6 - Poluição nos Mares

          
    A ideia de poluição aparece associada à presença de elementos  tóxicos que impossibilitam ou dificultam gravemente a vida tal como nós a conhecemos.
 
    Antes de apresentarmos as causas e consequências da Poluição nos Mares, convidamos-te a assistir a este vídeo:
 
 
 
 

    Existem várias causas para a  poluição nos mares, entre as quais destacamos:
  • Poluição causada por Derrames de Petróleo;
  • Poluição causada pelos Resíduos Tóxicos das Fábricas;
  • Poluição causada pelas Descargas de Efluentes Urbanos;
  • Poluição causada pelos Resíduos Nucleares Radioactivos.
 
 
  • Poluição Marinha causada por Derrames de Petróleo:
    Os derrames de petróleo nas águas do mar são considerados como um dos maiores e mais graves desastres ecológicos, sendo que causam enormes desequilíbrios nas regiões afectadas.
    
    O petróleo flutuando não permite que a luz do Sol penetre na água, inviabilizando o processo de fotossíntese da vegetação aquática. Sem oxigénio e alimento, a morte dos peixes, em grande escala, é inevitável. Aqueles que chegam à superfície ficam impregnados de óleo e morrem por asfixia. As aves que se alimentam de peixe também acabam por morrer ou acabam mesmo por contaminar os demais animais da sua cadeia alimentar. 

 
    
    Depois de derramado o petroleo no mar, as correntes marinhas facilitam a formação de marés negras, que atingem praias e outras zonas costeiras. Os hidrocarbonetos espalhados nos mares e oceanos provêm sobretudo dos petroleiros que limpam os seus depósitos no alto mar e descarregam assim, em cada viagem, cerca de 1% do seu carregamento. Esta percentagem pressupõe, ao fim de alguns anos, a existência de muitos milhares de toneladas de produtos petrolíferos espalhados pelos oceanos.
    
    Entre as águas mais gravemente poluídas destacam-se as do Mar Mediterrâneo (também, por isso, designado a "fossa da Europa"), atravessado por milhares de petroleiros; as do Mar do Norte; o Canal da Mancha; e os mares próximos do Japão.


  • Poluição causada pelos Resíduos Tóxicos das Fábricas

A quantidade de resíduos perigosos produzidos pela humanidade está nos milhares de milhões de toneladas de resíduos industriais, sendo mesmo apontado como mais prejudicial do que os bilhões de toneladas de dióxido de enxofre lançado para a atmosfera a cada ano e que é o principal causador da chuva ácida.

Até muito recentemente, o lixo produzidos pelas fábricas era depositado, irresponsavelmente, nos aterros, rios, mares ou qualquer outro local que estava nas proximidades das mesmas fábricas, pois o processo de tratamento dos resíduos é muito dispendiosos e as fabricas não queriam pagar esse investimento.  

Contudo, este problema foi agravado pela crescente actividade industrial, que produz muitos produtos que são extremamente tóxicos ou muito difíceis de incorporar os ciclos dos elementos naturais. Esses resíduos tóxicos além de serem excessivamente perigosos para os trabalhadores e populações, acarretam imensos malefícios para o ambiente, nomeadamente para as aguas.

Cerca de 10 a 20% dos resíduos industriais podem ser perigosos ao homem e ao ecossistema. Quando absorvidos pelo ser humano, os metais pesados (elementos de elevado peso molecular) se depositam no tecido ósseo e gorduroso e deslocam minerais nobres dos ossos e músculos para a circulação. Esse processo provoca doenças.

O consumo habitual de água e alimentos, como é exemplo o peixe, contaminados om metais pesados coloca em risco a saúde das populações.

Os metais são classificados em:
  1. Elementos essenciais: sódio, potássio, cálcio, ferro, zinco, cobre, níquel e magnésio;
  2. Micro-contaminantes ambientais: arsénico, chumbo, cádmio, mercúrio, alumínio, titânio, estanho e tungsténio;
  3. Elementos essenciais e simultaneamente micro-contaminantes: cromo, zinco, ferro, cobalto, manganês e níquel.
 
