mais um desafio que pretendo superar nesta caminhada de formação continuada tão necessária na contemporaneidade.

 

 

 

 

 

 

 

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