Das Dificuldades da Tradução


Resumo e Análise Crítica de Dois

Textos Sobre o Ato de Traduzir de

Laura Bohannan & Roman Jakobson

 

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http://papilio.wordpress.com

 

Introdução aos Estudos Tradutológicos

DLM / FFLCH / USP

 

 

I n t r o d u ç ã o:

www.anthropologieenligne.com/pages/09.5.html

 

O presente trabalho pretende fazer um breve resumo acerca de dois textos que tratam, distintamente, do ato tradutório.

 

O primeiro, mais técnico e “otimista” quanto ao ato tradutório, é o texto de Roman Jakobson “Aspectos Lingüísticos da Tradução” [5], e que tem, conseqüentemente, um foco lingüístico mais intensificado.

 

O segundo texto, “Shakespeare na Selva” [6], de Laura Bohannan, tem como característica principal o seu foco extralingüístico e, portanto, mais pragmático, ao relatar as dificuldades de se contar a estória de Hamlet para os componentes da tribo dos Tiv, na Nigéria.

 

Ao final, é feita uma resenha de ambos e análise quanto às dificuldades – e desafios – inerentes à arte de traduzir idéias e conceitos, sempre da forma mais fiel possível ao texto original.

 

Yury Lotman 

Aspectos Lingüísticos da Tradução

de Roman Jakobson

 

 

http://www.isfp.co.uk/russian_thinkers/roman_jakobson.html

 

 

“Ninguém poderá compreender

 a palavra ‘queijo’ se não tiver

 um conhecimento não-lingüístico

 do queijo”.

 

Bertrand Russell

 

 

 

A partir desta afirmativa, Jakobson inicia a sua análise, dando conta de que, a partir do próprio preceito de Russell, chegaremos à conclusão de que “ninguém poderá compreender a palavra “queijo” se não conhecer o significado atribuído a esta palavra no código lexical português” (p.63).

 

E, mais a frente, sintetiza esta idéia com a afirmação de que “para o lingüista como para o usuário comum das palavras, o significado de um signo lingüístico não é mais que sua tradução por um outro signo que lhe pode ser substituído, especialmente um signo ‘no qual ele se ache desenvolvido de modo mais completo’, como (...) afirmou Pierce” (p.64).

 

A especificidade do termo é, contudo, variável, conforme se deseje um efeito de designação mais ou menos explícito. Daí, distinguem-se três maneiras de interpretação do signo verbal, a saber:

 

 

·     A Tradução Intralingual ou Reformulação (‘rewording’): esta modalidade consiste na interpretação dos signos verbais por meio de outros signos da mesma língua, mais ou menos sinônimos;

 

 

·     A Tradução Interlingual ou Tradução Propriamente Dita: aqui, trata-se da interpretação dos signos verbais por meio de uma outra língua, ainda que não haja uma equivalência completa entre as unidades de código;

 

 

·    A Tradução Inter-Semiótica ou Transmutação: fala-se, por fim, da interpretação dos signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais.

 

 

Contudo, ressalta o autor que, “mais freqüentemente (...), ao traduzir de uma língua para outra, substituem-se mensagens em uma das línguas, não por unidades de código separadas, mas por mensagens inteiras de outra língua” (p.65). Assim, a principal preocupação do lingüista é a “equivalência na diferença”, não se devendo, ao mesmo tempo, “sobreestimar a necessidade urgente, a importância teórica e prática de dicionários bilíngües diferenciais” (p.66).

 

Tanto a prática quanto a teoria da tradução trazem problemas complexos e, na solução, devemos considerar, além do nível da linguagem-objeto, o nível da metalinguagem (Niels Bohr), seja na revisão ou na redefinição dos vocábulos traduzidos, pois, “a ausência de certos processos gramaticais na linguagem para a qual se traduz nunca impossibilita uma tradução literal da totalidade da informação conceitual contida no original” (p.67).

 

O autor menciona Boas, lembrando que “o sistema gramatical de uma língua – em oposição a seu estoque lexical – determina os aspectos de cada experiência que devem obrigatoriamente ser expressos” (p.68). Abstrai-se, então que tais processos envolvem, necessariamente, escolhas, como no exemplo da tradução da frase “I hired a worker”, do inglês para o russo: se, no original, o gênero não é significativo, no texto final tal informação será de total relevância, no resultado final.

