PROJETO AMBIENTALISTAS EDUCADORES

II Módulo - Rincão GAIA - Pântano Grande/RS

O local onde foi realizado o II Módulo do Projeto Ambientalistas Educadores tem uma simbologia de grande importância para o Movimento Ecológico Gaúcho, pois é lá que está repousando nos braços de Gaya nosso Avatar que cruzou em nossas vidas em sua jornada pela Terra e na consciência dos humanos.

A Casa Comunal concebida por José Lutzenberger demonstra uma de suas características; a de socializar sua sabedoria e os espaços comuns à todos, pois o saber não se encontra sem o diálogo e troca de convivências entre os semelhantes e entre as outras espécies vivas. Lembram os amigos quando falei sobre um artigo que me chamou a atenção no "The Ecologist"? Vou transcrever algumas linhas para sentirem-se parte disso tudo, quando lembrarem que conviveram juntos a inúmeros seres elementais e metafísicos neste lugar:  

O Legado de Lutz por Jacques Saldanha - The Ecologist Brasil - janeiro 2003

Maestro da Cerimônia -  Para mim, e provavelmente para as oitenta ou cem pessoas que puderam e quiseram estar como eu neste último momento de convivência com o que restava dele, seu legado expandiu-se incomensuravelmente, indo muito além daquilo que se poderia supor.

Lutz sempre foi veemente quando afirmava não crer em deuses e outras manifestações de religiosidade, classificando-as todas de "místicas". Afimava crer na Ciência, como o grande diálogo do ser humano com o Cosmos, e na grande Sinfonia Cósmica. E foi na forma de uma inusitada sinfonia o grande presente que nos lega neste derradeiro momento.

Ao finalizarmos a colocação das últimas pazadas de terra, fechando a morada de seu corpo, num espaço previamente escolhido por ele, as forças da natureza se alinham para a execução de um dos mais belos e vibrantes réquiens que qualquer um de nós jamais imaginou assistir.

No plano do concreto, de nosso dia-a-dia, o céu estava nublado e havia previsão de chuvas e trovoadas no decorrer do período. Mas o que aconteceu no plano metafísico, foi uma magnífica sinfonia, num estilo tipicamente germânico. Primeiro soa um tambor. Um raio chispa no céu e um trovão ecoa pelos pampas. Após violinos e arpas vibram em nossos ouvidos pela ventania que faz com que as folhas e galhos sibilem.

E neste conjunto de sons as copas das árvores bailam sobre nossas cabeças. E no ápice deste frenesi, um redemoinho parece que vai se desvelando pouco acima de onde o Lutz repousa aninhado em Gaia. E este movimento, como um vórtice, vai se expandindo, se expandindo até que duas árvores tombam junto do grupo que ali vela por Lutz.

Mesmo próximas de nós, inexplicavelmente, caem para o lado contrário ao nosso. E como num acorde derradeiro nestes movimentos sinfônicos, dramáticos e pungentes, a ventania traz gotas de chuva densas e, surpreendentemente, leves que delicadas empapam o mais íntimo de cada um de nós. Parecia que as forças vivas da natureza, como expressão metafórica de Gaia, apresentavam a tese científica que defende a hipótese de que se houver sintonia/sinfonia dos quatro elementos, raio/fogo, chuva/água, vento/ar e Gaia/terra, gerar-se-á um quantum de forças suficientes que permitirão elevações a outros níveis orbitais. 

Ou será níves de consciência, de realidade, de transcendência? A resposta poderá ser uma e/ou todas. Finalizo esta minha oração ao Lutz, agradecendo à Vida não só de ter me permitido viver e conviver no mesmo solo que ele, por ter sido seu contemporâneo, mas por ter conhecido e reconhecido o encantamento da força viva de Gaia em seu derradeiro discurso. Lutz, obrigado por sua maestria.

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