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Pimenta

01 de julho de 2010 | 9h 25  -  Portal estadao.com.br
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Pimenta para bravos – a mais forte do mundo

Perto dela, malagueta, habanero e dedo-de-moça não passam de frágeis senhoritas. A nova rainha do quanto-mais-quente-melhor se chama Bhut jolokia e é simplesmente a pimenta mais forte do mundo

 Olívia Fraga

Mania. Criada na Índia, a jolokia, ou ‘fantasma’, virou febre na valente tribo dos pimenteiros.                          Foto: Keiny Andrade/AE

Quando a pimenta biquinho apareceu, fez fama por não ser ardida e em pouco tempo virou mania. Mas a moda agora é outra: quanto mais quente, melhor. As pessoas estão querendo pimentas cada vez mais fortes. Se fizer chorar, então, perfeito. Vale até provocar suadouros e desmaios.

A pimenta sensação atende pelo nome nada simpático de Bhut jolokia. É chamada também de pimenta-fantasma ou simplesmente de jolokia, como é mais conhecida. Seja qual for o nome, o fato é que ela é a pimenta mais forte do mundo - por enquanto - e isso não é força de expressão.

A jolokia foi criada em Tezpur, na Índia, há dez anos, fruto de um cruzamento entre as pimentas mais ardidas de que se tinha notícia. Sua pungência ultrapassa 1 milhão na escala Scoville.

Atraiu as atenções e espalhou-se pelo mundo, provocando lágrimas e fortes emoções. Pimenteiros em grupos de discussão já fizeram apologia dela e há até teses sobre o seu poder de fogo - a jolokia tem o dobro da pungência de variedades como a red sativa, a scotch bonnet e a habanero. Na internet, diversos sites vendem sementes de jolokia e frutos prontos para o consumo.

Por que um fruto que queima a boca faz tanto sucesso? Os especialistas têm uma boa explicação: pimenta vicia. "A pungência é interpretada como uma queimadura e o cérebro libera endorfina para combater o desconforto. Assim, a pessoa sente bem-estar. É uma espécie de recompensa", diz Arlete Marchi Tavares de Melo, pesquisadora de hortaliças do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Mais que fã confesso, Nelusko Linguanotto Neto, dono da Bombay Food Services, admite ser um desses viciados em pimenta. De manhã, toma cápsulas "para garantir a pimenta do dia". "Vai que não consigo almoçar ou jantar", brinca o autor do Dicionário Gastronômico de Pimentas.

O ardor e o aroma da pimenta dependem de centenas de substâncias. Mas a pungência é causada principalmente pela capsaicina, substância presente em células da placenta, onde se ligam as sementes. É por isso que muita gente se confunde, achando que as sementes causam o ardor.

"Basta um leve toque nas células da placenta para que elas liberem a capsaicina e ‘contaminem’ as sementes e o fruto. A região mais ardida da pimenta é sempre o terço superior, perto do cabo", explica a Arlete.

Família Capsicum. Acredita-se que as pimentas sejam todas originárias da Bacia Amazônica. Ainda que tenham sabor e pungência distintas, a cambuci, o pimentão, o tabasco, as pimentas-de-cheiro e o jalapeño são parentes. Até a pimenta biquinho, grau zero de pungência, é prima da jolokia. Todas pertencem ao gênero Capsicum.

Os frutos têm sementes abundantes e fáceis de cultivar. E, por um capricho da natureza, a grande família das pimentas pode sempre agregar mais algum parente por meio de novos cruzamentos. Ou seja, se plantadas próximas, pimentas mais doces e mais picantes podem se reproduzir, dando origem a frutos de sabor e pungência variados.

Foi assim que surgiu, por exemplo, o tipo malaguetão: cruzamento da ardida malagueta com a menos picante dedo-de-moça. "Entre as 30 espécies de pimentas existentes, cinco são cultivadas: Capsicum chinense, Capsicum annuum, Capsicum baccatum, Capsicum frutescens e Capsicum pubescens", explica Arlete.

No Brasil, pimenta é fruta de se comer em porções pequenas ou a conta-gotas, fresca ou em conserva. "Não temos costume de secá-las e de processá-las em pasta como os peruanos", diz Cyro Abumussi, produtor da Fazenda Ituaú, no interior de São Paulo.

Com regiões bastante ensolaradas, o Brasil tem pimenta o ano todo. Os maiores produtores são Minas Gerais, Goiás, Pará, Ceará, Bahia e São Paulo. Além da dedo-de-moça (menos picante que a malagueta), as pimentas-de-cheiro (espécie Capsicum chinense) são abundantes aqui.

Os frutos são atarracados, em geral amarelados, e a pungência varia muito - por aqui vingam desde as pimentas-de-cheiro verdadeiras, de pungência média, às variedades chora-menino e pimenta-de-bode, bem ardidas.

"Por muito tempo as pessoas fugiram das pimentas ardidas achando que faziam mal. Era difícil encontrá-las em restaurantes, mas com a popularização das casas de comida mexicana e peruana, a pimenta passou a ser valorizada", diz Arlete.

