Controle biológico de pragas e insetos


Óleo de Neem

EXTRATO VEGETAL ORGÂNICO PARA CONTROLE PRAGAS E INSETOS

Produto apropriado para uso em agricultura orgânica conforme instrução normativa do Ministério da Agricultura n° 007, de maio de 1999.

Utilização: Como repelente de insetos agrícolas. O Óleo de Neem tem efeito comprovado em trabalhos científicos sobre mais de 418 espécies de insetos. Atua como: Inseticida, Acaricida, Bactericida, Fungicida e Repelente.
Modo de Ação: Os extratos de Neem possuem atividades de:
- Antialimentícia e repelência para o inseto;
- Interrompe o crescimento do inseto por provocar distúrbio na ecdise (troca de pele dos insetos);
- Provoca distúrbios fatais nos insetos adultos, caso as fases jovens se alimentem de plantas tratadas;
- Diminui a postura e mata os ovos dos insetos;
- Nematicida, reduz população de nematóides fitófagos;
- Fungicida, inibi produção de aflotoxinas;
- Bactericida; inibi o crescimento de algumas espécies de bactérias.
Ou seja, os produtos de Neem não provocam a morte imediata do inseto, mas a interrupção do seu crescimento e conseqüentemente diminuição da população da praga, se enquadrando perfeitamente no conceito de Controle Biológico, sem riscos de se criar resistências, por ser um produto natural.


ARTIGOS

 O MANEJO DA ADUBAÇÃO VISANDO O EQUILÍBRIO E RESISTÊNCIA DAS PLANTAS

Hélcio de Abreu Junior*

 
"Alimente seu solo que ele alimentará sua planta'' 
Willian Albrecht

1. Fundamentos

A teoria da trofobiose de Francis Chaboussou (trofo = alimento e biose = existência de vida) quer dizer: Todo e qualquer ser vivo só sobrevive se houver alimento adequado disponível para ele. Em outras palavras, a planta ou parte da planta cultivada só será atacada por insetos, ácaros, nematóides, fungos e bactérias quando houver na seiva, exatamente o alimento que eles precisam.

Este alimento é constituído, principalmente, por aminoácidos, açucares redutores, esteróis, vitaminas e outras substâncias simples livres e solúveis, pois os insetos e fungos possuem poucas enzimas e estas apenas conseguem digerir substâncias simples presentes na seiva da planta. Os teores e principalmente a proporção destas substâncias relacionados com os teores de nutrientes minerais na seiva são determinantes na maior ou menor susceptibilidade das plantas aos parasitas. 
Para que a planta tenha uma quantidade maior de aminoácidos (substâncias simples), basta tratá-la de maneira errada: adubações desequilibradas, aplicações de agrotóxicos, estresses, podas etc.

Portanto, um vegetal bem alimentado e manejado considerando todas as suas necessidades e equilíbrios, dificilmente será atacado por "pragas e "doenças". As ditas pragas e doenças, morrem de fome numa planta equilibrada. Podemos trocar o nome de pragas e doenças para indicadores de mau manejo. Insetos, ácaros, nematóides, fungos, bactérias e vírus são a conseqüência e não a causa do problema. Desta forma, em agricultura sustentável (orgânica) tratamos as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.

Existe por trás desta teoria, uma base bioquímica onde as enzimas responsáveis por processos importantes da planta quando na ausência de alguns nutrientes (metais) e condições ambientais, perdem sua capacidade de catalisar as reações, diminuindo sua eficiência. Desta forma algumas substâncias ficam acumuladas na planta e servem de alimentos para os insetos.

Na agricultura orgânica, o simples fato de se buscar uma produção vegetal e animal mais equilibrada e sadia, nos leva a pensar e agir diferentemente da agricultura convencional, principalmente no manejo da fertilidade dos solos. A busca por um alimento com maior valor biológico e com propriedades organolépticas melhores, nos levou a buscar outras formas de fertilização dos solos mais equilibradas que levam em conta as proporções dos nutrientes no solo e não só os teores totais.

