O Computador no Jardim de Infância-1


 

2 - Terceirização

            Perante a inexistência de material informático em muitos Jardins de Infância, alguns recorrem a serviços prestados por terceiros, na área da informática, para deste modo proporcionarem às suas crianças, o contacto com as NTIC e a utilização das mesmas. É o que Rosalen e Góes chamam de “Terceirização”, uma vez que o Jardim opta “(...) pela contratação de uma escola / empresa especializada em Informática” (2002:5), no sentido de proporcionar à criança a familiarização com o computador.

 

            Os mesmos autores, referem que esta terceirização vai dividir os Jardins de Infância em dois grupos: um que pretende articular o uso do computador com o projecto curricular da instituição e com a metodologia por ela adoptada; outro que apenas oferece aulas de informática sem se preocupar que as mesmas sejam integradas no projecto curricular. Para este grupo, a “(...) familiarização da criança com o computador significa saber operá-lo, ter noções básicas sobre ele” (Rosalen e Góes, 2002:5), proporcionando-lhe um treino de habilidades vistas como uma preparação para o futuro.

 

            No primeiro grupo, os Jardins de Infância têm a preocupação de “(...) utilizar o computador como ferramenta auxiliar no processo de aprendizagem da criança, de forma que o computador não se presta a transmitir o conhecimento, mas a proporcionar condições para que a criança o construa” (idem, ibidem).

 

            Esta situação de terceirização, leva a que as actividades com computadores assumam um estatuto de acontecimentos especiais em vez de acontecimentos normais integrados nas estratégias diárias do Jardim de Infância.

            No ensino terceirizado não há, normalmente, a preocupação de adequar o projecto de informática com as directrizes pedagógicas de cada instituição em particular. Assim, podemos referir algumas das desvantagens na utilização destes serviços:

-         existe uma desvinculação entre o projecto de informática e o projecto curricular do Jardim de Infância;

-         não existe a preocupação de seguir a metodologia utilizada no Jardim de Infância;

-         a abordagem é tradicional, baseada no método ensino – aprendizagem com cariz autoritário;

-         o professor é apenas especializado em informática;

-         não há envolvimento de todos os agentes educativos na construção do projecto de informática, uma vez que o mesmo é pré - definido;

-         prevalece o caracter comercial sobre o educacional (as crianças pagam uma mensalidade);

-         nem todas as crianças participam nas actividades de informática, levando a uma desigualdade de oportunidades

(cf. Rosalen e Góes, 2002:6/8).

 

            Deste modo, ao solicitar um serviço deste género, o educador deverá ter em conta os seguintes aspectos:

-         não aceitar um projecto previamente definido;

-         conhecer o material utilizado pela empresa para ver se há adequação pedagógica;

-         informar-se sobre a formação do pessoal que vai dinamizar as actividades (são normalmente técnicos de informática os quais não conhecem a Educação Pré-Escolar);

-         envolver educadores, professores, coordenadores e crianças na elaboração do projecto de informática integrado no projecto pedagógico do Jardim de Infância;

-         exigir a articulação das actividades de informática com as actividades pedagógicas a desenvolver no Jardim de Infância;

-         acompanhar e avaliar o desenvolvimento das actividades;

-         reestruturar o projecto inicial, caso seja necessário

 

            Rosalen e Góes concluem que a terceirização representa uma anulação da identidade das instituições, sendo por conseguinte inadequada e não recomendável.

  1. A utilização do computador no Jardim de infância
  2. Terceirização
  3. Software educativo