O País da Vontade

 
 
Este site é dedicado à Língua Portuguesa.
Que ele seja um verdadeiro País da Vontade de aprender.
 
 
 

No país da vontade

 

 

                    Moreno, franzino, indolente, este menino parecia andar distante  de todas as vibrações. Pegou num livro e abandonou-o sem o abrir. Colheu uma flor e deixou-a. Quis passear e arrependeu-se.

            - Não tenho nada que fazer, nem me apetece fazer nada – disse, por fim, a olhar para o céu.

            Nisto, uma figura aparece ao pé dele.

            - Acabo de ouvir uma coisa extraordinária: um menino a dizer que não lhe apetece fazer nada, nem tem nada que fazer!

            - Se é verdade não deves surpreender-te...

            - Não devo surpreender-me? E se eu te pedir que venhas comigo ao país da vontade?

            - Irei, se for aqui perto.

            Desceram ambos ao pomar. – Chegámos; é este o país da vontade  –  O  menino, de olhos abertos, não compreendia e chegou a pensar que o seu pai endoidecera.

            - Repara, meu filho, neste botão de laranjeira. Este botão quer ser flor; depois a flor quer ser fruto. Neste país, tudo tem uma vontade; tudo, neste silêncio do dia, tem o propósito de ser mais, de ir mais além!

            Como a tarde quer ser  noite  de estrelas, e   a   noite,   madrugada gloriosa a chamar  a vida do homem para a luta, assim tudo aspira a progredir:

            Nascer, subir, ampliar-se!

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                              António Botto