Sabe-se que o Cálcio e o Magnésio tem uma estreita relação com a absorção do potássio e conseqüentemente com o ataque de pragas e doenças. Da mesma forma o enxofre com o nitrogênio, o boro com o cálcio e potássio, o zinco com o fósforo, entre outras relações que direta ou indiretamente afetam a produção e sanidade das culturas e criações (ZIMMER, 2000, PRIMAVESI, 1986, ABREU JR. 1998).
A melhoria da fertilidade dos solo e o controle das pragas, doenças e ervas invasoras não são feitos com produtos, como por exemplo um fertilizante NPK 4-14-8 ou alguns agrotóxicos como 2,4-D, benlate e malathion, mas sim por um processo, onde os conceitos citados acima são aplicados racionalmente e de maneira conjunta, com o intuito de minimizar os efeitos destes agentes biológicos.

Entendendo assim, a agricultura passa a ter menos mistérios e os seus profissionais responsáveis passam a ter um papel fundamental na orientação do controle de pragas e doenças dos cultivos agrícolas. Para que não sejam entendidas como uma catástrofe enviado pela natureza, mas um fator que pode ser manejado adequadamente quando se entende as relações clima, solo, planta, praga/doença, organismos benéficos e ações do homem.

As práticas sustentáveis da agricultura se baseiam em conceitos ecológicos sólidos e podem ser divididas em dois grandes grupos:

2. Medidas a serem tomadas antes do plantio

" Fazer o Manejo Integrado da Fertilidade do Solo e Nutrição da Planta, onde a queima de qualquer resto de palhada e/ ou vegetação é a pior prática quando se deseja alcançar a sustentabilidade agrícola. A compostagem de todo material disponível na propriedade é sempre desejável.

" Preparo do solo, deve ser precedido da avaliação da compactação, dando sempre preferência ao plantio direto e mecanização reduzida, mantendo a cobertura de palha e/ou matéria orgânica na superfície do solo para que ocorra a decomposição aeróbica e desenvolvimento de organismos benéficos.

" Realizar a adubação no sentido amplo do termo, com muito critério pois como se sabe, o excesso de um nutriente provoca a deficiência induzida de outro e quase sempre isto está associado ao ataque de pragas e doenças. Há uma relação direta entre deficiências, excessos e aumento da susceptibilidade das plantas a pragas e doenças.

IMPORTANTE: Deve-se dar preferência a nutrientes quelatizados; aqueles ligados a moléculas de matéria orgânica, pois possuem a qualidade de liberar paulatinamente as quantidades necessárias às plantas, promover a vida benéfica no solo e de não se perder facilmente com as chuvas.

Para isso, acrescentar aos estercos, biofertilizantes e tortas, os elementos que são carentes no solo e planta. A colocação de fertilizantes solúveis diretamente no solo, sem fazer adubação verde ou acrescentar matéria orgânica compostada ou húmus de minhoca, não é sustentável a longo prazo, pois os fertilizantes solúveis irão se perder por lixiviação e/ou fixação, não irão promover uma vida ativa e benéfica ás plantas e vão predispô-las às pragas e doenças. 
É unânime entre os agricultores mais experientes, a relação entre melhoria do solo em matéria orgânica e diminuição de pragas e doenças (Seminário sobre novas tendências de manejo do solo Húmus e Microrganismos - 1996).

