AULA 2 | Intencionalidade x Aceitabilidade |

iIntencionalidade

[...] o produtor de um texto tem, necessariamente, determinados objetivos ou propósitos, que vão desde a simples intenção de estabalecer ou manter o contato com o receptor até a de levá-lo a partilhar de opniões ou a agir ou comportar-se de determinada maneira. Assim, a intencionalidade refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados. É por esta razão que o emissor procura, de modo geral, construir seu texto de modo coerente e dar pistas ao receptor que lhe permitam constituir o sentido desejado. [...]

 

A intencinalidade tem relação estrita com o que se tem chamado de argumentatividade. Se aceitarmos como verdade que não existem textos neutros, que há sempre alguma intenção ou objetivo da parte de quem produz um texto, e que este não é jamais uma “cópia” do mundo real, pois o mundo é recriado no texto através da mediação de nossas crenças, convicções, perspectivas e propósitos, então somos obrigados a admitir que existe sempre uma argumentativiade subjacente ao uso da linguagem.

 

iAceitabilidade

A aceitabilidade constitui a contraparte da intencionalidade. [...] quando duas pessoas interagem por meio da linguagem, elas se esforçam por fazer-se compreender e procuram calcular o sentido do texto do(s) interlocutor(es), partindo das pistas que ele contém e ativando seu conhecimento de mundo, da situação, etc. Assim, mesmo que um texto não se apresente, à primeira vista, como perfeitamente coerente, [...] o receptor vai tentar estabelecer a sua coerência, dando-lhe a interpretação que lhe pareça cabível, [...].

 

[KOCK, Ingedore Grunfeld Villaça & TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Intencionalidade e aceitabilidade. In: A coerência textual. 17 ed. São Paulo: Contexto, 2007.]

 

A aceitabilidade é a contraparte da intencionalidade, ou seja, o autor ao produzir um enunciado (texto) tem uma intenção ou objetivo provável com o leitor, e o leitor, por sua vez, esforça-se (intuitivamente) para compreender e entender o enunciado.

II. Análise Lingüística

A análise lingüística será entendida como:

§ Processo de identificação de recursos expressivos: fonéticos, morfossintáticos, semânticos e discursivos.

§ Reconhecimento das características dos diferentes gêneros e/ou tipos textuais e do universo discursivo no qual se encontram inseridos.

§ Organização do texto dissertativo, narrativo e descritivo. Identificação dos fatores de textualidade: coerência, coesão, intencionalidadei, informatividade, aceitabilidadei, situacionalidade e intertextualidade.

§ Variação lingüística em função da situação de uso.

                                                    [UEL. Programas das Disciplinas do Vestibular 2009. In: Manual do Candidato 2009. Londrina: UEL, 2009.]

Locutor/Emissor [Autor]

3 Rubrica: comunicação, lingüística.
que ou o que faz a codificação da mensagem, no ato de comunicação, e transmite os sinais codificados ao receptor (em lingüística, emissor e fonte se confundem)

Interlocutor/Receptor [Leitor]
1.1
Rubrica: lingüística.
no processo da comunicação, que ou quem recebe a mensagem e a decodifica

Coerência
2 ligação, nexo ou harmonia entre dois fatos ou duas idéias; relação harmônica, conexão

Incoerência
1.1 falta de lógica; ausência de ligação, de nexo entre fatos, idéias, ações etc.; desarmonia, desconexão, discrepância, inconseqüência

Neutro
6
que não se posiciona, que se abstém de tomar partido; neutral
7 que avalia com imparcialidade; imparcial, neutral

[HOUAISS, Antonio, VILLAR, Mauro de Salles, FRACO, Francisco Manoel de Mello. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.]
 
[Í]ndice
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