Em abril de 2007 situação já era de lixão

Problema do Lixão da ETE incomoda moradores

 

A população que mora próxima do Lixão da ETE, este localizado em zona urbana em Tapes, no Bairro Balneário Rebello, indignada com a falta de providências relativas a solução de um problema que com o tempo se tornou insustentável, alegam que a negligência da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente acabam permitindo a continuidade da situação que prejudica a qualidade de vida dos moradores da Avenida Mauá.

Localizado em frente a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE/CORSAN), desde 2005, o lixão já foi alvo de um Inquérito Civil do Ministério Público, matérias de jornais e até momento se aguarda solução definitiva.

O depósito irregular de resíduos e com diversos problemas inerentes ao despejo de resíduos sem proteção do solo recebe diariamente restos de construção, podas de árvores, animais mortos, restos inservíveis de móveis, eletro-eletrônicos, madeiras, vidros e outros tipos de lixos.

No período de dois anos foram ateados fogo por vândalos, o que ocasiona inúmeros problemas a vida dos moradores próximos ou transeuntes que utilizam aquela via urbana para seus deslocamentos.

Mesmo com denúncias anteriores, inclusive estas documentadas em 2007, 2008 e 2009 e de matérias em jornais em que são alertados o Ministério Público, a PATRAM e a FEPAM para a gravidade do problema, ocorreu mais um incêndio criminoso no domingo, 10 de maio, onde o acúmulo irregular de resíduos orgânicos secos e madeiras transformou-se em material combustível para queimar e lançar fumaça que atingiu diversos bairros populares, levados pelo vento chegavam nas residências dos tapenses a quilômetros de distância.

Novembro de 2008: situação de lixão é mantida por meses

Moradores prejudicados se manifestam

 

Os moradores dizem que durante os dias em que queimou o lixo naquele terreno público, suas moradias tiveram que permanecer fechadas e outros “de que até as paredes internas estão cobertas de fuligem devido a fumaça”.

Com a emissão de poluição atmosférica pela fumaça da queima dos lixos, o perigo à rede elétrica que cruza ao lado do lixão, além da continua poluição do solo pela falta de proteção para recebimento de diversos entulhos, pelo mau cheiro que empesta o ar nas proximidades e por ser este um local propicio a proliferação de vetores como ratos, baratas, moscas e pela proximidade com a zona urbana entendo como “totalmente irregular” o local, inexistindo licenciamento ambiental e muito menos estrutura condizente com o que alega a Prefeitura Municipal seja uma “área de transbordo”, dita na Rádio Tapense na segunda feira, dia 11 de maio, quando o Prefeito Municipal esteve no veículo de comunicação para justificar o descontrole no despejo e na permanência de lixo no local, lamentando os incômodos ocorridos à comunidade com o sinistro.

Os resíduos, depois de acumulados diversas semanas neste terreno público, estavam sendo enviados para os fundos do Distrito Industrial, que pelo volume e tipos de materiais com certeza estão ocasionando danos ao meio natural daquela região, distante cerca de seis quilômetros da zona urbana, na RS 717 com entrada pelo próprio Distrito Industrial.

Jornalista conversa em janeiro de 2009 com crianças que catavam tijolos em meio aos lixos 

Caminhões irregulares impedem saída de lixos e PATRAM toma atitude

 

Nos últimos tempos não é feita a retirada do bairro para o destino final por falta de caminhões em condições de uso na Prefeitura Municipal, quando na entrevista concedida pelo Prefeito à rádio, teria informado a comunidade a situação dos veículos, que já foram inclusive apreendidos pela Polícia Rodoviária na RS 717 e levados ao depósito de veículos em Camaquã/RS.

Em visita realizada durante a semana seguinte ao incêndio, a PATRAM produziu provas do crime ambiental que ocorre na cidade e na RS 717 e enviará os laudos para as autoridades competentes tomarem as providências.

Desde o ano de 2005 se recorreu ao Ministério Público para que promovesse uma ação contra a Prefeitura de Tapes para solução do problema e manutenção do local limpo e em condições de sanidade urbana, mas o contínuo despejo e as constantes queixas dos moradores, os incêndios criminosos, a total falta de compromisso de retirar os resíduos com periodicidade regular, mantém o ambiente com características de lixão a céu aberto.

Incêndio em 10 de maio de 2009 preocupa novamente a comunidade 

Abaixo assinado entregue por moradores e crime ambiental constatado

 

Os moradores que vivem próximos ao lixão urbano, se mobilizaram para a coleta de assinaturas e conseguiram que 232 pessoas assinassem o documento, pois acreditam deva ser impedida a colocação de lixos naquele terreno, tendo sido protocolados no Ministério Público, na Prefeitura Municipal e na Câmara de Vereadores o abaixo assinado. Segundo as informações obtidas após a visita da PATRAM ao local no Bairro Balneário Rebello e atrás do Distrito Industrial, foi constatado o crime ambiental, inclusive com o aterramento de banhados no local para onde estavam sendo enviados os lixos e entulhos de Tapes. O crime ambiental de aterrar banhados com lixos, já foi o motivo de autuação e multa da FEPAM na Prefeitura, no ano de fevereiro de 2005, quando aterravam um banhado na Avenida Camaquã, próximo a Sanga das Charqueadas.

 

Júlio Wandam

Ambientalista