" Após a instalação da cultura no campo, ao se fazer a adubação de cobertura, pode se utlilizar compostos orgânicos mais solúveis e ricos em nutrientes, como o esterco de galinha, a torta de mamona, Bokashi, biofertilizantes e nutrientes quelatizados.
" Rotação racional de culturas, com características diferentes de extração de nutrientes, evitando-se sempre os afeitos alelopáticos;
" Consorciação de plantas companheiras (Ex. abóbora e milho, batata e alho) e/ou de plantas repelentes às pragas (Ex. tomateiro e cravo de defunto, alho japonês);
" Plantio de cercas vivas, quebra-ventos e preservação de áreas de refúgio da fauna benéfica. A orientação é utilizar-se diversas plantas nativas que produzam flores e frutos em abundância para que os organismos benéficos tenham alimentos em períodos de "entressafra de pragas".
" Escollha culturas adaptadas aos fatores limitantes (clima, solo, disponibilidade e água etc) bem como de cultivares, variedades e espécies resistentes e/ou rústicas às doenças e pragas mais comuns na região. Basear a escolha nas características do clima dos centros de origem das espécies, por exemplo a batata nos Andes, o tomate no México e assim por diante.
" Plantio e cultivo de plantas inseticidas, nematicida, fungicidas e indutoras de resistência, como o Nim (Azadirachta indica), Cravo-de-defunto (Tagetes erecta) Manjericão (Ocimum micranthum), Primavera (Bougainvillea glaba), respectivamente, para utilização na preparação de extratos e biopreparados que serão utilizados na proteção dos cultivos.
" Iniciar a preparação de caldas fermentadas e infusões que estimulam e promovem a melhor nutrição e consequentemente uma melhor proteção das plantas, pois muitas vezes estes preparados necessitam de alguns dias para a completa elaboração (Ex.: Biofertilizante, chorume)
" E todas as recomendações citadas, deve-se ressaltar que o agrotóxico não deve ser considerado como medida preventiva.

3. Importância do equilíbrio dos nutrientes 

Neste novo enfoque e visão se diz equilíbrio de bases do solo e não calagem e adubacao, onde os diferentes tipos de calcário e adubos são utilizados com mais critério e não apenas o econômico. Fazer cálculos de calagem e adubação conforme preconizados pela pesquisa técnica convencional, nem sempre será sinônimo de sucesso e sanidade das culturas, pois os resultados dos experimentos levou-se em conta apenas as quantidades de matéria seca produzidos pela planta; ou seja usou-se a balança de medida de massa.
Pouco se avaliou quanto uma calagem e relação Ca/Mg afeta a vida do solo, microrganismos, colóides, lixiviação, perda de outros nutrientes, resistência a pragas e doenças, resistência a seca e vento, promoção de saúde animal, valor biológico, capacidade do alimento satisfazer os animais etc.

Tabela :Medidas preventivas/curativas de pragas e doenças com o uso de nutrientes vegetais.

PRAGAS / DOENÇAS APLICAR OS NUTRIENTES

Brusone (Piricularia oryzae) Cobre + Manganês
Lagarta rosada algodão (Platyedria gossypiella) Molibidênio + Fósforo
Ferrugem (Hemileia vastatrix) de café Calda Viçosa
Bicho mineiro (Perileucoptera coffeella Skrill (Nutriente marinhos)+ Molibidênio
Vírus dourado em feijão Cálcio (concha moída) + Boro
Antracnose em feijão e uva(Glomerella lindem) Cálcio
Botrytis em uva Boro
Míldio em cereais e girassol Cobre + Boro
Pulgões (Aphideo) Potássio + Boro, em citrus + Cobre
Vaquinha (Diabrotica speciosa) Molibidênio
Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignoselus) Zinco na semente
Lagarta do cartucho (Sspodoptera frugiperda): Boro no solo e semente
Serrador (Onicideres impluviata) Magnésio
Cochonilhas Elevar o nível de cálcio à 40 mmola/1000 mg
Ferrugem (pullinia tritici) Boro + Cobre
Lesmas(gastrópodes Rotação com aveia preta + Cobre na palha
Ferrugem em crisântemos Iodo
Saúvas (Atta sp.) Adubar as plantas e árvores com Molibidênio
Primavesi, (1997)

Plantas que foram cultivadas em solos que receberam adubação (orgânica+mineral) com base no equilíbrio de bases, proporções dos nutrientes na CTC e não somente no conteúdo total dos elementos, foram mais resistentes a pragas e doenças e os animais (porquinho da Índia e galinhas) que as consumiram, ganharam mais peso consumindo menos; em relação às mesmas plantas cultivadas sob adubação tradicional (calagem + adubação química), segundo experimentos de Wiliam Albrecht citado por Zimmer (2000). Isso pode ser creditado ao maior valor biológico dos alimentos cultivados em solos equilibrados.

