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EMB 400 Urupema

O BN-1 renasce como Urupema.
 
Naquela época a prática de vôo a vela pelos alunos do ITA era subsidiada pelo CTA que mantinha funcionários seus como instrutores e mecânicos do Clube de Vôo a Vela. Este sendo presidido pelo professor Vandaele tinha como não podia deixar de ser o seu próprio departamento de projetos a cargo de um aluno eleito como diretor de projetos, cargo que tive o orgulho de ocupar por um ano.
 
Numa tarde de fim de semana, o aluno Aloísio Ferretti, contrariando os preceitos de que só podia voar quem chegasse pela manhã para auxiliar a "montar" a operação, encontrando o nosso planador BN-1 livre ao lado da pista, colocou-o na posição de decolar e entrou. Na decolagem, demorou muito para retirar o planador do chão subindo então muito cabrado, mas já dentro da esteira do rebocador.
 
O BN-1 era o nosso planador de melhor desempenho (com 1 / 28 de planeio), mas seu estol ocorria primeiro na ponta da asa devido ao fino perfil desta, o que o fazia entrar incontinente em parafuso. Naquela decolagem ele simplesmente virou de dorso e nessa posição se chocou de nariz com a pista que ainda era de terra. Por incrível que pareça o Aluísio apenas fraturou as clavículas, e ficou com o ônus (era a regra na época) de recuperar o planador cuja fuselagem dianteira desaparecera e as asas haviam se partido.
 
Aloísio decidiu então apelar para o construtor do BN-1, José Carlos de Barros Neiva (então dono da Soc. Construtora Aeronáutica Neiva). Este concordou em recuperar o planador com a contrapartida do Dept. de Projetos do CVVCTA, projetar uma nova asa de melhor desempenho e de melhores características de estol para ser usada em futuros planadores BN-1 que viessem a ser construídos.
O planador foi recuperado e o projeto da nova asa foi iniciado. Foi quando então assumiu como diretor do Depto. de Projetos do CVV o eng. Guido Pessotti, que propunha não haver sentido em se colocar uma asa nova numa fuselagem velha. Influenciado pelo estilo dos novos planadores "Foka" e "Eldeweiss" em que o piloto voava numa posição quase que deitado, Guido iniciou o projeto de uma fuselagem nova. O novo projeto não mais tinha nada a ver com o BN1!
 
Havia nascido o "Urupema".
 
O Dept. de Projetos do ITA encampou o projeto e ao longo de dois ou três anos diversos alunos desenvolveram etapas do mesmo como trabalhos de graduação ou T.G. estratégia já utilizado no projeto e construção do avião rebocador "Panelinha". Para poder continuar os trabalhos iniciados, os alunos mais dedicados como Guido, Aluísio e Plinio Junqueira, haviam optado ao se formarem em ser admitidos para o Departamento. O Prof Vandaele passara assim a contar com uma jovem e dedicada equipe de engenheiros.
 
IPD/PAR 6505 Urupema
 
Em 1964 um grupo de engenheiros do CTA sob orientação de Guido Fontegalante Pessotti iniciou o projeto de um planador de alto desempenho capaz de dar aos pilotos brasileiros melhores possibilidades nos campeonatos mundiais de Vôo a Vela. A construção do protótipo foi iniciada em 1965 e o primeiro vôo de provas acorreu em 20 de Janeiro de 1968. Naquele mesmo ano ele participou de um Campeonato Mundial da Polônia e em 1970 do XII Campeonato Mundial em Marfa no Texas, onde recebeu elogios até do astronauta Neil Armstrong.
 
Protótipo do Urupema.
 
O IPD/PAR 6505 Urupema é um planador monoplace de asa alta, construído em madeira e sanduíche de contraplacado/espuma plástica/contraplacado,  material desenvolvido no próprio CTA. Trem de pouso: uma roda central, fixa, semi-embutida, sob a fuselagem. O planador possuía bateria elétrica, rádio e iluminação no painel de instrumentos.
 
O Ministério da Aeronáutica preocupado com a não existência no país de planadores de competição, fez uma avaliação dos melhores planadores nacionais, visando definir qual modelo poderia ser produzido em série para distribuição entre os clubes brasileiros. A disputa acabou se resumindo em dois tipos: Barros AB-2 Fofoquinha e o IPD-PAR Urupema projetado no CTA.
 
O excelente desempenho Urupema levou o Ministério da Aeronáutica a encomendar uma série de 10 outras unidades com pequenas modificações que foram fabricadas pela recém construída Embraer com a designação de: Embraer EMB-400 Urupema.
 
 
 
 
DIMENSÕES
  • Comprimento: 7,54 m
  • Envergadura: 15,00 m
  • Altura: 1,52 m
PESOS E CARGA ALAR
  • Peso vazio: 220 Kg
  • Peso máximo: 310 Kg
  • Carga alar: 25,8 Kg/m2
PERFORMANCE
  • Vstall: 65 Km/h
  • VNE: 257 Km/h
  • Melhor índice de planeio: 1:36 a 94 Km/h
  • Resistência estrutural: +6,25G / -4,23G
IPE Super Urupema
 
O planador de alto desempenho Urupema provou em uso excelentes características de vôo. Más a maioria dos pilotos que o utilizaram fizeram ressalva à posição pouco cômoda do assento, uma cabine que consideraram apertada demais para uma pessoa corpulenta ou mais alta que a média.
 
Diante desse fato foi sugerida a modificação da cabine foi aplicada em 4 exemplares pela IPE em Curitiba. Assim modificado o Urupema ganhou um canopy transparente mais alto e um assento que permitia ao piloto sentar reclinado e não mais quase horizontalmente deitado como antes.
 
 
 
 
Fontes: Enciclopédia de Aviões Brasileiros
Eng. Francisco Leme Galvão
Jorge M. Neumann
Luiz Ishida
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