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Antigo economista da AIE: Pico ainda esta década

Publicado a 07/01/2012, 12:14 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 08/01/2012, 11:23 ]
Na semana passada o jornal francês Le Monde publicou a versão em inglês de uma entrevista exclusiva com Olivier Rech, antigo economista da Agência Internacional de Energy (AIE). Entre 2006 e 2009 Rech foi responsável pelos modelos de produção de petróleo da Agência, que são a base da sua publicação de referência “Panorama Energético Mundial”, editada todos os anos em Novembro. Este documento delineia os cenários sobre os quais cada governo da OCDE constrói a sua política energética. Agências governamentais, institutos de investigação e empresas privadas guiam-se também largamente pela publicação da AIE. Notavelmente, as palavras Rech descrevem hoje um cenário completamente diferente daqueles que a AIE tem vindo a publicar.

Para a AIE a produção futura de petróleo tem sido uma mera questão de investimento, desde que o dinheiro apareça pode crescer para sempre, ou pelo menos até ao fim dos seus cenários. Para obter tais resultados, os cenários da AIE são cada vez mais dependentes de fontes de petróleo com nomes como “ainda-por-desenvolver” ou “ainda-por-descobrir”, algo que para o leitor atento se aproxima ao ridículo. Que se pode pensar quando alguém tão profundamente envolvido nos modelos da AIE até tão recentemente adopta um discurso tão diverso? São os modelos realmente a fonte da informação publicada no Panorama anual, nesse caso divergindo da avaliação dos seus criadores? Ou são os resultados dos modelos manipulados de forma a apresentar os cenários optimistas de crescimento perpétuo?

Em qualquer dos casos parece óbvio que a AIE não está a cumprir o seu propósito de informar os governos sobre a correcta disponibilidade de energia, em especial do petróleo. Os líderes da OCDE são levados a crer pela Agência que transitar as suas economias para um novo paradigma, acente em energias não fósseis, é uma questão de escolha. Tal poderá ser ser verdade para um pequeno número de nações, que pela sua vasta área geográfica ainda detêm reservas fósseis por explorar (mas a que preços?); é o caso dos EUA, do Canadá e da Austrália. Nos outros membros da OCDE o processo de redução de consumo de petróleo já está em marcha, pode vir disfarçado de recessões económicas, crises políticas ou desastres naturais, mas a realidade é que estes problemas imediatos são parte de uma dinâmica secular muito mais poderosa – o fim do acesso fácil da OCDE a recursos energéticos fósseis.
Le Monde
Oil will decline shortly after 2015, says former oil expert of International Energy Agency
Mathieu Auzanneau - 30th of December, 2011

Olivier Rech developed petroleum scenarios for the International Energy Agency over a three year period, up until 2009. This French economist now advises large investment funds on behalf of La Française AM, a Parisian assets management firm.

His forecasts for future petroleum production are now much more pessimistic than those published by the IEA. He expects stronger tensions as of 2013, and an inevitable overall decline of oil production "somewhere between 2015 and 2020", in the following exclusive interview.

Rech’s outlook serves as another significant contribution to the expanding list of leading sources portraying the threat of an imminent decline in global extraction of crude oil.
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