 

 

“As línguas diferem essencialmente naquilo que devem expressar, e não naquilo que podem expressar. Numa língua dada, cada verbo implica necessariamente um conjunto de escolhas binárias específicas, como, por exemplo:” (p.70):

 

·    “O evento enunciado é concebido com ou sem referência à sua conclusão?” (pp.70-71);

 

·    “O evento enunciado é apresentado ou não como anterior à enunciação?” (p.71).

 

“Em sua função cognitiva, a linguagem depende muito pouco do sistema gramatical, porque a definição de nossa experiência está numa relação complementar com as operações metalingüísticas (...). A hipótese de dados cognitivos inefáveis ou intraduzíveis seria uma contradição em termos” (p.70).

 

A mera questão do gênero vai bem mais além do que uma simples escolha, conforme o exemplo anterior de uma versão do inglês para o russo. Reproduzindo Vaillant, “o grego, traduzido para outra língua, nem sempre pode ser reproduzido de maneira idêntica. (...) Substantivos como potamos, ‘rio’, e aster, ‘estrela’, masculinos em grego, são femininos em outra língua” (p.71), conforme o exemplo dado em eslavo. Desta forma, estaríamos diante de verdadeiros obstáculos poéticos, como a anulação da “identificação simbólica dos rios com os demônios e das estrelas com os anjos, na tradução (...) de dois versículos de Mateus (7:25 e 2:9)” (p.71).

 

Se “em poesia, as equações verbais são elevadas à categoria de princípio construtivo do texto” (...), “a semelhança fonologia é sentida como um parentesco semântico” e “o trocadilho (...) ou paronomásia reina na arte poética” (p.72), só nos resta mesmo uma transposição criativa!

 

 

 

 

Misioneros en Camerún, circa 1900Shakespeare

na Selva

de Laura Bohannan

http://www.efimera.org/anotaciones/shakespeare_en_la_selva

 

 

 

“Vocês americanos freqüentemente

 têm dificuldades com o Shakespeare.

 Afinal, era um poeta intrinsecamente inglês,

 e é fácil interpretar erroneamente

 o universal por conta de um

a má compreensão do particular”.

 

Anônimo

 

 

 

 

A citação acima é feita pela própria Laura Bohannan, reproduzindo a observação feita por um amigo acerca da impossibilidade de se compreender Shakespeare – e mais especificamente Hamlet – fora do universo inglês. A tais comentários, seguiram-se os protestos de Bohannen, lembrando a universalidade dos textos do dramaturgo.

 

A peça citada conta o sofrimento do príncipe Hamlet, ao descobrir que o tio matou seu pai e casou-se com a sua mãe, para obter o trono da Dinamarca. Nela estão alguns dos diálogos e frases mais célebres de Shakespeare como: "Ser ou não ser, eis a questão", "Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a sua filosofia" e "O resto é silêncio".

           Dentre os temas levantados na tragédia, Hamlet medita sobre a mortalidade e, segundo diria mais tarde Freud, traz à tona a questão edipiana, misturando tanto os conceitos inerentes ao incesto não realizado quanto o recalque do filho que assassina o pai da horda primitiva, é que passa a ser assombrado por este.

 Mas, no caso de Hamlet, o pai assassinado é, na verdade, o tio que, desejoso de sua mulher, mata o próprio irmão e assume o trono: o mito fundador da cultura passa a ser, portanto, substituído pelo mito da fraternidade, onde irmão deseja destruir o outro, berço das relações neuróticas da alteridade.

 

A morte do “pai” ocorre em conseqüência de uma violenta explosão de todas as pulsões, originada na longa abstinência dos filhos obedientes. Além disto, há todo um questionamento quanto ao significado aparentemente periférico da mulher, servindo quase como uma moeda de troca ou de um adorno do poder.

 

Quando falamos de Shakespeare, o que parece certo, conforme bem argumentou Bohannan, é a universalidade de seus temas. Mas a sofisticação desta tragédia, baseada em Oedipus Tyrannus, traz um desafio extra ao ser transposto para outras culturas, principalmente os Tiv, com “seus padrões elevados” e “público bastante crítico”, fazendo com que a “prova da inteligibilidade universal de Hamlet” converta-se numa verdadeira empreitada.

