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A Influência da Psicologia Funcional no Behaviorismo

Outro antecedente direto do behaviorismo foi foi o funcionalismo. Embora não fosse uma escola de pensamento totalmente objetiva, a psicologia funcinal na época de Watson apresentava mais objetividade do que suas predecessoras. Cattell e outros funcionalistas enfatizavam o comportamento e a objetividade e mostravam-se insatisfeitos em relação à introspecção (veja no Capítolo 8). Mark Arthur May (1891-1997), um estudante de pós graduação da Columbia University em 1915, lembrou-se da visita de Cattel ao seu laboratório:

 

   May mostrou os equipamentos a Cattell, que ficou impressionado. Entretanto, quado tentou lhe mostrar os relatórios introspectivos obtidos das pesssoas envolvidadas na pequisa a Cattel, resmungou: "Isto não vale nada!" e saiu enfurecido do laboratório (appud May, 1978, p. 655).
   

   Os psicólogos aplicados não viam muita utilidade na introspecção e na consciência, e suas diversas áreas de especialização constituíam essencialmente uma psicologia funcional objetiva. Mesmo antes de Watson surgir no cenário, os psicólogos funcionais haviam se distanciado da pura psicologia da experiencia conciente adotada por Wundt e Titchener. Nos trabalhos escritos e nas palestras, alguns psicólogos funcionalistas eram bastante específicos ao exigir uma psicologia objetiva, ou seja, queriam uma psicologia com enfoque no comportamento, e não na consciência.
    

   Em 1904, na feira mundial realizada em St. Louis, no Missouri, Cattell disse em seu discurso:

 

   Não estou convencido de que a psicologia deva se limitar ao estudo da consciência. (...) A noção amplamente aceita de que não há psicologia sem introspecção é refutada pelo argumento material do fato consumado. Parece-me que a maior parte dos trabalhos de pesquisa realizados por mim ou em meu laboratório é praticamente tão independente da introspecção quanto os estudos realizados na física ou na zoologia. (...) Não vejo para que a aplicação do connhecimento sistematizado no controle da natueza humana não possa, no curso do presente século, alcançar resultados proporcionais às aplicações, no século XIX, da ciência física ao mundo material (Cattell, 1904, p. 179-180, 186).

  

   Watson estava na platéia assistindo ao discurso de Cattell. A semelhança entre a fala de Cattell e a posterior posição pública de Watson é gritante. Um historiador sugeriu que, se Watson era considerado o pai do behaviorismo, Cattell devia ser chamado de avô (Burnham, 1968).
    

   Na década anterior à fundação formal do behaviorismo por Watson,a atmosfera intelectual americana favorecida a idéia de uma psicologia obgetiva. Assim, omovimento geral da psicologia americana seguia a direção behaviorista. Robert Woodworth, na Columbia University, disse que os psicólogos americanos estavam "aos poucos introduzindo o behaviorismo(...) Já que, a partir de 1904, um percentual cada vez maior de psicólogos expressava a preferencia em definir a psicologia como a ciência do comportamento e não como uma tentativa de descrição da consciência "(Woodworth,1943, p.28).
       

   Em 1911, Walter Pillsbury, ex-aluno de Titchener, definiu em seu livro psicologiac omo a ciência do compotamento. Alegava ser possível dispensar um tratamento objetivo aos seres humanos do mesmo modo que se tratava qualquer outro aspécto do universo físico. Max Meyer publicou um livro entitulado The fundamentals laws of human behavior; Willian MacDougall escreveu Psychology: teh study of behavior (1912), e Knight Dunlap, psicólogo da Johns Hopkins University, onde Watson estava lecionando, sugeriu que a ontrospecção fosse eliminada da psicologia.
     

   Naquele mesmo ano, Willian Montague apresentou um trabalho entitulado "Has psychology lost its mind?" (A spicologia perdeu a cabeça?) à filial da APA em Nova York. Montague falava sobre o movimento para descartar o "conceito de mente ou de consciência e substituí-lo pelo conceito de comportamento como o único objeto de e4studa da psicologia" (apud Benjamin, 1993, p. 77).
   

   J. R. Angell, da University of Chicago, talves o psicólogo funcionalista mais progressista, anunciava que a psicologia americana estava pronta para tornar-se mais objetiva. Em 1910, comentou que oarecia possível o termo "consciência" desaparecer da psicologia da mesma forma que o termo "alma" desaparecera. Três anos mais tarde, um pouco antes da publicação do manifesto behaviorista de Watson, Angell sugeriu que seria interessante esquecer a consciência e passar a descrever objetivamente os comportamentos humano e animal.
     

   Assim, a idéia de spicollogia vista como a ciência do comportamento começava a ganhar adeptos. A importância de Watson não esta em ter sido o primeiro a propor essa idéia, mas em enxergar, talvez mais claramente do que qualquer pessoa, o que a época estava exigindo. Watson foi o principal articulador e agente responsável pela revolução cujos sucesso e inevitabilidade estavam garantidos, pois ele ja estava em andamento.


Fondo do Artigo: Site psicoloucos.com

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