Análise da Evolução de Dois Sufixos (‘ao’ e ‘mento’)

ao Longo dos Séculos, em Quatro ‘Corpora’ da

Língua Portuguesa de Diferentes Épocas

 


Trabalho final de Morfologia do Português (FFLCH/USP)

Os ‘Corpora’ Pesquisados:

 

 

v  C  O  R  P  U  S - I

“História dos Reis de Portugal”

(Capítulos 0 a 5 - e respectivos fólios)

Ano: 1344

Autores: Afonso, o Sábio (início) e Sancho IV (final)

ACESSE: http://peres.rusky.googlepages.com/peres6a

  

 

v  C  O  R  P  U  S - I I

“Carta do Achamento do Brasil”

(Folios 1r a 14v)

Ano: 1500

Autor: Pero Vaz de Caminha

ACESSE: http://peres.rusky.googlepages.com/peres6b

  

 

v  C  O  R  P  U  S - I I I

“Cultura e Opulência do Brasil, por suas Drogas e Minas

(Primeira Parte: Proêmio, Livro I e Cap.XII do Livro III)

Ano: 1711

Autor: Pe.André João Antonil

ACESSE: http://peres.rusky.googlepages.com/peres6c

 

  

v  C  O  R  P  U  S - I V

“Os Sertões”

(Nota Preliminar e Capítulos I a V)

Ano: 1902

Autor: Euclydes da Cunha

ACESSE: http://peres.rusky.googlepages.com/peres6d

 

 

 

C O R P U S   I

 

             No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes, a partir do contato do árabe com o latim.

 

            À medida que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crónica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de dom Pedro Afonso, conde de Barcelos.

 

            O legado cultural do Conde de Barcelos é um dos mais importantes da Idade Média peninsular. D. Pedro foi certamente o compilador (ou, pelo menos, o último compilador) das cantigas dos trovadores galego-portugueses. Excelente trovador, legou-nos ainda quatro cantigas de amor e seis cantigas de escárnio, onde o humor (por vezes “picante”) se alia a um notável sentido rítmico e musical. Poderemos distinguir, portanto, na historiografia nacional portuguesa, três tipos de produção literária, que correspondem a períodos históricos sucessivos, e com eles entram em conformidade:

 

 

  • Os Livros de Linhagens (sécs. XII-XVI) – três registros genealógicos das famílias nobres e que alternam história e lenda: a Crónica da Conquista do Algarve, a Vida de D. Telo e a Crónica da Fundação do Mosteiro de S. Vicente de Lisboa (conforme publicados nos “Portugaliae Monumenta Historica”, de Alexandre Herculano);

 

  • A Produção dos Cronistas: com a Crónica Geral de Espanha (de 1344), do Conde D. Pedro Afonso, de Barcelos; a Crónica da Guiné (1453), dos escritores Fernão Lopes e Gomes Eanes de Zurara; a Crónica de D. João II (1545), de Rui de Pina; com as Décadas da Ásia (a partir de 1552), de João de Barros; a História do Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses (a partir de 1551), de Fernão Lopes de Castanheda; e com a Crónica do Rei D. Manuel (a partir de 1566), de Damião de Góis; dentre outras obras.

 

  • A Constituição Escrita da História Moderna: que se inicia durante o Romantismo, com a figura de Alexandre Herculano, autor da História de Portugal até D. Afonso III, na qual o autor põe em prática uma concepção do texto histórico obedecendo a preocupações científicas e fundada na observação das transformações sociais (e não na mera sucessão das personalidades e dos acontecimentos).

 

Contudo, é com os cronistas que ganha corpo a organização sistematizada, por escrito, de um discurso que assume a evolução do acontecer humano e a consciência da relevância de fatos e personalidades que possam determinar a especificidade da civilização e a necessidade do seu registro objetivo.

 

            D. Pedro Afonso, Conde de Barcelos (1287 - Lalim, 1354) é o primeiro filho natural de D. Dinis e de Dona Grácia Froes (de identificação insegura). Poeta e trovador como seu pai, teve um papel de relevo na vida política e, sobretudo, cultural do seu tempo, a ele se ficando a dever uma boa parte dos mais importantes textos da cultura medieval portuguesa.

 

 

C O R P U S   I I

 

            A Carta a El-Rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil é o documento no qual Pero Vaz de Caminha narra suas impressões sobre o espaço que, posteriormente, viria a ser chamado de Brasil. Conservada inédita por dois séculos nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, foi descoberta em 1773 por José de Seabra da Silva, noticiada pelo historiador espanhol Juan Bautista Muñoz e publicada, pela primeira vez no Brasil, pelo padre Aires do Casal.

 

            Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Caminha redigiu a carta ao Rei Dom Manuel I para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1º de Maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota; é o primeiro documento escrito da história brasileira e, portanto, considerado o marco inicial da obra literária no Brasil. Este documento está inscrito, desde 2005, no Programa Memória do Mundo, da UNESCO.

 

            Pero Vaz de Caminha (Porto[?], Portugal, c. 1450 — Calicute, Índia, 15 de Dezembro de 1500) foi um escritor português que se notabilizou nas funções de escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral. Era filho de Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro do duque de Bragança. Seus ancestrais seriam os antigos povoadores de Neiva, à época do reinado de D. Fernando (1367-1383). Letrado, foi cavaleiro das casas de D. Afonso V (1438-1481), de D. João II (1481-1495) e de D. Manuel I (1495-1521). Assim, pai e filho, para melhor desempenhar seus cargos, exercitaram a prática da escrita distinguindo-se a serviço dos monarcas.

 

            Em 1500, Pero Vaz foi nomeado escrivão da feitoria a ser erguida em Calicute, na Índia, razão pela qual se encontrava na nau capitânia da armada de Pedro Álvares Cabral em Abril daquele mesmo ano, quando a mesma descobriu o Brasil. Caminha eternizou-se como o autor da carta, datada de 1 de Maio, ao soberano, um dos três únicos testemunhos desse achamento (os outros dois são a Relação do Piloto Anônimo e a Carta do Mestre João Faras).