COMO UMA DROGA

O efeito bombástico da pimenta começa na língua. Quando alguém morde uma pimenta, ela se rompe e libera a capsaicina, seu composto químico ativo mais importante. A substância estimula os receptores de calor e de dor presentes em toda a língua. O cérebro interpreta esse ardor como se a língua tivesse sido queimada. E faz com que os receptores opióides do sistema nervoso simpático produzam endorfina - responsável pela sensação de bem-estar. Esses receptores são os mesmos que respondem a algumas drogas. A capsaicina também altera o equilíbrio térmico do corpo, provocando ondas de calor e suor.

 

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Capsaicina - porque arde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O composto químico capsaicina (8-metil-N-vanilil 1-6-nonamida) é o componente ativo das pimentas conhecidas internacionalmente como pimentas chili, que são plantas que pertencem ao gênero Capsicum. É irritante para os mamíferos, incluindo os humanos, e produz uma sensação de queimação em qualquer tecido que entre em contato. A capsaicina e diversos componentes correlatos são conhecidos como capsaicinóides e são produzidos como um metabólico secundário pelas pimentas chili, provavelmente como barreiras contra os herbívoros. A capsaicina pura é um composto hidrofóbico, incolor, inodoro, de cristalino a graxo.

Características da substância

A capsaicina está presente em grandes quantidades nas sementes e frutos carnosos das plantas do gênero Capsicum. Tais frutos evoluíram tipicamente para auxiliar na dispersão das sementes, atraindo animais que consomem as frutas e engolem as sementes, as quais passam pelo trato digestivo e são subseqüentemente depositadas algures. Assim pode parecer paradoxal que uma planta gaste uma grande quantidade de recursos para produzir frutos grandes e suculentos e os preencha com um composto que age como uma forte barreira ao consumo.

As sementes das plantas Capsicum entretanto são predominantemente dispersadas por pássaros, nos quais a capsaicina age como analgésico ao invés de irritar. As sementes das pimentas chili passam através do trato digestivo dos pássaros sem sofrer danos, enquanto as consumidas por mamíferos não germinam de modo algum. A presença da capsaicina nos frutos portanto as protege de serem consumidas por mamíferos, os quais não proveriam qualquer benefício para a planta, enquanto permite que sejam consumidos por seus semeadores preferidos.

A Escala de Scoville é uma medida da ardência ou picância de uma pimenta, determinando a quantidade de capsaicina presente na mesma.

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Escala de Scoville

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.                                      

A Escala de Scoville é usada para medir o grau de "ardor" da pimenta ou malagueta.

                                                             Pimenta ou malagueta.

Em 1912, enquanto trabalhava para uma farmacêutica, o químico Wilbur Scoville desenvolveu um método para medir o "grau de calor" da pimenta.

Este teste é chamado de teste Organoléptico de Scoville, e é chamado de procedimento de diluição e prova. No teste original, Scoville misturou a pimenta pura com uma solução de água com açúcar. Então, um painel de provadores bebeu da solução. Quanto mais solução de água e açúcar é necessária para diluir uma pimenta, mais alto seu "grau de calor".

Depois o método foi melhorado e foram criadas as unidades de Scoville. Assim, 1 xícara de pimenta que equivale a mil xícaras de água, corresponde a 1 unidade na escala de Scoville.

Capsaicina pura equivale a 15 milhões de unidades Scoville. O poder da pimenta é medido nesta escala. A pimenta mexicana Habanero chega a 300 mil unidades nesta escala. Uma pimenta "Red Savina Habanero", uma espécie modificada, chega a 577 mil unidades e a Tezpur indiana chega a 877 mil unidades.

Unidades Scoville

Tipo de picante

15 000 000 - 16 000 000

capsaicina pura[1]

9,100 000

Nordihydrocapsaicin

2 000 000 - 5,300 000

Spray de pimenta padrão pepper spray[2]

855 000 - 1 041 427

Naga Jolokia[3][4][5][6]

876 000 - 970 000

Dorset Naga[2][7]

350 000 - 577 000

Red Savina™ Habanero[8]

100 000 - 350 000

Habanero Chile[9]

100 000 - 350 000

Scotch Bonnet[9]

100 000 - 200 000

Jamaican Hot Pepper[2]

50 000 - 100 000

Thai Pepper, Pimenta Malagueta, Chiltepin Pepper

30 000 - 50 000

Cayenne Pepper , Ají pepper[9]

10 000 - 23 000

Serrano Pepper

7 000 - 8 000

Molho Tabasco Habanero[10]

5 000 - 10 000

Wax Pepper

2 500 - 8 000

Jalapeño Pepper

2 500 - 5 000

Molho Tabasco[10]

1 500 - 2 500

Rocotillo Pepper

1 000 - 1 500

Poblano Pepper

600 - 800

Molho Tabasco Jalapenho[10]

500 - 1000

Pimenta Anaheim

100 - 500

Capsicum,[2] Pepperoncini

0

Não-picante, Pimentão (br.)/(Pimento, pt.)[2]

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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