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Vida em grupo

PARA QUE SERVE UM GRUPO DE JOVENS?

 O grupo é a célula elementar da nossa Pastoral da Juventude. Toda organização da PJ existe em função dos grupos de jovens, isso não significa que a PJ se reduza a mera união dos grupos de jovens. A missão da PJ é bem mais ampla e ela tem por objetivo atingir toda juventude e não apenas os jovens que freqüentam os grupos. A juventude se mostra aberta à mudança e quando isso é trabalhado de maneira construtiva, oferece muito mais frutos do que se estivesse trabalhando com adultos que têm uma maior dificuldade em aceitar o novo e a mudar suas convicções. Mas se os grupos de jovens são apenas uma pequena parte dos jovens católicos e uma menor ainda do conjunto da juventude, por que se dá tanta importância a eles? Qual o papel do grupo no projeto do Reino?

Os grupos de jovens, também chamados de grupos de base, são fruto do acúmulo de experiências históricas da PJ. Existiram várias experiências de organização da juventude dentro da Igreja e se chegou a metodologia dos grupos de base por algumas razões:

 1. Grupos pequenos permitem um maior conhecimento entre os membros;

 2. É possível desenvolver uma metodologia baseada no diálogo entre os membros do grupo, em um grupo grande, em geral, são pouco os que podem expor suas idéias. O grupo de base é mais democrático;

 3. Há menos rotatividade entre os membros o que permite que cada jovem cresça em sua fé e compromisso na medida em que vai fazendo uma caminhada no grupo.

 Esta metodologia tem em vista um objetivo maior em função do Reino de Deus: a formação de jovens líderes, que sejam fermento na massa. Muitas vezes, a PJ é questionada por não atingir tantos jovens como os movimentos de juventude. Não se pode confundir os objetivos da PJ com o dos movimentos. Os movimentos estão preocupados com a quantidade nós com a qualidade. Um coordenador ou assessor não pode oferecer um acompanhamento sério aos jovens em um grupo com 100 ou 200 jovens.

 

Como formar estes jovens líderes?

 Para formá-los o grupo precisa ser um espaço de crescimento na fé e no compromisso dos jovens. Ou seja, um espaço em que os jovens cresçam e assumam uma militância em favor da causa de Cristo.

Tornar-se um militante não é coisa que acontece de uma hora para outra. É todo um processo que leva vários anos. O grupo deve ser o espaço em que o jovem é despertado a assumir a militância que depois frutificará sob a forma de um engajamento na transformação social, dentro ou fora da PJ.

O coordenador do grupo é peça chave nesse processo. Deve ser um jovem militante que tenha claro os objetivos da PJ e como alcançá-los. Assim como, compreender cada etapa de crescimento do grupo e dos jovens e saber despertar cada jovem segundo o potencial que ele tem a oferecer pela causa do Reino. Por exemplo, nem todos os jovens, para se tornarem lideranças, deverão necessariamente tornar-se coordenadores. Uns podem contribuir melhor pela sua capacidade de atrair os jovens através da música, outros com teatro; outros podem ajudar pela sua capacidade de organização e responsabilidade; uns pela capacidade de ouvir e perceber os problemas dos outros. Enfim, são vários os dons e o coordenador deve saber colocar cada um para que opere como uma grande orquestra, em que cada instrumento, tocando de forma coordenada, produz uma linda sinfonia.

Todos, entretanto, devem crescer em sua fé e compromisso. Um jovem que passa vários anos em um grupo sem avançar um centímetro, simplesmente perdeu seu tempo. Se se tratar de um grupo, muito pior! Existem grupos que nascem e morrem sem que tenham formado um militante sequer e isso é uma pena. Essas coisas ocorrem, muitas vezes, por falta de um coordenador preparado ou porque o grupo faz uma caminhada descolada da PJ de conjunto. O processo de crescimento dos jovens se realiza por etapas. Estas não devem ser entendidas como momentos estanques ou como um processo evolutivo em que uma necessariamente se segue a outra. Várias etapas podem ocorrer ao mesmo tempo, ou em uma outra ordem que a sugerida aqui. Nós só adotamos esta forma de exposição, por motivos didáticos:

 

1. Etapa de socialização: é o primeiro contato com o grupo em que o mais importante é fortalecer a coesão grupal e a amizade entre os membros. Nesta etapa o coordenador busca melhorar o entrosamento entre os jovens através de muitas dinâmicas, brincadeiras, dias de lazer, etc. É a chamada “fase cor-de-rosa” em que tudo no grupo é novidade e descoberta e o jovem se sente acolhido pelo grupo. Aos poucos são introduzidos elementos da metodologia da PJ como a discussão em grupo e o método VER-JULGAR-AGIR . Os temas giram em torno do cotidiano do jovem e de questões mais pessoais como namoro, família, amizade, sexo, drogas, etc. As atividades do grupo têm um caráter mais assistencialista como a visita à creches, asilos, campanhas para arrecadar alimentos, etc. É importante que o coordenador leve os jovens a irem questionando as causas dessas situações e a perceberem as dimensões sociais dos problemas.

