Como Estudar?


É importante ressaltar que um dos papéis da OBL é estimular atividades de caráter linguístico nas escolas. Em vista disso, queremos deixar algumas sugestões de como as escolas podem trabalhar, em face do grande espectro de temas tratados. 
O grau de relevância a ser atribuído a cada um desses aspectos deve depender de fatores como o interesse dos alunos, o perfil da instituição de ensino, a abordagem linguística com que melhor se identifica o professor (sociolinguística, funcionalista, estrutural, histórica etc.) e a disponibilidade do grupo em se dedicar a projetos mais ou menos teóricos ou práticos. Naturalmente, cada escola é livre para trabalhar como quiser, ou como for mais adequado às suas condições particulares.

Vejamos algumas ideias e inspirações:


  • World music club: Professor media o grupo de trabalho que pesquisa e troca músicas de estilos jovens e atuais em diferentes línguas. Observação intercultural de videoclipes.  As músicas podem servir para explorar diversos aspectos como: fonético-fonológico (relação fonema-grafema em diferentes línguas etc.), lexical (identificação de internacionalismos e radicais latinos, gregos etc.) e semântico (interpretação ou tradução). Grupo acompanha hit parades e notícias do “mundo pop” através da internet (por exemplo, websites das MTVs dos diferentes países) exercitando a leitura com estratégias de reconhecimento de internacionalismos, de analogia entre línguas aparentadas e ativação de conhecimentos pré-existentes sobre o assunto lido. Projeto pode evoluir para uma intervenção no ambiente escolar, a partir do funcionamento de uma rádio plurilíngue nos recreios e intervalos produzida pelos próprios alunos.
  • Language mash-up: Trabalho similar a World music club, porém aqui o grupo se ocupa de pesquisar e estabelecer encontros entre as línguas nas músicas. O professor utiliza como input músicas de estilos jovens e atuais compostas em duas ou mais línguas (por exemplo, em espanhol com o refrão em inglês ou em alemão1) ou para as quais existem versões em duas ou mais línguas. Grupo investiga e discute as origens desses encontros (globalização, merchandising, imigração, fator identitário de minorias étnicas etc.). Projeto pode culminar com uma intervenção no ambiente escolar, em forma de instalação artística com sobreposições de músicas conhecidas em diferentes línguas (mash-ups) feitas pelos próprios alunos.
  • Árvore de línguas 3D: Grupo se dedica à construção de uma árvore linguística composta de caixas. Cada caixa ou outra forma geométrica representa uma língua e dentro de cada caixa pode ser inserida uma frase célebre ou ditado proveniente da respectiva língua. O mesmo pode ser empreendido em versão digital, desta vez, com a disponibilidade de recursos multimídia, podendo-se agregar então arquivos de som e de imagem através de hyperlinks.
  • Teatro “A torre de Babel”: A partir da análise da obra de Pieter Bruegel e outras representações e reflexão sobre a origem e a consequência da diversidade das línguas, grupo compõe texto plurilíngue e interpreta em forma de peça teatral uma alegoria à torre de Babel aplicada aos dias atuais. Boa fonte de inspiração e reflexão adicional talvez seja cena do filme “O terminal” (Terminal), de Steven Spielberg, com Tom Hanks. Diversidade linguística também pode ser representada por trilha sonora plurilíngue.
  • Clube “Language Terminal”: Professor media discussões a partir de textos não-acadêmicos (em especial artigos de jornal, relatos de viagem etc.) que tratem de aspectos históricos, políticos e culturais referentes às línguas, como a “morte” do latim, a hegemonia da língua inglesa, as (a pertinência de) línguas artificiais, línguas em contato, a genealogia das línguas etc. Projeto pode resultar em intervenção no espaço escolar em forma de instalações multimídia que provoquem a comunidade escolar à reflexão sobre as diferenças e semelhanças entre as línguas e o efeito do contato entre as línguas.
  • Desafios lógicos da International Olympiad on Linguistics: Professor propõe aos alunos problemas de Olimpíadas de Linguística anteriores (disponíveis para download nos respectivos websites).
  • Língua de quê?: A cada semana uma nova língua é apresentada ao grupo enfatizando aspectos culturais, fonológicos ou gramaticais, como produto da pesquisa individual ou aprendizado autônomo de um aluno, em forma de seminário ou oficina.


1 Ver, por exemplo, banda alemã Culcha Candela ou as canções-tema da Copa do Mundo 2010 (Waka waka, com versões em inglês e zulu e em espanhol e zulu; e Waving flag, com versões em inglês e espanhol e em inglês e árabe).