No boletim Técnico 100 do IAC, consta: "A relação Ca/Mg não é um fator que precisa ser levado em conta na calagem, desde que seja garantido um teor adequado de Mg. A importância do equilíbrio de bases no solo para a produção das culturas tem sido muito discutida, nos últimos anos, no País. Existem recomendações técnicas para ajustar a relação Ca/Mg para valores entre 3 e 4, sem nenhuma sustentação experimental. Ao contrário, os resultados experimentais sobre este assunto, tanto nacionais como internacionais, tem demonstrado que a relação Ca/Mg tem pouca importância para a produção das culturas dentro de um intervalo amplo de 0,5:1 até 30:1, desde que os teores desses nutrientes no solo não sejam próximos aos limites de deficiência".

Para agricultura orgânica as proporções dos nutrientes tem muita importância, pois afeta diretamente a saúde das plantas e vida do sistema vivo solo. Quanto aos resultados experimentais, acho que os fertilistas brasileiros nunca leram Albrecht.
O excesso de magnésio presente em solos que receberam exclusivamente calcário dolomítico provoca: perda de nitrogênio pela formação de nitrato de magnésio, altamente lixiviável no solo, competição com o potássio na absorção pela planta, diminuição da floculação do solo, compactação e maior pegajosidade do solo.

Segundo o boletim "O solo pode ser até considerado um organismo vivo''. Para os orgânicos isso não há duvidas, pois o solo e um sistema vivo comparado ao rumem de uma vaca. Quando alimentamos uma vaca com palhas, são os microrganismos presentes no rumem que o digerem e transformam as celuloses e ligninas em substancias assimiláveis pelo animal, da mesma forma deve ser encarado o solo.

Analisando sob este enfoque, formas de nutrientes que levam cloro em sua composição, afetam a vida no solo, pois cloro é um poderoso bactericida. O cloro não se torna bonzinho ao se coloca-lo no solo. Ele mata micróbios onde quer que esteja
Por exemplo, o cloreto de potássio tem em sua composição além do potássio (55%), cloro (45%) e por isso que seu uso na agricultura orgânica não é permitido, bem como de outros cloretos.

Os solos brasileiros possuem baixa quantidade de Matéria Orgânica (M.O.) e Boro.O primeiro diminui a retenção e adsorção de nutrientes no solo, diminui vida e diversidade de organismos no solo, ciclagem de nutrientes, bem como diminui aeração, a retenção de água e penetração das raízes no solo, aumenta a compactação, ou seja, diminui o volume de solo explorado pelas raízes e conseqüentemente aumentam as chances das plantas passarem fome e sede. O boro, quando ausente ou em baixa quantidade, reduz crescimento das raízes e ocasiona quase os mesmos efeitos na planta, descritos acima; alem de diminuir a translocacao de fotoassimilados, pegamento e enchimento de frutos.
O pH não é um parâmetro tão importante, mas conseqüência do atendimento dos demais níveis. Se fosse tão importante ao se colocar uma planta em água com pH 7 ela se desenvolveria bem sem precisar dos nutrientes.

Algumas regras importantes para aplicação prática do conceito de Equilíbrio de Bases:

" Não acrescentar mais de 2,5 t/ha de calcário por ano.
" Não colocar todos os nutrientes nas proporções ideais logo no primeiro ano, pois ao se acrescentar adubos orgânicos e adubos verdes, os microrganismos passam por um período de estresse para conseguirem agir no sentido de equilíbrio do solo.
" Fazer composição de calcários, cinzas, fosfatos naturais e pós de rocha, no sentido de se atender as proporções sugeridas pela tabela.
" Acrescentar fosfato natural e pós de rocha sempre em conjunto com matéria orgânica, seja composto, biofertilizante ou chorume.