 

Logo no início, a dificuldade foi explicar que o “chefe” (isto é, o rei da Dinamarca) apareceu para três homens e para o filho, mesmo depois de morto. Um ancião da tribo retruca: “Impossível (...). É claro que não era o chefe morto. Foi um presságio enviado por um feiticeiro”. Pior, ainda, foi situar especificamente um deles no episódio: Horácio, que era um “sábio”, foi explicado como sendo “um homem que sabe das coisas”, algo que soou como “bruxo”, pois ambas as palavras têm exatamente o mesmo significado para os Tiv.

 

Superada a dificuldade inicial, Bohannan dá-se conta de que um dos elementos principais da trama estaria completamente afastado de consideração: para os Tiv, é natural que o irmão se case com a cunhada, pois não é o filho quem, necessariamente, sucede o pai. Tentou em vão levantar a indignação dos ouvintes, ao dizer que a mãe casara-se com o irmão do pai de Hamlet após dois meses de sua morte, não guardando luto de, pelo menos dois anos. “Dois anos é muito tempo”, retrucou uma das mulheres que ouviam a estória...

 

O público parecia, portanto, convencido de que Cláudio e Gertrude haviam se comportado perfeitamente dentro da normalidade, pois Cláudio teria toda a razão de desposar a viúva do irmão, principalmente por ter o falecido apenas uma mulher, comportamento estranho aos Tiv.

 

Esperançosa de que os ouvintes desaprovariam o fratricídio, Bohannan lembrou-os do que o pai de Hamlet falou, mas um dos anciãos respondeu, enfaticamente, que “presságios não falam”. Nada mais restou à contadora da estória do que introduzir o conceito inglês de “fantasma” que, obviamente, não foi compreendido pois eram um povo que não acreditavam em vida individual após a morte. Entre tentativas paralelas envolvendo termos como ‘zumbi’ ou ‘sombra’, chega-se a um consenso provisório e seguiu-se com a narrativa.

 

A dificuldade seguinte foi compreender o papel de conselheiro que cabia a Polônio, bem como as suas objeções quanto à aproximação do príncipe com relação à Ofélia. E se a preocupação com a reputação da filha era algo ininteligível, o que dizer do caráter dúbio da loucura de Hamlet, seguida dos surtos da própria Ofélia? “Só a feitiçaria pode deixar alguém louco”, disse um dos ouvintes. Seria o tal “fantasma”, na verdade, um “diabo” como chegou a suspeitar o próprio Hamlet?

 

E como explicar a exímios caçadores o engano cometido por Hamlet, ao matar Polônio pensado se tratar de um rato por trás da cortina? Curiosamente, isto foi o que mais chocou os Tiv: Polônio falou antes de ser morto e, mesmo ouvindo, Hamlet o matou, pois pensava se tratar do “grande chefe” (o tio-rei) e ambicionava vingar a morte do pai. “Que um homem levante a mão contra o irmão de seu pai e contra aquele que havia se tornado o seu pai – essa era uma coisa hedionda. Os anciões deveriam mandar enfeitiçar alguém assim”.

 

Inútil foi lembrar que se tratava, na verdade, do assassino do pai de Hamlet; “Ninguém pode usar a violência contra os seus parentes mais velhos”. Mas eis que o mesmo ancião que retrucou condenando o príncipe constrói outro pensamento e chega a uma outra conclusão, desta vez antagônica: “Mas se o irmão do pai havia sido suficientemente maus para enfeitiçar o Hamlet e levá-lo à loucura, isso faria uma excelente estória, porque seria a culpa dele [o fato de] que Hamlet, estando fora de si, tivesse perdido o juízo e estivesse disposto a matar o irmão de seu pai”.

 

Cláudio não lamentara a morte de Polônio, pois vislumbrou uma possibilidade de se ver livre de Hamlet: o príncipe deveria seguir para a Inglaterra escoltado por dois de seus companheiros, que receberam, cada um deles, cartas determinando as providências a serem tomadas no destino final. Bohannan, então, recebeu olhares de reprovação ao contar que Hamlet falsificara duas outras cartas “do grande chefe” (tio-rei), substituindo-as pelas originais dadas aos dois “companheiros etários” (colegas de estudo) do príncipe, trocando as verdadeiras que determinavam a sua morte pelas falsificadas, que condenavam os próprios portadores.

