Registros realizados em 31 de março de 2008

"Fogueira das Vaidades" queima

futuro de Tapes

Fonte imagens: Arquivo Os Verdes de Tapes/recebidas por e-mail

Enquanto escrevo estas linhas (1º/abril-19hs), o fogo ainda queima em meio a vegetação de banhado e matas de restinga, ambiente típico da zona costeira, que em nossa extensa orla mostram uma importância incontestável para sua conservação, e o que mais se vislumbra é a falta de ações para sua proteção conforme estabelecem inúmeras leis, desde a Constituição, Lei 4.771/65 até a Lei 9.605/98, esta para quem agride o meio ambiente venha a ser processado, julgado e punido.

 

 

Para que esta área que foi afetada pelo fogo não fique no esquecimento, seria bom que se começassem a discussão sobre a conservação de diversas áreas em nossa orla, desde o Butiazal até a lagoa Formosa, pontal de Santo Antônio, Varalzinho, lagoas Suja, Cerro e Comprida, todas estas áreas com recomendação em estudos que mostram a necessidade de mantê-las para o futuro.

 

Uma ação para a preservação, conservação e fiscalização de áreas de importância biológica e ecossistêmica em nosso território, é necessária para “ontem”, mas com a visão dos “representantes” do cidadão de hoje e do amanhã, que são comparáveis no tamanho da formiga, me pergunto se os próximos poderão fazer algo,

 

pois, se “hoje”, em pleno século XXI a lei para direcionar ações para o meio ambiente e sua preservação, “o que é de todos” (art. 225 CF/88), sendo a base para a mudanças de atitudes à favor de nosso futuro comum, acaba sendo alvo de impropérios e desvios obtusos,

 

que não foram o de assegurar a promulgação de uma LEI PARA O MEIO AMBIENTE, mas sim um pedaço de papel que servirá para o propósito único de adotarem o SIGA/RS.

 

O que revolta é também a morosidade dos órgãos ditos responsáveis pelo meio ambiente e até aqueles que devem zelar pela lei.

 

As vezes me pergunto se conhecem ou se modificam ao sabor do interesse do cliente, pois o que se vislumbra também é o cidadão com medo de agir para a denúncia, visto não haver segurança de que este instrumento de comunicação aos órgãos públicos para que tomem atitudes em defesa da qualidade de vida, será eficaz.

 

Enquanto isso, o fogo queima no Pontal e queima também inúmeros animais que nidificam, se alimentam e se reproduzem em suas espécies neste local, refúgio da vida silvestre, que foi criminosamente ateá-do fogo, com a finalidade, para quem conhece as práticas de caça da capivara, em poucos meses iniciar as caçadas clandestinas.

 

O combate ao problema “poderia” ser feito pela PATRAM de nossa cidade, desde que fosse devolvida a lancha, consertada, que custou 500 mil reais e é fruto de “acordo” para “punir” os agressores ambientais.

 

Caso a PATRAM tivesse uma camionete, uma apenas, das três que foram doadas para este órgão policial e não foram utilizadas para o combate ao crime ambiental, para que a natureza fosse preservada, algo “poderia” ser feito.

 

Hoje, a pé, fica difícil combater o crime ambiental no pontal ou em qualquer outra parte de nossa região. Na cidade, se digladiam e se "queimam as vaidades", e o povo espera o próximo round, sempre de 4 em 4 anos. E mesmo com lei que aguarda aprovação do Executivo para "proteger" os interesses coletivos e difusos da sociedade tapense, no caso, o meio ambiente, ainda me pergunto se algo vai mudar ou se irão piorar as agressões ambientais. A segunda opção, parece ser a mais realista no atual momento.

Julio Wandam

Ambientalista