O manejo da fertilidade do solo inicia-se pela amostragem correta e analise química, física e biológica do solo realizado em laboratórios confiáveis.
" Com o resultado de analise, poderemos inferir algumas características como:

" Magnésio acima de 15% da CTC - plantas amareladas e solo pegajoso e com lentidão na infiltração de água
" Potássio (K) além de 7% da CTC - presença de caruru como principal planta espontânea
" Boro abaixo de 0,5 ppm - problemas sérios de pragas em brotações e pegamento de frutos
" Cálcio abaixo de 30% da CTC - alta incidência e predominância de capins como plantas expontâneas e problemas de ataque de cochonilhas em arvores.
" Cobre abaixo de 1 ppm - problemas sérios de doenças

Todas estas informações são correlacionadas nos trazem informações para aferirmos o resultado da analise de solo, pois se no solo amostrado apresentar bastante caruru (Amaranthus) como planta espontânea e na analise o potássio estiver abaixo de 5% da CTC, deve-se duvidar deste resultado ou da amostragem realizada.
Com a proliferação e facilidade de uso de extratos vegetais e caldas fertiprotetoras com relativo sucesso no controle de pragas e doenças tanto no orgânico como no sistema convencional de produção agrícola, há uma negligência na questão equilíbrio do solo e nutrição das plantas, base de todo controle e prevenção de parasitas.


4. Relações entre os nutrientes no solo

Willian Albrecht teve uma questão que na década de 50 o incomodava: O que e um solo equilibrado? Estudando matéria orgânica e a resposta das plantas ao seu acréscimo ao solo, estabeleceu que a resposta estaria ai. Estabeleceu as proporções dos nutrientes na matéria orgânica e testou esta proporção em solos lavados (areia), acrescentando os nutrientes nas quantidades relativas semelhantes a matéria orgânica. Escreveu cerca de 400 trabalhos científicos publicados nas mais importantes revistas da época.

5. CONSIDERAÇÕES:

O biofertilizante utilizado é apenas esterco bovino fresco que passou pelo biodigestor, porém há possibilidades de se melhorar ainda mais a qualidade deste tão lucrativo insumo.
Para se espalhar o boro, por exemplo, o ideal é dividir a dosagem em pelo menos 3 vezes e misturar ao biofertilizante no momento da aplicação no solo, utilizando para isso uma esparramadeira de chorume ou na irrigação. Da mesma forma se faz para os outros micronutrientes. O biofertilizante diluido a de 5 a 10% pode ser pulverizado sobre as plantas no sentido de nutrí-las e de protegê-las contra doenças fúngicas e algumas pragas.

Para adubação orgânica, se faz necessário a utilização de adubação verde, compostagem e utilização de todo resíduo orgânico disponível na região, como cascas, bagaços, lodo de esgoto, restos de comida etc. Enriquecer sempre com pós de rocha fosfática, basalto, diabásio, feldspato entre outras.
A recomendação é de 6 t/ha, porém deve-se colocar ao longo do período de cultivo e fazer sempre rotação, cobertura morta e tantas outras práticas visando aumentar a vida no solo.
Para a maioria das plantas estas proporções e teores satisfazem tanto a vegetação como a produção; porem para plantas lenhosas (arvores frutíferas), palmáceas, banana a proporção do potássio deve ser de 7% da C.T.C..
Uma forma de se interpretar uma analise de solo e calcular as necessidades e realizar uma recomendação técnica de construção da fertilidade do solo será apresentado na prática.

6.Fórmulas de Biofertilizantes

Há algumas fórmulas de biofertilizantes, mas deve-se ressaltar que colocar nutrientes químicos (sais de micro e macronutrientes) atrapalham e afetam a fermentação aeróbica.

Pode-se utilizar o extrato de composto puro no solo ou diluído sobre as plantas no sentido ded ocupar a superfície das folhas e frutos com microrganismos benéficos.

Plantio Ecológico de Árvores
Os plantios de árvores atualmente tem tido insucessos ou alta porcentagem de falha no pegamento das mudas, isso se deve ao fato das pessoas ainda plantarem em covas.

7.Sistema de plantio em Berço

Experiências práticas mostram que plantios em berços, o índice de pegamento é de quase 100%, muito diferente dos plantio em covas onde se trabalham com índices de no máximo 92%.