 

2. Etapa de aprofundamento: o jovem vai descobrindo qual é o projeto que Deus reservou para ele através de um maior aprofundamento da Bíblia e do conhecimento do projeto de Cristo. Cada vez mais o coordenador vai introduzindo uma reflexão bíblica à luz da realidade. Busca-se reforçar os momentos de espiritualidade, promover alguns retiros de oração ou de estudo bíblico, por exemplo. É importante que se use cantos ligados à realidade do povo e que ajudem na compreensão mais exata sobre a realidade do povo de Deus. Os jovens devem conhecer a pessoa de Jesus e o seu projeto não só através da reflexão mas também através do testemunho pessoal do coordenador e de outros membros da comunidade. Aos poucos eles vão abandonando uma fé de simples devoção, de herança familiar e assumindo uma fé mais comprometida.

 

3. Etapa de comunhão: em que os jovens vão descobrindo-se parte da igreja local, paróquia ou comunidade e que o grupo tem um papel a desempenhar na Igreja de conjunto. Os jovens vão assumindo algumas tarefas na comunidade: liturgia, festas, catequese, etc. É importante que os jovens percebam também a especificidade do grupo e não acabem sendo “engolidos” pelas tarefas que assumem. Ou seja, que se transforme em um grupo cuja única função é animar as celebrações, por exemplo. Como existe falta de pessoas que se dediquem às atividades da comunidade, logo os jovens acabam assumindo uma série de tarefas, acabam virando “pau-pra-toda-obra”. Isto pode significar a morte do grupo ou de seu processo de crescimento, o que dá na mesma. O coordenador deve perceber a importância da vida comunitária, mas que a missão dos jovens transcende os muros da igreja; ela está voltada para transformação do mundo. Só estando no mundo é possível realizar essa missão e não acomodado ao conforto da sacristia.

 

4. Etapa de descoberta: o jovem vai avançando em sua consciência através da discussão de temas e de ações que envolvem o meio social em que ele vive. Nesta etapa o grupo passa a refletir mais sobre temas como o desemprego, a fome, a política, etc., e a assumir atividades que têm em vista a mudança social. Essas atividades podem ser o engajamento em campanhas políticas por candidatos que buscam mudar a situação do país em favor dos trabalhadores e dos excluídos; campanhas pela melhoria do ensino da escola do bairro; realização de jornais ou de programas de rádio para conscientizar a população, etc. Em geral, o grupo passa a viver uma crise em conseqüência dos compromissos que assume. Passa a enfrentar a oposição de alguns membros da igreja, comprometidos com projetos conservadores e até mesmo de alguns padres. Os jovens que só querem saber de diversão, ao perceberem as mudanças no grupo, acabam se afastando ou criticam o coordenador. Muitos definem determinadas atividades no grupo, “mas na hora, só uma meia dúzia assume... Tudo isso caracteriza um momento de crise no grupo. A crise pode ser positiva na medida que indica uma transformação que está acontecendo no grupo. É hora de separar o “o joio do trigo”, aqueles que realmente estão comprometidos com o projeto de Jesus ficam, outros saem. Mas isso não significa necessariamente um perda, significa que aqueles que saíram foram até o limite do que podiam oferecer. Levarão sempre consigo as coisas que aprenderam no grupo e é até possível que voltem depois de um tempo. Os que ficam, aprenderão que estar no caminho do Reino exige renúncias e muita disposição para lutar. Na medida, porém, que começam a recolher os frutos de suas ações sentem-se recompensados e novamente cheios de esperança.

 

5. Etapa de militância: nessa fase o grupo pode assumir vários projetos de transformação da sociedade – individual ou coletivamente. Pode-se optar, por exemplo, pela formação de novos grupos, além de dar continuidade às ações que já vinham desenvolvendo. Cada grupo decidirá o que fazer de acordo com as exigências de sua realidade. Aqui abre-se um vasto caminho de engajamento dentro ou fora da Igreja. A PJ está fervilhando de novas experiências, de novos caminhos que os jovens estão buscando de compromisso com a transformação social. O grupo se transforma numa sementeira de novos grupos, pronto para crescer e frutificar. Os jovens devem procurar manter o vínculo, a criar um grupo de militantes para que possam continuar celebrando juntos e aprofundando na fé. Nessa fase, o acompanhamento de um assessor é fundamental.

 

Para refletir:

1 Nosso grupo tem um coordenador?

2.O coordenador tem clareza sobre o objetivo do grupo e sobre o objetivo da PJ?

3.Na sua opinião, em que etapa ou etapas você classificaria o momento atual do seu grupo?

4. Quais as maiores dificuldades que o grupo enfrenta para poder avançar?


10 Mandamentos para fazer um Grupo Crescer

Na nossa vida vivemos em vários grupos. O grupo é fundamental em nossa vida. Muito mais que participar precisamos construir um grupo. É construindo o grupo que crescemos como pessoas, que aprendemos a nos conhecer melhor, a amar os outros, que podemos mudar as coisas que achamos de errado. Todos grupo é como a semente. É gerado, nasce, cresce e se desenvolve para amadurecer e dar frutos.

