31) EXECUÇÃO DE TUNNEL LINER

MÉTODO NÃO DESTRUTIVO

 

BUEIROS METÁLICOS EXECUTADOS SEM INTERRUPÇÃO DO TRÁFEGO

  

1.  GENERALIDADES 

Esta especificação trata dos procedimentos a serem seguidos na execução de bueiros metálicos montados sob vários tipos de terrenos naturais, bem como sob aterros existentes, sem interrupção do tráfego (Método Não Destrutivo).

 

2. MATERIAIS

 

2.1.  Chapas metálicas corrugadas galvanizadas 

Serão utilizadas chapas metálicas corrugadas galvanizadas para os casos em que não sejam previstas condições de utilização agressivas. As chapas serão fornecidas pelo fabricante acompanhadas dos parafusos e porcas necessárias à montagem, bem como das ferramentas apropriadas.

 

2.2.  Chapas metálicas corrugadas revestidas com epoxy 

A utilização de chapas metálicas corrugadas revestidas com epoxy é indicada para situações em que sejam previstas condições de utilização agressivas, como aquelas prevalentes em regiões litorâneas, regiões urbanas e na condução de esgotos sanitários e/ou despejos industriais.

 

Além das porcas, parafusos e ferramentas necessárias à montagem, o fabricante deverá fornecer pincéis e resina epoxy destinados ao retoque de eventuais pontos em que o revestimento tenha sido danificado durante o transporte ou manuseio das chapas.

 

2.3.  Material de enchimento 

Para o enchimento dos espaços vazios existentes entre a face externa das chapas metálicas corrugadas e o solo de aterro será utilizada argamassa fluida constituída de solo argiloso, cimento e água, obedecendo ao seguinte traço aproximado, estabelecido para um misturador com capacidade de 250 l: 

*     Cimento: 13 kg

*     Água: 20 l

*     Argila peneirada: 250 kg 

A argamassa assim preparada deverá apresentar uma resistência à compressão simples, aos 28 dias, de no mínimo 1,5 Mpa.

 

2.4.  Material vedante 

Caso se deseje incrementar a estanqueidade do bueiro metálico deverão ser introduzidas tiras de feltro nas emendas das chapas.

  

3. EXECUÇÃO 

As etapas executivas a serem atendidas na construção dos bueiros metálicos pelo Método Não Destrutivo são enumeradas a seguir : 

3.1.  Investigação do Terreno 

Previamente à execução da obra deverão ser efetuadas sondagens à percussão, objetivando a determinação do nível do lençol freático e dos resultados de SPT (Standart Penetration Test). Estes parâmetros se prestarão a orientar a escolha do tipo de escoramento a ser adotado. 

3.2.  Abertura de Poços de Ataque 

Caso não seja viável, em função das condições locais, o emboque direto, deverão ser abertos, em pontos convenientes, poços de ataque de seção circular, escorados com as mesmas chapas metálicas e diâmetro imediatamente superior ao utilizado no túnel.

Os poços de ataque revestidos poderão ser aproveitados como poços de visita definitivos, caso julgado necessário. 


3.3.  Esgotamento 

No fundo do poço de ataque, caso necessário, deverá ser escavado um reservatório onde se instalará uma bomba d’água elétrica submersa. O reservatório deverá ficar em cota mais baixa do que a da geratriz inferior do bueiro, recebendo toda a água de infiltração advinda das paredes do poço de ataque e do próprio corpo do bueiro. Para favorecer o escoamento da água de infiltração, o bueiro deverá ser executado no sentido de jusante para montante.

 

3.4.  Implantação 

Tendo sido locado o eixo da obra, será iniciada a escavação manual da frente de ataque, que poderá se dar a partir do próprio talude de aterro ou de um poço de ataque. 

A escavação deverá ser feita dentro de um perímetro o mais próximo possível à circunferência externa do bueiro e com profundidade aproximadamente igual ao comprimento de cada chapa, em geral 46 cm. 

Imediatamente após a escavação, será executada a montagem do primeiro anel, ajustando-se as chapas ao terreno e fixando-as uma às outras com os parafusos e porcas específicas. 

Para o prosseguimento das operações serão repetidas sucessivamente etapas de escavação e montagem de cada anel. 

Em casos excepcionais onde o terreno não exibir resistência, será adotado o processo alternativo a seguir descrito: 

Na medida em que for sendo feita a escavação manual da frente de ataque, deve-se cravar no terreno, à frente da escavação, uma aba metálica em forma de abóbada circular. Essa aba metálica terá apoio deslizante sobre uma viga metálica que será suspensa nos flanges do trecho já executado e terá sua ponta solidamente cravada no terreno ainda não escavado. A aba metálica suportará a abóbada de solo proveniente da escavação até que um novo anel tenha sido montado sob proteção da aba. 

A partir dessa fase o novo anel já terá condições de substituir a função da aba quando esta for avançada. O deslocamento da aba pra proteger a escavação do anel seguinte é feito cravando-a para frente com auxílio de macacos mecânicos que se apoiam em orelhas convenientemente fixadas nos flanges do bueiro metálico. Essas orelhas vão sendo removidas à medida em que a frente de trabalho vai progredindo. 

A frente que será escavada terá seu talude escorado por um escudo frontal constituído de chapas metálicas retangulares ou trapezoidais com espessura de ¼”. Estas cobrirão toda a superfície do talude frontal. As chapas devem ser escoradas com pressão sobre o terreno por estroncas metálicas apropriadas, extensíveis à custa de dispositivo telescópico e de rosca para aperto final. As estroncas serão apoiadas nos flanges do trecho já montado. 