 

            Mais conhecido dentre os três, a Carta de Pero Vaz de Caminha é considerada a certidão de nascimento do Brasil embora, dado o segredo com que Portugal sempre envolveu relatos sobre sua descoberta, só fosse publicada no século XIX, pelo Padre Manuel Aires de Casal em sua "Corografia Brasílica", publicada pela Imprensa Régia (Rio de Janeiro, 1817).

 

            Tradicionalmente, se aceita que Caminha pereceu em combate durante o ataque muçulmano à feitoria de Calicute, em construção, no final de 1500. Já o destinatário da Carta, D.Manuel I, décimo quarto Rei de Portugal, nasceu em Alcochete, em 31 de Maio de 1469, e morreu em Lisboa, em 13 de Dezembro de 1521.

 

            O monarca contribuiu para a constituição do Império português que fez de Portugal um dos países mais ricos e poderosos do mundo. Manuel utilizou a riqueza obtida pelo comércio para construir edifícios reais no estilo Manuelino (o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém são exemplos) e atrair cientistas para a corte de Lisboa.

 

            Na cultura, Manuel I procedeu à reforma dos Estudos Gerais, criando novos planos educativos e bolsas de estudo. Na sua corte, surge também Gil Vicente, pai do teatro português, além do célebre geógrafo Duarte Pacheco Pereira, dentre outros.

 

 

C O R P U S   I I I

 

         Diz-se que é a partir de 1516 que se inicia, realmente, a colonização, com a ordem de D. Manuel I de distribuir, gratuitamente, machados e enxadas aos portugueses dispostos a povoar o Brasil. Em 1518, porém, os índios exterminariam a colônia em Porto Seguro, atacando a igreja e, em seguida, a feitoria. Alguns historiadores situam, contudo, o início da colonização por volta de 1530, quando começou a cultura da cana-de-açúcar e a instalação de engenhos para a sua fabricação.

 

         A cultura do açúcar incidiu primeiramente sobre o século da descoberta e sobre o início do século XVII, mas influenciou o Brasil durante quatro séculos. Até as grandes descobertas dos ibéricos, o açúcar era produto de farmácia, caro, ao alcance de poucos, presente oferecido em porções diminutas.

 

         Verdadeira descrição da atualidade econômica do Brasil Colônia, situada na infância da nossa historiografia econômica, Cultura e Opulência do Brasil conheceu um percurso editorial extremamente conturbado. Publicado em Lisboa no ano de 1711, o livro foi imediatamente confiscado, uma vez que fora considerado pelo Conselho Ultramarino como uma ameaça aos interesses da Coroa Portuguesa.

 

         O que primeiro nos chama a atenção no livro é sua estruturação rigorosa, dividida em quatro partes nitidamente autônomas: a primeira dedicada ao açúcar; a segunda ao tabaco; a terceira ao ouro; e a quarta ao gado. Dentro dessa divisão, o açúcar alastra-se por cerca de 51% do total do conjunto, sendo o restante distribuído de forma proporcional à importância econômica dos demais produtos tratados: 24% para o ouro; 17% para o tabaco e 7% para o gado. A parte referente ao açúcar, Antonil a divide em três outros livros, sendo que cada um deles comporta exatamente doze capítulos, o que perfaz um total de trinta e seis. Os trinta e quatro capítulos restantes destinam-se ao ouro (17 capítulos), ao tabaco (12 capítulos) e ao gado (5 capítulos).

 

         Nos doze capítulos iniciais do Livro I, detém-se, também, no aglomerado humano que compõe um engenho, desde o senhor proprietário até ao mais simples escravo e, ao longo dos 36 capítulos dedicados à cultura da cana-de-açúcar, assiste-se ao rebaixamento do humano, que se torna coisa, e à exacerbação da coisa, que ultrapassa o humano para se converter em entidade divina.

 

         No topo da escala está o senhor de engenho, detentor do capital necessário à construção e manutenção da indústria e em torno do qual apinham-se as mais diferentes castas de serviçais. Depois de detalhar e prescrever as relações entre o senhor e seus trabalhadores, Antonil vai intensificando um processo de metaforização da cultura açucareira até que, no Livro II (Capítulo 8), as fornalhas do engenho excedem seus limites espaciais e funcionais, agigantando-se gradativamente a ponto de se transformarem em local de purgação de pecados.

 

         Dupla função tem, portanto, o calor da fornalha: a produção do açúcar branco e a purgação do homem preto: o "escuro" passa a significar pecado, e o "claro", a virtude. Nada mais "natural", pois, que junto à fornalha o escravo atingisse a alvura desejável depois de bem cozido.

 

         Cumpre observar como Antonil encara o trabalho negro, aquele que dá toda sustentação física à produção açucareira do Brasil Colônia. No Livro I, no qual as atenções se voltam para as relações entre o senhor e a massa de servidores, há um capítulo dedicado exclusivamente à forma de "como se ha de haver o senhor do engenho com seus escravos" (Cap. 9, pp. 120-32).

 

         O retalhamento do corpo escravo instala-se já na abertura do capítulo e, encarando o negro como um vasto conjunto passível de ser decomposto segundo as necessidades do trabalho, o narrador passa a classificá-lo e a distribuí-lo, tendo em mente apenas a sua funcionalidade. Daí, a primeira providência pragmática é o desmembramento dos escravos em duas grandes categorias básicas: a dos "ladinos" e a dos "boçais", lembrando que tanto a força física quanto as suas habilidades têm muito a ver com a procedência geográfica do africano.

 

         Na etimologia do nome, os ladinos já carregam a potencialidade de adaptação e de ajustamento à sociedade branca dominante, uma vez que o termo "latinu", que lhe dá origem, batizava tudo aquilo que fosse passível de "latinização", de conformidade com a antiga hegemonia cultural latina. Por outro lado, a boçalidade dos segundos não esconde a marca do latim vulgar bucceu (bucca > bucceu > boçal), cujo único traço de individualização é a "boca". Assim, aos ladinos caberão ofícios domésticos ou delicados, porque deles se pode requerer "maior advertência" (p. 122); já dos boçais, o que se diz, além da negligência quanto à fé religiosa, é que são necessários quatro deles para equivaler a um ladino. Porém mais importante que essas duas categorias, tipificadas a partir de sua desenvoltura intelectual, é uma terceira, que traz na cor da pele a origem de sua classificação. Trata-se dos "mulatos", tidos como "soberbos & viciosos (...), valentes [e] aparelhados para qualquer desaforo" (p. 124).

