Preparados para Adorar

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São poucas as atividades que participamos que não exige preparo e treinamento. Um atleta precisa exercitar para ser um bom atleta. Um profissional precisa se aperfeiçoar para desempenhar bem sua função, um médico precisa conhecer muito bem o corpo humano para poder desempenhar seu papel.
“Cultuar exige preparo. Reconhecemos, em princípio, que Deus tem, para nós, seus filhos, importância infinitamente maior que qualquer outro auditório ou recipiente de serviço profissional. Mas, na prática, comumente esquecemos aquele a quem oferecemos nossa adoração. O preparo que prestigiamos é o do líder do culto ou do coro, ou de qualquer outra pessoa que faça uso da palavra.” (SHEDD, 1987. p.52)
Seguem alguns passos para o preparo da nossa adoração:

1. O PASSO DA BUSCA
O Senhor está sempre perto de nós, embora não o vemos fisicamente. O salmista escreve seus poemas ressaltando o seu anseio em ter um encontro consciente com o Senhor:
• “Como suspira a corça pelas correntes de águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.” (Sl 42.1)
• “Ó Deus, tu és o meu Deus forte, eu te busco ansiosamente, a minha alma tem sede de ti; o meu corpo te almeja, numa terra árida, exausta, sem água.”(Sl 63.1)
• “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença.” (Sl27.8)
• “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor, o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo.”(Sl 84.2)
Percebemos que a necessidade de buscar a Deus não vem da nossa modernidade, mas desde a antiguidade. A bíblia nos reforça o chamado à busca:
“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” (Is 55.6)

Buscar ao Senhor não é:


• Buscar bênçãos espirituais
• Buscar bênçãos materiais
• Buscar poder
• Buscar felicidade, etc.

Buscar ao Senhor é almejar pelo contato pessoal por ele. Estar na presença de Deus muda nossa percepção e nosso sentido da vida.
“Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.” (1 Pe 2.2)
Mas pode acontecer de não haver este apetite intenso... o que fazer? “Não seria o pecado, muitas vezes escondido e inconsciente, o que nos separa do Pai que nos procura? Adão e Eva se esconderam da presença divina logo que mergulharam no lamaçal do pecado.” (SHEDD, 1987 p.54)
“E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.” (Gn3.8)
A tendência natural do homem é que, quando em pecado,venha a tentar se esconder de Deus, mas, ao mesmo tempo, a alma em solidão clama pelo reencontro e reconciliação com seu criador.
Os cultos, as celebrações feitas por pessoas que não buscam ao Senhor com inteireza de coração produz em Deus um sentimento como o descrito no livro do profeta Amós:
“Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito (algazarra, ruído forte, barulho) dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.” (Amós 5.21-23)
Um apelo se faz presente: ”Porque assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me, e vivei.” (Amós 5.4)
Uma esperança se faz presente: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração”. (Jr 29.13)

2.  ARREPENDIMENTO... MUDANÇA DE ROTA
Para adorarmos a Deus, precisamos nos conscientizar de nossa pecaminosidade. Muitos são os relatos na bíblia de servos de Deus que se arrependeram em adoração.
Adoração sem arrependimento não agrada ao Senhor. Em 2 Samuel 11 e12 é contada a história do delito de Davi e no Salmo 51 encontramos sua oração de arrependimento diante do Senhor. Davi adulterou e cometeu um homicídio, arrependeu-se e reconheceu o seu erro: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.” (Sl 51.4)
Culto prestado sem arrependimento provoca desgosto em Deus, como podemos ver em Amós 5 21-23 e também em Isaías 1.11.
E, neste estado Deus não ouve as orações: ”Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Is 1.15)
No capitulo 6 de Isaías nós temos a conhecida passagem do encontro do profeta com Deus, ele tomou ciência de sua pecaminosidade diante da grandiosa santidade do Senhor.
No Novo Testamento Pedro avalia sua condição de pecador diante de Jesus “E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador.” (Lc 5.8)
O arrependimento que a bíblia nos ensina não é simplesmente um pesar por ter pecado, mas é a transformação da mente, uma alteração de rota, de destino. Arrepender é mudar o caminho que se segue.
Arrependendo-nos, há uma esperança bíblica:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1 João 1.9)

3. ESPERANÇA E EXPECTATIVA
A expectativa pode nos ajudar na direção de uma adoração verdadeira assim como nos diz o apóstolo Pedro: “Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com alegria inefável e gloriosa.” (1 Pedro 1.8)
Ir para o culto desejando se encontrar com o Senhor através de uma adoração coletiva pode nos promover uma expectativa assim como a de uma viagem nova, ou como uma criança espera ansiosa por um presente.
Podemos ir ao culto como uma obrigação, uma cerimônia rotineira que não faz tanto sentido se não para cumprir um rito, ou podemos ir ao culto com o coração esperançoso por adorar ao Senhor com nossos corpos, mente e coração com grande expectativa em sentir a presença de Deus e nos alimentar através das suas verdades pregadas por palavras e canções.
Podemos concluir que o preparo é fundamental para adorarmos ao Senhor genuinamente. E este preparo se concentra em duas dimensões: uma espiritual e outra física (organizativa). Na dimensão espiritual preparamo-nos buscando ao Senhor, arrependendo-nos dos pecados cometidos e esperançosos pela presença do Senhor. Com grande alegria pelos feitos do Senhor, pelo que ele é e representa nas nossas vidas.
Na dimensão física podemos considerar que precisamos nos preparar para a adoração pública. “Mais prejudicial do que todas as barreiras que aniquilam uma expectativa alegre ao esperarmos o culto é a falta de preparo (...) na hora marcada para começar, assistentes espalhados pelo auditório aguardam os retardatários, conversando (...)” (SHEDD, 1987 p. 65) O preparo na organização pessoal para chegar pontualmente aos cultos, se for cantar ter as pastas organizadas, a ordem preparada previamente, os instrumentos afinados e tantos outros detalhes que fazem toda a diferença na adoração coletiva.
Daremos, pois o nosso melhor preparo a Deus. Como oferta e gratidão, em respeito à sua pessoa, à sua grandeza, à sua majestade. Pois Deus está presente no meio do seu povo. Que nossa dedicação chegue como cheiro suave em suas narinas.

Deus nos abençoe.


Ramon Chrystian

Bibliografia: SHEDD, Russel P. Adoração Bíblica. 1ed. São Paulo: Vida Nova, 1987. 170p