Projecto Montauk


 

 

A chamada Experiência de Filadélfia trouxe resultados inesperados. O USS Eldridge (DE-173) não ficou invisível ao radar tal como se esperava mas sim desapareceu sem deixar rasto durante alguns minutos, supostamente teletransportando-se até a base naval de Norfolk, Virginia, situada a 600 km de distância. Quando o destroyer voltou ao seu sítio normal, num clarão de luz azul, vinha rodeado de uma estranha névoa verde que o tornava meio invisível.

 

Mas no seu interior, um verdadeiro pesadelo esperava as equipas de socorro. Um pouco por todo o barco, os marinheiros do Eldridge sofriam efeitos da experiência. Muitos deles tinham pura e simplesmente enlouquecido, tendo-se mutilado vezes sem conta enquanto que outros se encontravam fundidos com o metal da embarcação, estando vivos apesar de tal facto.

O próprio destroyer tinha sido afectado, visto que toda a sua arquitectura interior se tinha tornado num labirinto, com passagens que por vezes se pareciam estender por quilómetros ou escotilhas que abriam para vastos desertos, por exemplo.

 

No entanto, havia algo que deixou os responsáveis da Marinha totalmente estupefactos. Junto da peça de artilharia da proa encontraram algo que parecia ser uma armadura, pintada de azul e vermelho e com uma bandeira dos EUA no peito. A armadura era feita de um material desconhecido que parecia resistir a tudo apesar de ser muito leve.

 

De imediato decidiu-se fechar o programa Rainbow, responsável pela experiência. Depois de se ter tirado todo o equipamento do seu interior (e os corpos dos marinheiros) o Eldridge foi levado para o meio do oceano Atlântico e afundado, tendo-se usado um barco construído na mesma altura como seu substituto nos arquivos da Marinha.

 

Em 1944 começou o Projecto Montauk, que visava descobrir a origem da armadura e como a usar; usar a teoria do campo unificado de Einstein para dobrar o espaço/tempo e assim criar equipamento de teletransporte; estudar os sobreviventes do USS Eldridge, visto que alguns deles começaram a manifestar poderes como a telequinesia; piroquinésia e desmaterialização.

 

Com base em Long Island, no chamado Camp Hero, os cientistas rapidamente se começaram a aperceber que iriam ter muito trabalho pela frente. A falta de resultados imediatos fez com que o Congresso e o Departamento de Defesa cortassem os fundos em metade. E o começo da Terceira Guerra Mundial ainda veio dificultar mais as coisas, até ao momento em que por um acaso, o cabo Roger Stevenson se voluntariou para testar a armadura.

 

Ao contrário das experiências anteriores, desta vez a armadura pareceu aceitar o voluntário, não lhe queimando o cérebro. Acedendo a todas as funções da armadura de combate e a sua Inteligência Artificial, o cabo rapidamente passou a usar o nome de American Shield e o Departamento de Defesa não perdeu tempo, enviando-o para a frente do Reno, devastando as tropas Soviéticas com o seu poder de fogo.

 

 

Aquando das tréguas de 1948, ele regressou aos EUA e os cientistas do Camp Hero tiveram oportunidade de o questionar com profundidade. Ele acabou por contar que a I.A. do fato de combate (a quem ele chamava de Betty) lhe tinha dito que aquela arma tinha sido enviada do futuro…ou melhor, de um possível futuro – um em que os EUA estavam a perder a guerra com a URSSS. O Eldridge tinha sido transportado até essa realidade naqueles breves minutos em que tinha desaparecido e os Americanos dessa linha temporal tinham depositado na embarcação uma das suas armaduras de combate.

 

Aterrados com a ideia de que tal linha temporal poderia vir a acontecer, decidiu que se iria tentar também adaptar a Teoria do Campo Unificado para uso em viagens temporais.

 

Apesar de todas as tentativas e de vários falhanços – nomeadamente aquele que abriu um portal dimensional para outra realidade da qual emergiu o monstro chamado Grond, responsável pela destruição de metade de Long Island – em 1976 supostamente conseguiu abrir-se um portal para a linha temporal de onde a armadura era originária.

 

A equipa enviada deparou-se com uma cenário dantesco. Haviam saído numa Long Island totalmente destruída e abandonada. Após alguns dias de pesquisa, depararam com a única evidência de vida humana. No centro da outrora Nova Iorque existia agora uma gigantesca estátua de uma foice e um martelo, totalmente feita em ouro e banhada por centenas de holofotes. As inscrições na base do monumento proclamavam a vitória das forças da URSSS sobre o Bloco Americano em 23 de Dezembro de 2012.

 

Perante tal cenário, a equipa voltou ao portal, regressando ao Camp Hero. Depois de um estudo e de várias discussões, decidiu-se abandonar a pesquisa daquela linha temporal e tentou-se abrir portais para outras. Mas até hoje, todas as linhas temporais investigadas mostram um fim do mundo em 2012 – seja por invasões de ETs; por guerras, etc…

 

O projecto continua a investigar essas linhas temporais, tentando-se encontrar uma realidade onde ser quebre a barreira de 2012. Foi também criada uma subdivisão que tenta criar super-soldados, num projecto concorrente com os vários outros que neste momento se fazem um pouco por todo o estabelecimento militar dos EUA, submetendo vários voluntários às ondas espaço-temporais do projector de Campo Unificado.