No plantio de mudas fazer berços e não covas, separar as 2 camadas de solo e colocar o material orgânico (composto, esterco, resto de culturas) na superfície para que possa sofrer decomposição aeróbia. Se for colocada abaixo de 20 cm haverá fermentação anaeróbia, produzindo gases tóxicos como o sulfídrico, metano, monóxido de carbono e substâncias fétidas e igualmente tóxicas como putrefacina e cadaverina, causando intoxicação das mudas, e conseqüente amarelecimento e morte ou vulnerabilização de seu sistema de defesa, aparecendo pragas e doenças(Figura 1).

O tempo entre o preparo do berço e plantio não precisa ser de 2 meses, como para as covas, pois você não está misturando o composto em todo o solo, mas apenas na superfície. Pode-se realizar o plantio no mesmo momento da abertura e preparo do berço.
Mudas de árvores plantadas em covas com esterco misturado em todo o solo amarelecem e sofrem diminuição do desenvolvimento no inicio, isto já não acontece quando se planta em berço. Desta forma se ganha 2 meses na estação chuvosa, tendo como resultado uma planta mais bem pega e desenvolvida com maiores chances de sobrevivência no período seco, diminuindo a dependência da irrigação.

Na adubação de manutenção e produção das árvores frutíferas, deve-se espalhar em toda a área e não só na projeção da copa, a fim de promover o desenvolvimento de raízes em todo o solo, fazendo a planta explorar mais nutrientes e água . O mato e outras plantas entre as árvores será adubado sim, mas periodicamente roçado e pulverizado biofertilizante para acelerar a decomposição. Não haverá competição, mas uma reciclagem contínua dos nutrientes, contribuindo para o aumento do teor de matéria orgânica e vida do solo, aumentando a sustentabilidade do sistema.

Para implantação de pomares em grandes áreas, realizar o plantio de espécies de adubos verdes 1 mês antes do plantio das mudas. Protege a muda do sol forte e mantém o solo coberto. Ao final da estação chuvosa, cortar as ramas dos adubos verdes e deixar sobre o solo, protegendo-o 
Para implantação de matas ciliares, fazer o berço e semear guandu + crotalária pelo menos 1 mês antes do plantio das mudas. Retirar algumas plantas de adubo verde do centro do berço e plantar a muda.

Deve-se abolir o uso de herbicidas, pois além de matar a vida do solo afeta o sistema de defesa da planta e contamina o ambiente. Roçar o mato entre as linhas e colocar cobertura morta embaixo das saias das árvores afim de abafar o crescimento das plantas espontâneas. Deve-se dar preferência a instalação de adubação verde permanente como Arachis pintoi (amendoim forrageiro), uma leguminosa nativa do Brasil central, que além de fixar nitrogênio, suprime o crescimento do mato e protege o solo da erosão e excesso de calor.

É recomendável a aplicação de pós de rocha magmáticas e paramagnéticas em todo o pomar, plantas e solo a fim de promover maior atividade e microvida no agroecossistema
Para controle de doenças fazer uso de biofertilizantes e extrato de húmus que promovem o aumento de microrganismos benéficos, que quando são pulverizados sobre as plantas, ocupam os sítios de entrada da planta e competem por alimentos com os patógenos, diminuindo as chances de desenvolvimento de doenças nas plantas.
Quanto ao controle de pragas, faz-se o uso de extrato de Nim, alho, tagetes, timbó, calda sulfocálcica, viçosa, bordalesa, entomopatógenos (Beauveria bassiana, Metharizium anisopleae, Bacillus thurigiensis), extrato pirolenhoso, armadilhas com feromônio e/ou alimentícias, ensacamento de frutos etc.
Consulte um agrônomo que tenha conhecimentos de agricultura sustentável e observe mais a natureza, esta sempre nos ensina sem esconder nada.


