INTRODUÇÃO À TRADUÇÃO INGLESA


Translation Practice English/Portuguese - 2nd Term, 2008

 

TEXTO ORIGINAL

   

TRADUÇÃO PROPOSTA

 
     The old writers of history relate how that Canute was one day disgusted with his courtiers for their flattery, and how he caused his chair to be set on the sea-shore, and feigned to command the tide as it came up not to wet the edge of his robe, for the land was his; (...)        Os velhos escritores da História contam [1] como Canuto ficou, certa vez, bastante aborrecido com a bajulação de seus cortesãos, relatando [1]  o dia em que ele mandou que o seu trono [2]  fosse fincado junto ao mar, para que ele fingisse comandar a maré, ordenando que esta não molhasse a borda do seu manto, já que era ele o senhor da terra.
  (...) how the tide came up, of course, without regarding him; and how he then turned to his flatterers, and rebuked them, saying, what was the might of any earthly king, to the might of the Creator, who could say unto the sea, 'Thus far shall thou go, and no farther!'        Contam, ainda, [3] como a maré insistia em subir sem lhe dar ouvido, e como ele repreendeu os seus bajuladores, indagando-lhes qual seria, afinal, o poder de um simples rei sobre a Terra, perante o poder maior do Criador, o único que, efetivamente, poderia ordenar algo ao mar como: irás longe, mas não além do que eu mandar!”[4].  
     We may learn from this, I think, that a little sense will go a long way in a king; and that courtiers are not easily cured of flattery, nor kings of a liking for it. If the courtiers of Canute had not known, long before, that the King was fond of flattery, they would have known better than to offer it in such large doses.         Com isto [5], nos damos conta de que um pouco de bom senso sempre cai bem a um rei. E, também [5], de que certos cortesãos não são tão facilmente curáveis do mal da bajulação. E, por fim [5], que nem mesmo certos reis o seriam! Mas se, de antemão, os cortesãos de Canuto soubessem que o rei era, na verdade, um apreciador de bajulações, eles certamente saberiam melhor como fazê-las, evitando doses tão exageradas.  
     And if they had not known that he was vain of this speech (anything but a wonderful speech it seems to me, if a good child had made it), they would not have been at such great pains to repeat it. I fancy I see them all on the sea-shore together; the King's chair sinking in the sand; the King in a mighty good humor with his own wisdom; and the courtiers pretending to be quite stunned by it!”.        E se eles também tivessem percebido a vaidade contida no discurso do rei [6] (que, para mim, poderia ser até mesmo maravilhoso, desde que uma criança o proferisse), não teria sido tão penoso para eles repetirem as suas palavras. Imagino todos eles juntos, à beira-mar, portando-se artificialmente [7], enquanto [8] que o trono vai afundando na areia: o rei, com o seu poderoso bom humor, esbanjando sua peculiar sabedoria; e os seus cortesãos, fingindo estarem totalmente desconcertados por ela!  

 

  COMENTÁRIOS  
  [1] – Optou-se por traduzir 'relate'>'contam' pois este uso ficaria mais coloquial, repetindo-se 'relatando' mais adiante, para maior clareza do texto final. [2] – Da mesma forma, traduzimos 'chair'>'trono' pois este seria um termo mais adequado para um rei.  
  [3] – Foi feita a divisão do parágrafo original em inglês, com a opção de dois parágrafos distintos em português, para facilitar a leitura e o entendimento. [4] – Frase livremente traduzida, com a preocupação de torná-la o mais coloquial possível.  
  [5] – A frase original era muito longa e, por isso, optamos por dividi-la em três outras frases, utilizando o “e” como um 'conector', seguido dos termos “também” e “por fim”, utilizados para marcar a seqüência das idéias com maior clareza.  
  [6] – Houve um pequeno acréscimo de palavras no texto em português, para torná-lo mais coloquial, simples e lógico. [7] – Optou-se por traduzir 'fancy'>'artificialmente', justamente para enfatizar esta característica de “não naturalidade”, bem mais próxima da “superficialidade”  do que outros termos como, por exemplo, “afetação”. [8] – Incluiu-se o termo “enquanto”, para reforçar a idéia de simultaneidade.