Crianças flagradas no lixão da Camélia no dia 07/11 demonstram a permanência de uma situação por vezes denunciada aos órgãos competentes

Criança no Lixão Nunca Mais??

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Este era o slogan anunciado pelas autoridades cerca de alguns anos atrás, quando foram promulgadas leis na esfera federal que impediam a permanência de crianças em locais como lixões à céu aberto, no processo de catação.

Temos ciência também, que muito tem sido feito por programas tipo PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) para modificar estas situações de crianças convivendo em lugares insalubres e perigosos, que o próprio ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) define como crime contra os pequenos e jovens cidadãos. Na teoria tudo é belo, na prática temos consciência das dificuldades por que passam os responsáveis pelo assunto, na órbita legal, e conhecemos a situação de omissão materna e paterna como básicos para a manutenção deste problema, mas nunca deixando de lembrar da falta de competência para que surja uma alternativa afim de evitarmos estes danos ao futuro destas crianças e adolescentes, que mantendo este ciclo de agressões, jamais crescerão saúdaveis e conscientes de seu compromisso perante a sociedade, ficando a margem desta e recebendo o lixo como moeda para ingressar no mercado de consumo, com alguns trocados que lhes sobram da venda dos recicláveis.
O ciclo de exploração e degradação no qual estão inseridos estes trabalhadores, pais de família e cidadãos desta comunidade à beira do lixão, é um ciclo terrível de ser destruído, mesmo com galpões, máquinas e equipamentos, técnicas e recursos financeiros e humanos, apoios logísticos; de nada adiantará, pois lhes faltam a "cultura da confiança", pelo qual se espelham na própria atitude da "sociedade" de não confiar-lhes um espaço melhor na vida normal de uma cidade.

Com o cidadão "normal" realizando a separação do lixo em sua casa, poderia ser este o elo que os ligaria a dignificação da vida destas pessoas, para que elas não tivessem que catar lixo de maneira rudimentar, junto à seus filhos que não podem ficar em suas casas sem o acompanhamento de um adulto. Por estes motivos levam seus filhos, mas por um motivo se mantém por lá, o da falta de ação mais do que burocrática ou técnica, uma ação de resgate do direito de SER cidadão e não apenas de TER cidadania por TER dinheiro, por TER cultura, por TER casa, por TER emprego, que nos separarão no conjunto da idéia de uma "pólis" romântica em "que todos são iguais perante a lei".
Os filhos dos catadores do lixão na Camélia também querem SER filhos desta cidade, mas para isso devemos agir quantas vezes forem necessárias para a busca de uma saída para este problema, que assim como está, não pode ficar.
 
Legenda fotos: Crianças flagradas no lixão da Camélia/Tapes no dia 07 de novembro mostram descumprimento das normas ambientais e do ECA.