Para permitir a escavação da frente, as chapas metálicas que constituem o escudo frontal serão removidas uma de cada vez. Posteriormente, serão montadas novamente, com aperto contra o terreno após a escavação do solo de um comprimento correspondente a um novo anel. Depois que todas as chapas do escudo frontal forem transferidas para a frente, o espaço escavado permitirá a montagem de novo anel. Durante a montagem do novo anel, a câmara de trabalho estará com a frente escorada pelo escudo frontal e o teto da escavação sustentado pela abóbada da aba. 

Depois de montado o anel novas séries de operações permitem a montagem dos anéis seguintes e, assim, sucessivamente. Os anéis serão soldarizados nos adjacentes por parafusos e porcas galvanizados de 16 x 32 mm ou 16 x 38 mm, de acordo com a bitola, que devem ser distribuídos ao longo dos flanges laterais dos anéis. As chapas de cada anel serão emendadas por transpasse de parafusos e porcas das mesmas dimensões, porém com o pescoço quadrado e providos de arruelas de pressão, que mantém o parafuso no furo também quadrado da chapa, para permitir que a porca seja apertada pelo lado interno. 


3.5.  Vedação 

Na eventualidade de se desejar aumentar a estanqueidade do bueiro metálico, deverão ser introduzidas tiras de feltro nas emendas das chapas.

 

3.6.  Enchimento 

Os espaços vazios existentes entre a face externa dos anéis metálicos e o terreno natural deverão ser preenchidos a fim de se evitar recalques posteriores. Para tal, deverá ser utilizado o material fluido de enchimento especificado, o qual será injetado através de furos com diâmetro de 1 ½” executados em chapas alternadas. Para a injeção será utilizada bomba de deslocamento positivo, que permita recalcar a massa fluida com pressão de 1 Mpa. Opcionalmente, e a exclusivo critério da Fiscalização, o enchimento poderá ser feito, após a montagem de cada anel, com a utilização de soquetes de madeira especialmente construídos para este fim.

 

3.7.  Acompanhamento Topográfico 

A declividade e o alinhamento definidos no projeto serão controlados topograficamente, a cada etapa da montagem.

 

3.8.  Condições Especiais 

*     Lençol Freático: 

A presença de lençol freático elevado poderá levar à necessidade de soluções especiais para o seu rebaixamento, como a utilização de drenos sub-horizontais. Estes serviços especiais serão computados separadamente.

 

*     Solos Inconsistentes: 

Caso ocorram solos de baixa consistência, medidas especiais poderão ser necessárias, como por exemplo a injeção de aglutinantes no solo envolvente ao bueiro a executar. O tipo, a quantidade e o processo de injeção serão definidos através de estudos específicos, e considerados separadamente.

Poderá ser feito enfilagem tubular injetada com perfuração e aplicação de tubos metálicos SCH manchetados com injeção de calda de cimento para garantia da escavação sem que ocorra risco de desmoronamentos causando dano a obra e aos trabalhadores, o consultor geotécnico habilitado define a segurança da escavação e a metodologia executiva. 

  

3.9.  Bocas de Entrada e Saída 

Concluída a montagem dos anéis de chapas metálicas corrugadas, serão executadas as bocas de jusante e montante em concreto. Para bueiros metálicos com diâmetro até 160 cm, serão utilizadas as mesmas bocas de saída indicadas para bueiros tubulares de concreto de diâmetros aproximadamente iguais. Já para bueiros metálicos com diâmetros superiores a 160 cm, serão adotados as bocas de saídas de bueiros celulares de concreto. Neste último caso, a boca do bueiro celular será adaptada para que o muro e testa se ajuste à seção circular do bueiro metálico.

 

Em qualquer caso, a extremidade do bueiro metálico será encorada no concreto pela utilização de 12 (doze) parafusos galvanizados de diâmetro de ¾”, com 6” de comprimento, dispostos a cada 30º ao longo do perímetro do bueiro.

  

4. CONTROLE

 

4.1.  Controle Geométrico e de Acabamento 

O controle geométrico consistirá na conferência, por processos topográficos correntes, do alinhamento, esconsidades, declividades, comprimentos e cotas dos bueiros executados e respectivas bocas. 

As condições de acabamento serão apreciadas, pela Fiscalização, em bases visuais.

  

4.2.  Controle Tecnológico

 

O controle tecnológico do concreto utilizado na bocas será realizado pelo rompimento de corpos de prova à compressão simples, aos 7 dias de idade, de acordo com o prescrito na NBR 12655 da ABNT. Para tal deverá ser estabelecido, previamente, a relação experimental entre as resistências à compressão simples aos 28 e aos 7 dias. 

*     As características geométricas previstas tenham sido obedecidas. Em especial, as deformações de estrutura avaliadas por medidas internas não devem ser superiores a 5% do diâmetro do tubo; 

*     A resistência à compressão simples estimada (fck) est. Do concreto utilizado nas bocas, definida na NBR 12655 da ABNT seja superior à resistência característica especificada.

 

5.0       Fornecimento do  Material 

As chapas metálicas galvanizadas, serão fornecidas de acordo com suas especificações do projeto.

A estocagem deste material será feite de forma a garantir sua integridade, bem como o seu uso e aplicação, sob orientação do fabricante do referido produto.

Será indicado um profissional Responsável Técnico para acompanhamento dos serviços.




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