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A folga no mercado internacional de petróleo acabou

Publicado a 27/11/2010, 08:16 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 30/11/2010, 09:46 ]
Os mercados internacionais de mercadorias e matérias primas estão estruturados de forma a que possam ser hoje acertadas transacções que só decorrerão daqui por alguns meses ou mesmo alguns anos. Um vendedor pode colocar no mercado um contracto para a mercadoria que irá disponibilizar, não agora, mas daqui por algum tempo e da mesma forma o comprador pode adquirir um contracto sobre mercadoria a disponibilizar no futuro. Estes contractos têm o nome elucidativo de Futuros.

Os Futuros servem vários propósitos, e.g. permitem ao vendedor encaixar capital com antecedência, ao comprador defender-se num cenário de preços crescentes. Mas talvez a mais importante das funções destes contractos seja o controlo que exercem sobre o armazenamento. Numa situação em que os Futuros atingem preços superiores aos do mercado actual existe um incentivo para que o vendedor não disponibilize de imediato toda a sua mercadoria, mas que armazene parte para vender mais tarde. Na situação inversa, com os preços dos Futuros inferiores aos do mercado actual, o vendedor tem um incentivo para vender não só a sua produção actual como aquela que poderá eventualmente ter em armazém.

No mundo financeiro anglo-saxónico estes dois estados do mercado de Futuros têm nomes específicos: backwardation para quando o preço dos Futuros é cada vez mais baixo, quanto mais distante é a data de entrega e contango para uma estrura de Futuros que encarece com a distância à data de entrega. O contango é usualmente um sinal de um mercado bem abastecido no curto prazo, ao passo que em backwardation um mercado está usualmente perante escassez no imediato.

Nos meses que se seguiram ao impacto inicial da crise financeira em 2008, abriu-se uma forte estrutura de contango no mercado do petróleo, os contractos para 2011 chegaram a ser valorados ao dobro do preço de negociação imediata no início de 2009. Perante este sinal as companhias petrolíferas começaram a armazenar petróleo em bruto, não só em reservas estratégicas mas também em petroleiros, que passaram assim da função de transporte para a de armazenamento.

Apesar de na OECD a retoma económica não ser ainda consistente, noutras blocos o aumento do consumo não conheceu tréguas, pelo que lentamente se fechou a folga criada nos mercados pela crise. Ao mesmo tempo fechou-se o contango, de tal forma que hoje os petroleiros usados como armazéns estão de volta ao transporte. Os media falam de um regresso a backwardation nós próximos seis meses.

O mercado do petróleo está de certa forma a voltar a um ponto semelhante àquele em que estava em 2004, quando a primeira grande subida de preços do século XXI teve início. A diferença é que os preços são hoje o quádruplo do que eram nessa altura.

Bloomberg
Oil to Enter Backwardation `Rapidly' on Rising World Demand, Barclays Says

By Justin Carrigan
Nov 25, 2010 10:45 AM GMT+0000

Oil markets are poised to enter backwardation, with prompt-delivery prices higher than those for later supply, as demand for crude increases around the world, according to Barclays Plc.

“Global spare crude capacity has fallen this year and is likely to end the year at only a little above 5 percent,” a team led by Paul Horsnell, head of commodities research at Barclays Capital in London, wrote in a report yesterday. ``We expect a more volatile and backwardated market to emerge rapidly.”

West Texas Intermediate crude, the U.S. benchmark grade, hasn't been in backwardation since November 2008 on the New York Mercantile Exchange. The January delivery contract traded 56 cents below the February contract on the Nymex at 10:40 a.m. London time today. Oman futures on the Dubai Mercantile Exchange went into backwardation Nov. 15, with the January contract trading at $83.50 a barrel today, a 3-cent premium to February.

World oil demand rose by 2.41 million barrels a day this year, the second-strongest rate in the past 30 years, according to Barclays.

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