 

O Padre João Antônio Andreoni, que se assinou como André João Antonil, (Lucca, 8 de fevereiro de 1649 — 13 de março de 1716) foi um jesuíta italiano. Formou-se em Direito pela Universidade de Peruggia e aos dezoito anos ingressou na Companhia de Jesus, em Roma. Chegou a Salvador no ano de 1681, onde veio a falecer no ano de 1716, tendo exercido o cargo de Superior.

 

         Em 1711, publicou “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas & Minas” em Lisboa, com todas as licenças necessárias. Entretanto, logo a Coroa Portuguesa foi advertida do risco de divulgação de tão detalhadas informações sobre as drogas e minas da sua principal Colônia, proibindo a obra e confiscando os seus exemplares.

 

         Da edição de 1711, restaram apenas seis exemplares, que se tornaram raridades bibliográficas. Encontram-se, hoje: um em Paris; outro em Londres; outro na Biblioteca Nacional de Lisboa; mais um na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; e, finalmente, dois na Faculdade de Direito da USP. Obra essencial para a compreensão da vida social e econômica do Brasil colônia, só viria à luz em 1837, quando foi integralmente editada no Rio de Janeiro.

 

 

C O R P U S   I V

 

         Os sertões, escrito por Euclides da Cunha durante o final do século XIX e publicado em 1902, é um dos maiores livros já escritos por um brasileiro. Pertence, ao mesmo tempo, à prosa científica e à prosa artística, podendo ser entendido tanto como uma obra de Sociologia, Geografia, História ou crítica humana. Mas também é possível lê-lo como uma epopéia da vida sertaneja em sua luta diária contra a paisagem e a incompreensão das elites governamentais.

 

         Concebido segundo o esquema rigoroso do determinismo de Hippolyte Taine (raça, meio e momento), os princípios científicos adotados pelo escritor envelheceram, achando-se inteiramente desacreditados pelas ciências humanas atuais. Todavia, a maneira pessoal e artística com que ele escreve garantiu atualidade à obra, considerada pré-modernista por seu estilo conflituoso, angustiado, torturado, ocorrendo, com freqüência, a mistura de termos de alta erudição científica com regionalismos populares e neologismos do próprio autor. O livro divide-se em três partes:

 

  • A Terra: são estudados o relevo, o solo, a fauna, a flora e o clima da região nordestina. Revela, ainda, que nada supera a principal calamidade do sertão: a seca;

 

  • O Homem: o determinismo julgava que o homem seria o produto do meio (geografia), da raça (hereditariedade) e do momento histórico (cultura). Daí, faz uma análise da psicologia do sertanejo e de seus costumes;

 

  • A Luta: examina os componentes ligados a Guerra de Canudos.

 

         A passagem da Monarquia para a República, no final do século XIX, foi um período de muita agitação nacional. A libertação dos escravos, em 1888, foi um golpe fatal para o Império. No ano seguinte, o golpe militar do dia 15 de novembro, liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, proclamou a República. O novo regime trazia a promessa de uma organização de homens livres e iguais perante a lei. As eleições democráticas dariam a todos o direito político de escolher seus dirigentes e o trabalho livre traria salários. Eram mudanças radicais, que pareciam acabar com antigos privilégios.

 

         Em 1896, no sertão da Bahia, teve início um dos acontecimentos mais impressionantes e sangrentos de toda a história do Brasil: a Campanha de Canudos. Quatro expedições militares foram enviadas durante um ano contra mais de vinte mil habitantes da região: sertanejos (índios, mulatos, caboclos e pretos) dirigidos pelo beato Antônio Conselheiro e munidos apenas de paus, pedras e armas rústicas. Os soldados, em contrapartida, traziam metralhadoras, granadas e canhões. Estavam poderosamente armados e eram numericamente superiores aos revoltosos, mas perdiam todas as batalhas. A resistência do sertanejo assombrava o país e a derrota de Canudos tornou-se, para o Exército e para a República, uma “questão de honra nacional”.

 

         Canudos representou o imprevisto: já se esperava um levante monarquista e, para o governo, o nordeste só poderia se beneficiar com a nova ordem republicana. No entanto, em pleno sertão, um grupo de desvalidos lutavam até a morte, manifestando a sua rejeição pelo novo regime.

 

         Até o início da guerra, as elites do litoral e do sul ignoravam o que fosse o sertão: uma estranha pátria sem dono, abandonada pelas leis e instituições, vivendo sob o jugo da terra e dos latifundiários. Para compreender a revolta era necessário que o sertão viesse à tona, numa nova tradução. Foi essa a grande proeza do jornalista e engenheiro militar ao publicar seu livro em 1902, que se tornou uma obra contundente que destruía o sonho brasileiro da República e da civilização branca europeizada.

 

         Os Sertões nasceu de uma reportagem sobre a Guerra de Canudos, feita para o jornal "O Estado de São Paulo", uma vez que Euclides fora cobrir o evento, em 1897, como enviado de guerra.

 

         Euclides da Cunha fora um defensor incondicional do novo regime, até a Campanha de Canudos. Sua própria história se confunde, em muitos momentos, com a própria história da República. Enquanto que o Exército, influenciado pelo positivismo de Auguste Comte (mas não republicano em sua totalidade), ainda se organizava enquanto classe, o escritor, já apaixonado pelos ideais do novo regime, desembarcou no dia 7 de setembro em Monte Santo, base da operação militar, pensando em defender a República contra um levante até então tido como “bárbaro e monarquista”. Começava, assim, a quarta Campanha contra Canudos e, após ela, o escritor jamais seria o mesmo: caberia a ele questionar a República que se formava e ser um dos maiores críticos do Exército brasileiro.