    As características gerais dos principais metais pesados são:
  • Chumbo
    O chumbo está presente no ar, no tabaco, nas bebidas e nos alimentos, nestes últimos, naturalmente, por contaminação e na embalagem. Está presente na água devido às descargas de efluentes industriais como, por exemplo, os efluentes das indústrias de acumuladores (baterias), bem como devido ao uso indevido de tintas e tubulações e acessórios à base de chumbo. Constitui veneno cumulativo, provocando um envenenamento crónico denominado saturnismo, que consiste em efeito sobre o sistema nervoso central com consequências bastante sérias. O padrão de potabilidade, sendo fixado o valor máximo permissível é 0,01 mg/L pela Portaria 1.469 do Ministério da Saúde. É também padrão de emissão de esgotos e de classificação das águas naturais. Nestes, para as classes mais exigentes os valores estabelecidos são tão restritivos quanto os próprios padrões de potabilidade, prevendo-se que o tratamento convencional de água não remove metais pesados consideravelmente. Aos peixes, as doses fatais, no geral, variam de 0,1 a 0,4 mg/L, embora, em condições experimentais, alguns resistam até 10 mg/L. A acção sobre os peixes é semelhante à do níquel e do zinco.
  •  Arsénio
    Traços deste metalóide são encontrados em águas naturais e em fontes termais. É usado como insecticida, herbicida, fungicida, na indústria da preservação da madeira e em actividades relacionadas com a mineração e com o uso industrial de certos tipos de vidros, tintas e corantes. Em moluscos, até 100 mg/kg, sendo que a ingestão de 130 mg é fatal. Apresenta efeito cumulativo. O padrão de potabilidade é 0,01 mg/L, estabelecido pela Portaria 1.469 do Ministério da Saúde.
  • Mercúrio

    O mercúrio é largamente utilizado no Brasil nos garimpos, no processo de extracção do ouro. O mercúrio é também usado em células electrolíticas para a produção de cloro e soda. Pode ainda ser usado em indústrias de produtos medicinais, desinfectantes e pigmentos. É altamente tóxico ao homem, sendo que doses de 3 a 30 gramas são fatais. Apresenta efeito cumulativo e provoca lesões cerebrais. O padrão de potabilidade fixado pela Portaria 1.469 do Ministério da Saúde é de 0,001 mg/L. Os efeitos sobre os ecossistemas aquáticos são igualmente sérios, de forma que os padrões de classificação das águas naturais são também bastante restritivos com relação a este parâmetro.

  • Zinco

    O zinco é também bastante utilizado em galvanoplastias na forma metálica e de sais tais como cloreto, sulfato, cianeto, etc. A presença de zinco é comum nas águas naturais. O zinco é um elemento essencial para o crescimento, porém, em concentrações acima de 5,0 mg/L, confere sabor à água e uma certa opalescência às águas alcalinas. Os efeitos tóxicos do zinco sobre os peixes são muito conhecidos, assim como sobre as algas. A acção desse íon metálico sobre o sistema respiratório dos peixes é semelhante à do níquel. As experiências com outros organismos aquáticos são escassas. Entretanto, é preciso ressaltar que o zinco em quantidades adequadas é um elemento essencial e benéfico para o metabolismo humano, sendo que a actividade da insulina e diversos compostos enzimáticos dependem da sua presença. A deficiência do zinco nos animais pode conduzir ao atraso no crescimento. Os padrões para águas reservadas ao abastecimento público indicam 5,0 mg/L como o valor máximo permissível.

  • Alumínio

    O alumínio é abundante nas rochas e minerais, sendo considerado elemento de constituição. Nas águas naturais doces e marinhas, entretanto, não se encontra concentrações elevadas de  alumínio, sendo esse fato decorrente da sua baixa solubilidade, precipitando-se ou sendo absorvido como hidróxido ou carbonato. Nas águas de abastecimento aparece como resultado do processo de coagulação em que se emprega sulfato de alumínio. Pequenas quantidades de alumínio do total ingerido são absorvidas pelo aparelho digestivo e quase todo o excesso é evacuado nas fezes. O total de alumínio presente no organismo adulto é da ordem de 50 a 150 mg. Existem estudos que o associam à ocorrência do mal de Alzheimer, sendo que actualmente seu valor máximo permissível é de 0,2mg/L segundo a Portaria 1.469 do Ministério da Saúde.

  • Cobre
    O cobre ocorre geralmente nas águas, naturalmente, em concentrações inferiores a 20 mg/L. Quando em concentrações elevadas, é prejudicial à saúde e confere sabor às águas. Segundo pesquisas efectuadas, é necessária uma concentração de 20 mg/L de cobre ou um teor total de 100 mg/L por dia na água para produzirem intoxicações humanas com lesões no fígado. O cobre em pequenas quantidades é até benéfico ao organismo humano, catalisando a assimilação do ferro e seu aproveitamento na síntese da hemoglobina do sangue, facilitando a cura de anemias. Para os peixes, muito mais que para o homem, as doses elevadas de cobre são extremamente nocivas. O Water Quality Criteria indica a concentração de 1,0 mg/L de cobre como máxima permissível para águas reservadas para o abastecimento público.
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