Pitanguí Minas Gerais



 
 
     Não há dúvida de que Pitangui é uma cidade que respira História. 
Sua riqueza, em termos culturais, vai além 
do município, atingindo 
todo o Estado e o Brasil.
 
Descoberta por bandeirantes paulistas,
chefiados por Bartolomeu Bueno da Siqueira, foi a Sétima Vila Criada 
no Estado, em 1715, no 
ciclo do ouro, e elevada à cidade em 1855. Pertence hoje à Associação 
das 
Cidades Históricas de Minas Gerais
e  ainda, ao Circuito Verde –
Trilha dos Bandeirantes.
Terra-mãe do
Centro-Oeste Mineiro, por ser a cidade mais antiga da Região, é berço
de mais de 40 
municípios de Minas Gerais.
Pitangui é um convite ao turismo histórico, artístico-cultural e ecológico. Para se ter idéia do potencial histórico de Pitangui, é bom lembrar que a luta pela Independência do Brasil 
nasceu e culminou com a presença 
Ativa de personagens de sua história.
 


 
Entre 1713 e 1720, aconteceram as primeiras revoltas pitanguienses contra as imposições da Coroa Portuguesa, sendo a primeira, a Sublevação da Cachaça. A Revolta de 1720, liderada por Domingos Rodrigues do Prado, contra a cobrança do quinto do ouro, conclamava que “quem pagasse, morria”. Apesar da derrota da Vila de Pitangui, os pitanguienses não pagaram e Conde de Assumar, então governador da Capitania, teve, contrariamente à sua vontade, de anistiar a dívida, dizendo que “essa Vila deveria ser queimada para que dela não se tivesse mais memória”, chamando a população local de “mulatos atrevidos”. Foi a 1ª grande revolta contra a Coroa, antes mesmo da de Felipe dos Santos, em Ouro Preto. Em 1822, um vigário pitanguiense escreveria seu nome na história da Independência Brasileira: padre Belchior Pinheiro de Oliveira. Este foi conselheiro e confidente de D. Pedro I. Durante a jornada do 7 de setembro, padre Belchior aconselhou o imperador a proclamar a Independência do Brasil: “Se Vossa Alteza, não se fizer Rei do Brasil, será prisioneiro das Cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho, senão a Independência e a separação”. Pitangui, hoje, ainda preserva o seu sobrado, que é tombado pelo IPHAN e o seu túmulo, este, localizado nas escadarias da Igreja Matriz de N. Sra. do Pilar.



Como não poderia deixar de ser, Pitangui é um verdadeiro centro de DNA político.
A tradicional família pitanguiense do século XVIII, de Antônio Rodrigues Velho (o Velho da Taipa) e, posteriormente, do casal Inácio de Oliveira Campos e D. Joaquina (a Dama do Sertão), deram origem ao tronco familiar político mais importante do País, que fez descendentes como: Getúlio Vargas, Campos Sales, Rodrigues Alves, Juscelino Kubitschek, Gustavo Capanema, Francisco Campos, Benedito Valadares, Pedro Aleixo, Milton Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Magalhães Pinto, Eduardo Azeredo e Aécio Neves.Um dos destaques da política pitanguiense foi Gustavo Capanema, Ministro que mais tempo ficou no cargo em toda a História do Brasil. Foi o criador do IPHAN, SENAI, INEP, dos cursos de Jornalismo, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Educação Física e Arquitetura e Urbanismo. Outro que se sobressaiu foi Martinho Campos, político ator do Império. Além destes, Olegário Maciel, Ivan Pedro de Martins e Benedito Cordeiro dos Campos Valadares, também tiveram projeção nacional. Duas das mais importantes matriarcas mineiras do século XVIII e XIX, Maria Tangará e D. Joaquina, viveram em Pitangui e tinham  grande poderio econômico, tendo a segunda sustentado a Corte Portuguesa, com mantimentos, na sua vinda para o Brasil, em 1808.
Pitangui também é arte. Na música, nomes de sucesso, com destaque para bandas, grupos de seresta, corais e cantores com reconhecimento regional, nacional e internacional. Na literatura, destaque para José Rangel, que além de grande escritor, foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras e do 1º grupo escolar de Minas Gerais, em Juiz de Fora. Também merece citação, Bartolomeu Campos Queirós, ganhador do Prêmio Jabuti, em 1983. Na arte da caricatura e dos cartuns, a figura ímpar de um dos pioneiros da Rede Globo de Televisão - Mauro Borja Lopes (Borjalo). É o criador da Zebrinha da Loteca (atração das crianças do Brasil, nos anos 70/80), do primeiro logotipo da emissora, da vinheta do “plim-plim” e idealizador do Jornal Hoje e do Fantástico, além de muitas novelas que marcaram época.



  Os pontos turísticos do município são bastante diversificados e para todos os gostos. Possui capelas e igrejas do século XVIII e XIX, charmosas fazendas coloniais, casarões de grandes personalidades, minas de ouro desativadas, além do Chafariz da Praça e da Mina de água da Lavagem, marcos, respectivamente, da chegada da água potável em Pitangui e da lavagem do ouro pelos garimpeiros no início do século setecentista. O Centro Histórico, um dos atrativos do município, está em processo de tombamento pelo IEPHA-MG, devido ao traçado urbanístico português e ao acervo arquitetônico colonial e eclético. O Instituto Histórico de Pitangui, cujo prédio que o abriga, também tombado pelo Patrimônio Nacional, guarda um dos principais acervos sacros do Estado e o mais completo arquivo judicial do Centro-Oeste Mineiro, um dos maiores do País. Guarda relíquias da história econômica, indígena, além de Museu da Imagem e do Som, máquinas tipográficas, mobiliário de época e peças de período de guerras e escravocrata. Cortando um trecho do bairro da Penha, pode-se chegar à Estrada Real, que ligava a Vila até Paracatu e daí a Goiás Velho (Picada de Goiás), Por aí passavam as mercadorias, durante o século XVIII. Segundo historiadores, o registro de Pitangui era o mais movimentado, pois era o mais importante para o comércio da Capitania na época. Pitangui foi o mais importante centro agrícola-comercial mineiro, com destaque para a pecuária, no ciclo do abastecimento (final do século XVIII e início do século XIX). Para quem gosta de ecologia, Pitangui também não faz feio. A mina d’água da Gameleira, as Matas do Céu, da Rocinha e da Pedreira, bem como os rios Pará e São João são verdadeiros convites à aventura e ao descanso. E, para completar o quadro paisagístico, o Cristo Redentor e a Capela, no alto da Serra da Cruz do Monte, um local aprazível, de onde se contempla toda a cidade.
Após se deleitar com as belezas da cidade, o turista pode optar por uma vasta rede hoteleira, de variados 
preços e gostos, incluindo dentre eles hotéis-fazenda, pousadas e ainda apreciar música ao vivo, além 
da boa cozinha mineira em churrascarias, lanchonetes, restaurantes e bares da cidade.
Pitangui, cidade-presépio, busca, agora, novos rumos, com o fortalecimento de sua estrutura educacional, 
de saúde e desenvolvimento da indústria turística, em pleno século XXI.

Texto: José Eustáquio Lopes de Faria Júnior



 


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