 

         Em Canudos, ao acompanhar a luta de perto, Euclides da Cunha logo percebeu que a guerra tinha como razões aparentes o fanatismo religioso, o messianismo e o sebastianismo sertanejos, ao invés de supostos ideais monarquistas. Suas razões profundas eram o latifúndio, o coronelismo, a servidão, o isolamento cultural e a dureza do meio. Foi o primeiro escritor brasileiro a diagnosticar o subdesenvolvimento do Brasil, referindo-se à existência de dois países contraditórios: o do litoral e o do sertão. Canudos resultou do confronto entre esses dois Brasis, distintos entre si no espaço e no tempo, pelo atraso de séculos em que vivia mergulhada a sociedade rural.

 

         O escritor mostrou que todos os reveses sertanejos estão ligados à terra, desde a opressão semi-feudal do latifúndio até a ignorância e o isolamento a que esta parte do Brasil sempre esteve condenada. E evidenciou que nada supera a principal calamidade do sertão: a seca. Assim, apontou a prática de plantio por queimadas como uma das causas daquele deserto, registrando que as grandes secas do nordeste obedecem a um ciclo de 9 a 12 anos, desde o século XVIII, numa ordem cabalística e, até hoje, esse fenômeno amplia o misticismo do matuto.

 

         A vida de Euclides da Cunha foi marcada pela tragédia. Órfão de mãe aos três anos de idade, foi entregue aos cuidados de vários parentes. Do Rio de Janeiro foi para Salvador e depois para São Paulo. Sua vida era feita de diferentes casas, bairros e afetos entrecortados. Morreu em 1909, assassinado num duelo por um jovem tenente, Dilermando de Assis, com quem vivia sua esposa que o abandonara. Seu corpo foi examinado pelo médico e escritor Afrânio Peixoto, que também assinou o laudo e viria mais tarde a ocupar a cadeira de Euclides na Academia Brasileira de Letras.

 

 

INCIDÊNCIA DO SUFIXO "ÃO" 

 

  ATV GEN LOC MOV RES TRS FIL DIM+ ESS PSS< INS XXX<
CORPUS 1 4 24 1 1 3 5 0 0 0 0 0 0
CORPUS 2 62 2 3 6 8 21 2 0 0 0 0 0
CORPUS 3 13 4 1 3 55 59 5 3 1 1 0 4
CORPUS 4 1 0 56 3 73 127 0 22 0 0 1 2

 

 

  ATV GEN LOC MOV RES TRS FIL DIM+ ESS PSS< INS XXX<
CORPUS 1+2 66 26 4 7 11 26 2 0 0 0 0 0
CORPUS 3 13 4 1 3 55 59 5 3 1 1 0 4
CORPUS 4 1 0 56 3 73 127 0 22 0 0 1 2

 

 

  CORPUS 1 CORPUS 2 CORPUS 3 CORPUS 4
ATV 4 62 13 1
GEN 24 2 4 0
LOC 1 3 1 56
MOV 1 6 3 3
RES 3 8 55 73
TRS 5 21 59 127
FIL 0 2 5 0
DIM+ 0 0 3 22
ESS 0 0 1 0
PSS< 0 0 1 0
INS 0 0 0 1
XXX 0 0 4 2

 

 

 INCIDÊNCIA DO SUFIXO "MENTO"

 

  R E S T R S M O V I N S P S S < L C A
CORPUS 1 4 16 0 0 0 0
CORPUS 2 12 2 1 1 0 0
CORPUS 3 37 11 1 0 8 0
CORPUS 4 44 23 1 0 0 1

 

 

  R E S T R S M O V I N S P S S < L C A
CORPUS 1+2 16 18 1 1 0 0
CORPUS 3 37 11 1 0 8 0
CORPUS 4 44 23 1 0 0 1

 

 

  CORPUS 1 CORPUS 2 CORPUS 3 CORPUS 4
RES 4 12 37 44
TRS 16 2 11 23
MOV 0 1 1 1
INS 0 1 0 0
PSS< 0 0 8 0
LCA 0 0 0 1

 

 

TABULAÇÕES DO CORPUS I

 

Sufixo "-ão"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
Arago~ 2 FALSO Nome Próprio
capita~ 1 ATV Bx.Lat. Capitanus
capita~aes 2 ATV Bx.Lat. Capitanus
castela~aos 6 GEN Lat. Castellanus
çidada~aos 1 ATV Lat.Civitas, -atis
co~diço~oes 1 TRS Lat. Conditione
condiço~oes 2 TRS Lat. Conditione
coraço~ 1 ??? Lat. Cor > Coratio (hip.)
coraço~oes 1 ??? Lat. Cor > Coratio (hip.)
coraçom 1 ??? Lat. Cor > Coratio (hip.)
coraçon 1 ??? Lat. Cor > Coratio (hip.)
crista~aos 1 GEN Lat. Christianus
e~formaço~oes 1 RES Lat. Informatione
e~to~ 1 FALSO Lat. In-tunc
entença~ 1 TRS Lat. Intensus
impressom 1 TRS Lat. Impressione
irma~a 3 GEN Lat. Germana
irma~ao 14 GEN Lat. Germanu
Joha~ 30 FALSO Nome Próprio
Joham 5 FALSO Nome Próprio
lyam 1 FALSO Desinência Verbal
ma~ao 5 FALSO Lat. Manus
ma~aos 1 FALSO Lat. Manus
maao 1 FALSO Lat. Manus
multido~oe 1 RES Lat. Multitudinis
naao 3 FALSO Lat. Non
no~ 30 FALSO Lat. Non
prisam 1 LOC Lat. Prensione ou Prehensione
procuraço~ 1 MOV Lat. Procuratione
Sam 3 FALSO Lat. Sanctu
sena~ 1 FALSO Lat. Si + Non
sevylha~aos 1 FALSO Esp. De Sevilha, top.
ta~ 1 FALSO Lat. Tam
trayçam 1 RES Lat. Traditione
Villa~ao 1 FALSO Nome Próprio

 

