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Rumo à Ciência do Behaviorismo

 Em torno da segunda década do século XX, pouco menos de 40 anos após Wilhelm Wundt dar início à psicologia, a ciência passava por uma profunda reavaliação. Não havia mais consenso entre os psicólogos acerca do valor da introspecção, da existência dos elementos mentais ou da necessidade de a psicologia continuar a manter o status de uma ciência pura. Os psicólogos funcionalistas reescreviam as diretrizes, usando a psicologia de uma forma que seria inadmissível em Leipzig e em Cornell.
    
   O movimento na direção do funcionalismo era mais evolucionário do que revolucionário. A intenção inicial dos funcionalistas não consistia em acabar com a ordem estabelecida por Wundt e E. B. Titchener. Eles apenas acrescentaram e modificaram alguns aspectos, dando origem com o passar dos anos, a uma nova forma de psicologia, que era mais um movimento emergente interno do que uma conseqüência de um ataque externo.

 

   Os líderes do movimento funcionalista não estavam ávidos por formalizar a sua posição. Eles viam a sua tarefa com a ruptura com o passado, mas como uma evolução a partir dele. Por isso, a mudança do estruturalismo para o funcionalismo não estava tão evidente no momento em que ocorria. Dessa forma, o cenário da psicologia americana na segunda década do século XX exibia o amadurecimento do funcionalismo concomitante à consolidação, embora em uma posição não mais exclusiva, do estruturalismo.

 

   O ano de 1913 foi marcado por uma espécie de declaração de guerra, com o surgimento de um movimento de protesto cuja intenção era dilacerar as visões antigas, buscando uma ruptura com ambas as posições. Seus líderes não desejavam modificar o passado, muito menos manter alguma relação com ele. Esse movimento revolucionário chamava-se behaviorismo e foi promovido pelo psicólogo John B. Watson, de 35 anos. Apenas 10 anos antes, Watson recebera o Ph. D. de James Rowland Angell na University of Chicago, na época em que ela era o centro da psicologia funcionalista, um dos dois movimentos que Watson decidiu destruir.

 

   As premissas básicas do behaviorismo de Watson eram simples, diretas e ousadas. Ele buscava uma psicologia científica que lidasse exclusivamente com os atos comportamentais observáveis e passíveis de descrição objetiva, por exemplo, em termos de "estímulo" e "resposta". Além disso, a psicologia de Watson rejeitava qualquer termo ou conceito mentalista. Na sua visão, palavras como "imagem", "sensação", "mente" e "consciência"- adotadas desde a época da filosofia mentalista- não significavam absolutamente nada para a ciência do comportamento.

 

   Watson afirmava que a consciência não tinha o menor valor para a psicologia do comportamento, rejeitando veemente esse conceito. Além disso, alegava que ninguém jamais "havia visto, tocado, cheirado, experimentado ou transferido de um lugar para outro a consciência. A sua definição não passa de mera suposição tão improvável quanto o conceito de alma". Desse modo, a introspecção, que pressupunha a existência do processo consciente, era irrelevante e sem valor para a ciência do comportamento.

 

   Não foi Watson quem deu origem a essas idéias básicas do movimento behaviorista; elas já vinham sendo desenvolvidas há algum tempo, tanto na psicologia quanto na biologia. Como qualquer outro fundador, Watson organizou e promoveu as questões aceitáveis para o Zeitgeist intelectual. Assim, são estes alguns dos principais conceitos reunidos por Watson para formar seu sistema de psicologia behaviorista:


      1.   a tradição filosófica objetivista e mecanicista,
      2.   a psicologia animal, e
      3.   a psicologia funcional.

    
   Quando Watson começou a trabalhar com o behaviorismo, as suas idéias, já tão impregnadas pelas influências objetivistas, mecanicistas e materialistas, deram origem a um novo tipo de psicologia - disciplina que excluía a consciência, a mente ou a alma-, com enfoque apenas em algo visível, audível ou palpável. O resultado foi uma ciência do comportamento que enxergava o ser humano como uma máquina.

Fondo do Artigo: Site psicoloucos.com

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