 

Ao retornar, Hamlet depara-se com os funerais de Ofélia, que morrera afogada devido à loucura: “apenas os feiticeiros podem fazer com que uma pessoa se afogue”, disse um velho. “A água por si não pode fazer qualquer dano. É apenas algo que bebemos e na qual nós nos banhamos”, concluiu. Bohannan prossegue dizendo que, lá, Hamlet encontra Laerte, irmão de Ofélia e filho de Polônio, que voltara da França para o funeral. Cláudio, o tio-rei usurpador, aproveita a situação e revela, então, a Laerte que foi Hamlet quem assassinou o seu pai, Polônio.

 

Apesar de novas objeções quanto aos motivos das personagens, chega-se ao clímax da tragédia: a luta de facões entre Hamlet e Laerte, onde ambos recebem ferimentos mortais. Para comemorar o seu bom desempenho na luta, a mãe de Hamlet apressa-se em brindar ao filho e beber a “cerveja” (na verdade, um vinho) que o “grande chefe” havia separado para oferecer a Hamlet, caso este vencesse a disputa. O príncipe, de costas para Laerte, avisa à mãe que ainda não terminara a luta, quando recebe ou golpe do opositor, com uma “espada” (florin) envenenada. Hamlet, antão, toma-lhe a mesma espada e golpeia Laerte, que cai.

 

A rainha sente-se mal e a luta é interrompida. E, ao se dar conta de que o vinho que bebera estava envenenado, avisa Hamlet do perigo e morre nos braços do filho. Já com a respiração ofegante e perto da morte, Laertes confessa a Hamlet sobre a conspiração junto a Cláudio. Enfurecido, o príncipe mata Cláudio com a espada envenenada, forçando-o também a beber do vinho envenenado. Finalmente a morte do pai foi vingada.

 Horácio, horrorizado com a carnificina, pega o vinho envenenado e propõe a seu amigo unir-se a ele na morte, mas Hamlet arranca a taça de vinho de suas mãos e lhe dá ordens para que conte sua estória ao mundo, como forma de restaurar seu bom nome.

 

Eis que o velho que ouvia a narrativa interrompe o seu silêncio e diz: “essa foi uma ótima estória, e você a contou com pouquíssimos erros”. “Só teve mais um erro, bem no final”. “O veneno que a mãe de Hamlet bebeu era evidentemente para ser servido ao sobrevivente da luta, qualquer que fosse”. “Se Laerte tivesse vencido, o grande chefe o teria envenenado, para que ninguém soubesse que ele havia arranjado a morte de Hamlet”.

 

“Além disso”, prosseguiu, Cláudio “não teria mais que temer a feitiçaria de Laertes”, pois “é preciso ter um coração muito forte para matar a única irmã com feitiçaria”, referindo-se à loucura de Ofélia, desencadeada após a proibição de sua aproximação com Hamlet, determinada por Laerte e endossada por Polônio, antes da viagem forçada do irmão para a França. O interesse de Laertes era, na verdade, evitar que a reputação da irmã ficasse abalada, o que impediria que um bom – e abonado – pretendente se interessasse por ela no futuro, resolvendo definitivamente os seus próprios problemas financeiros.

 

Por fim, concluiu o velho Tiv: “em algum outro momento, nós, que somos anciões, lhe ensinaremos o seu verdadeiro significado, para que, quando você retornar ao seu país, os seus anciões vejam que você não ficou o tempo todo sentada no meio do mato, e sim entre aqueles que sabem das coisas e lhe ensinaram a sua sabedoria”.

 

Sim, estava aí provada a possibilidade da inteligibilidade universal de Hamlet: o problema estava em acertar nos meios adequados para um fim pleno de êxito, na difícil busca do entendimento quanto à significação maior das nuances constantes da tragédia shakespereana. E, para tal, devia-se buscar a adequação necessária por parte do contador, quanto à “nova” estória que passaria a existir.

 

 

Uma Análise Crítica:

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“Tradutore, traditore”.