Sufixo "-mento"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
casame~to 1 RES Lat. Casa
casamento 1 RES Lat. Casa
estruyme~to 1 TRS Lat. Instrumentu
mereçimentos 1 TRS Lat.Merescere, incoativo Mereri
moyme~tos 1 TRS Lat. Momentu
moymen~to 1 TRS Lat. Momentu
reçebyme~to 1 RES Lat. Recipere
regime~to 5 TRS Lat.Tard. Regimentu
regimento 2 TRS Lat.Tard. Regimentu
saymento 1 TRS Lat. Salire
vencimento 1 RES Lat. Vincere

 

 

TABULAÇÕES DO CORPUS II

 

Sufixo "-ão"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
adoração 1 RES Lat. Adoratione
berbigões (molusco) 1 ??? ???
camarões (crustáceo) 1 ??? Lat. Cammaru
capitão (capitães) 62 ATV Bx.Lat. Capitanus
comunhão 2 TRS Lat. Communione
confeição 1 RES Lat. Confectione
conversação 1 TRS Lat. Conversatione
cristãos 2 FIL Lat. Christianu
devoção 4 TRS Lat. Devotione
direção 4 MOV Lat. Diretione
disposição 1 RES Lat. Dispositione
feição 2 TRS Lat. Factione
informação 1 RES Lat. Informatione
irmão 2 GEN Lat. Germanus
navegação 2 MOV Lat. Navigatione
pavilhão 1 LOC Prov.Pabalhon<Lat. Papilione
povoação 1 RES Lat. Populatione
pregação 6 TRS Lat. Praedicatione
procissão 1 TRS Lat. Processione
ração 2 ??? Lat. Ratione
repartição 1 TRS Lat. Partitione
resolução 1 RES Lat. Resolutione
salvação 2 RES Lat. Salvatione
sermão 3 TRS Lat. Sermone
sertão 2 LOC Bras.Hip.Derivaçãode Desetão
tenção 1 TRS Lat. Tentione
tubarão (celáquio) 1 ??? Car. Tiburón
Sufixo"-mento"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
(?) ferramenta 1 INS Lat. Ferramenta
(?) vestimenta 1 RES Lat. Vestitu
acatamento 1 TRS Lat.Hip. Captare
achamento 3 RES Lat. Afflare
acrescentamento 1 TRS Lat. Accrescentia
alimento 1 RES Lat. Alimentu
conhecimentos 1 RES Lat. Cognoscere
encomprimento 2 RES ???
entendimento 2 RES Lat. Intendere
mantimento 2 RES Lat. Mantenere
prosseguimento 1 MOV Lat. Prossequi

 

 

TABULAÇÕES DO CORPUS III

 

Sufixo "-ão"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
coração 1 ??? Lat. Cor > Coratio (hip.)
tição (fig.) 1 ??? Lat. Titione
capelão 10 ATV Bx.Lat. Capellanu
escrivães 1 ATV Lat. Scriba, -nis
ladrões 1 ATV Lat. Latrone
recreações 1 ATV Lat. Recreatione
facões 2 DIM+ Lat. Falcula
borrão 1 DIM+ Lat. Burra
ineptidão 1 ESS Lat. Ineptitudine
cristão 1 FIL Lat. Christianu
cristãos 4 FIL Lat. Christianu
cidadãos 1 GEN Lat.Civitas, -atis
irmãos 1 GEN Lat. Germanu
nações 1 GEN Lat. Natione
órfãos 1 GEN Lat. Orphanu < Gr. Orphanós
prisões 1 LOC Lat. Prensione ou Prehensione
condução 1 MOV Lat. Conducere
jurisdição 1 MOV Lat. Jurisdictione
missão 1 MOV Lat. Missione
ingratidão 1 PSS< Lat. Ingratitudine
condição 1 RES Lat. Conditione
condições 1 RES Lat. Conditione
demarcações 1 RES Germ. Marka
imposições 1 RES Lat. Impositione
informações 2 RES Lat. Informatione
invenções 1 RES Lat. Inventione
obrigações 8 RES Lat. Obligatione
ocupações 2 RES Lat. Occupatione
aprovação 1 RES Lat. Approbatione
circunspecção 2 RES Lat. Circunspectione
confusão 2 RES Lat. Confusione
conservação 5 RES Lat. Conservatione
declaração 1 RES Lat. Declaratione
divisão 1 RES Lat. Divisione
eleição 6 RES Lat. Electione
encarnação 1 RES Lat. Incarnare
limitação 1 RES Lat. Limitatione
ocupação 1 RES Lat. Occupatione
perdição 2 RES Lat. Perditione
perfeição 3 RES Lat. Perfectione
porção 2 RES Lat. Portione
presunção 1 RES Lat. Praesumptione
proporção 1 RES Lat. Proportione
repartição 4 RES Lat. Partire
repreensão 1 RES Lat. Reprehensione
satisfação 3 RES Lat. Satisfatione
conversações 3 TRS Lat. Conversatione
desinquietação 1 TRS Lat. Inquietatione
esquivações 2 TRS It. Schivare
moderação 2 TRS lat. Moderatione
ocasião 2 TRS Lat. Occasione
ocasiões 2 TRS Lat. Occasione
orações 1 TRS Lat. Oratione
razões 1 TRS Lat. Ratione
abominação 1 TRS Lat. Abominatione
administração 2 TRS Lat. Administratione
agitação 1 TRS Lat. Agitatione
atenção 4 TRS Lat Attentione
bênção 1 TRS Lat. Benedictione
compaixão 2 TRS Lat. Compassione
confissão  2 TRS Lat. Confessione
criação 1 TRS Lat. Creatione
disposição 2 TRS Lat. Dispositione
estimação 1 TRS Lat. Aestimare
informação 1 TRS Lat. Informatione
instrução 1 TRS Lat. Instructione
obrigação 7 TRS Lat. Obligatione
perdão 4 TRS Lat. Perdonare
prevenção 1 TRS Lat. Praeventione
razão 9 TRS Lat. Ratione
reflexão 1 TRS Lat.Tard. Reflexione
respiração 1 TRS Lat. Respiratione
salvação 2 TRS Lat. Salvatione
subordinação 1 TRS Lat. Subordinatione
tostões 4 XXX< Ant.Teston<It.Testone<Testa
chão 1 FALSO Lat. Planu
então 3 FALSO Lat. In-Tunc
estão 4 FALSO Desinência Verbal
aprenderão 1 FALSO Desinência Verbal
cão 2 FALSO Lat. Canis
castigar-se-ão 1 FALSO Desinência Verbal
causarão 1 FALSO Desinência Verbal
clamarão 1 FALSO Desinência Verbal
dão 17 FALSO Desinência Verbal
hão 28 FALSO Desinência Verbal
irão 1 FALSO Desinência Verbal
mão 3 FALSO Lat. Manus
mãos 7 FALSO Lat. Manus
matarão 1 FALSO Desinência Verbal
não 129 FALSO Lat. Non
pães 4 FALSO Lat. Pane
pagarão 1 FALSO Desinência Verbal
pão 2 FALSO Lat. Pane
poderão 3 FALSO Desinência Verbal
quão 2 FALSO Lat. Quam
saberão 2 FALSO Desinência Verbal
são 51 FALSO Desinência Verbal
serão 2 FALSO Desinência Verbal
tão 16 FALSO Lat. Tam
terão 1 FALSO Desinência Verbal
vão 8 FALSO Desinência Verbal
feijões 1 FALSO Lat. Phaseolu
fugirão 1 FALSO Desinência Verbal
procurarão 1 FALSO Desinência Verbal
desagradarão 1 FALSO Desinência Verbal
estranharão 1 FALSO Desinência Verbal
faltarão 1 FALSO Desinência Verbal
farão 1 FALSO Desinência Verbal
pagarão 1 FALSO Desinência Verbal
Sufixo"-mento"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
acrescentamento 1 MOV Lat. Accrescentia
pagamento 1 PSS Lat. Pacare
pagamentos 1 PSS Lat. Pacare
recebimento 2 PSS Lat. Recipere
rendimento 4 PSS Lat. Reddere
alimento 1 RES Lat. Alimentu
amancebamentos 2 RES Lat. Mancipiu
arrendamento 4 RES Port.Ant. Arredra
arrendamentos 1 RES Port.Ant. Arredra
arrependimento 1 RES Lat.Rependere<Re+Poenitere
aviamentos 1 TRS Lat. Via
casamento 2 RES Lat. Casa
conhecimento 1 RES Lat. Cognoscere
consentimento 1 RES Lat. Consentire
cozimento 1 RES Lat.Pop.Cocere, por Coquere
emolumento 1 RES Lat. Emolumentu
emolumentos 7 RES Lat. Emolumentu
instrumentos 1 TRS Lat. Instrumentu
mandamentos 1 RES Lat. Mandare
mantimentos  4 RES Lat. Mantenere
medicamentos 2 RES Lat. Medicamentu
ornamentos 1 RES Lat. Ornare
sacramentos 1 RES Lat. Sacramentu
sacramento 2 RES Lat. Sacramentu
tormentos 4 RES Lat. Tormentu
agradecimento 1 TRS Lat. Gratescere
melhoramento 1 TRS Lat. Meliore
nascimento 1 TRS Lat. Nascere
procedimento 3 TRS Lat. Procedere
prometimento 1 TRS Lat. Promittere
recolhimento 1 TRS Lat. Recolligere
tratamento 1 TRS Lat. Tractare

