Conversas de professor: do 

maniqueísmo à obstinação


Robério Pereira Barreto

 


Sala de professores é sempre um lugar interessante. Nela se aprende de tudo um pouco. Inclusive, como não ser professor. Ficou confuso? Calma que explico direitinho. Às falas e práticas de muitos colegas podem ser compreendidas sem muito esforço intelectual, porque são em sua maioria reproduções dos discursos de seus mestres os quais foram vítimas de uma formação maniqueísta e que por muito tempo determinaram o que e quem seria politicamente certo e o que e quem iria à Tonga da mironga do kabuletê2. Além disso, há continuidade de equívocos de interpretação da função de professor, uma vez que alguns confundem o papel docente com o de membro da família, assumindo a resolução de problemas eminentemente familiares, em detrimento do ensino do saber científico e sistematizado de suas disciplinas.

 Por um lado, tem-se nas conversas de professores uma marca exclusiva; a reclamação de que o aluno não aprende, não está estimulado, é imaturo para aquele nível de ensino, etc.. (assumo a minha parte nesse problema, por mais que me esforce). Por outro, temos a rabujice daqueles que consideram sua disciplina como a mais importante na formação do estudante e que, portanto, os outros devem tomar o caminho da Tonga da mironga do kabuletê.

 Na verdade, há ocasiões em que tais diálogos se acentuam: reuniões pedagógicas e os fatídicos conselhos de classe. Nestas, a fala dos profissionais da Educação é uníssona quando se trata do (des)interesse do alunado. Não obstante, o próprio educador entra em contradição ao citar métodos e teorias usadas por ele em suas salas de aula como sendo algo importante. Está claro que não o são! Se assim o fossem, os discursos direcionar-se-iam a outros aspectos do processo de ensino-aprendizagem. Com efeito, o que se tem de real, tanto nos cursos de formação de professores como na prática cotidiana, é um dourar a pílula constante, ou seja, na graduação os estudantes ficam presos a ideologias de determinadas correntes teóricas enquanto se enganam, achando que aquela é a maneira que lhe assegurará um lugar ao sol. Embora lhes advirto: Estudantes, Professore, se vocês querem realmente fazer a diferença, tentem compreender e seguir uma corrente teórico-metodológica que lhes preencham enquanto professores-pesquisadores. Ao contrário, Serão mandados à Tonga da mironga do kabuletê e consigo levarão alunos cheios de falsos entendimentos. Em outras palavras, tudo isso pode ser desfeito e ganhar um novo significado à medida que estes profissionais inferirem que a aprendizagem se dá em espaços e maneiras significativas cuja interatividade e criatividade tanto dos alunos como dos mestres devem seguir os princípios da ética. Esta, por seu turno será objeto de prática cotidiana. Para tanto, a prática docente contemporânea não deve ser confundida com a vida particular de cada um, visto que os sujeitos procuram a escola o fazem na tentativa de serem respeitados nas suas diffèrances.Portanto é precisar esclarece-los sobre as realidades que os rodeiam tanto na teoria quanto na prática.

 Foto: Robério Pereira Barreto
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