Feridas nos pés
 

"Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores.
Transpassaram minhas mãos e meus pés"
(Sl 21, 17)

»Após a crucificação das mãos de Jesus, os soldados tomaram o patíbulo um em cada extremo, e o levantaram, obrigando-O a sentar-se. Faziam com que o condenado ficasse de pé com o pau transverso às costas e com as duas mãos já cravadas na madeira. Para levantar o corpo do réu, encostavam uma pedra ou objeto junto à parte vertical da Cruz, para que o mesmo subisse, de costas junto ao poste.

» Os soldados, auxiliando pelas pernas de Jesus, ajudaram a levantar o corpo e mais outros içaram o patíbulo (parte horizontal onde Jesus já estava com as mãos cravadas) e o encaixaram na ponta da stipes (parte vertical da Santa Cruz). Feito isso, tiraram o suporte que havia debaixo dos pés e os mesmos ficaram suspensos. Com o peso do corpo de Jesus, houve um deslizamento de uns 25 cm para baixo, e os braços, estendendo-se de 4 a 5 cm (!), teriam passado a posição de 90° para 65°... Imaginem o tamanho da dor do Senhor neste momento!!!

» O corpo ficou dependurado, não por muitos minutos, pois sabemos que mais de 15 minutos mataria por asfixia. Os pés ficaram no ar até que os soldados segurassem o pé esquerdo. Fizeram o Senhor encolher um pouco a perna até que a planta do pé ficasse sobre o poste vertical e transpassaram-No com um longo cravo. Algumas marteladas e o cravo saiu por baixo do pé esquerdo. O esquerdo, atravessado, foi colocado sobre o peito do pé direito, de sorte que a ponta do cravo ficasse sobre ele. Assim, o pé direito ficou sobre a stipes (parte vertical da Cruz). Algumas outras marteladas e o cravo atravessou o último pé e cravou-se na madeira. Ambos os pés ficaram pregados por um único cravo. Quantas dores meu Senhor, quantas dores...

» O sangue jorrou pelos pés, escorrendo até o chão. o pé da Cruz, mais parecia ter recebido uma chuva grossa, só que de sangue humano!

:: O CRAVO DOS PÉS ::
O grande cravo, utilizado para crucificar primeiro o pé esquerdo e a seguir o pé direito, tinha mais de 15 cm de comprimento. Feito de ferro, era confeccionado para este fim (a crucificação de condenados). Os carrascos tinham tanta experiência em crucificações, que com poucas marteladas o cravo era fixado na madeira. Na segunda martelada, o cravo já transpassava um pé. Com oito marteladas o cravo estava fixo. E pensar que Jesus suportou, em silêncio todo este sofrimento. Se um pequeno espinho, no pé, já nos incomoda, imaginem um cravo gigante que lesou todas as estruturas do dorso (parte de cima do pé) até a planta (parte de baixo do pé) dos pés do Senhor...

 

Como não amar a quem tanto ama?