As dicas apresentadas aqui não são, somente, para serem lidas. Servem para trabalhos em grupos e, daí, levantar um questionamento para ver se esses 10 mandamentos estão sendo colocados em prática em nossa vivência e crescimento de grupo. Ver também quais deles estão mais presentes e em quais estamos falhando mais.

Trata-se de algumas pistas para todos:

1. Que todos compareçam às reuniões, mesmo que o tempo seja ruim. Se vierem poucos, valorizar a estes e trabalhar com os que estão presentes, sem ficar chorando a ausência: poucos e bons fazem mais do que muitos indecisos.

2. Nunca chegar atrasado, e se não der para chegar em tempo, pede-se desculpas ao grupo: todos merecem respeito, tanto o que chega como os que estão na reunião.

3. Durante o encontro não ficar procurando falhas nem nos dirigentes nem no comportamento dos companheiros.

4. Aceitar sempre participar de comissões, trabalhos ou dar opinião, porque realizar é melhor do que ficar criticando ou tirando o corpo fora.

5. Tanto no grupo como nas comissões em que se está, tomar parte sempre, para não ser apenas uma figura de enfeite.

6. Se alguém pede nossa opinião sobre um assunto importante, procurar dizer sempre alguma coisa (sem repetir o que já foi dito), mesmo que o assunto não seja simpático.

7. Nossas maneiras de ver "como deveriam ser as coisas", devem ser externadas durante os encontros e não depois deles.

8. Ninguém faça apenas o absolutamente necessário, mas procure ajudar, e encorajar os demais. As críticas também são formas de ajuda, desde que sejam construtivas e sejam feitas para melhorar.

9. Procurar ver sempre os encontros, as festinhas ou outros movimentos, como uma oportunidade de confraternização e não de desperdício de tempo e dinheiro.

10. Não viver se queixando disto e daquilo, enjoando os companheiros com as mesmas doenças ou conversas, mesmo problemas e fofocas, mas viver interessado no crescimento do grupo e de cada pessoa.

 

OS 10 MANDAMENTOS DO PLANEJAMENTO

 1) ESQUEÇA A BUROCRACIA – Planejar não é ir a reuniões chatas, em que a(o) catequista se sente como um carimbador de papéis ou simples ouvinte. O planejamento deve ser feito em conjunto com a equipe, deve ser dinâmico, participativo. Quem educa tem que ter espaço para criar.

2) CONHEÇA BEM DE PERTO OS JOVENS – Para planejar, é preciso conhecer as condições e os interesses dos jovens com as quais você trabalha. “Pergunte-se sempre : ‘O que meu amigo deve e pode aprender ?’ “, indica Marcos Lorieri, professor da PUC de São Paulo.

 3) FAÇA TUDO OUTRA VEZ (E MAIS OUTRA) – O projeto catequético ( no nosso caso, o “Amarelinha”) é um documento pronto, que serve de base para o planejamento. Já o planejamento é um processo. Ele deve ser sempre alterado, de acordo com as necessidades da turma. Replanejar constantemente é fundamental.

4) ESTUDE MUITO PARA ESTUDAR BEM – “Uma pessoa só pode ensinar aquilo que sabe”, sentencia Marcos Lorieri. Por isso, veja se você conhece bem os assuntos de que vai tratar, se não souber tente aprender. Participe de todas as oportunidades de formação que você puder. Claro que também é preciso saber como ensinar ( e isso também se aprende ).

5) COLOQUE-SE NO LUGAR DO JOVEM – Quando pensar numa reunião, tente se colocar no lugar do jovem. Você deve saber se os temas trabalhados com a turma são importantes do ponto de vista do jovem.

6) DEFINA O QUE É MAIS IMPORTANTE – “Dificilmente será possível trabalhar todos os conteúdos com toda a turma”. Afirma Lorieri. Os critérios para estabelecer o que é mais importante ensinar devem ser as necessidades e as dificuldades dos catequizandos.

7) PESQUISE EM VÁRIAS FONTES – Todo encontro requer material de apoio. Reserve tempo para pesquisar. Busque informações em livros, jornais, revistas, discos, na Internet ou em qualquer fonte ligada a seu plano de trabalho, sem preconceitos.

8) USE DIFERENTES MÉTODOS DE TRABALHO – O educador deve aplicar diferentes métodos, como aulas expositivas, dinâmicas, atividades em grupo e pesquisas de campo. “Combinar várias formas de trabalho é a essência da arte de ensinar”, define Marcos Lorieri.

9) CONVERSE E PEÇA AJUDA – Seu coordenador e/ou assessor precisa ajudar você a planejar. Ele deve contribuir para que seu trabalho seja coerente com o projeto de juventude. Conversar e trocar experiências com os colegas da pastoral também é muito importante. Aproveite as reuniões e os encontros de formação.

10) ESCREVA, ESCREVA, ESCREVA – Uma boa idéia para analisar o que está ou não está dando certo em seu trabalho é comprar um caderno e anotar, no fim do dia, tudo o que você fez com sua turma, suas dúvidas e seus planos. Esse é um modo pratico de atualizar o planejamento. 

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