Fonte imagem: Arquivo Os Verdes - 31/mai/07

 Lixão da Camélia e as Controvérsias

A situação do Lixão da Camélia, não fosse a gravidade do problema, poderia se classificar até como cômica, devido aos constantes erros que encontramos pelo caminho, sejam eles nas órbitas administrativas, legais, das licenças ambientais e também no meio de mídias.
Na última edição do Jornal “Chapa Branca” (pág. 03), que antes de 2005 era jornal “Marronzista”, encontramos em uma mesma matéria algo que faz nosso cérebro no mínimo estalar e conectar o “tico” e o “teco”, para tentar entender a situação.
Na zona rural do Butiá, onde despejam lixos há 23 anos sem critérios, e sem reconhecerem os impactos ao meio ambiente e a zona de recarga das águas, existe uma vila, que foi atingida no último dia 31 de outubro por uma beira do vendaval que atingiu o estado, quando foram derrubadas árvores, casas e prédios pelo efeito climático adverso que passou por nossa cidade também, e com isso, atingindo as famílias pobres, que continuarão pobres, mesmo com algumas telhas para proteger seus bens, na verdade, suas proles. E como foi lembrado pelo jornal, foram “casas de catadores localizado no Corredor Pinvest, próximo do Lixão...”.
Ao reconhecerem que estas pessoas habitam as proximidades do Lixão, entendo que assumem que ainda “nada” foi feito para sanar com o problema, ou não, pois no mesmo texto, alguns parágrafos abaixo, o “lixão” já se transformou em “aterro sanitário intermunicipal”, que tem supervisão da contratada pelo município para resolver a situação do lixo em Tapes. Não entendo, pois não existe ainda um “aterro sanitário intermunicipal”, e não foi oficialmente informada a população que além das 10 toneladas diárias de lixos jogadas por Tapes no Lixão, algum outro município estaria despejando lixos por lá, não sei? Pode até ser, devido as controvérsias que existem, com Tapes despejando sem Licença de Operação os resíduos no Lixão desde junho de 2006, e pior, com a Administração acreditando terem mais 200 dias para colocarem lixos por lá, se valendo de um TAC inválido e que peca até mesmo por não ter sido cumprida pelo MP as sanções estabelecidas ali, para que a municipalidade parasse de incorrer em crime ambiental.
E como soluções não existem, mesmo que elas existam na fantasia dos que “administram” o problema, vamos empurrando com a barriga a situação.
Uma outra situação, que vem a ser a coleta dos lixos, parece, foi copiada por uma cidadezinha de 10 mil habitantes na Itália, a idéia de utilizar animais de tração, com burricos puxando carroças para recolher os lixos públicos, e se mostrou útil, pela diminuição do uso de combustíveis fósseis e pela economia de Euros no final do mês. Como na cidade dos cavalos, inexistem burros (há controvérsias), pensa-se em utilizar a mão de obra dos carroceiros e seus cavalos para tal tarefa, facilitando a coleta, que deveria ser seletiva, mesmo não existindo processo de educação para a reciclagem em voga, e a Usina de Triagem ainda esteja fechada, e com isso, os pobres catadores da Camélia continuarão pobres, trabalhando em condições sub-humanas, agressivas a sua dignidade e sem direito algum assegurado, nem mesmo de figurar na foto sobre o fato “calamitoso” que os atingiu. Claro, até o próximo desastre ambiental, efeito climático ou quando resolverem de colocar em prática tudo o “que já têm” em Tapes para começarem a tratar os lixos da forma moderna e lucrativa para o meio ambiente, para o social e o econômico.

Julio Wandam
Ambientalista
Os Verdes de Tapes/RS
osverdestapes@gmail.com