(tradutor traidor)

 

Provérbio Italiano

 

 

 

 

O que era no original latino “Cogito ergo sum” traduziu-se para o francês como “Je pense, donc je suis” e para o inglês “I think, therefore I am”. Porém, a última coisa que Descartes queria dizer com essa famosa frase de seu “Discurso do Método” era que nós existíamos uma vez que pensávamos. Tratava-se, sim, de se duvidar da própria existência para, daí, comprová-la ao se dar conta da possibilidade do pensamento (e, a partir desta condição, reconhecer alguma forma de existência). Complicado, não?

 

Em seu ensaio “Die Aufgabe des Übersetzers” (A Tarefa do Tradutor), publicado em 1923 como um prefácio da sua tradução dos “Tableaux Parisiens” de Baudelaire, Walter Benjamin parte da afirmação de que tanto uma obra de arte quanto as reflexões teóricas acerca dela – independem da relação com um receptor ideal, apenas pressupondo “a existência e a essência do homem em geral”. Portanto, da mesma forma como a arte não objetivaria um determinado tipo de receptor, também a tradução não o deveria fazer, dada a sua condição de reprodução.

 

 

Fato é que há diferentes níveis de tradução e, digamos, por questão de princípio metodológico, o texto traduzido deve, a priori, reproduzir o mais fielmente possível o que é dito no original, inclusive seguindo-lhe, preferencialmente, o estilo. Mas a realidade é que, muitas vezes antes mesmo do ato de traduzir, os originais precisam ser submetidos a uma rigorosa revisão, pois as idéias centrais aparecem de forma dúbia, confusa ou mesmo equivocada.

 

E, muito além de se julgar se o papel “revisor” do tradutor é ético ou não, deve-se considerar a responsabilidade que este passa a ter, junto aos novos leitores do novo texto final traduzido. Portanto, faz-se necessário, mesmo nos textos mais técnicos, que o tradutor seja visto muito além de um mero “transpositor” de palavras e idéias: na verdade, ele é um co-autor, tornando-se igualmente responsável pelo texto, após traduzi-lo.

 

A complicação surge quando nos vemos diante de textos que exigem uma profunda formação cultural, como no caso descrito da estória de Hamlet “contada” para os Tiv: o tradutor torna-se, nestes casos extremos, uma espécie de mediador entre os conceitos mais universais da filosofia inerentes ao texto e a ideologia e demais características sociológicas do leitor final. Agora, muito além de um mero compromisso com o teor do que está escrito, exigem-se improvisações e artifícios para que se alcance a idéia central do texto da forma mais próxima possível ao original – e da forma mais similar àquela que o autor a concebeu.

 

Nesta empreitada, valem tanto o rigor metodológico de Jakobson quanto a improvisação proposta por Bohannan, não sendo tais abordagens necessariamente antagônicas. Afinal, o que sempre vai importar mais é a criatividade aliada ao senso crítico e estético do tradutor, além da mais sólida formação humanística possível, uma vez que o co-autor, tal como os atores que transpõem as mais diversas cenas para os palcos e encarnam os mais diversos tipos de personagens, também fazem as suas reinterpretações individuais ao colocarem o seu gênio – e engenho – a serviço da criação.

 

 

 

 

Bibliografia Consultada:

 

 

·    [1] AUBERT, Francis Hendrik. As (In)Fidelidades da Tradução. In Coleção Viagens da Voz. Campinas: Editora Unicamp, 1993.

 

 

·     [2] BENJAMIN, Walter. Die Aufgabe des Übersetzers. In Gesammelte Schriften. Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 1980.

 

 

·    [3] FREUD, Sigmund. Totem e Tabu (1912-1913). In Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freudvolume XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

 

 

·    [4] FREUD, Sigmund. Personagens Psicopáticos no Palco. In Edição Standard das Obras Psicológicas Completas - Volume 7 (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago, 1980.

 

 

·   [5] JAKOBSON, Roman. Aspectos Lingüísticos da Tradução. In Lingüística e Comunicação. São Paulo: Editora Cultrix, 1988.

 

 

·     [6] BOHANNAN, Laura. Shakespeare na Selva. In Natural History Magazine. New York, NY: American Museum of Natural History. Edição de Agosto/Setembro de 1996.