8. Adubação e Recuperação de árvores e pomares

Fazer sempre adubação no sentido de encorajar as raízes a explorar maior volume de terra e consequentemente água. Desta forma a árvore dependerá menos de adubos e irrigação. Dependerá menos dos humanos para sobreviver.
Adubação de projeção de copa limita as raízes a uma certa distância e volume de solo, aumentando os desequilíbrios nutricionais e a vulnerabilidade a falta de água. 
Adubação de projeção de copa é como temperar a carne de churrasco fazendo um montinho de sal em uma das pontas da peça. Em um dos lados fica salgado demais e outro sem sal algum, apenas uma faixa em torno do montinho é possível se apreciar. Chega de fazer churrasco russo no solo, temos de encorajar as raízes a explorar mais solo e água, dependendo menos de nós humanos.
O Nim, embora venha sendo utilizado em agricultura orgânica e convencional, os resultados melhores vem sendo obtidos na razão direta do equilíbrio do solo. Por exemplo, em cultivo convencional de tomate o Nim não conseguiu controlar a broca do ponteiro. O agricultor havia feito calagem com calcário dolomítico na dosagem 3 vezes maior que a recomendação tradicional. Nem mesmo o agrotóxico utilizado por ele na área convencional, controlou o ataque da praga. Da mesma forma, um cultivo orgânico teve o mesmo problema, porém em análise de solo, constatou o teor baixo de Boro, embora o de Cálcio estivesse alto. A baixa quantidade de Boro no solo afeta a absorção e transporte de K, Ca e fotoassimilados, deixando as brotações frágeis e tenras, sem resistência às pragas. 
Assim como os agrotóxicos, os extratos vegetais têm limitações quanto à eficiência no controle de parasitas e são altamente dependente do estado de equilíbrio dos nutrientes do solo e da planta.
A trofobiose não é novidade, mas é fundamental ressaltar a sua importância na expressão da resistência das plantas e ressaltar a sua dependência no nível de eficiência dos extratos utilizados pela agricultura orgânica.

* Helcio Abreu Jr. - Nim do Brasil , produtos e tecnologia de Nim (sementes, mudas, óleo, extratos, vídeos, livros) R. Clóvis Bevilacqua, 550; D-32 // Campinas - CEP: 13075-040] tel: (019) 3212-0906 / cel:9723-4789 / e-mail: nim.br@uol.com.br

(Fonte: Prof. Helcio de Abreu Junior)



Gestão natural de pragas

Artigo compilado por Rebecca Dennis

“Gestão natural de pragas” é um método de controle de pragas que não usa produtos químicos. Ao invés disso, são usados outros insetos, pássaros, animais, plantas ou técnicas manuais.

Os pesticidas químicos têm muitas desvantagens. Embora eliminem a praga, eles também matam muitos insetos úteis para a cultura e podem poluir o solo e os suprimentos de água e fazer com que as pessoas adoeçam. Os benefícios dos pesticidas químicos diminuem com o tempo, à medida que as pragas se tornam resistentes a eles. Assim, o pesticida mata as pragas mais fracas, deixando que as mais fortes procriem e produzam uma nova geração imune ao pesticida.

O que é uma praga?


Uma praga é um inseto ou animal que causa danos a uma planta ou cultura. É possível que um inseto ou animal seja uma praga numa situação e benéfico noutra. Há pragas de todos os tamanhos e feitios. Aqui estão algumas pragas comuns e os problemas que elas causam:
Brocas, que enfraquecem a planta, tais como o cupim e a broca de haste no milho
Afídeos, que perfuram a folha ou a haste e sugam a seiva, enfraquecendo a planta e propagando a doença
Besouros, gorgulhos e lagartas, que comem folhas. (No entanto, é importante lembrar que as borboletas são úteis para a polinização.)
Gafanhotos, que mordem a parte superior das mudas
Pragas constituídas por animais maiores, como macacos, ratos e pássaros (por exemplo, pombas e gralhas), que comem sementes e plantas.
Aprendendo sobre pragas

Antes de decidir que método de controle de pragas usar, é importante aprender sobre a praga. Seria um erro desperdiçar tempo e dinheiro controlando um inseto ou um animal quando ele nem está incomodando a planta.