 

 

TABULAÇÕES DO CORPUS IV

  

Sufixo "-ão"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
bulcão (nevoeiro)                1 ??? Lat. Vulcanu, n.pr.
estação (do ano)                 4 ??? Lat. Statione
verão                                 6 ??? Lat. Veranu
rechão (chapada/planalto) 1 ??? Lat. Planu
barão                               1 ATV Germ. Baro

caldeirão (grande depressão)    

3 DIM+ Lat. Caldaria
capão                               1 DIM+ Tupi-Guar. Caá-Paun
tufão                                 1 DIM+ Chin.Tai-fung~Ár.Tufãn<Gr.Týphon

albardão (tipo de sela/montaria)

1 DIM+ Árab. Albarda'a
caixão                               1 DIM+ Lat. Capsa
chapadão                          6 DIM+ Fr.Chape
grotão                                1 DIM+ Lat. Crupta < Gr. Krýpte
riberão                             7 DIM+ Bx.Lat. Ripariu

        festão

      (ramalhete/adorno)                 

1 DIM+ Fr. Feston

      alvião 

      (enxada/picareta)                   

1 INS ???
região                               14 LOC Lat. Regione

      sertão                            

24 LOC Bras.Hip.Derivação de Desetão

       travessão 

      (acidente geográfico)     

1 LOC Lat. Transversu
boqueirão                         1 LOC Lat. Bucca
cansação (povoado)           1 LOC ???
denudação                       1 LOC Lat. Denudatione
depressão                        8 LOC Lat. Depressione
disposição                         6 LOC Lat. Dispositione
monção                             2 MOV Árab. Mansim
aproximação                     1 MOV Lat. Approximare
confusão                           1 RES Lat. Confusione
extensão                          1 RES Lat. Extensione
função                               4 RES Lat. Functione
proporção                         1 RES Lat. Proportione
colisão                             1 RES Lat. Collisione
condição                          2 RES Lat. Conditione
degradação                       3 RES Lat. Degradatione
denominação                     1 RES Lat. Denominatione
derivação                          2 RES Lat. Derivatione
descensão                        1 RES Lat. Descentione
desintegração                   1 RES Lat. Integratione
desolação                          1 RES Lat. Desolatione
insolação                          6 RES Lat. Insolatione
inundação                         2 RES Lat. Inundatione

       irradiação

4 RES Lat. Irradiare
irrupção                             1 RES Lat. Irruptione
mutação                            2 RES Lat. Mutatione
ondulação                         3 RES Lat. Unda
publicação                         1 RES Lat. Publicatione
recordação                        1 RES Lat. Recordare
ressurreição                     1 RES Lat. Resurrectione
reunião                             1 RES Lat. Unione
rotação                            2 RES Lat. Rotatione
saturação                         1 RES Lat. Saturatione
subdivisão                        1 RES Lat. Divisione
sublevação                      1 RES Lat. Sublevatione
inflexão                             2 RES Lat. Inflexione
prolongação                       1 RES Lat. Prolongare
razão                                1 RES Lat. Ratione
significação                      3 RES Lat. Significatione
solidão                             1 RES Lat. Solitudine
turbilhão                            1 RES Fr.Tourbillon
civilização                        3 RES Lat. Civile
construção                        2 RES Lat. Constructione

      ferrão

      (picada de inseto)                    

