Introdução aos Estudos Tradutológicos


Docente:   Prof. Dr. Francis Henrik Aubert

 

 

 

 

P R O V A   F I N A L

 

 

Seguem abaixo os três temas possíveis para a prova final (última semana de junho). Desses, 2 (dois) temas serão sorteados no dia da prova, entre os quais cada aluno escolherá aquele que pretende desenvolver.

 

 

(1) – “As línguas diferem naquilo que devem expressar, não naquilo que podem expressar”. (R. Jakobson). Explique e comente.

 

O que Jakobson quis dizer é que, na tradução entre duas línguas diferentes, pode não haver equivalência completa entre as unidades de código. Assim sendo, deve-se sempre buscar a melhor forma de se obter o efeito mais satisfatório possível de ‘equivalência na diferença’ pois, a rigor, tudo pode ser expresso em qualquer língua, ainda que de forma aparentemente divergente.

 

Portanto, toda experiência cognitiva pode ser traduzida e classificada em qualquer língua uma vez que as diferenças existentes entre os sistemas lingüísticos não impossibilitam a tradução.

 

 

(3) – Considere os exemplos abaixo:

 

He swam across the river = Ele atravessou o rio a nado

Lebensgefahr = Perigo de morte

Sertão = Backland

County (USA) = Comarca (Brasil)

 

A despeito da relação de equivalência estabelecida, os respectivos termos/expressões remetem a realidades e/ou a visões de mundo discrepantes. Em sua opinião, essa discrepância é superável pela tradução? Sim? Não? Plenamente? Parcialmente? Justifique.

 

A tradução bem sucedida é aquela que preserva a idéia transcrita no texto original, ainda que mantenha diferenças inevitáveis com este. Portanto, em nome do diálogo entre povos – e do rompimento das barreiras ideológicas e culturais entre eles –, deve-se procurar desvendar com precisão o sentido original e, a partir daí, estabelecer a melhor relação possível, não somente em nome da plena equivalência, mas, também, com vistas à melhor inteligibilidade possível.

 

Assim sendo, é totalmente válida e justificável a busca de equivalências como forma de superar discrepâncias através da tradução, caso contrário estaríamos vertendo as referidas palavras de forma extremamente técnica e complexa, conforme exemplificado abaixo, o que certamente desviaria a atenção do leitor final para o objetivo maior do texto:

 

ü    Ele nadou transversalmente de um lado para outro do rio;

 

ü    Arid and remote hinterland in the interior and far from the sea;

 

ü    Há [aqui] um [efetivo] risco de [se perder a] vida;

 

ü     Circunscrição da divisão territorial existente na Inglaterra e nos EUA.

 

Portanto, é nesse sentido que se pode (e se deve) interpretar a “equivalência na diferença” postulada por Jakobson, uma vez que a equivalência tradutória nem sempre corresponderá a uma equivalência única e plena de um determinado conteúdo semântico, já que diferentes códigos lingüísticos podem perfeitamente conceituar uma mesma realidade extralingüística de forma totalmente diversa, fato este evidenciado nos exemplos acima descritos.