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O tráfico na Bahia

Adaptado de
 
O Tráfico de animais na Bahia

 

Pedro Cerqueira Lima, Sidnei Sampaio, José Ribamar e Otávio Nolasco Faria
 
A Tarde, Salvador, agosto 2002

 

Segundo fontes de entidades ambientalistas, 12 milhões de animais silvestres são retirados de seu ambiente natural todos os anos no Brasil. Com uma cifra de cerca de R$ 10 bilhões/ano e somente ficando atrás do tráfico de drogas e armas em movimentação de dinheiro, o comércio ilegal de animais silvestres brasileiros responde por 10 a 15% do mercado mundial, trazendo prejuízos às vezes irreparáveis, como a extinção de espécies.
 
Entre as vítimas dessa atividade clandestina, podemos citar a ararinha-azul e a arara-azul-de-lear, que têm ocupado o espaço de noticiários e páginas de publicações especializadas.
 
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), já rara na natureza e muito cobiçada por colecionadores, foi uma das últimas vítimas do tráfico de animais. Os avisos sobre as ameaças e as tentativas do Comitê responsável pela proteção, estudo e preservação dessa espécie não foram suficientes para impedir a sua extinção na natureza. Oficialmente, restam apenas 67 indivíduos em cativeiro (e desses, apenas cinco estão no Brasil).
 
A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que vive no Raso da Catarina, figura como outra espécie seriamente ameaçada, tanto pela perda de hábitat como pela sua raridade, sendo por isso muito cobiçada pelos colecionadores. Atualmente a população estimada na natureza é de 416 indivíduos. Um fato que merece destaque é o abate ocasional destas aves por pequenos produtores da região, irritados com o prejuízo causado aos seus miharais por bandos de araras.  
 
Ns fazenda Serra Branca (local de maior concentração da espécie em período reprodutivo), um comitê de estudo e proteção, juntamente com a Fundação BioBrasil e o proprietário da fazenda, Otávio Nolasco de Farias, mantêm guardas para vigiar a fazenda  e se encarregam da limpeza de ouricuris, perfuração de poços artesianos para plantio de milho e cercamento da área.
 
A atuação intensiva de agentes do Ibama no Raso da Catarina está coibindo o tráfico e diminuindo a pressão exercida pela coleta de indivíduos da arara-azul-de-lear. No entanto, há ainda muito que fazer para garantir a sua preservação e evitar que a espécie tenha o mesmo fim da ararinha-azul: a sua extinção na natureza.
 
Maus tratos
 
Um dado alarmante chama a atenção para outra face do comércio ilegal de animais silvestres: aproximadamente 90% dos animais destinados ao tráfico morrem. Este alto índice de mortalidade está diretamente ligado aos maus tratos a que os animais são submetidos, na forma de fome, sede, doenças, calor, asfixia e esmagamento devido à superpopulação no transporte.

Muitos deles têm as garras e os dentes arrancados ou cortados e alguns são embriagados e até drogados, para se tornarem mais dóceis. Para driblar a fiscalização, muitos animais são transportados em fundos falsos de malas, em bolsos ou forros de paletós, em caixa de sapatos, e até dentro de tanques de caminhões-pipa.
 

Espécies que comumente circulam no tráfico

 
Espécies como papa-capim, cardeal, azulão, canário, coleira e pássaro-preto são espécies de grande distribuição geográfica e que não requerem ambientes muito preservados para sobreviver. Por isso, são comuns em muitos locais, atraindo a atenção dos traficantes que geralmente os oferecem nas feiras-livres, a preços bem baixos. Em alguns pontos do nordeste brasileiro, a venda de aves em feiras-livres é uma das fontes alternativas de sobrevivência para o povo, o que agrava ainda mais o problema do comércio ilegal. Como consequência, algumas espécies como o canário, curió e cardeal já não existem mais em algumas regiões do Estado, embora a degradação ambiental também contribua de forma significativa. Se não abrirmos os olhos, estaremos também assistindo à extinção de espécies consideradas comuns.
 
Não compre animais da fauna brasileira; você estará contribuindo para a preservação de nossas espécies.
 
 
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