1 RES Lat. Ferru
cinturão                             1 RES Lat. Cinctu
adaptação                         1 RES Lat. Adaptare
erosão                               5 RES Lat. Erosione
extinção                           1 RES Lat. Extinctione
proibição                            1 RES Lat. Prohibitione
provisão                             1 RES Lat. Provisione
tradição                           2 RES Lat. Traditione
absorção                          3 TRS Lat. Absorptione
armação                            1 TRS Lat. Armatione
impressão                         5 TRS Lat. Impressione
obsessão                          1 TRS Lat. Obsessione
questão                             1 TRS Lat Quaestione
ação                                3 TRS Lat. Actione
atenuação                         1 TRS Lat. Attenuare
cintilação                          1 TRS Lat. Scintillatione
condensação                    3 TRS Lat. Condensatione
conformação                      4 TRS Lat. Conformatione
decomposição                  1 TRS Lat. Compositione
difusão                             1 TRS Lat. Diffusione
dignificação                       1 TRS Lat. Dignificare
dilatação                           1 TRS Lat. Dilatatione
discussão                          1 TRS Lat. Discussione
emersão (do astro)              2 TRS Lat. Emersione
evaporação                       5 TRS Lat. Evaporatione
evolução                           1 TRS Lat. Evolutione
excicação                          1 TRS ???
expansão                         5 TRS Lat. Expansione
floração                             1 TRS Lat. Flore
formação                           8 TRS Lat. Formatione
idealização                       1 TRS Lat. Ideale
infiltração                          1 TRS Lat. Filtru
intervenção                        1 TRS Lat. Interventione
intrusão                             1 TRS Lat. Intrusu
irrigação                            1 TRS Lat. Irrigare
manifestação                     1 TRS Lat. Mnifestatione
palpitação                        1 TRS Lat. Palpitatione
precipitação                       1 TRS Lat. Praecipitatione
preocupação                       1 TRS Lat. Praeocupatione
pressão                             1 TRS Lat. Pressione
progressão                        2 TRS Lat. Progressione
propagação                       1 TRS Lat. Propagatione
propulsão                          1 TRS Lat. Propulsare
sessão                             1 TRS Lat. Sessione
situação                          5 TRS Lat. Situ
sucção                              3 TRS Lat.Hip. Suctione
sugestão                           1 TRS Lat. Suggestione
transfiguração                    1 TRS Lat. Transfiguratione
transição                           3 TRS Lat. Transitione
vaporização                      1 TRS Lat. Vapore
variação                          1 TRS Lat. Variatione
viração                              1 TRS Lat. Vibrare + Gr. Gyrare, Gyros
feição                                4 TRS Lat. Factione
inclinação                          1 TRS Lat. Inclinatione
precisão                            2 TRS Lat. Praecisione
    vegetação                              9 TRS Lat. Vegetatione
ocasião                             2 TRS Lat. Occasione
povoação                          1 TRS Lat. Populatione
ilusão                                5 TRS Lat. Illusione

       adustão (cauterização)

2 TRS Lat. Adustione

       agitação

1 TRS Lat. Agitatione
alusão                              1 TRS Lat. Allusione
ambição                            1 TRS Lat. Ambitione
combinação                      1 TRS Lat. Combinatione
contemplação                   1 TRS Lat. Contemplatione
contração                         1 TRS Lat. Contractione
correlação                         1 TRS Lat. Correlatione
dedução                            1 TRS Lat. Deductione
diferenciação                  2 TRS Lat. Differente
explicação                        1 TRS Lat. Explicatione
exploração                         1 TRS Lat. Explorare
observação                        2 TRS Lat. Obsservatione
penetração                        2 TRS Lat. Penetratione
pertubação                        1 TRS Lat. Pertubatione

reação                             

2

TRS

Lat. Reactione

anão                               

2

XXX<

Lat. Nanu < Gr. Nánnos

       darão

1

FALSO

Desinência Verbal

       extinguirão

1

FALSO

Desinência Verbal

       Maranhão

2

FALSO

Nome Próprio

       serão

1

FALSO

Desinência Verbal

chão                           

11

FALSO

Lat. Planu

Sufixo"mento"      (+ variações)
P  a  l  a  v  r  a  s Ocorrência Classificação E t i m o l o g i a
acampamento 1 LCA Lat. Campu
baralhamento 1 MOV ???
elemento 12 RES Lat. Elementu
fragmento 2 RES Lat. Fragmentu
alinhamento 3 RES Lat. Linea
aparecimento 1 RES Lat. Apparescere
cruzamentos 1 RES Lat. Cruciare
escarpamento 2 RES Fr. Escarpe
firmamento 4 RES Lat. Firmamentu
indumento 2 RES Lat. Indumentu
monumento 1 RES Lat. Monumentu
pensamento 2 RES Lat. Pensare
afloramento 1 RES Lat. Flore
agravamento 1 RES Lat. Aggravare
depauperamento 1 RES Lat. Pauper
desaparecimento 1 RES Lat. Apparescere
desdobramento 2 RES Lat. Duplare
desenvolvimento 1 RES Lat. Involvere
deslumbramento 1 RES Cast. Deslubrar
desmoronamento 1 RES Cast. Desmoronar
empedramento 1 RES Lat. Petra
esgotamento 3 RES ???
esmagamento 1 RES Lat. Exmagare
momento 3 TRS Lat. Momentu
ensinamento 1 TRS Lat. Insignare
instrumento 1 TRS Lat. Instrumentu
lineamento 2 TRS Lat. Lineamentu
muramento 3 TRS Lat. Murare
prolongamento 1 TRS Lat. Prolongare
segmento 2 TRS Lat. Segmentu
apontamento 1 TRS Lat. Punctu
alevantamento 1 TRS It. Levante
aplanamento 1 TRS Lat. Planu
desnivelamento 1 TRS Fr.Ant.Livel<Lat.Libellu,dim.Libra
desnudamento 1 TRS Lat. Desnudare
entrelaçamento 1 TRS Lat. Laceu, por Laqueu
escoamento 1 TRS Lat. Excolare
movimento 1 TRS Lat. Movimentu
resfriamento 2 TRS Lat. Frigdu

 

 

A n á l i s e   e   C o n c l u s ã o:

 

  

A escolha dos corpora obedeceu um critério não somente cronológico mas, também, histórico, havendo a preocupação de que os textos transcrevessem a evolução social comum a Portugal e Brasil: das origens da nobreza lusitana até o fim do império e primeiros anos da República, no Brasil.

