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Provérbios, Cantilenas e Lenga-lengas

Provérbios Populares 
  - Os espelhos são o Diabo.
  - Amigo disfarçado, inimigo dobrado.
 - Amigo verdadeiro vale mais do que dinheiro.

 - Quem tem sorte ao jogo não tem sorte aos amores.

 - Tempo é dinheiro.

 - Dinheiro não traz felicidade.

 - Com papas e bolos se enganam os tolos.

 - Quem vai à guerra, dá e leva.

 - É tarde para economia, quando a bolsa está vazia.

 - No Carnaval nada parece mal.

 - Filhos criados, trabalhos dobrados.
 - Quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos.

 - Quem tem Saúde e Liberdade é rico e não sabe.

 - Em Abril águas mil.

 - Filho de peixe sabe nadar.

 - Pela boca morre o peixe.

 - A esperança é a última a morrer.

 - A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha.

 - Amigo não empata amigo.
 -  Cada cabeça cada sentença.

 - Gaivotas em terra, tempestade no mar.

 - Tal pai, tal filho.
 
 - Quem sai aos seus não degenera.

 - Cão que ladra não morde.
 - Água mole em pedra dura, tanto bate e até que fura.
 - Quem vê caras não vê corações.
- Quem ri por último, ri melhor.
- Não há rosas sem espinhos[8]
 
- Há mar e mar, há ir e voltar.
 
- Há mais mares do que marinheiros.
 
- Quem vai ao mar avia-se em terra.
 
- O mar quer os medrosos, porque os foitos tem ele certos.
 
- Despreza o teu inimigo serás logo vencido.
 
- Se queres apreender a ourar entra no mar.
 
- Nem tudo ao mar nem tudo à terra.
 
- Cada um puxa a brasa à sua sardinha.
 
- Quanto mais alto se sobe maior é a queda. 
 
- Depois da tempestade vem a bonança.
 
- Quem semeia ventos colhe tempestades.
 
- Quem não arrisca não petisca.

Cantilenas Populares

 
Josézito, já te tenho dito

Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar
Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar

Chora agora
Josézito chora
Que me vou embora
P'ra não mais voltar
Chora agora
Josézito chora
Que me vou embora
P'ra não mais voltar [10]

“Pataias, ó grande aldeia”


Ó Pataias, ó grande aldeia de preta e branca areia
 Também tens o teu pinheiral
Onde canta cotovia
As melodias de Portugal.

A tua gente tem a serra em frente
Para deitar verde olhar.
Também é certo que tens as tuas praias
Para se banhar.

Diz lá, ó Pataias, quem foi que te baptizou?
A história diz-nos que foi D. Dinis
Muito que por aqui passou
Com as suas aias te baptizou, Pataias. [14]

 


Cantilena do Rouxinol

A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.

A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.

A chover e a dar sol
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela
  [20]

 


 

A ESCOLA (Poeta Malhó)

Dia Feliz d’Ano bom
Linda fita desenrola
Basta só ouvir o som
Nesta terra há uma escola
Palavra com graça e dom
Que nos encanta e consola.

Crianças desanimadas

Quase entreguem ao desdém

Cuidavam-se enjeitadas

Hoje aparece-lhes a mãe;

Sofreram rijas nortadas

Fugiram do mal para o bem

Da escola sai o doutor
Da escola sai o guerreiro
Sem ela era pastor
Ou seria carroceiro.
Só o saber tem mais valor

Do que a ignorância com dinheiro.

Despreze-se a ignorância
Ilustre-se a juventude
Ame-se a escola com ânsia
P’ra haver ciência e virtude
Quem vive em tal circunstância

Não lhe falta a quem se escude.

O nosso lindo lugar
Muitas criancinhas tem
Pois só de idade escolar
A lista é de mais de cem.
Não pode por aqui ficar
Tem que chegar mais além.


Manifesta o teu prazer
Onde chega neste dia

Na escola que vais ter

Tens a tua garantia.

Estuda se queres saber

Sabendo tens luz e guia [11]

 

 


Trava-Línguas

 

Percebeste?

 

Percebeste?
Se não percebeste,
faz que percebeste
para que eu perceba
que tu percebeste.
Percebeste?

Padre Pedro


Padre Pedro prega pregos. Pregos prega padre Pedro...
O rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia

 

O tempo

 

O tempo perguntou ao Tempo
Quanto tempo o Tempo tem
O Tempo respondeu ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o Tempo tem. [13]

 

 A sábia

A sábia não sabia que o sábio sabia que o sabiá sabia que o sábio não sabia que o sabiá não sabia que a sábia não sabia que o sabiá sabia assobiar. [19]

 


Frases e termos utilizados

Pataias

Escranvunçar: mascarrar; pintar de preto.

Empeçar: tropeçar; emaranhar-se.

Impigem: erupção cutânea.

Desmanchado: mal da barriga.

Estrampalhado: estragado.

Destrambelhado: Disparatado; desnorteado.

Fardeiro/Fardeira: Pessoa coscuvilheira.

Calhandreiro/calhandreira: Pessoa coscuvilheira.

 

 

 

  

Montes

 

Nesta freguesia existem termos linguísticos que, embora hoje já não sejam tão utilizados, faziam parte do vocabulário comum. Para que fique o registo para as futuras gerações aqui deixamos alguns exemplos:

 

 

Campeza: avanço; balanço; dar campeza; dar avança.

Lampoga: chama brusca de fogo; o fósforo quando acende faz uma lampoga; a pólvora quando explode faz uma lampoga.

Sucho: desapertado; o nó da corda está desapertado; o nó da corda está sucho.

Pirum: andar encavalitado ás costas de alguém.

Cachimbar: tramar; não é referente a fumar cachimbo mas sim ao acto de tramar; já me cachimbaste; já me tramaste.

Fezes: não está relacionado com funções fisiológicas como é normalmente utilizado, mas antes como um termo de preocupação. Ex: “tu não vinhas e eu já estava em fezes” ; tu não vinhas e eu já estava preocupado.
Picota: instrumento para tirar água dos poços.
Desquadrelhada: rapariga sem ancas.
Barbante: cordel fino.

Frouchel: pano cotão
Medrar : crescer.
Ilharga: ao lado.
Pinuca: nua.
Galhardinha: jeitosa.
Gravelhos: lenha miúda.
Calaceira: cobiça o que é dos outros.
Fardeira: que se mete na vida dos outros.
Ferrar o dente: falar mal dos outros.
Cruto: cimo ou topo.
Estornico: diarreia
Poliato: queda
Salviar: saltar.
Aguilhota: caruma do pinheiro.
Patarecos: feijão verde.
Mercar: comprar.
Japoinas: nêsperas.
Lançar fora: vomitar.
Lampejar: brilhar.[77]