Identifique a praga Por exemplo, se houver buracos nas folhas, examine a planta em diferentes horas do dia para ver se consegue encontrar a praga em ação. Pode ser útil conversar com vizinhos e agricultores locais para descobrir que pragas são comuns no local.
Aprenda sobre a praga Aprenda sobre o seu ciclo de vida, alimentação e inimigos naturais. Muitas vezes, há um estágio no seu ciclo de vida em que é mais fácil controlar a praga, como, por exemplo, eliminando os ovos antes que os insetos saiam deles. Uma praga pode ser controlada retirando-se a sua fonte de alimento ou introduzindo-se inimigos naturais (predadores). Para obter estas informações, converse com os agricultores locais e agentes de extensão ou veja se há livros numa biblioteca local.
Monitore o comportamento da praga A praga aparece numa certa estação? Ela se encontra em toda a planta ou toda a cultura ou em apenas alguns lugares? A praga está aumentando ou diminuindo em número?
Decida quando agir Lembre-se de que todos os insetos fazem parte do ambiente natural e de que não devemos tentar perturbar o equilíbrio natural, a menos que seja necessário. Só vale a pena investir dinheiro no controle de pragas, se o custo dos danos causados pela praga for maior do que o custo para controlá-la.
Avalie o efeito Depois de usar um método de controle natural de pragas, avalie os seus efeitos. Você usará o método novamente para esta praga ou deve usar outro? O método afetou outros insetos? Isso foi bom ou ruim?  
 

PLANTAS
 
O cultivo companheiro é uma maneira eficaz de controlar as pragas. Ele consiste em organizar diferentes plantas em fileiras alternadas. Por exemplo, plantando-se melões ao lado de rabanetes, os besouros não passarão pelas fileiras de melões, porque não gostam do gosto dos rabanetes.
Certas plantas podem ser usadas para afastar as pragas. Por exemplo, plantar cebola e alho ao redor da cultura afasta os insetos, porque eles não gostam do cheiro.

PREDADORES
 
PÁSSAROS

 Alguns pássaros comem pragas de insetos. Os pássaros podem ser atraídos para o local, colocando-se sementes para passarinhos ou plantando-se plantas que produzam sementes que eles gostem de comer, mas que não sejam úteis para o agricultor.

ANIMAIS

 A maioria dos pequenos animais comem insetos e outras pragas. Por exemplo, os sapos comem milhares de insetos por mês, inclusive as larvas de mariposas, lesmas, formigas e lagartas. As aranhas comem muitas pragas de insetos, e as cobras comem roedores. Estes pequenos animais podem ser atraídos plantando-se plantas que eles gostem de comer ou oferecendo abrigo natural para protegê-los contra outros predadores. 

INSETOS

 Alguns insetos são bons predadores porque comem outros insetos. Um bom exemplo disso é a joaninha. As joaninhas só comem afídeos, como o pulgão, e não comem insetos benéficos. Elas podem comer 40–50 afídeos por dia, e suas larvas podem comer ainda mais. É possível incentivar os predadores de insetos plantando-se, nas proximidades, certas plantas ou flores benéficas para eles.

PESTICIDAS NATURAIS
 
É possível criar pesticidas com ingredientes naturais. Por exemplo, as lagartas e os afídeos podem ser controlados com um borrifo de folhas de mamão. Para fazer o borrifo:
 
Pique 1kg de folhas frescas e deixe de molho em dez litros de água, adicionando duas colheres de sopa de querosene e um pouco de sabão.
Deixe por pelo menos duas horas (ou de um dia para o outro).
Retire as folhas e use o borrifo imediatamente.
 
CONTROLES MECÂNICOS
 
Os controles de pragas mecânicos são muito simples de colocar na prática. Eles podem consistir em:
 
Pegar com a própria mão os insetos grandes das plantas. Este método é eficaz para pequenos terrenos, antes que a praga procrie, mas não é uma solução prática para campos grandes.

Levantar barreiras para proteger as plantas, como, por exemplo, colocar redes para evitar que os pássaros as biquem e cobrir as frutas para protegê-las contra as moscas-das-frutas.

Usar armadilhas como ratoeiras, armadilhas pegajosas para insetos ou armadilhas para caracóis e lesmas (feitas com uma mistura de água e levedura).

(Fonte: Tearfund International Learning Zone - http://tilz.tearfund.org/Portugues/)
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