  

Dentro desses critérios, tivemos dificuldades em buscar três textos de tamanhos equivalentes, uma vez que os escritos mais antigos não tinham a mesma extensão dos textos dos Corpora III e IV. Assim, optou-se por desmembrar a referência mais antiga em dois corpora distintos. Na análise final, portanto, se junta ao Corpus II (Carta do Achamento do Brasil, de 1500) o Corpus I (Crônica Geral de Espanha, de 1344, atribuída ao Conde de Barcelos).

  

Note-se, em tempo, que o corpus datado de 1344 marca o surgimento da prosa literária em Língua Portuguesa, apesar de ter sido iniciado por Afonso X, o Sábio (1221-1284), e terminado por seu filho, Sancho IV (1258-1295).

  

Assim, verifica-se, a partir da análise do Gráfico 2 referente ao sufixo “-ão”, um desuso do código ATV ao longo do tempo. Em contrapartida, há um acréscimo de RES e TRS em todos os corpora, e o uso destes é crescente nos textos mais modernos, com maior incidência de TRS sobre RES.

  

Quanto ao sufixo “-mento”, conclui-se, a partir do Gráfico 2, uma grande incidência de RES e TRS, com uso mais acentuado conforme a modernidade do texto, mas com prevalência de RES sobre TRS.

  

Portanto, em linhas gerais, verificamos que há um aumento do uso de RES e TRS ao longo do tempo e que esses dois códigos concorrem entre si. Num sentido mais estrito, nota-se um crescente uso das “Classes de Ação” conforme a modernidade e a complexidade do texto, uma vez que ambos os “Códigos Trilíteres” (RES e TRS) pertencem a essa classificação.

  

Contudo, ressaltamos que essa tendência precisa ser comprovada através de uma pesquisa envolvendo corpora mais extensos, cabendo destacar que os presentes textos têm uma característica própria, notadamente o Corpora IV, que contém grande número de termos geográficos criando, freqüentemente, neologismos. Cabe lembrar ainda que, juntamente com a variação diacrônica, há presente a variação diatópica, uma vez que os dois primeiros corpora são europeus, enquanto os dois últimos são brasileiros.

  

Para finalizar, referimo-nos às citações de BARBOSA & da COSTA (3), constantes do trabalho apresentado no 53º Seminário do Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo:

  

·     (...) “Para Camargo (1986), quando formamos palavras com sufixos como ‘-s/ção’ e ‘–mento’, por exemplo, ocorre um processo de recategorização de bases lexicais (Camargo, 1986, p.129), que possibilita a ampliação do estoque lexical da língua.”

 

·     (...) “Outra lingüista, [que trata dos mesmos sufixos], é Basílio (1996, p.42). De acordo com sua pesquisa, as formações de estrutura com ‘-s/ção’ são as mais produtivas, correspondendo a cerca de 60% das formações regulares. Nessa mesma pesquisa, as formações em ‘-mento’ correspondem a aproximadamente 20% das formações regulares.”

  

·     (...) “Cabe destacar, ainda, que Said Ali (1964), assim como Basílio, já chamava a atenção para o pouco emprego do sufixo ‘-mento’, se comparado ao sufixo ‘-s/ção’. O autor afirma que, no português antigo, existiam muitas palavras formadas com –mento, que hoje caíram em desuso.”

 

 

 

B i b l i o g r a f i a (*):

 

 

 

  • RIO-TORTO, G.M. A Morfologia Derivacional: Teoria e Aplicação ao Português. Porto: Porto Editora, 1998.

 

  • HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001

 

  • BARBOSA, J.B. & da COSTA, D. S. Os Processos Morfo-fonológicos Desencadeados pelos Sufixos: ‘S/ÇÃO’ e ‘MENTO’. In Revista do Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo – Estudos Lingüísticos XXXV, por ocasião do 53º Seminário do GEL. São Carlos: UFSCAR, 2005.

 

  • CAMARGO, C.O. Morfologia Derivacional: O Sistema de Sufixos em Português. In Tese de Livre-Docência em Lingüística. Araraquara: UNESP, 1986.

 

  • BASILIO, M. A Nominalização Verbal Sufixal no Português Falado. In: CASTILHO, A. T. & BASILIO, M. Gramática do Português Falado, v. IV. Campinas: UNICAMP / FAPESP, 1996.

 

  • SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1964.

 

  • TEYSSIER, P. História da Língua Portuguesa. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1984.

 

  • CASTRO, I. Curso de História da Língua Portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 1991.

 

  • CINTRA, L. F. L. Crónica Geral de Espanha (Ed. Crítica). Lisboa: Academia Portuguesa da História, 1951-1961.

 

  • CAMINHA, P.V. Carta do Achamento do Brasil. São Paulo: Martin Claret, 2000.

 

  • ANTONIL, A.J. Cultura e Opulência do Brasil. In Coleção Reconquista do Brasil (3ª. ed.). Belo Horizonte: Itatiaia/Edusp, 1982.

 

  • CUNHA, Euclides. Os Sertões. In: Coleção Clássicos Rideel. São Paulo: Rideel, 2002.

 

 

 

(*) – As referências pesquisadas na Internet estão citadas, separadamente, em cada um dos quatro corpora que constituem o presente trabalho.